São exatamente duas horas da madrugada de 6-6-2017.
Acordei com o pensamento na pequenina Eloá que se encontra hospitalizada
tratando de um câncer que começou pelo cérebro, e que sendo operada,
espalhou-se como metástase pelo seu corpinho, e ainda agora está sendo
alimentada por meio de um tubo ligado diretamente ao seu estômago, porque
perdeu os movimentos de um lado de seu corpo, não conseguindo abrir um dos
olhos, e tendo perdido a capacidade de mastigação.
A condição da nossa pequenina e querida
Eloá tem movido os corações de muitos, e especialmente não poucos crentes a
estarem intercedendo em seu favor diante de Deus, para que a cure ou que a
sustente e a seus pais com a Sua poderosa graça.
Há muito tempo que eu não escrevia sobre
a temática da enfermidade, mas fui inspirado pelo presente quadro a voltar a
discorrer sobre o assunto, não no afã de encontrar respostas definitivas para o
propósito de Deus em nossas fraquezas e enfermidades, mas para achar algum
consolo da parte da Palavra e do Espírito Santo para os nossos corações em
perplexidade.
Por que sofrem os pequeninos?
Por que sofrem os justos?
Estas são perguntas que nunca querem se
calar, e portanto, devemos nos entregar a alguma forma de reflexão para
acharmos pelo menos algumas respostas adequadas que nos façam entregar-nos
submissamente aos propósitos e à soberania de Deus, reconhecendo que Ele sabe o
que faz e que tem sob inteiro controle tudo o que se passa na Sua criação, que
presentemente geme, aguardando a manifestação gloriosa e final dos filhos de
Deus.
Não apenas a pequena Eloá que está
passando por esta enfermidade antes mesmo de completar seu primeiro ano de
vida, como muitas outras crianças, jovens, adultos e velhos estão transitando
pelo mesmo vale de dores nesta hora, e em todos os momentos da história da
humanidade, desde que a criação ficou sujeita a estas dores, sofrimentos e
lágrimas, desde a Queda original de Adão no jardim do Éden.
Estas vidas são levantadas por Deus em
sua soberania, para serem faróis nos alertando de que já se encontra instalada
em todos nós, uma morte espiritual, para a qual somente Ele pode prover a cura
por meio das chagas de Jesus Cristo.
Se não houvesse enfermidades físicas e
mentais em nossa presente condição caída, é bem certo que ficaríamos totalmente
insensíveis para este fato e toparíamos no final de nossa jornada terrena, com
uma morte eterna, em um inferno de fogo, onde o sofrimento nunca tem fim.
Assim, devemos ser gratos a Deus por sua
grande misericórdia, em nos alertar, a todos nós, por meio das enfermidades que
experimentamos deste outro lado céu, porque, por elas somos avisados de que há
algo estranho na criação original, que a corrompeu, e que a levou à
deterioração espiritual, a qual é refletida no corpo, pois, nele, podemos
perceber visivelmente, que de fato há uma morte eterna, pelo que podemos
observar na corrupção gradativa do nosso homem exterior, que a cada dia se
aproxima mais e mais do seu retorno ao pó do qual foi formado.
Isto se processa mais velozmente em uns
do que em outros, mas o grande fato é que todos estamos morrendo fisicamente a
cada dia que passa, até que haja o desfecho final com o último suspiro exalado
sobre a face da Terra.
Muito bem, amados, esta é a condição
geral que nunca devemos perder de vista, para que não venhamos a atribuir
alguma forma de injustiça da parte de Deus em permitir que alguns sofram mais
do que outros, porque afinal, o grande e terrível sofrimento a ser evitado é
aquele que ocorrerá para todo o que não tiver Jesus Cristo como seu Salvador e
Senhor.
Dos pequeninos é o reino dos céus. Eloá
está sendo cuidada pelo Senhor, pela consolação de Sua graça, poder e amor.
Aquele que disse “deixai vir a mim os pequeninos” é o mesmo que vai sempre ao
encontro deles, especialmente nestas horas de maior necessidade da Sua amada
companhia.
Agora, num exame mais detalhado e acurado
do assunto, devemos, antes de tudo, entender que nem toda enfermidade é ditada
por uma consequência direta de pecados praticados pelo que sofre ou por seus
pais, conforme o próprio Senhor Jesus Cristo afirma nas páginas do evangelhos.
“Respondeu
Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as
obras de Deus.” (João 9.3).
Quando abordado pelos discípulos com esta
inferência ele lhes esclareceu que as enfermidades são para manifestar a glória
de Deus. Há muito a ser considerado nestas palavras, pois elas se referem não
apenas ao propósito geral de Deus de manifestar a sua glória curando
enfermidades, mas também, em manifestar através delas a sua exclusiva soberania
em determinar quem deve ser ou não acometido por determinados tipos de doenças,
de modo a cumprir o seus muitos propósitos, e dos quais tivemos já a ocasião de
antecipar alguns deles.
Outros que são notórios, é que por meio
das enfermidades do corpo, Deus efetua a obra de curar as enfermidades do
espírito de muitos, porque estas fazem parte das variadas tribulações a que
estamos sujeitos, e que visam ao nosso aperfeiçoamento e cura espiritual.
Também aprendemos a simpatizar com o
nosso próximo, conforme Deus simpatiza conosco em nossas aflições. Ficamos, por
assim dizer, mais sensíveis ao sofrimento alheio. Desprendemos os olhos de
nossos próprios problemas para compartilhar os sofrimentos de outros, para lhes
oferecer um ombro amigo para ajudá-los a carregarem os seus fardos, e nisto se
aprende e se experimenta o amor, conforme ele se encontra na própria natureza
divina, da qual somos tornados participantes por meio da nossa comunhão com
nosso Senhor Jesus Cristo.
Se a criação não tivesse ficado sujeita à
vaidade, é certo que não haveria aqui nem choro, nem lágrima, nem dor, que será
a condição que será achada na restauração de todas as coisas, quando o próprio
Deus enxugará de nossos olhos todas as lágrimas, para que nunca mais voltemos a
chorar.
Mas, como aprenderíamos, senão por este
modo doloroso, o consolo de Deus no sofrimento?
O que conheceríamos da Sua misericórdia,
a não ser por sermos visitados por Ele com provisão para as nossas misérias?
Onde aprenderíamos a consolar outros com
as mesmas consolações com que somos consolados por Deus?
Assim que, apesar de a enfermidade e a
morte serem elementos estranhos à natureza de Deus, pois é Deus de vivos e não
de mortos, e no qual há plenitude de força e alegria, todavia elas cumprem os
Seus propósitos em um mundo caído, de modo a prover a cura a todos aqueles que
almejam pela vida eterna em Cristo Jesus.
Estes propósitos são levados a efeito por
Deus mesmo nas vidas daqueles dos quais ele dá o testemunho de serem justos,
tementes a ele e que se desviam do mal, como foi o caso de Jó.
O Senhor queria curá-lo da inclinação
para a justiça própria, que nele ainda havia, e levar-lhe a ter um conhecimento
mais profundo da Sua vontade e pessoa, de modo que desviou para Jó a atenção de
Satanás, que afirmou que toda a santidade de Jó não era fruto do amor dele por
Deus, mas por ser um interesseiro que estava simplesmente focado nos favores
que recebia dEle.
Então, ocorreu tudo o que todos nós já
conhecemos, e vemos em grandes sofrimentos aquele que era um dos favoritos do
céu.
Como isto pode ser entendido pela simples
razão natural?
Deixar ser afligido a quem se ama?
Sim. Desde que seja este o único meio
pelo qual possamos ser levados a ter uma maior alegria e comunhão com o Senhor.
Por isso se afirma nas Escrituras que
devemos nos gloriar nas próprias tribulações, e ter por motivo de grande
alegria o passar por variadas tentações. Ou seja, desde que tais experiências
carreguem consigo este supremo propósito de nos tornar mais semelhantes ao
Senhor Jesus.
Chegará
o dia em que todos os crentes, sem exceção, serão perfeitos, sem qualquer falha
moral, pecado ou enfermidade, mas este dia ainda não chegou, e seremos sábios
em entender que não podemos aplicar no presente uma condição que está prometida
a existir em grau absoluto somente no porvir.
Deste
modo não se pode afirmar que pelo fato de ainda estarmos sujeitos à prática
eventual do pecado, em razão da natureza terrena, que estamos sujos diante de
Deus ou com o templo do Espírito Santo que é o nosso corpo, sujo, porque fomos
lavados pelo sangue de Jesus, e necessitamos lavar senão os pés, conforme Ele
próprio afirmou: “Respondeu-lhe Jesus: Aquele que se banhou não necessita de
lavar senão os pés, pois no mais está todo limpo; e vós estais limpos, mas não todos.
Pois ele sabia quem o estava traindo; por isso disse: Nem todos estais limpos.”
(Jo 13.10,11). E ainda: “Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho
falado.” (Jo 15.3).
De
igual modo, por conseguinte, não se pode afirmar que um crente que está enfermo
estará com o templo do Espírito, que é o seu corpo, sujo, por causa da sua
enfermidade.
Ainda
que muitas enfermidades sejam colocadas até mesmo em servos de Deus pelo diabo,
como se deu no caso de Jó, nem por isso eles estão com o templo de Deus, que é
o corpo deles, sujo por causa da enfermidade, de modo que o Espírito Santo
viesse a se retirar deles por causa da sujeira produzida no corpo deles, como
alguns alegam, em razão da presença da enfermidade.
A
propósito, nenhuma pessoa, na Nova Aliança, é considerada imunda por Deus, de
modo que não possa receber a habitação do Espírito Santo, por meio da fé e do
arrependimento. Foi exatamente isto que Ele ensinou a Pedro com a visão do
lençol cheio de animais considerados cerimonialmente imundos pela Lei, que Deus
ordenou que Pedro matasse e comesse: “Pela segunda vez lhe falou a voz: Não
chames tu comum ao que Deus purificou.” (At 10.15). Assim o Espírito Santo
habita em pecadores, regenerando-os, mas enquanto neste mundo, não deixam de
ser pecadores, porque estão ainda sujeitos ao pecado em razão da natureza
terrena, mas não é por serem pecadores que o Espírito Santo deixa de operar nos
que creem e se arrependem, mas em razão de apostasia dos que viram as suas
costas para Deus e para a Sua vontade e permanecem na prática deliberada dos
seus pecados, sem que se arrependam disso.
Deus
não tem feito nenhuma promessa na Nova Aliança de que não permitiria que nenhum
crente enfermasse. E não tem também feito nenhuma promessa absoluta de curar
todos os que ficassem enfermos. Ele tem reservado isto à Sua exclusiva
autoridade, curando, podemos dizer, muito e realmente muito mais do que
enfermando, em face da Sua misericórdia e poder. Mas não são poucos os casos em
que crentes fiéis têm passado à perfeição da glória, através da morte, em razão
de enfermidades, e muitas delas, não raro, muito severas, como o câncer.
E
se na soberania de Deus nem sequer um pássaro cai do céu sem a Sua permissão
divina, muito menos, nenhum dos seus servos ficará ou permanecerá enfermo sem a
Sua permissão.
É
isto que Jesus quis ensinar aos discípulos no caso daquele cego de nascença.
Assim,
para nossa reflexão, estamos destacando a seguir alguns dos textos bíblicos que
tratam do assunto, e nos quais nós vemos que o Deus soberano opera como quer e
com quem quer, e onde quer. Afinal Ele é Deus, e como disse Lutero, devemos
deixar Deus ser Deus, no sentido de entendê-lo nesta soberania que lhe pertence
e que é claramente revelada nas Escrituras.
1)
“Depois destas coisas disseram a José: Eis que teu pai está enfermo. Então José
tomou consigo os seus dois filhos, Manassés e Efraim.”. (Gên 48.1)
A
causa da morte de Jacó foi uma enfermidade.”
2)
“dizendo: Se ouvires atentamente a voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é
reto diante de seus olhos, e inclinares os ouvidos aos seus mandamentos, e
guardares todos os seus estatutos, sobre ti não enviarei nenhuma das
enfermidades que enviei sobre os egípcios; porque eu sou o Senhor que te sara.”
(Êx 15.6)
Deus
está afirmando expressamente que Ele mesmo envia enfermidades por motivo de
julgamento do pecado. Assim não está fazendo nenhuma promessa absoluta de que
nenhum israelita nunca ficaria enfermo caso lhe fosse fiel, pois como vimos, o
patriarca deles, Jacó, morreu de uma enfermidade. O que Ele está dizendo é que
não castigaria com enfermidades aqueles que não violassem a Sua aliança. Ele
julgou os pecados dos egípcios com enfermidades. E agora está dizendo ao Seu
povo que o pecado deliberado pode ser a causa de visitação dos Seus juízos com
enfermidades.
Destas
palavras, também se aprende que o fato de Deus garantir uma vida saudável aos
israelitas sob os termos da Antiga Aliança, era um sinal indicativo de que a
causa das enfermidades que existem no mundo é o pecado. O andar contrariamente
à vontade do Senhor e se rebelado a Ele, como era o caso das nações pagãs.
Israel,
sendo preservado dos juízos que sobrevieram aos egípcios nos dias de Moisés,
serviria de sinal para o mundo de que aqueles que andam com Ele são livrados
dos seus juízos destruidores.
Hoje,
sabemos à luz mais plena da Nova Aliança, que mesmo quando Deus traz
enfermidades sobre os crentes genuínos, estas não carregam um propósito
destrutivo, como se deu no caso dos egípcios, mas corretivo, assim como um pai
que corrige o seu filho.
É
portanto, sob esta luz, que devem ser entendidos os seguintes textos a seguir:
3)
Servireis, pois, ao Senhor vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa
água; e eu tirarei do meio de vós as enfermidades. (Êx 23.25)
4)
“E o Senhor desviará de ti toda enfermidade; não porá sobre ti nenhuma das más
doenças dos egípcios, que bem conheces; no entanto as porá sobre todos os que
te odiarem.” (Dt 7.15).
Veja
que é dito claramente que é o próprio Deus que colocaria as enfermidades por
motivo de julgamentos, e seria também o próprio Deus que não as colocaria por
motivo de não exercer juízos usando enfermidades, em face de obediência à
aliança, sem que isto significasse, como já dissemos antes, uma promessa de
caráter absoluto de premiar aquele que é obediente não permitindo que nunca
ficasse enfermo. Vale lembrar que a enfermidade é o caminho mais usual para a
morte, e mesmo crentes morrem, doutra sorte Abraão, Noé e muitos outros ainda
estariam vivendo plenamente saudáveis entre nós, vivendo neste corpo de carne e
sangue.
5)
“então o Senhor fará espantosas as tuas pragas, e as pragas da tua
descendência, grandes e duradouras pragas, e enfermidades malignas e
duradouras;” (Dt 28.59).
Aqui
se fala não somente de enfermidades isoladamente, mas de pragas, isto é de
doenças epidêmicas assolando toda uma nação por causa do pecado. E é dito que
seria o próprio Deus que o faria. Vemos assim que em muitas enfermidades e
doenças epidêmicas há um aviso da parte de Deus que a Sua vontade está sendo
transgredida na terra.
Há
muitas formas de enfermidades, especialmente emocionais, em nossa época, que
não eram comuns e nem mesmo se nomeavam na antiguidade, pois surgiram em razão
do aumento da iniquidade na face da Terra, conforme Jesus predisse que
ocorreria no tempo do fim. Estas muitas enfermidades são, portanto, como já
dissemos antes, sinais da misericórdia de Deus, nos avisando que há um caminhar
desordenado em sua presença, e que há necessidade de arrependimento, para que
seja evitado que caiamos sob os seus dolorosos juízos.
6)
“Também o Senhor fará vir a ti toda enfermidade, e toda praga que não está
escrita no livro desta lei, até que sejas destruído.” (Dt 28.61).
Aqui
não se fala apenas que o próprio Deus traria toda sorte de enfermidade e praga,
inclusive as que não estavam descritas na Palavra, com o fim de produzir a
morte. Vemos então que Ele pode até mesmo punir com a morte pelo caminho da
enfermidade, os transgressores da Sua vontade. Isto não configura entretanto
que toda morte por enfermidade tenha sido causada por motivo de um juízo de
Deus. Assim como nem todos que têm vida longeva é porque honraram seus pais.
Deus fez a promessa de dar vida longa aos que honrarem seus pais, mas não o fez
também de modo absoluto porque há muitos que morrem em tenra idade, mesmo
honrando a seus pais. Em tudo isto nós vemos que Deus é soberano para agir do
modo que lhe aprouver, não ficando amarrado a nenhuma promessa que não tenha
sido feita em caráter absoluto.
Por
exemplo, há muitas promessas de caráter absoluto, como a vida eterna que é
prometida aos que creem. Neste caso, como em muitos outros Deus está amarrado à
promessa que fez e não pode revogá-la porque foi feita em caráter
absoluto.
Quanto
às promessas de Deus, que são boas e consoladoras para o seu povo, devemos
destacar sobretudo que aos profetas, em especial, foram reveladas as coisas que
hão de ocorrer no tempo do fim. Enquanto os profetas viviam, Deus consolava o
povo de Israel por meio deles, mas chegaria um tempo em que não haveria
profetas em Israel, como sucedeu no período extenso, chamado Interbíblico, mas
o Senhor não deixaria o seu povo, sem a promessa da sua consolação, e por isso
mandou Daniel registar as coisas que ocorreriam no citado período,
especialmente as duras perseguições que os judeus sofreriam, mas que o Senhor
estaria com eles para os livrar. Assim, a confiança deles deveria ser colocada
agora na Palavra escrita de consolação que lhes foi dirigida, em todas as suas
gerações, e nós, juntamente com eles, devemos manter a nossa inteira confiança
nas promessas desta Palavra infalível e fiel.
7) “Estando Eliseu doente da enfermidade de que
morreu, Jeoás, rei de Israel, desceu a ele e, chorando sobre ele exclamou: Meu
pai, meu pai! carro de Israel, e seus cavaleiros!”. (II Rs 13.14)
É
dito expressa e claramente que o grande profeta Eliseu morreu de uma
enfermidade. Veja que até um jovem foi ressuscitado por ele enquanto vivia, e
até mesmo depois de morto Deus ressuscitou uma pessoa que foi jogada sobre o
seu túmulo, para confirmar que aquele homem foi um servo poderoso e fiel na Sua
presença.
A
morte de Eliseu serviu ao propósito de indicar que há vida naqueles que servem
ao Senhor mesmo depois que eles morrem fisicamente, pois vivem para sempre em
Sua presença, em espírito.
8)
“e tu terás uma grave enfermidade; a saber, um mal nas tuas entranhas, até que
elas saiam, de dia em dia, por causa do mal.” (II Cr 21.15)
Deus
afirmou terríveis juízos contra o rei Jeorão e toda a sua casa, e é dito no
verso 16 que o próprio Deus despertou contra Jeorão o ânimo dos filisteus para
exercer sobre ele e Judá, os seus juízos.
Nessa
altura, Marcião um dos primeiros grandes hereges do início da igreja se
levantou excluindo do cânon que ele estava formando, os livros do Antigo
Testamento e algumas epistolas do Novo, por entender que o Deus do Velho
Testamento era cruel e violento, pois não aceitava que Ele fosse soberano para
enfermar a quem quer e como quer, bem como a exercer qualquer outro tipo de
juízo vingador contra o pecado. Ele não conseguia aceitar que é o mesmo Deus de
misericórdia tanto do Velho quanto do Novo, pois é o mesmo Deus, que cura,
liberta, salva, ama, não exerce juízos diretos ou indiretos sobre o mundo de pecado
pelo Seu atributo da justiça e da ira divinas.
9)
“No decorrer do tempo, ao fim de dois anos, saíram-lhe as entranhas por causa
da doença, e morreu desta horrível enfermidade. E o seu povo não lhe queimou
aromas como queimara a seus pais.” (II Cr 21.19)
O
juízo de Deus sobre Jeorão se cumpriu dois anos depois de ter sido proferido.
10)
“O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; tu lhe amaciarás a cama na sua
doença.” (Sl 41.3)
É
dito que o Senhor consola na hora da enfermidade o homem piedoso que acode ao
necessitado. Ainda que isto pudesse incluir a sua cura por Deus, não é dito
expressamente que será curado, mas que será confortado com a santa presença de
Deus. E esta tem sido a experiência de muitos servos fiéis de Deus no leito de
enfermidade. Eles, antes de partirem para a glória demonstram toda a graça de
Jesus que há neles, e dão o bom testemunho que o Senhor é com os seus servos
especialmente quando se aproxima a hora da morte.
11)
“É ele quem perdoa todas as tuas iniquidades, quem sara todas as tuas
enfermidades,.” (Sl 103.3)
O
salmista reconhecia a mão de Deus na cura de todas as suas enfermidades. Ele
era um homem de Deus mas está afirmando que havia sido curado por ele de muitas
enfermidades. E isto não denota somente o fato da misericórdia e poder de Deus
em nos curar, como também a realidade de que servos fiéis de Deus podem ficar
enfermos.
12)
“O escrito de Ezequias, rei de Judá, depois de ter estado doente, e de ter
convalescido de sua enfermidade.” (Is 38.9)
O
piedoso rei Ezequias havia ficado enfermo e teria morrido caso não tivesse
orado insistentemente pedindo a Deus que permanecesse em vida na terra. Deus
lhe acrescentou mais quinze anos de vida, mas isto não configura uma regra que
sempre acrescentará anos de vida a quem lhe pedir tal coisa na hora da sua
morte. Deus sabia o que era melhor para Ezequias e para o seu povo, mas atendeu
excepcionalmente àquele pedido, para revelar que Ele tem todo o poder sobre a
vida e a morte, bem como sobre o prazo de vida que teremos sobre a terra. Está
na soberania dele prolongar ou não os nossos anos de vida neste mundo.
Eis
parte da oração que fez Ezequias, após ter sido curado:
“16 Ó Senhor por estas coisas vivem os
homens, e inteiramente nelas está a vida do meu espírito; portanto
restabelece-me, e faze-me viver.
17 Eis que foi para minha paz que eu
estive em grande amargura; tu, porém, amando a minha alma, a livraste da cova
da corrupção; porque lançaste para trás das tuas costas todos os meus pecados.”
(Isaías 38.16,17)
O Senhor havia ordenado ao rei Ezequias
que pusesse em ordem a sua casa, uma vez que morreria em breve.
Sabemos que o Senhor não voltou atrás
quanto à exigência de colocar em ordem a sua casa – certamente os erros que ele
vinha cometendo em seu reinado, e no possível afastamento da comunhão com Deus
– apesar de ter revogado a sentença de morte imediata, tendo-lhe acrescentado quinze
anos de vida.
Nós lemos nos versos do nosso texto uma
parte da carta de gratidão e memorial que Ezequias escreveu após ter sido restaurado
da sua enfermidade.
Ele se refere à sua necessidade de
restauração espiritual – para que o Senhor o vivificasse por que disso dependia
a vida do seu espírito.
Ele reconhece que foi para o seu retorno
à paz e comunhão com o Senhor, que havia sido afligido pelos assírios e por sua
enfermidade mortal; e isto lhe causara grande amargura de espírito.
Então declara que a causa do perdão dos
seus pecados e o livramento da corrupção da sua alma foi o grande amor do
Senhor por ele.
Assim como agiu em relação a Ezequias,
Deus faz o mesmo com todos os seus filhos, pois os repreende e disciplina,
especialmente através de tribulações, por amá-los, de maneira que abandonem seu
viver pecaminoso e venham a andar de maneira ordeira na Sua santa presença.
13) “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas
enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito,
ferido de Deus, e oprimido.” (Is 53.4)
É
profetizado aqui o caráter messiânico de Jesus como restaurador da criação que
foi corrompida pelo pecado. Ele demonstrou em Seu ministério terreno não apenas
o Seu poder curativo curando a todos que lhe eram trazidos, quer enfermos ou
endemoninhados, para revelar que no porvir será Ele mesmo que restaurará todas
as coisas e removerá para sempre todas as enfermidades e todas as causas de
dores produzidas pelo pecado, porque Ele porá um termo ao pecado quando
estabelecer o Seu Reino de justiça e paz em sua forma final.
Cabe
destacar, entretanto, que no próprio Evangelho em que se diz que curava a todos
que lhe eram trazidos, para confirmar este Seu caráter messiânico, é dito
também que Jesus deixou de realizar muitos sinais e milagres em algumas
cidades, em razão da incredulidade deles. Isto também traz uma mensagem de que
esta cura e vida perfeitas estão reservadas para aqueles que se converterem a
Deus pela fé.
Devemos
dar graças a Deus por nos ter dado a graça de Jesus, especialmente nestes dias
da Nova Aliança, porque afinal quem é que não deseja ser abençoado e curado por
Ele de suas enfermidades? Mas, devemos entender, enquanto cremos e pedimos a
Ele de todo o nosso coração e com toda a fé, para que nos cure, que Ele é
soberano para nos atender ou não, e é soberano também, quando nos atende, para
fazê-lo no Seu tempo e não no nosso.
14)
“Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se
puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias,
e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos.” (Is 53.10)
Vemos
que a raiz da mesma palavra hebraica Keley, usada para enfermidade aqui, é a mesma
usada em Is 53.4 – kalay . E a
significação desta palavra no seu uso original é muito mais extensa do que
somente enfermidade física, pois se refere também a debilidades, fraquezas,
ansiedades, enfim, é uma palavra de significação ampla para indicar todos os
tipos de debilidades produzidos pelo pecado.
Nós
achamos esta palavra kalay em Deut 7.15; 28.61; I Rs 17.17; II Rs 1.2; 8.8,9,
13.14; II Cr 16.12; 21.15, 18, 19; Sl 41.3; Ec 5.17; Is 1.5; 38.9; 53.3, 4; Jer
6.7; 10.19; Os 5.13. Se tomarmos, por exemplo, este último texto citado, de Os
5.13, nós lemos: “Quando Efraim viu a sua enfermidade, e Judá a sua chaga,
recorreu Efraim à Assíria e enviou ao rei Jarebe; mas ele não pode curar-vos,
nem sarar a vossa chaga.”, e nós vemos que o sentido usado aqui para a palavra
kalay, enfermidade, se refere ao estado pecaminoso de Israel e Judá. Ainda que
a maior parte destes textos se refira a enfermidade física, no entanto o uso,
como já dissemos não é restritivo. Veja também, por exemplo Is 1.5: “Por que
seríeis ainda castigados, que persistis na rebeldia? Toda a cabeça está enferma
e todo o coração fraco.”. A referência aqui a “cabeça enferma” tem a ver com
doenças físicas? Certamente não. A referência aqui é ao estado mau da alma em
razão do pecado.
Em
Is 53.4, referindo-se a nós, é usada também outra palavra com um sentido de
reforço, com um uso pleonástico desta primeira palavra citada, que significa
principalmente aflições, dores, tristezas, a saber, makobi. Assim, pela primeira palavra se expressa as
realidades relativas às debilitações propriamente ditas, produzidas em razão do
pecado original (enfermidades físicas, emocionais, imperfeições, carências etc)
e a segunda palavra indica os sentimentos que acompanham estas realidades por serem produzidos por elas (afições,
tristezas, dores, sofrimentos).
Nós
encontramos a palavra makobi, também em Êx 3.7; II Cr 6.29; Jó 33.19; Sl 32.10;
38.17; 69.26; Ec 1.18; 2.23; Is 53.3,4; Jer 30.15; 45.3; 51.8; Lam 1.12,18.
Em
Is 53.10 a referência é ao próprio Jesus. E sabemos que foi a crucificação e
não uma enfermidade específica a causa da Sua morte. Podemos então entender que
as enfermidades citadas em relação a nós, e que foram carregadas por Jesus, são
muito mais amplas do que somente as doenças físicas, senão tudo aquilo que
produz dor e sofrimento por causa do pecado. Jesus morreu na cruz como forma de
juízo estabelecido sobre ele, não por causa de algum pecado próprio, porque Ele
não tinha pecado, mas foi por causa do pecado, porque Ele carregou sobre si os
nossos pecados, e com eles, as enfermidades, isto é, todas as consequências
malignas do pecado.
Se
a referência ao fato de Jesus ter carregado nossas enfermidades (kalay) e
nossas dores e sofrimentos (makobi) é de caráter absoluto para ser visto na
vida de todo crente fiel neste mundo, por que então existe ainda tanto
sofrimento especialmente na vida daqueles que têm servido fielmente a Deus? E
Jesus nos prometeu que teríamos aflições no mundo, como a dizer que teríamos o
bom ânimo que é dado pela Sua presença consoladora e graça, mas os sofrimentos
certamente nos acompanhariam neste mundo.
Ele disse acerca de Paulo o quanto ele teria que sofrer por causa do Seu
nome: “pois eu lhe mostrarei quanto lhe cumpre padecer pelo meu nome” (At
9.16). De modo que Paulo viria a dar o seguinte testemunho quando estava preso
em Roma e escreveu aos colossenses: “Agora me regozijo no meio dos meus
sofrimentos por vós, e cumpro na minha carne o que resta das aflições de
Cristo, por amor do seu corpo, que é a igreja;” (Col 1.24). A promessa da remoção total dos sofrimentos é somente
para o céu. Não se pode querer fazer com que uma realidade que se cumprirá de
modo absoluto, somente no futuro, depois do retorno do Senhor, se cumpra aqui
na terra, antes da Sua segunda vinda, como se lê em Apo 21.4: “Ele enxugará de
seus olhos toda [lágrima]; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem
lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.”
Assim,
aqueles que afirmam que os crentes não podem mais ficar enfermos, de modo
absoluto, aqui neste mundo, porque Jesus carregou a enfermidade deles, devem
também afirmar que eles não podem ter mais qualquer tipo de sofrimento, porque
é esta a promessa que é feita em Is 53.4.
15)
“Porque assim diz o Senhor: Eis que desta vez arrojarei para fora os moradores
da terra, e os angustiarei, para que venham a senti-lo. Ai de mim, por causa da
minha ruína! É mui grave a minha ferida: então eu disse: Com efeito é isto o
meu sofrimento e tenho de suportá-lo” (Jer 10.18,19).
A
palavra usada para sofrimento no final deste versículo, é traduzida em outras
versões por enfermidade, porque é vertida da mesma palavra hebraica keley, usada em Is 53.4. Assim, o sentido não é um
mero sofrimento, ou mera enfermidade física, mas toda a debilidade que poderia
ser infligida como forma de juízo de Deus sobre os pecados dos judeus, que
seriam enviados para o cativeiro.
Vemos
que o texto de Isaías 53 é bastante abrangente quando se refere a Jesus,
demonstrando que Ele trataria não apenas das enfermidades físicas, mas de tudo
o que entrou no mundo por causa do pecado. As nossas enfermidades ali referidas
dizem respeito à debilidade geral produzida em nós pelo pecado e que nos sujeitou
à maldição e ira de Deus. E foi especialmente da maldição da lei, da aplicação
da ira de Deus que viria sobre nós por causa do pecado, que Jesus nos resgatou
por meio da Sua morte na cruz. Assim, quando Ele veio em Seu ministério terreno
curando de modo visível a todos os que tinham enfermidades físicas, Ele estava
não apenas usando da Sua misericórdia, poder e amor, mas sobretudo revelando
este Seu caráter divino e messiânico, do Único que pode nos livrar de todas as
consequências maléficas do pecado, e dentre estas a principal delas, a saber, a
morte eterna. Tanto é assim, que sempre houve em Jesus, mesmo quando curava, um
apelo ao arrependimento e à conversão. E não foram poucas as imprecações que
Ele fez sobre aqueles que Ele havia curado e no entanto não haviam se
arrependido dos Seus pecados, como que a demonstrar que eles não haviam topado
com o principal motivo de todas aquelas curas, sinais, milagres, que era a de
convencer-nos de ser Ele o Messias prometido, e assim, por crermos nEle,
pudéssemos ser salvos da ira vindoura.
16)
“A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer; a quebrada ligarei, e a
enferma fortalecerei; e a gorda e a forte vigiarei. Apascentá-las-ei com
justiça.” (Ez 34.16)
É
dito aqui neste texto de Ezequiel o cuidado especial que o Senhor teria com as
ovelhas do Seu rebanho.
Ele
afirma que fortaleceria a enferma. Não é prometido expressa e absolutamente a
cura de todas as enfermidades físicas. Mas o fortalecimento com graça, e isto
Deus sempre faz para aqueles que são seus e que nele esperam, assim como fizera
com Paulo em relação ao seu espinho na carne.
Mais
uma vez é usada a mesma palavra de Is 53.4 para se referir aos enfermos: keley,
que já comentamos anteriormente.
17) “E eu,
Daniel, desmaiei, e estive enfermo alguns dias; então me levantei e tratei dos
negócios do rei. E espantei-me acerca da visão, pois não havia quem a
entendesse.” (Dn 8.27).
O próprio
Daniel deu testemunho que esteve enfermo alguns dias, e que depois de ter
sarado da enfermidade se levantou para fazer o seu trabalho. E vale destacar
qual era o caráter aprovado e fiel de Daniel. Dele se declarou pelo anjo do
Senhor que era homem muito amado por Deus. Ele não estava enfermo por motivo de
nenhum pecado específico.
Cabe destacar
que algumas enfermidades produzidas por vírus têm o propósito de criar
anticorpos em nosso organismo nos tornando mais resistentes a outros tipos de
enfermidades. Deus em Sua infinita sabedoria e poder sabe como governar e dosar
a nossa exposição aos muitos organismos invisíveis do mundo microscópico que
podem tanto nos enfermar quanto curar. Assim, até mesmo por meio disto Ele nos
convence da Sua grande sabedoria e poder. Não foi o diabo que criou qualquer
vírus. Não foi o diabo que criou qualquer bactéria nociva. Não foi o diabo que
criou o inferno. Não foi o diabo que criou as pragas que atacam as lavouras.
Ele não é criador, é criatura. Todas estas coisas foram trazidas à existência
por Deus por causa da entrada do pecado no mundo. E através delas o Senhor nos
tem ensinado a tomar cuidados com nossa higiene pessoal e coletiva. Ele nos
obriga a viver em asseio, porque a falta disto pode produzir enfermidades. E
qual é a lição que Ele quer nos ensinar, senão que é preciso ser limpo tanto no
sentido físico quanto no espiritual? Isto não aponta para a necessidade de
santidade para se ter vida, e vida saudável?
18) “E
percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho
do reino, e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.” (Mt 4.23).
Já nos
referimos antes ao propósito das muitas curas havidas no ministério de Jesus e
no princípio dos dias apostólicos, de modo sobrenatural e miraculoso, para
especialmente confirmar o caráter salvífico do Senhor.
Nunca mais se
repetiu ao longo de toda a história da igreja, mesmo no período final do
ministério dos apóstolos, o testemunho de cura de todos que eram levados a
Jesus ou aos apóstolos. O Senhor continua curando a muitos e em muitos lugares,
mas não com toda a extensão do início da Nova Aliança. E cabe destacar que toda
vez que Deus inaugura uma nova dispensação, é que vemos a multiplicação de
sinais e maravilhas, assim como ocorreu nos dias de Moisés e Josué, quando
instituiu a Antiga Aliança, mas nunca mais se viu em Israel, em profusão, os
portentosos milagres daqueles dias, senão nos dias dos profetas Elias e Eliseu,
em razão de quase todos os israelitas terem se curvado ao culto de Baal, tendo
sido necessário uma mais abundante realização de sinais para se provar que o
Deus de Israel era com Elias e Eliseu, que davam testemunho da Sua Lei, da Sua
Palavra, e não com os falsos profetas. Mas, depois disto nós testemunhamos o
retorno da realização de sinais e prodígios somente na inauguração da Nova
Aliança com Jesus e com os apóstolos. Uma vez estabelecida a igreja, não se
testemunhou mais a realização daquela profusão de sinais e maravilhas senão em
alguns avivamentos havidos em períodos específicos da história da igreja,
especialmente em áreas em que o evangelho estava sendo pregado pioneiramente,
como por exemplo na Ásia e na África.
É esperado por
muitos que haja ainda uma grande realização de sinais e maravilhas quando
estivermos próximos do tempo do fim, em razão da multiplicação da iniquidade na
terra, mas é importante lembrar que o Senhor nos alertou que também muitos
falsos mestres, profetas e cristos também os fariam na referida ocasião.
Leia também os
seguintes textos que dão o mesmo testemunho de Mt 14.23: Mt 8.16, 17; 9.35;
10.1, 8; 14.14, 35; Mc 6.56.
19) “pegarão
em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e
porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados.” (Mc 16.18).
A promessa de
cura dos enfermos neste texto deve ser entendida no seu próprio contexto, pois
sabemos que não está sendo prometido de modo absoluto que toda vez que um
crente pegar em serpente venenosa ou beber veneno, que isto não lhe fará
qualquer mal, pois a conclusão é óbvia.
Então o Senhor não está falando também de cura de enfermidade de modo
absoluto, isto é, que toda vez que impusermos as mãos sobre os doentes, todos
eles, sem exceção serão curados, quer na hora ou posteriormente. Oramos por
muitas pessoas com toda a fé e convicção de que o Senhor é poderoso para
curá-las seja do tipo de enfermidade ou gravidade que for. Entretanto, sabemos
por experiência que não é por falta de poder, santidade ou fé em nós que em
muitos casos, que a propósito não são poucos, que mesmo depois de termos orado
por eles, morrem em razão daquelas enfermidades pelas quais oramos a Deus para
que os curasse. Mas temos testemunhado também muitas curas como resposta à
nossas orações. Então a promessa de Jesus de que isto seria um sinal no meio da
verdadeira igreja, como livramentos miraculosos de situações perigosas,
exemplificadas no texto por serpentes e veneno, e a isto podemos acrescentar
muitas outras coisas, especialmente em nossos dias, com por exemplo balas
perdidas, atropelamentos etc. Não se pode portanto tomar tal promessa em
sentido absoluto, mas como um sinal que em existindo em nosso meio serve para
comprovar que de fato temos crido em Cristo para a salvação, pois Ele disse que
estes sinais seguiriam os que cressem.
20) “Jesus,
porém, ao ouvir isto, disse: Esta enfermidade não é para a morte, mas para
glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.” (João 11.4)
Ao dizer que a
enfermidade de Lázaro não era para morte, apesar dele ter morrido por meio
dela, Jesus confirmou que há casos, e estes não são poucos, mesmo entre crentes
fiéis, que a enfermidade deles será para morte.
Lázaro foi
ressuscitado porque não deveria ter morrido por aquela enfermidade assim como
Jesus afirmou aos seus discípulos quando teve notícia de que estava enfermo. E
o nome de Jesus seria glorificado com aquela ressurreição pelo testemunho de
que Ele tem poder sobre a morte, e tem o poder de ressuscitar; de modo que
tivéssemos um testemunho visível disso para confiarmos inteiramente na Sua
promessa de ressuscitar o nosso corpo depois que passarmos pela morte.
Agora fica uma
pergunta para aqueles que afirmam que o dever da igreja é ressuscitar a todos
os que morrerem: Porventura Lázaro se encontra entre nós? Ele não teve que passar
posteriormente pela experiência da morte, e possivelmente por uma enfermidade
que seria para morte na ocasião determinada pela soberania de Deus?
Nosso
propósito não é diminuir a fé de ninguém a ponto de dizer que Deus não possa
ressuscitar alguém em nossos dias. Temos testemunho destas realidades entre
nós. O nosso propósito é simplesmente o de termos uma fé equilibrada que nos
leve a entender que a soberania de Deus não pode ser desconsiderada em qualquer
caso, seja ele qual for, porque está na Sua vontade e poder, e não em nós, a
cura e a ressurreição de quem quer que seja.
21) “À vista
disto, Pedro se dirigiu ao povo, dizendo: israelitas, por que vos maravilhais
disto, ou por que fitais os olhos em nós, como se pelo nosso próprio poder ou
piedade o tivéssemos feito andar:” (At 3.12)
Os próprios
apóstolos declararam que não curavam a ninguém pelo próprio poder ou piedade,
senão pelo poder de Jesus como declaram no verso 16. A piedade que havia neles
não era propriamente deles, mas um fruto do Espírito Santo que neles se movia.
Mas, há muitos
declarando hoje em dia que curam pelo próprio poder. Eles dizem que já
receberam o poder de Jesus e agora é tudo por conta deles. Não foi isso que
aconteceu com os apóstolos. E nem é isto que acontece com todos aqueles que são
curados sobrenaturalmente, porque ainda que muitos afirmem que foi pelo próprio
poder deles, não sabem em sua ignorância, que foi o próprio Deus que operou o
milagre. Tudo o que ocorre na esfera do sobrenatural é realizado pelo próprio Senhor,
de modo que apenas o seu santo nome seja glorificado e honrado.
22) “de sorte
que lenços e aventais eram levados do seu corpo aos enfermos, e as doenças os
deixavam e saíam deles os espíritos malignos.” (At 19.12).
No início do
estabelecimento das igrejas pelos apóstolos temos o testemunho da abundância de
milagres que Deus fazia entre eles para confirmar a Palavra de salvação que
pregavam. Aqui no caso a referência é a Paulo que foi muito usado por Deus na
ocasião, mas o vemos falando posteriormente de suas próprias enfermidades, e
das de Timóteo, pelas quais ele certamente também orava para que fossem
curadas, e no entanto, teve que recomendar a Timóteo na ocasião uma receita
caseira para prevenir-se delas.
Como pois toda
enfermidade é do diabo? Ou então só fica enfermo quem não tem fé? Era este o
caso de Paulo e Timóteo? Voltemos à sensatez se esta nos tem faltado.
“Eles,
entretanto, se demoraram ali por muito tempo, falando ousadamente acerca do
Senhor, o qual dava testemunho à palavra da sua graça, concedendo que por suas
mãos se fizessem sinais e prodígios.” (At 14.3). Veja aqui o propósito daqueles
muitos sinais de dar testemunho da palavra da graça de Deus que estava sendo
oferecida aos pecadores. E este testemunho não foi estabelecido na terra nos
dias dos apóstolos? Era algo novo que estava acontecendo nos dias deles, mas já
não é algo novo desde então, pois a todos tem sido proclamado o nome de Cristo,
e o cânon do evangelho de há muito já foi fechado e confirmado. Nos dias de
Jesus eles tinham Moisés e os profetas, como uma referência ao Velho
Testamento, mas desde que Ele inaugurou a Nova Aliança nós temos também no Novo
Testamento o testemunho da verdade de que somente Ele é o Salvador. E esta
Palavra de salvação foi estabelecida e confirmada por meio de muitos sinais e
prodígios, e a nós agora, cabe tão somente crer nela para a nossa salvação. Não
necessitamos mais de nenhum sinal especial para podermos crer.
“Por isso
convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em
tempo algum nos desviemos delas. Pois se a palavra falada pelos anjos
permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa
retribuição, como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A
qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada
pelos que a ouviram: testificando Deus juntamente com eles, por sinais e
prodígios, e por múltiplos milagres e dons do Espírito Santo, distribuídos
segundo a sua vontade.” (Hb 2.1-4)
23) “Por causa
disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem.”.
Nós temos aqui
o testemunho, como vimos no início deste estudo, do uso que Deus faz de
enfermidades e até mesmo da morte física para exercer juízos sobre os próprios
crentes, que andem desordenadamente na Sua presença. Está na esfera da Sua
soberania quando e por que fazê-lo. Não significando portanto que toda vez que
um crente pecar ele terá consequentemente algum tipo de enfermidade física.
Aquele juízo
veio sobre a igreja de Corinto para trazer de volta a reverência e o temor
devidos a Deus. Se alguém pecar deve confessar e abandonar o pecado por motivo
de Sua consciência para com Deus e não simplesmente por temer a enfermidade e a
morte. Um crente deve viver em santidade de vida porque este é o único modo
pelo qual deve um crente viver. Contudo em sua caminhada está sujeito a muitas
falhas, mas sempre poderá contar com o favor do Senhor se continuar depositando
a sua confiança nele, e mantendo o desejo de fazer aquilo que seja da Sua
vontade. O Senhor é benigno, compassivo e perdoador. Nunca devemos esquecer
isto em face das nossas fraquezas e imperfeições.
24) “e vós
sabeis que por causa de uma enfermidade da carne vos anunciei o evangelho a
primeira vez,” (Gál 4.13).
Paulo está
afirmando expressamente que o motivo de ter pregado o evangelho aos Gálatas
pela primeira vez, foi exatamente uma enfermidade. Assim ainda que a
enfermidade não seja um bem em si mesmo, Deus pode usá-la para propósitos
elevados e santos, como nos tornar mais dóceis, ou fazer com que tenham
compaixão de nós e nos ouçam, levar-nos a nos compadecer de quem está fraco e
enfermo, quebrar o nosso orgulho etc.
25) “Não bebas
mais água só, mas usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas
frequentes enfermidades.” (I Tim 5.23)
Paulo se
refere não à enfermidade de Timóteo, mas dos problemas de estômago que ele
tinha, e de outras e frequentes enfermidades. No entanto, na ocasião da escrita
desta carta ele estava ordenando a Timóteo que constituísse presbíteros em Éfeso
e colocasse em ordem as coisas naquela igreja. E como o faria se estivesse
vivendo em pecado ou com falta de fé?
Não podemos
esquecer que o poder de Jesus se aperfeiçoa exatamente na nossa fraqueza.
Aquelas enfermidades deviam sem qualquer dúvida, produzir em Timóteo uma grande
confiança em Deus e no Seu poder, e não em si mesmo. Elas lhe lembravam que
somos apenas um vaso de barro, facilmente quebrável, e que neste vaso, a
excelência do poder que nele existir, pertence exclusivamente a Deus.
26) “E fez
sair os israelitas com prata e ouro, e entre as suas tribos não havia quem
tropeçasse.” (Sl 105.37)
Há versões que
em vez de “não havia quem tropeçasse”, se afirma “não havia inválidos”, e em
outras se diz “não havia enfermos”. Recorrendo à palavra no original hebraico
nós temos kashal, que significa tropeçar, cair, falhar, enfraquecer, debilitar.
Nós encontramos esta mesma palavra nos textos de Lev 26.37; I Sm 2.4; II Cr
25.8; 28.15, 23; Ne 4.10; Jó 4.4; Sl 9.3; 27.2; 31.10; 64.8; 105.12; Pv 4.1’2,
16, 19; 24.16, 17; Is 3.8; 5.27; 8.15; 28.13; 31.3; 35.3; 40.30; 59.10, 14;
63.13; Jer 6.15, 21; 8.12; 18.15, 23; 20.11; 31.9; 46.6, 12, 16; 50.32; Lam
1.14; 5.13; Ez 33.12; 26.15; Dn 11.14, 19, 33, 34, 35; 11.41; Os 4.5; 5.5;
14.19; Na 2.5; 3.3; Zac 12.8 e Ml 2.8.
Por exemplo,
em Os 14.1 Deus diz que Israel estava caído por causa dos seus pecados. E a
palavra usada aqui para caído é a mesma do Sl 105.37, a saber, kashal. Assim, o
sentido no Sl 105.37 não se refere exclusivamente a enfermidades físicas, mas à
condição geral de decaimento da presença de Deus em razão do pecado, e é a isto
que o autor do Sl 105.37 quis se referir quando da saída de Israel do Egito.
Mas, ainda que
quiséssemos restringir o uso do termo para enfermidades físicas, deve-se ter em
conta que no dia em que eles deixaram o Egito, as pragas trazidas sobre aquela
nação haviam sido despejadas recentemente àquela saída, e de fato, Deus havia
feito distinção entre o seu povo e os egípcios, de modo que não trouxe sobre os
israelitas, naquela ocasião, nenhuma das pragas que havia trazido sobre os
egípcios.
Mas, depois de
terem saído do cativeiro Deus lhes advertiu que andassem na Sua presença e
cumprissem os Seus mandamentos para que não os enfermasse assim como havia
enfermado os egípcios. Enfermidades epidêmicas entre os israelitas, como
aquelas que acometeram os egípcios nas dez pragas, seriam então um sinal da
parte de Deus de que havia pecado de todo o povo contra Ele, como foi o caso da
praga de Baal-Peor que havia ceifado 24.000 vidas.
Assim, em Êx
15.26, nós lemos o seguinte: “Se ouvires atentamente a voz do Senhor teu Deus,
e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os ouvidos aos seus
mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, sobre ti não enviarei nenhuma
das enfermidades que enviei sobre os egípcios; porque eu sou o Senhor que te
sara.”. E em Êx 23.25: “Servireis, pois, ao Senhor vosso Deus, e ele abençoará
o vosso pão e a vossa água; e eu tirarei do meio de vós as enfermidades.”.
E no caso de
transgressão da Aliança nós lemos a seguinte ameaça que foi dirigida aos
israelitas: “então o Senhor fará
espantosas as tuas pragas, e as pragas da tua descendência, grandes e
duradouras pragas, e enfermidades malignas e duradouras;” (Dt 28.59).
As ameaças
previstas na Lei para os casos de violação da aliança por parte dos israelitas
foram, portanto, cumpridas por Deus, como Ele havia prometido que o faria.
27) “18 Ao
anjo da igreja em Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos
como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente:
19 Conheço as
tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e
sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras.
20 Mas tenho
contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e
seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a
ídolos;
21 e dei-lhe
tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua
prostituição.
22 Eis que a
lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com
ela, se não se arrependerem das obras dela;
23 e ferirei
de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que
esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas
obras.” (Apo 2.18-23).
Veja que ele
se dirigiu a crentes de uma das sete igrejas da Ásia Menor que são citadas no
livro de Apocalipse.
Ele elogiou a
fé deles, as obras deles que a propósito eram maiores do que as primeiras, mas
reprova a prostituição espiritual deles com as práticas que estavam sendo
ensinadas por uma determinada profetiza, que lhes estava incentivando a
compartilharem com as coisas sacrificadas a ídolos.
Como aquela
profetiza não se arrependeu dentro do tempo que o Senhor havia concedido a ela
como oportunidade para tal arrependimento, Ele afirmou expressamente que Ele
próprio a colocaria, como também os seus seguidores num leito de dores e de
grande tribulação, e não somente isto, caso não houvesse arrependimento em face
de tal juízo, e feriria de morte a seus filhos para que as igrejas soubessem
que Ele dá a cada um segundo as suas obras. Jesus não deixará de disciplinar a
sua igreja. O autor de Hebreus diz que Deus nos corrige e disciplina assim como
um pai faz com seus filhos. E que todo aquele que não está debaixo desta
disciplina de Deus é bastardo e não filho. Ora, se alguém se vangloria do fato
de nunca ter tido tribulações e enfermidades, em face de uma alegada suprema
santidade, deve ter muito cuidado com isto, porque não há quem não peque, ainda
que crente, e por conseguinte, que esteja fora da esfera de correção de Deus.
Se é pelas
tribulações que estamos sendo aperfeiçoados em perseverança, paciência,
experiência, santidade, como se afirma na Palavra, como poderemos então nos
gloriar no fato de nunca termos experimentado tribulações? Por acaso estamos em
estado de perfeição que nada tenhamos que aprender de Deus? E com isto não nos
referimos apenas a juízos sobre pecados praticados deliberadamente, mas ao
nosso estado de endurecimento geral, produzido pelo pecado, que Deus quebra com
as provações e humilhações das tribulações de modo que sejamos achados mais
longânimos, pacientes, misericordiosos, simpáticos aos sofrimentos do nosso
próximo etc.
E ainda numa
palavra final para aqueles que ficam horrorizados, tal como Marcião ficou em
seus dias, com a ideia de que um Deus de amor possa se valer de enfermidades
para castigar ou para qualquer outro propósito, pois isto não seria digno de
uma pessoa boa como ele, senão do diabo que é mau. Cabe destacar que Jesus nos
alertou que não devemos sequer temer os homens maus quanto aos sofrimentos que
possamos experimentar, mas ao próprio Deus que pode não apenas tirar a vida do
corpo físico, como lançar a alma eternamente no inferno. Será Deus quem lançará
o próprio diabo no lago de fogo e todos os seus seguidores. Não será o diabo
que lançará qualquer alma no inferno, pois não lhe foi dado o poder de julgar,
senão a Cristo, que tem as chaves da morte e do inferno em Suas mãos. Afinal,
não foi o diabo que destruiu pelo fogo as cidades de Sodoma e Gomorra, e nem
foi ele quem trouxe a destruição do dilúvio nos dias de Noé, e nem será ele
quem fará com que o mundo que hoje existe seja totalmente destruído pelo fogo.
Falar sobre o
atributo da ira de Deus faz parte de um outro estudo, e não é nosso propósito
nos estendermos aqui sobre tal assunto. Mas recomendamos que isto seja também
estudado em paralelo, para que se aprenda pelas Escrituras que o Deus que
servimos é inteiramente amor e misericórdia, mas é também justiça e juiz, e
assim como Ele nos faz alvo do Seu favor, nos faz também alvo dos Seus
juízos.
Quantas graças
então, devemos a Jesus Cristo que desviou o cálice da ira de Deus de sobre nós,
por tê-lo sorvido em nosso lugar até a última gota no Calvário?
Quantas graças,
não devemos lhe tributar pelo seu cuidado amoroso e paternal?
Lembramos neste
momento, da pequenina Eloá, e somos gratos a Deus por sua vida preciosa, que
nos inspirou à escrita desta breve meditação sobre o propósito santo e
misericordioso que há nas enfermidades e sofrimentos que temos neste mundo.
Eloá é do Senhor
quer na vida ou na morte física, porque traz com ela a promessa da ressurreição
do seu próprio corpo, hoje combalido, mas que refulgirá na glória com um brilho maior do que o das
estrelas naquela manhã maravilhosa da ressurreição final que está prometida a
todos os que são do Senhor, e que no meu espírito, posso testificar juntamente
com o Espírito Santo, que Eloá é de Deus, e que Deus é de Eloá, pois assim como
somos do nosso amado, Ele também é nosso, pois fomos comprados para Ele, pelo
sangue precioso de Jesus.