Por Silvio
Dutra
Se pretendemos fazer uma avaliação
real, honesta e correta da vontade de Deus, sobretudo em relação à santidade
que é esperada por Ele de nós, é necessário que o façamos estando fortificados
pela graça, andando no Espírito, pois não é incomum que se atribua grandes
distorções ao pensamento do que seja tal vontade, quando nos encontramos em
estado de fraqueza espiritual, andando na carne e segundo o curso de pensamento
deste mundo.
Quando somos fracos para a carne, somos fortes no
Espírito, mas quando somos fracos no Espirito, quem se fortalece é a carne, e
nada do que é gerado pela carne pode ser efetivamente espiritual.
Sendo Deus espírito, importa que possa ser somente
conhecido em espírito, e, em consequência, se somos fracos no espírito, não
podemos realizar uma justa avaliação de qual seja a boa, perfeita e agradável
vontade de Deus. Esta é a razão de que mesmo entre os crentes se veja noções
muito incorretas do que seja um viver santo, pois, uma mentalidade carnal e
mundana, não somente é incapaz de conhecer o que seja a verdadeira santificação,
como também não pode manifestar qualquer interesse real por ela.
Os conceitos que são tão essenciais e que se
encontram intimamente ligados à santificação real, como por exemplo, os de
mortificação, de renovação, de despojamento do velho homem e revestimento do
novo, da autonegação e do verdadeiro carregar da cruz, não apenas são
desconhecidos nestes casos, como também chegam a ponto de operar verdadeiro pavor
em somente se pensar neles, como sendo coisas inalcançáveis, impossíveis e exageradas.
E a rigor, o são de fato se consideradas do ponto-de-vista da carne, pois não
se encontra no poder da carne a possibilidade de estar sujeita a elas.
O prazer em tais noções ligadas à santidade só pode
ser achado naqueles que estão sendo santificados de fato pelo Espírito Santo, e
mediante a prática da Palavra, pois é todo o desejo deles cumprir somente o que
seja da vontade de Deus em todo o seu procedimento, ainda que isto lhes custe
ter que passar por várias provações da fé, para serem aperfeiçoados na referida
santidade.
Agora, de onde decorre toda esta dificuldade para
sintonizarmos a nossa vontade com a do Senhor?
Tudo começou na Queda, no Pecado Original no Jardim
do Éden, quando o homem escolheu viver desligado da Cabeça Divina, sem levar em
conta que é inteiramente dependente do Criador para ter a vida espiritual
abundante para a qual havia sido destinado a alcançar em graus cada vez maiores,
pela íntima comunhão com o próprio Cristo.
Ao escolher a vontade de Satanás, e não a do
Criador, caiu em estado de rebelião, sujeitando ao referido estado toda a sua
descendência.
Tornou-se escravo do pecado, do diabo e de si
mesmo, e não desfruta da liberdade daqueles que são prisioneiros da graça de
Deus, ligados a Ele pelos laços do amor eterno.
Nesta condição, como poderia ter prazer em viver
pela vontade de um outro, a saber de Jesus Cristo, designado para ser a Cabeça
dos homens eleitos para serem os verdadeiros filhos de Deus?
Como poderiam ter a mesma satisfação plena do próprio
Filho Unigênito em se submeter inteiramente ao Pai, estando desligados da
Cabeça Santa e Eleita que foi designada pelo Pai para governar seus espíritos e
vontade?
Não é sem motivo que a Bíblia declara como maldito
o homem que confia no mero homem para ser o Seu Guia, Pai e Senhor nas questões
relativas à vida espiritual eterna, pois todo aquele que o fizer será achado
debaixo de maldição, pois a bênção divina para o homem pode ser encontrada
somente quando a sua confiança está inteiramente depositada em Cristo. e vivendo
debaixo do Seu jugo, direção e instrução.
Então, quando um crente não anda no Espírito, não
segue e não vive as instruções da Palavra de Deus, fazendo dela a sua única
regra de fé e de prática, será inútil tentar tratar com ele sobre assuntos
espirituais, pois o seu coração não está cheio da Palavra, e a boca fala
somente daquilo de que o coração está cheio, e geralmente, nestes casos
transborda com as coisas que são do mundo, das que são daqui debaixo, e não das
que são de Deus e do alto.
Muitos vão ficando cada vez mais endurecidos na citada
condição, e isto chega a tal ponto que parece quase impossível trazê-los de
volta ao ponto de onde decaíram da graça. Afeiçoaram-se ao mundo de tal maneira
que tudo lhes parece muito natural e lícito, ainda que haja entre o que aprova
coisas que sejam verdadeiras abominações aos olhos de Deus, havendo inclusive
entre elas aquelas que são afirmadas diretamente na Palavra como tal.
Este afastamento (apostasia) da fé e da verdade,
sobretudo por um procedimento resultante de uma mentalidade carnal e mundana é
uma das características principais profetizadas na Bíblia como sendo
indicadoras da proximidade do retorno do Senhor para julgar o mundo. A segunda
em ordem é o aumento da iniquidade que conduzirá à manifestação do Anticristo.
O mundo está fervendo como um caldeirão que cada
vez fica mais borbulhante, e o pecado é visto transbordando por todas as
partes, sendo banalizado por causa de sua ocorrência tão comum. Parece algo
aceitável, normal, ligado indissoluvelmente à estrutura do homem, e com isto se
esquece que este foi criado perfeito, para viver em perfeição diante do Seu
Criador, por toda a eternidade.
Cristo, e somente Ele, pode nos resgatar desta
miserável condição de escravidão ao pecado, de modo que estando libertados,
possamos viver parar servir e amar a Deus e a todos os que são por Ele gerados
e amados.
Ninguém se iluda, pois sem santificação ninguém
poderá ver o Senhor (Hebreus 12.14).
Sem esta estranha forma de viver para os que são do
mundo, em que consiste a santificação, ninguém chegará a conhecer a vontade de
Deus, a fazer uma justa avaliação da mesma, e o pior de tudo, jamais poderá ser
achado na Sua presença, quer aqui embaixo, quer no por vir, lá no Céu.
Muito melhor então ser considerado um estranho para
o mundo, se a causa disto é a de ser um amigo bem conhecido por Deus.
Não importa se somos abandonados, rejeitados,
perseguidos, desde que mantenhamos uma boa consciência para com Deus e todas as
pessoas que são pela verdade.
Temos razão de dar muitas graças ao Senhor, que não
somente nos salvou, como também nos leva a ficar interessados na salvação de
outros, para que também sejam transportados das trevas para a luz, da potestade
de Satanás para a de Deus, a fim de serem santificados por meio da fé em Jesus.
Em nós mesmos somos fracos, mas no nosso Deus somos
feitos fortes.
Em nós não habita qualquer excelência que seja de nós
mesmos, mas temos a sobre-excelente glória do poder do Espírito Santo que habita
nestes frágeis vasos de barro que são os nossos corpos.
Não temos luz própria, mas a luz de Jesus é
refletida por nós, quando obedecemos os Seus mandamentos e fazemos o que Lhe é
agradável.
É Ele quem acende, e faz aumentar ou diminuir o
brilho da nossa lâmpada, de forma que somente a Ele seja tributada toda a glória.
Bendito Senhor, bendito Salvador, bendito Remidor,
bendito Rei, Sacerdote e Profeta, que nos faz compreender e nos capacita a fazer
e a sofrer a vontade de Deus com grande alegria em nossos corações. Sem isto,
nada somos, e ainda que entreguemos o nosso corpo ao martírio, distribuamos
todos os nossos bens aos pobres, e façamos muitas obras em nome de Deus, nada
somos, nada nos aproveitará no fim,
quando nos encontramos vazios do real conhecimento da vontade de Deus para as
nossas vidas, que é sobretudo o de que nos santifiquemos mediante a Sua
Palavra, pelo poder, direção e instrução do Espírito Santo.
“Porque esta é a vontade de Deus, a vossa
santificação; que vos abstenhais da fornicação; (1 Tessalonicenses 4:3)
“Ora, amados, pois que temos tais promessas,
purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a
santificação no temor de Deus.” (2 Coríntios 7:1)
“Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos
de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.” (Romanos
6:22)
“Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas
para a santificação.” (1 Tessalonicenses 4:7)
“Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para
nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;” (1
Coríntios 1:30)
“Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós,
irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a
salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade;” (2 Tessalonicenses
2:13)
“Segui a paz com todos, e a santificação, sem a
qual ninguém verá o Senhor;” (Hebreus 12:14)
“Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em
santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus
Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.” (1 Pedro 1:2)
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