Título original: The crisis; or, hope and fear balanced, in reference
to the present situation of the country
Por John Angell James
(1785-1859)
Traduzido,
Adaptado e
Editado por
Silvio Dutra
Introdução
pelo Tradutor:
John Angell James escreveu este tratado em novembro de 1819,
ano que testemunhou uma grande crise econômica global.
Em maio deste mesmo ano nascia aquela que seria a futura
rainha Vitória, e que reinou de 1837 a 1901.
No período da escrita reinava como príncipe
regente Jorge IV, sobre quem encontramos o seguinte registro na Wikipédia:
Jorge IV (Londres, 12 de
agosto de 1762 – Windsor, 26 de
junho de 1830) foi o Rei do Reino Unido e Hanôver de 29 de janeiro de 1820 até sua morte. De
1811 até sua ascensão foi Príncipe Regente durante a doença mental de seu pai Jorge III.
Jorge teve uma vida extravagante que
contribuiu para a moda durante o Período da Regência, sendo o patrono de muitas
formas de prazer, estilo e gosto. Tinha uma relação ruim com o pai, acumulou
grandes dívidas e teve várias amantes, com a principal e mais duradoura sendo Maria
Fitzherbert. Ele foi forçado a se casar em 1795 com sua prima Carolina de Brunsvique; os dois não gostavam um do
outro e se separaram pouco depois do nascimento de sua filha Carlota
de Gales no ano
seguinte.
Robert Jenkinson, 2.º Conde de
Liverpool, controlou o governo como primeiro-ministro durante a maior parte de sua regência e
reinado. Os governos de Jorge, mesmo recebendo pouco apoio do rei, presidiram a
vitória nas Guerras Napoleônicas, negociaram um acordo de paz e
tentaram lidar com o mal-estar econômico e social que se seguiu. Ele teve de
aceitar George
Canning como
primeiro-ministro, além de desistir de sua oposição à emancipação católica.
Seu charme e cultura lhe valeram o título de
"o primeiro cavalheiro da Inglaterra", porém suas relações com Jorge
III e Carolina, e seu jeito devasso, lhe renderam o desprezo do povo e diminuiu
o prestígio da monarquia. Contribuintes ficaram furiosos com seus gastos
desnecessários em tempos de guerra. Jorge não proporcionou uma liderança nacional
em uma época de crise, também não atuando como um modelo para seu povo.
Ministros avaliavam seu comportamento como egoísta, não confiável e
irresponsável.
Muito da condição de devassidão moral
que varria a Inglaterra foi revertido pelos avivamentos havidos naquela nação
com os irmãos Wesley e George Whitefield na segunda metade do século XVIII.
Para isto, muito contribuiu o legado dos puritanos naquela nação, que haviam
deixado uma boa influência relativa ao evangelho verdadeiro, vindo a se transformar
num aroma de vida para a vida mesmo em dias distantes.
Enquanto revoluções estouravam pelo
mundo afora para a derrubada de monarquias, como por exemplo a Francesa, a
Inglaterra foi livrada disto pela sua rígida formação evangélica, e pela boa
influência dos avivamentos do Espírito que havia experimentado.
Temos assim, como sempre, este
dualismo: por um lado a sociedade em geral submetida à devassidão decorrente da
corrupção da natureza humana, e por outro, aqueles a quem Jesus chama de luz do
mundo, atuando como luz e sal nesta sociedade corrompida.
Foi com este pano de fundo que este
tratado de John Angell James foi escrito, e no qual, ele expressa o seu grande
temor de que a Inglaterra viesse a experimentar grandes juízos de Deus em razão
de estar testemunhando em seus dias um afastamento da boa influência que havia
sido deixada pelos puritanos e pelos avivamentos do Espírito que aquela nação
havia experimentado.
Napoleão havia sido derrotado na Batalha de
Waterloo em 1814, mas desde meados do século XVIII, a Inglaterra figurava como
a grande potência econômica mundial e isto duraria até a Primeira Grande
Guerra, quando os Estados Unidos passaram a ocupar este lugar.
Apesar disto, John Angell James não atribuiu à
Inglaterra a qualificação de nação que estaria sendo nas mãos de Deus o
instrumento da aplicação dos Seus juízos sobre o mundo ímpio de então, pois, a
par das muitas coisas que colocavam aquela nação sob privilégios da
misericórdia divina, em razão do legado de seus pais piedosos, havia muitas
outras que a colocavam em condições de igualdade com a impiedade prevalecente
na maior parte das demais nações, no que se refere a uma vida de infidelidade a
Deus e aos Seus mandamentos na sociedade em geral.
Podemos melhor entender esta forma de ação divina
à luz das seguintes reflexões:
A muitos pode parecer que Deus desistiu do governo
da Terra, especialmente a partir dos dias do Novo Testamento, pois, temos o
testemunho no Velho Testamento das suas várias ações tanto para estabelecer
quanto para derrubar reinos e governantes.
A tal respeito, profecias foram dadas com uma
grande antecedência quanto à sucessão de reinos na Terra, especialmente da
Assíria, Babilônia, Pérsia e Grécia, muito antes de terem sido estabelecidos
como grandes impérios mundiais.
E cada um destes era levantado como o instrumento
de juízo de Deus sobre as nações ímpias da antiguidade, tendo eles próprios
recebido também o devido julgamento no tempo próprio, quando se desviaram em
grosseira impiedade.
O que se esquece é que desde que foi dado a Daniel
a interpretação do sonho que Nabucodonosor tivera da grande estátua que
representava estes reinos, foi ali expressamente afirmado que destes reinos
referidos anteriormente se levantaria um último (que representava os pés da
estátua) que seria uma mistura de ferro e barro, indicando a firmeza e a
instabilidade dos poderes que se levantariam no mundo a partir dos romanos, mas
que permaneceriam até que a grande pedra cortada sem mãos de uma grande
montanha desse sobre os pés da estátua e esmiuçasse aqueles poderes em pó.
Nisto aprendemos que nenhuma intervenção divina
final seria realizada nos dias do Novo Testamento, em dar a um reino poder
sobre os demais, nas mesmas bases da forma de julgamento dos dias do Velho
Testamento, em que por exemplo, Babilônia foi favorecida para derrotar a
Assíria e assumir o império mundial em seu lugar, e esta Babilônia viria a cair
por sua vez diante da Média e da Pérsia.
A grande pedra, o Senhor Jesus Cristo, virá no
tempo determinado para julgar todas as nações da terra, e Ele reinará para
sempre em justiça sobre todas elas.
Cremos que isto é especialmente em razão da grande
impiedade que impera em todas as nações, e isto desqualifica a quaisquer delas,
para serem, ainda que por breve tempo, o instrumento de juízo do Senhor sobre
alguma outra nação ou coligação de nações.
Até porque, os governantes de todas as nações
estarão coligados nos dias do Anticristo com o único propósito de desarraigar o
povo santo do mundo, perseguindo tanto a crentes como a judeus, em razão de
sustentarem o testemunho da verdade das Escrituras.
Guerras e ameaças de guerras têm varrido o globo
desde que nosso Senhor profetizou o princípio das dores, e nenhuma destas
guerras foi levada a cabo em nome da justiça de Deus e do Seu reino, senão para
fins escusos, mesmo quando foram feitas supostamente em Seu nome.
Se temos que esperar por um reino de justiça e paz
permanentes e verdadeiros, isto deve ser colocado inteiramente na nossa
expectação da volta de Jesus, pois está registrado nas Escrituras que o governo
do homem pelo homem, em fundamentos de injustiça, somente terá um fim quando o
Rei dos reis e Senhor dos senhores julgar todos os governantes e nações da Terra.
A Crise
“Quem sabe se se voltará Deus, e
se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?" (Jonas 3: 9)
"O Senhor se
compraz nos que o temem, nos que esperam na sua benignidade." (Salmo 147: 11)
Cada manifestação que Deus fez de sua natureza, contém muito
que é solene, e muito que é amável; e é a glória da Divindade ser
simultaneamente infinitamente grande e infinitamente bom. Esta união do grande
e do amável deve ser vista na face da natureza, e na administração da
Providência; mas é mais claramente descoberto nas páginas daquele volume
inspirado que foi escrito para nos informar, em certa medida, o que Deus é. Lá
é dito que Deus é amor, e que ele é um fogo consumidor; que a vingança pertence
a ele, e que ele se compraz em misericórdia; que anda pelos céus, e é pai dos
órfãos, e juiz das viúvas; que ele é o alto e elevado que habita a eternidade,
e habita no lugar santo, e ao mesmo tempo faz a sua morada com o homem que é
humilde e contrito de espírito; que ele é visto contra nós na pureza e na equidade
das sentenças de sua lei, e contudo conosco na pessoa e na obra de seu Filho.
E como a essência da religião consiste no
exercício de disposições adequadas a este grande e bendito Deus, e nenhuma
disposição pode ser adequada, senão a que corresponde à revelação inteira que
ele fez de sua natureza, o espírito de verdadeira piedade é igualmente removido
de uma presunção desonesta, por um lado, e do desespero servil, por outro, e
aparece em seu verdadeiro caráter apenas quando visto na união do temor santo e
da confiança humilde.
Nossas razões de medo são incalculavelmente
aumentadas pela consciência de nossa culpa e não deixam espaço para qualquer
esperança, exceto aquela que se baseia exclusivamente na promessa de
misericórdia por meio de Jesus Cristo. Todavia, Deus tem sido graciosamente satisfeito
por declarar que se deleita com aqueles que o temem e esperam na sua
misericórdia, isto é, que são objetos de sua consideração peculiar e infinita.
Estas disposições piedosas devem ser constantemente exercidas em relação aos
nossos interesses espirituais. Devemos manter uma santa reverência pela
majestade de Deus, e todo humilde deleite em sua misericórdia; um medo do
desgosto contra o pecado e uma alegre esperança de perdão através da mediação
de Cristo; um receio salutar de que não caiamos em tentação e uma confiança
viva na graça de Deus para nos livrar dela; uma profunda solicitude para que
não sejamos destituídos de glória eterna, acompanhado de uma tranquila
expectativa de que seremos "mantidos pelo poder de Deus pela fé para a
salvação".
"Nosso país" é um termo de importação
amplo e mais cativante. A poesia cantou seus encantos, o patriotismo foi
inspirado por eles, e a piedade os consagrou. "Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha destra da sua
destreza. Apegue-se-me a língua ao céu da boca, se não me lembrar de ti, se eu
não preferir Jerusalém à minha maior alegria." O amor de nosso país não é uma mera
paixão cavalheiresca e romântica, mas um dos mais nobres sentimentos que podem
honrar o homem como membro da sociedade civil. É na comunidade racional que se
baseia a grande lei da atração no mundo da natureza. Como isso faz com que as
partes de corpos individuais ajam em conjunto, e ao mesmo tempo equilibrem e
regulem seus lugares e movimentos nas órbitas que formam o universo; assim
também este sentimento generoso preserva a identidade de reinos particulares e
impede que os elementos da sociedade se afundem na confusão agitada de um caos
geral ou sejam dispersos como por uma força centrífuga em todas as direções
possíveis. Este é o fundamento das
virtudes públicas, e uma fonte principal de prosperidade pública.
O amor de nosso país nos fará viver para seu
bem-estar; produzirá uma profunda solicitude quando esse bem-estar em perigo ou
suspense; far-nos-á ansiosos para conhecer as razões que existem para a
esperança e o temor em relação a eles, que, se possível, podemos multiplicar os
do primeiro tipo, e diminuir o último. O projeto do seguinte discurso é mostrar
o que há para o temor quanto à intenção da Divina Providência no que nos
concerne, e quais são os fundamentos da esperança.
I. Eu devo exibir fielmente o que parece-me ser
motivos suficientes para apreender que Deus pode ainda visitar esta nação com
seu justo descontentamento. Em tempos santos e mais prósperos do que aqueles
sobre os quais caímos, nos tornaria doentes adotar a linguagem congratulatória
da Babilônia no dia de sua prosperidade e no auge de sua grandeza:
"Sento-me como rainha; não uma viúva, e nunca verei a dor." As
expectativas de tranquilidade imperturbável e prosperidade ininterrupta, em um
mundo como este, descansando, como eles devem fazer, em ignorância ou orgulho,
são muitas vezes o prelúdio de um reverso melancólico, a calma enganadora antes
da tempestade. Muito menos estamos autorizados a satisfazer, nas circunstâncias
atuais, a esperança de isenção da calamidade nacional. É verdade, que não
estamos envolvidos em guerra duvidosa com qualquer inimigo estrangeiro; nenhum
alarme de invasão está circulando pela terra, e a peste e a fome estão à
distância. Mas são estes os únicos males que o poder de Deus pode empregar para
flagelar uma nação culpada? Não pode ele encontrar dentro de nossas próprias
costas os ingredientes de nossa maldição, e reabastecer com eles os frascos de
sua ira, e derramá-los sobre nós em um tempo de tranquilidade externa? Não é
toda mente agora agitada pelo medo, e nem todos os olhos parecem ver o
equilíbrio de nosso destino tremendo na mão da Onipotência? E não há justos
motivos para tais medos?
1. Considere a soberania que Deus exerce na
disposição das fortunas tanto dos Estados como dos indivíduos. "Ele faz a
sua vontade entre os exércitos celestiais, e entre os moradores da terra: o seu
reino domina sobre todos, toma reis e os abate como lhe agrada e dá o reino a
quem quiser". As coroas da terra, assim como seus escudos, pertencem ao
Senhor. Impressionante e humilhante era a sua linguagem para o antigo Israel:
"Ó casa de Israel, não posso fazer contigo como o oleiro, diz o Senhor.
Eis que, como o barro está na mão do oleiro de Israel." Dependemos de tudo
o que constitui grandeza nacional, prosperidade e felicidade, inteiramente
sobre a vontade de Deus, e (o que é ainda mais impressionante) dependemos para
tudo da sua misericórdia. Somos devedores de tudo o que possuímos. Ele pode lançar-nos
para baixo sem injustiça, e enquanto os gemidos da nossa humilhação estavam
subindo, dez mil testemunhas imparciais exclamariam: "Justos são os teus
juízos, Senhor Deus Todo-poderoso!" Não existe um único artigo sobre o
qual possamos exercer um poder tão ilimitado, como o de Deus sobre nós.
Certamente essa visão de nossa dependência de um Ser a cujo poder não podemos
resistir e cujos propósitos sobre nós são totalmente desconhecidos deve excitar
em nós, em todos os momentos, uma disposição muito remota da segurança sem
medo.
2. Nossas transgressões nacionais são suficientes
para produzir apreensões muito dolorosas. Estou ciente de que as declamações
contra os vícios dos tempos foram praticadas e desprezadas em todos os tempos.
É lamentável que tal tópico seja necessário, e ainda mais lamentável que ele
deve ser desconsiderado quando for necessário. É a última etapa no processo de
endurecimento da iniquidade, quando o transgressor ou rejeita com desprezo, ou
recebe com indiferença as palavras do fiel reprovador. Que este sintoma de uma
consciência cauterizada nunca seja visto no caso de meus compatriotas! Ao falar
dos pecados da nação, não vou estabelecer uma comparação entre o presente e
qualquer época passada de sua história, muito menos entre sua própria condição
moral e a dos países vizinhos. Comparações desse tipo raramente são usadas, senão
com a finalidade de coletar combustível para nosso orgulho, ou desculpar nossos
pecados. Além de uma decisão em tais casos, onde a operação do motivo, a medida
da luz e o grau de assistência; devem ser tomados em conta, é um trabalho muito
difícil para qualquer mente, exceto para a do Onisciente. Tome o caso de forma
abstrata e diga se não somos "um povo carregado de iniquidade, filhos
corruptos, uma semente de malfeitores". "O transbordamento da iniquidade
pode muito bem nos fazer temer." Onde o olho do observador cristão
descansará, e não haverá motivo para confissão, tristeza e reforma?
Não há pecados escritos pela própria pena da
legislatura em meio aos registros de nossas leis, sobre as quais o olho de Deus
olha para baixo com desagrado? O jogo não é legalizado no sistema de loterias?
A instituição sagrada da Ceia do Senhor não é abusada, degradada, profanada,
transformada pelas leis em uma qualificação para cargos seculares? Não é a
solenidade de um juramento convertido em uma espécie de juramento profano, por
sua repetição nas ocasiões mais triviais, por todos os departamentos da
receita? Não há nada em nosso código penal que precise de revisão e correção,
para tornar a nossa jurisprudência eficaz na prevenção, bem como na punição do
crime? Quando a voz da razão e da revelação será ouvida, e a legislatura terá
aquele "entendimento rápido no temor do Senhor", que os moverá com sã
indignação para expurgar essas manchas do livro do estatuto?
Os pecados do povo, e apenas esses são pecados
nacionais, requerem atenção mais particular. "Considerar os pecados
nacionais como meramente compreendendo os vícios dos governantes, ou as iniquidades
toleradas pela lei", diz um escritor muito eloquente, "é colocar os
deveres de uma época como esta em uma luz muito adversa e muito inadequada. É
fazê-los prejudiciais, pois, segundo este princípio, é nosso principal negócio,
nessas ocasiões, atacarmos aqueles a quem somos ordenados a obedecer, a
descortinar os abusos públicos e a sustentar o ódio e a abominação das supostas
desvantagens do governo sob o qual somos colocados, até que ponto tal conduta
tende a promover aquele coração quebrantado e contrito, que é o melhor
sacrifício do céu, não requer grande sagacidade para descobrir. É, além disso,
exibir uma visão muito inadequada dos deveres desta época, porque limita a
humilhação e a confissão a um mero escândalo dos pecados que poluem uma
nação."
(Nota do tradutor: esta observação está cheia de
verdade porque quando maus governantes e líderes se levantam em todos os
rincões da nação, isto é muito sintomático de um juízo divino sobre o proceder
pecaminoso generalizado do próprio povo. Os governantes e líderes são apenas,
em muitos casos, o reflexo do povo que eles governam, sendo ambos culpados aos
olhos do Senhor.)
* Veja o Sermão do Sr. Hall, intitulado
"Sentimentos próprios da crise atual", pregado em 19 de outubro de
1803, que, além da eloquência transcendente da peroração, contém tanto o que é
apropriado ao tempo e às circunstâncias em que vivemos , que sua leitura e
circulação não podem ser muito calorosamente promovidas por todos os amantes de
seu país.
À frente de nossas transgressões nacionais, e como
causa de muitas que depois serão enumeradas, deve-se colocar um triste lamento
em relação aos deveres que vinculam um povo colocado sob a mais brilhante dispensação
de misericórdia, com a qual Deus sempre abençoou um mundo pecaminoso. Se lermos
as Escrituras, veremos que a maior responsabilidade se atribui àquela nação a
quem "é enviada a palavra da salvação, o evangelho glorioso do Deus bendito".
É o clímax dos privilégios nacionais "conhecer o som alegre". Parece,
pois, mesmo de um levantamento geral do povo deste país que eles estão tornando
o conhecimento de Cristo "um aroma de vida para vida"? Não é fato que
as doutrinas peculiares do cristianismo, encarnadas e expressadas no termo
apropriado de "religião evangélica", sejam por multidões
negligenciadas, por muitos opostas e por muitos ridicularizadas? Por que para uma
grande parte da comunidade é a totalidade da religião resolvida em um mero
cumprimento de algumas observâncias cerimoniais, à negligência total da
religião do coração; de modo que, embora muitos não respeitem mesmo as formas
de piedade, outros estão satisfeitos com as meros formas! Que lamentável
miséria vemos ao nosso redor daquela religião que começa na profunda convicção
do pecado, intensa solicitude pela salvação eterna, tristeza piedosa que opera
arrependimento, humildade evangélica, crença em Cristo para justificação; e
que, quando assim iniciada, é levada a cabo pela crucificação das afeições e
desejos da carne, e a sujeição de todo o coração e da conduta à lei de Deus, a
espiritualidade da mente, a conquista do mundo pela fé, as coisas invisíveis e
eternas, as coisas vistas e temporais, a comunhão com as realidades invisíveis,
a preparação para as glórias celestiais, a devoção no quarto de oração, a
religião familiar, o culto público; e que se deleita com a verdade, a justiça,
a mansidão, a temperança, o amor fraternal; fazer o bem a todos os homens, e
brilhar como uma luz no mundo! Vemos tal religião como esta sendo abundante? E
o que menos do que isso é a religião do Novo Testamento? A negligência das
realidades eternas parece-me ser um dos pecados de nosso país. Não foi isso que
obteve a sentença de morte da Judeia? Ela não sabia o dia de sua visitação; e
como escaparemos se negligenciarmos tão grande salvação?
À negligência da piedade devemos acrescentar a
prevalência da IMORALIDADE. Quão geral é a embriaguez, esse vício bestial que
escraviza a mente ao corpo, enquanto consome o corpo como no fogo líquido! Quão
solene é o pensamento de que as dádivas da providência divina devem ser assim
convertidas no meio de transgredir contra o seu Autor e que os produtos da
natureza devem ser convertidos em instrumentos de rebelião contra o seu
Criador!
Chocantemente comum é o juramento profano! Uma
mancha terrível de impiedade atravessa a conversa diária de miríades de ricos e
pobres. Muitas vezes foi dito que, em nenhuma nação sob o céu, a profanação dos
termos sagrados é tão comum como na Inglaterra. Este pecado não tem sequer a desculpa
frágil da gratificação sensual para pleitear em seu nome, e parece inventado
sem outra finalidade do que dar expressão e efeito às paixões de inimizade,
malícia e vingança. É uma tentativa ímpia, embora impotente, de perseguir o
fogo da justiça incensada, de agarrar e lançar aqueles raios da vingança
divina, que não devem ser contemplados senão com temor e tremor.
A prostituição feminina foi cada vez mais
incrivelmente cometida, ou mais extensamente estendida do que neste dia. Que
enxames de criaturas miseráveis rastejam de seus lugares escondidos na hora da
escuridão para infestar nossas ruas, e espalhar suas labutas para suas
vítimas muito dispostas. Calcula-se que só Londres contém cinquenta mil desses
miseráveis seres, que subsistem total
ou parcialmente no salário da iniquidade. "Ó vós, que sois de olhos mais
puros do que para contemplar a iniquidade, que cena de poluição para vós olhar
aberta e perpetuamente!" Os crimes cometidos por esta classe
quintuplicaram nos últimos anos.
Venho agora à profanação do sábado; naquele dia de
santo descanso, dado em misericórdia ao homem, de imediato para refrescar o seu
corpo, usado com esforço, e ajudar a sua alma na busca da salvação. Como são as
horas preciosas deste dia desperdiçadas em recreação, negócios e viagens! É
provável que nesta cidade, para não ir mais longe por um exemplo, não mais de
metade da população, que são impedidos por nenhuma causa incontrolável, assistem
às solenidades do culto público. Pode-se dizer em resposta a isso, que não há
acomodação suficiente para os habitantes. Mas todos os nossos locais de culto
estão lotados em excesso? Nossa igreja e os introdutores de reuniões estão
cansados em todos os casos de
pedidos de lugares e bancos? Não é manifesto que dezenas de
milhares em Birmingham não vão a nenhum lugar de adoração no sábado, apenas por inclinação? Com mais força e
propriedade, esta observação se aplicará à metrópole, de onde se verão miríades
todos os sábados pela manhã, saindo pelas suas diferentes avenidas para um dia
de prazer e recreação no país; que passam pelas portas convidativas do
santuário com um sorriso desdenhoso sobre aqueles que se apressam a comparecer
diante de Deus em Sião. Onde há uma demanda de acomodação (pelo menos é assim
entre os dissidentes), geralmente é encontrada generosidade suficiente, a
qualquer custo, para fornecê-lo. É de se temer que o primeiro dia da semana
seja dedicado por uma grande parte da parte comercial da comunidade às viagens
de negócios; pelos ricos para viagens de prazer; e pelos pobres aos hábitos de
indolência. Quem pode ajudar o luto em segredo para os jogos, festas e
concertos particulares, que são dados nos círculos de alta vida na moda naquele
dia que é ordenado por Deus para ser mantido santo? Seria bom se muitos que são
altos e longos em suas declamações contra o crescimento da sedição e impiedade,
não desconsiderassem o sábado, incentivando por seu próprio exemplo o
crescimento de toda obra má.
Lamento que a acusação de empregar o sábado para o
propósito de viajar possa ser trazida com grande justiça contra muitos professantes
de religião. Tornou-se, mesmo entre eles, uma prática muito comum voltar para
casa de uma viagem no final da manhã de domingo, e partir em uma viagem no
início da noite de domingo. No primeiro caso, o dia inteiro é, em certa medida,
sacrificado, pois, depois de viajar a noite toda, o corpo não está em condições
de permitir muita edificação à mente; e neste último caso, uma parte muito
valiosa do dia é perdida para fins de piedade. Qualquer parte do dia é menos
sagrada do que outra? A mesma autoridade não ordenou que todas as partes dele
fossem mantidas santas? E que exemplo para o mundo! Estou ciente de que a
necessidade é por vezes colocada sobre nós neste assunto, mas é muito mais
frequentemente feito por nós. Os cristãos em Otaheite são já neste particular
os reprovadores dos cristãos na Grã- Bretanha, e nós precisaremos logo de um
missionário dos consoles do mar do sul para nos ensinar como observar o sábado!
Há um modo de mostrar desrespeito a esta
instituição divina, que tem aumentado muito nos últimos anos; quero me referir
ao o sacrifício dela para a discussão política. Os jornais dominicais são uma
fonte de mal moral e político, da qual um fluxo silencioso de corrupção há
muito percorre a terra e que tem levado, por meio de cervejarias e clubes
políticos, a dez mil cabanas, princípios aos quais, senão por tais meios, eles
teriam sido felizes estranhos à hora presente. Mas, não nos admiremos nestas
coisas, enquanto seus superiores não têm nenhum escrúpulo em frequentar as
salas de notícias públicas, ou ler os jornais em casa. A prática dos pobres é
apenas a cópia de um quadro que paira sobre eles. É inútil dizer a um homem
pobre que ele não tem direito com um papel no sábado; nós devemos mostrar-lhe,
por nossa conduta, que nenhum de nós tem um direito com ele naquele dia. A
observância adequada do sábado está tão inseparavelmente ligada à moral pública
e à piedade, que não há maior pecado nacional do que sua profanação. E se a
negligência do sábado se tornar infelicidade em geral prevalecente, veremos a
remoção do último montículo que resiste aos transbordamentos da impiedade, por
um lado, e as inundações da vingança divina, por outro.
Mencionarei mais uma iniquidade nacional, ou seja,
uma saída crescente em nossas transações comerciais dos princípios da
integridade estrita. Na verdade, o "princípio", em grande parte,
parece ter partido, ao mesmo tempo em que chegou a seu lugar um sistema de
crédito falso, de especulação precipitada e ruinosa, de artifício desonesto e
truques desavergonhados, até que os professos discípulos de Jesus estejam imitando
as práticas dos mais baixos e mais degenerados judeus.
Espera-se, provavelmente, que eu aluda a dois
vícios que, embora não sejam nacionais, estão comprometidos até certo ponto na
nação. Não, irmãos, infidelidade e sedição nunca foram, nunca confiarei, serem as
características dos ingleses. A insubordinação às leis e às autoridades do
reino existe, admito, entre uma parte equivocada e iludida, e deve ser
excessivamente desagradável à vista daquele Grande Ser que deu sua própria
sanção divina à autoridade e aos arranjos do governo humano. "Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há
autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por
isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem
trarão sobre si mesmos a condenação." (Romanos 13: 1-2).
A infidelidade, como se tivesse ficado louca por
seu confinamento nos últimos anos, quebrou sua corrente, e com a fúria de um
animal selvagem violento, se precipitou para a sociedade, proferindo seus
uivos, enviando horror e consternação diante dela, e deixando infecção e morte
por trás de si. Muitos foram mordidos por seus dentes, que, por sua vez,
comunicaram o contágio a outros, até que o alcance do mal tenha atingido uma
extensão que nós estremecemos de contemplar. É, finalmente, esperamos, preso. A
multidão é posta em guarda; sabendo o terrível mal que está no exterior, eles
têm agarrado as armas da verdade, e vão armados com a "espada do
Espírito". Para todos os olhos observadores, a prevalência de sentimentos
infiéis tem sido aparente em nossa literatura periódica, nossa poesia atual,
nossos hábitos comerciais e o estado de nossa comunhão social; não tanto na
forma grosseira e direta que Hume ou Paine demonstraram, mas na irreligião
prática, no desprezo sistemático da revelação divina, no desrespeito das
instituições religiosas, no ridículo da verdadeira piedade e na ausência de
toda reverência à Palavra de Deus, seja como fonte de instrução ou como padrão
de caráter.
Tais são uma parte, e somente uma parte dos
pecados que pesam pesadamente em nosso país; e eles são atendidos com peculiar
agravamento, por causa das misericórdias que temos recebido da mão de Deus.
Numa época em que a atenção pública está tão
atenta à nossa aflição nacional, e quando a queixa geral parece implicar um
estado de calamidade quase absoluta, parece-me uma propriedade peculiar trazer
à tona as muitas misericórdias que ainda nos restam, e que, enquanto agravam os
nossos pecados, devem moderar o nosso descontentamento. Os confortos temporais
decorrentes de nossas circunstâncias locais não são nem poucos nem pequenos.
Nosso clima é temperado, nosso solo fértil, nossos recursos internos como tudo
o que constitui riqueza nacional e conforto, inesgotável; nossa situação
insular admirável, tanto para o comércio e defesa; e o número, força natural e
gênio de nossa população muito considerável. Quão felizmente somos preservados
daquelas solenes visitas que tão frequentemente encheram de terror outras
terras e transformaram os distritos mais populosos e florescentes no vale da
sombra da morte!
Nenhum vulcão nos aterroriza com suas erupções e
submerge nossas cidades debaixo de seus rios de lava; nenhum tremor convulsivo
do terremoto enterra nossa população debaixo das ruínas de suas próprias
moradas; nenhum furacão carrega a desolação através de nosso país; a fome nunca
enche nossos vales com os ossos dos milhares que pereceram sob seu reinado; nenhuma
pestilência atravessa nossa terra, apressando multidões ao túmulo, e enchendo
tudo que permanece com terrores indecifráveis; a guerra, exceto nas formas mais
atenuadas, não foi vista em nossas praias por quase um século e meio; e embora
tenhamos sido os principais agentes nas cenas incomparáveis de derramamento de sangue
e miséria que foram exibidos neste quarto do mundo durante os últimos vinte e cinco anos,
ainda temos apenas tomado daquele cálice amargo que outros países têm bebido
muito, senão borras; e enquanto todos os países da Europa, além disso, ouviram
o ruído confuso do guerreiro, e viram roupas enroladas em sangue, só ouvimos
relatos de longe.
Nossos privilégios civis ainda não são muito
grandes? Temos uma constituição que, em teoria, é a perfeição da sabedoria
política e a admiração do mundo; e embora na prática alguns abusos possam ter
desfigurado sua beleza, e o lapso dos séculos pode ter impressionado aqui e ali
os sintomas da decadência; ainda é, com todas as suas falhas, uma estrutura grandiosa
e venerável que, acreditamos, à mão bruta da violência nunca será permitido
assaltá-la, nem que a influência mais insidiosa da prerrogativa seja permitida
a pô-la em perigo. Quão imparciais são as nossas leis administrativas! A vida e
a propriedade do camponês não são tão seguras quanto as do príncipe? Não temos todos
nós repouso em igual segurança sob a poderosa sombra da lei britânica? Que os
nossos juízes são fiéis guardiões dos direitos de todos os homens, conforme os
acontecimentos do presente reinado, e especialmente dos últimos anos, e mesmo
meses, incontestavelmente demonstram.
Nossas misericórdias espirituais são inumeráveis e incalculáveis. Quão grande é a bondade de Deus, que,
neste aspecto, se manifestou através de uma longa sucessão de épocas. Há quanto
tempo somos favorecidos neste país com o "evangelho glorioso do Deus bendito".
Quase assim que os gentios foram admitidos "para serem herdeiros, e do
mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo", foram os habitantes
selvagens e idólatras da Grã-Bretanha chamados dos sanguinários ritos do
druidismo, para a igreja do Deus vivo. O nome do primeiro missionário cristão
em nosso país está perdido na obscuridade, mas é universalmente admitido que a
verdadeira luz brilhou sobre este canto da terra quando nações, muito mais
perto da fonte da iluminação, ainda estavam sentadas na escuridão da idolatria.
Quando o cristianismo foi eclipsado pela densa
superstição saxônica, foi novamente restaurado, embora em menor pureza, por
mensageiros de Roma. Nas idades subsequentes, quando as crescentes corrupções
do papado, como as nuvens sufocantes que João viu saindo do poço sem fundo,
tinham quase extinto cada raio de luz celestial, a estrela da manhã da Reforma
surgiu em nossa ilha; no ministério e nos escritos do imortal Wickliffe, e este
sinal radiante do dia que se aproximava, foi depois seguido pelo esplendor do
meio-dia da verdade do evangelho. O jugo do Vaticano foi arrancado do pescoço
da igreja inglesa, quando muitas das nações do continente permaneceram ainda em
cativeiro. Depois de uma terrível luta, na qual os amigos da verdade suportaram
por cento e cinquenta anos de sofrimentos indescritíveis, o mais precioso de
todos os direitos de uma criatura imortal foi conquistado do espírito de
intolerância e da liberdade religiosa garantida pela lei aos descendentes daqueles
heróis, que haviam morrido por ela na prisão e na fogueira. É nossa
misericórdia distinta "sentar cada homem debaixo de sua própria videira e
figueira, e ninguém ousando fazê-lo temer".
Através do gozo irrestrito dessa bênção, como os
meios de instrução religiosa foram multiplicados. Que multidões de ministros
santos, fiéis e laboriosos de todas as denominações são continuamente empregados
na pregação do evangelho da salvação, e instando a prática de "tudo o que
é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, e
que seja de boa fama.”
Se os homens negligenciam a salvação, não é por
falta de aviso; se eles se extraviam não é por falta de guias; se eles pecam
contra Deus, não é porque não há ninguém para os advertir. Que preocupação
universal se manifesta pela instrução da geração em ascensão!
Através da prevalência das escolas dominicais, é
agora uma coisa rara se encontrar com uma pessoa com menos de trinta anos, que seja
incapaz de ler. Quase todos os filhos dos pobres são levados todos os sábados a
essas instituições, onde são ensinados a ler a Palavra de Deus, e conduzidos
para ouvi-la sendo pregada.
Além disso, quão geral é a circulação das
Escrituras! A Sociedade Bíblica emitiu desde a sua formação entre dois e três
milhões de cópias da Palavra de Deus. A Bíblia está na mão de quase todos os
indivíduos. Sociedades de toda a descrição possível foram formadas para
difundir o conhecimento religioso em cada canto escuro da terra. Comentários
sobre as Escrituras, tratados de explicação das doutrinas do evangelho, sermões
que cumprem os deveres da revelação, publicações periódicas, em que os apelos
foram feitos, na forma de ensaios, para a compreensão e sentimentos do público;
artigos religiosos em todas as formas e em números impossíveis de contar, todos
foram postos em circulação; eloquência, gosto, gênio, imaginação; foram todos
empregados para aumentar a influência e estender as bênçãos da religião. Que
trem de misericórdias!
Onde está o país que pode ser comparado com o
nosso por privilégios espirituais? Pode-se dizer da Grã-Bretanha, como
antigamente era dos judeus: "Deus mostra a Jacó a sua palavra, os seus
estatutos e os seus juízos a Israel; ele não tem tratado assim com nenhuma
nação". E com justiça igual pode apelar para nós como ele fez com eles,
"O que mais eu poderia ter feito por meu povo do que eu fiz?" E, no
entanto, afinal, que abundância de iniquidade! Quão infrutíferos estivemos sob
toda essa cultura espiritual! Até que ponto as gloriosas verdades do evangelho
cristão são negligenciadas, negadas e ridicularizadas! Quão pequena é a porção
do verdadeiro conhecimento cristão na terra, e quanto menos ainda o grau de
piedade! Como a iniquidade abundou, e o amor de muitos ficou frio! Para formar
uma estimativa verdadeira de nossa condição moral, devemos certamente levar
todas as nossas misericórdias para a contabilização e calcular o que deve ser a
gratidão, a piedade e o zelo de um povo tão eminentemente distinto.
3. Como outro motivo de medo, menciono a visão que
Deus deu de seu caráter na Escritura, juntamente com as ameaças que ele
denunciou contra o culpado. Sua santidade forma um traço conspícuo de seu
caráter, como está delineado na página de inspiração. Tal é a sua pureza,
"que os próprios céus são considerados imundos aos seus olhos". O
pecado é a única coisa em todo o universo que Deus odeia, e isso Ele abomina
onde quer que o descubra. Com nosso entendimento limitado e fracos poderes de
percepção moral, é impossível formar uma ideia adequada do mal do pecado ou da
luz em que é contemplado por um Deus cujo entendimento é infinito e cuja pureza
é imaculada.
A lei que os homens estão pisando todos os dias,
igualmente sem consideração, sem razão e sem penitência, é mais sagrada aos
seus olhos, como a emanação e a transcrição de sua própria santidade. Ele
também é onipresente e onisciente. Não há um recanto da terra de onde ele é
excluído. De cada cena de iniquidade ele é testemunha constante, embora
invisível. Toda a massa da culpa nacional, com cada detalhe minúsculo dela,
está sempre diante de seus olhos. Sua justiça, que consiste em dar a todos o
que lhes é devido, deve incliná-lo a punir a iniquidade, e seu poder lhe
permite fazê-lo. Ele é o governador moral das nações, e preocupado em submeter
sua providência à exibição de seus atributos; e se um povo tão altamente
favorecido como nós somos, apesar de nossos múltiplos pecados, escaparmos sem
castigo, alguns não estarão prontos a questionar a equidade, senão o próprio
exercício de sua administração?
Suas ameaças contra os ímpios são encontradas em
quase todas as páginas da Sagrada Escritura. "Desde o dia em que foi
edificada até agora, esta cidade despertou a minha ira, para que eu a remova
dos meus olhos!" "Se andares contrariamente a mim", disse Jeová
aos judeus, "eu andarei contra vós". Ao mesmo povo declarou em outro
tempo: "Se fizerdes mal, sereis consumidos, tanto vós como o vosso
rei." "A sua prata e o seu ouro não poderão resgatá-los no dia da ira
do Senhor, e toda a terra será consumida pelo fogo do seu zelo, porque Ele fará
um final completo, sim, horrível de todos os habitantes da Terra." As
ameaças da Bíblia também não são vistas à luz de meros terrores irreais, como
nuvens e tempestades que o lápis do poeta introduziu no quadro; as criaturas de
sua própria imaginação, e que só pretendia excitar a imaginação dos outros.
Não, irmãos, são realidades solenes, destinadas a operar pela sua denúncia como
um cheque sobre a tentação; para serem suportadas em sua execução como um castigo
por nossos pecados!
4. O exemplo que Deus fez de outras nações, pode
muito bem nos alarmar. Se reinos como tais, são sempre punidos por seus
pecados, deve ser no mundo presente, onde sozinhos eles existem em sua forma
coletiva. As solenidades do futuro dia do juízo destinam-se à humanidade em
seus personagens pessoais e reais. Todas as associações humanas, famílias,
igrejas, estados, serão então fundidas em uma massa geral de indivíduos, e cada
homem, em meio a milhões em torno de si, será julgado separadamente. Se a vara
da ira divina repousar sempre sobre um corpo coletivo, ela deve estar no estado
atual das coisas; e a Escritura nos dá muitos exemplos em que isso aconteceu.
Conservou um relato, na história ou na profecia, a queda de quase todos os
principais impérios, reinos e cidades da Antiguidade; e isso, não como uma mera
crônica do evento, mas como uma grande lição moral para o mundo. Ela nos
informa cuidadosamente que o pecado foi a causa de sua ruína. Não nos deixa chegar
a esta verdade por qualquer inferência laboriosa e duvidosa, mas proclama que as
guerras e os cercos, o derramamento de sangue e as misérias, que terminaram em
sua dissolução, devem ser considerados por todas as épocas sucessivas como uma
exposição terrível da má natureza do pecado, escrita pelo dedo de Deus sobre a
tábua da história da terra!
Visitem, imaginando, meus compatriotas, os lugares
onde muitas dessas cidades estiveram, e vocês não verão mais que o gênio da
desolação perseguindo como um espectro através da planície, levantando os olhos
para o céu e exclamando, em meio ao silêncio que reina ao redor, "O reino
e a nação que não te servirem, perecerão completamente". Como você está em
outros lugares entre os fragmentos de uma grandeza que partiu, como suspira
através das ruínas, que parecem dizer, como uma voz do sepulcro, "Veja,
portanto, e sei que é um mal e uma coisa amarga pecar contra o Senhor."
Como exatamente as ameaças de Deus foram feitas
aos judeus, embora fossem seu povo escolhido, e a semente de Abraão, seu amigo.
Quase dezoito séculos a ira de Deus brilhou sobre os montes da Judeia, como um
farol contra a iniquidade; enquanto as tribos que uma vez repousaram em honra e
paz em seus vales frutíferos, estão espalhadas por todas as terras como
testemunhas vivas da verdade da revelação e monumentos vivos dos terrores da justiça
divina. E as ameaças feitas pelo Filho de Deus a João, em sua isolada ilha,
contra as sete igrejas da Ásia, não foram todas executadas com uma exatidão que
rouba a todos os pecadores sua última esperança de impunidade. Essas lâmpadas
estão todas apagadas, o castiçal é removido do seu lugar; essas próprias
cidades, algumas delas, são abandonadas às raposas e às corujas; o Evangelho é
substituído pelo Alcorão; o Sol da Justiça se pôs sobre as cenas de trabalho
apostólico, e em seu lugar o crescente do impostor árabe derrama sua pálida luz
desastrosa. Diga-me se a Grã-Bretanha não merece o mais severo de seus
destinos, se depois de vê-los descer sucessivamente à poeira sob o poder da
iniquidade, ela não aceitar a advertência e, evitando a causa de sua ruína,
evitar a sua própria.
5. Podemos olhar para a situação atual do país sem
entreter as apreensões mais graves? Não é um alarme falso que agora soa em
nossos ouvidos; todas as partes concordam que estamos em uma situação mais
crítica, da qual nada pode nos livrar, senão uma interferência da Providência, que
não sabemos como descrever ou esperar. Um comércio reduzido quase à estagnação,
uma lista da bancarrota que aumenta continuamente, um crédito declinando, uma
carga da dívida nacional, e uma tributação quase esmagadora, contudo
insuficiente para encontrar-se com as exigências do estado, um tesouro
esgotado, e uma administração em uma perda como a rápida remoção do capital
britânico para ser investido em títulos estrangeiros, centenas de milhares de
nossa população trabalhadora apenas metade empregada e, consequentemente,
reduzida à maior angústia, uma facção inquieta aproveitando as tristezas dos
pobres, um distrito populoso em um estado que faz fronteira com a insurreição,
o Governo fazendo usurpações em nossa liberdade, para nos defender da anarquia,
a divisão de opinião que existe tanto quanto às medidas políticas e financeiras
que são necessárias para nossa segurança, e para concluir, a partida esperada
desse venerável monarca, que, em seu caráter amável, preservou um centro de
união para o país, e que, embora há muito escondido de nossa vida, enviou de
sua profunda e afetiva reclusão, na lembrança de suas virtudes, uma influência
plástica, que insensivelmente moldou nossos corações à lealdade. Com tal imagem
diante de nossos olhos (e não está muito sombreada), o coração mais forte pode
tremer, e todos olham ansiosamente para o futuro desconhecido, mas pressentido.
II. Mas é tempo de buscar uma fonte de CONSOLAÇÃO
e de perguntar se não há motivos para esperar que o Senhor ainda se levante e
tenha misericórdia da Grã-Bretanha. Graças a Deus, há muitas manchas brilhantes
ao longo do horizonte escuro para encorajar nossas esperanças de que as nuvens
ainda serão dispersas, e que seremos preservados da tempestade. No que se
refere às causas secundárias, deposito demasiada confiança no bom senso, na
lealdade, no patriotismo do povo inglês, para imaginar que permitirão que sua
inviolável constituição seja violentamente derrubada pela anarquia, por um
lado, ou gradualmente minada por tirania do outro. Espero que, se a paz do
mundo continuar, e especialmente a nossa tranquilidade interior, restauraremos
nossas dificuldades comerciais e financeiras e superaremos a maré de nossa
prosperidade. Mas nossa expectativa deve ser de Deus, afinal. Não devemos
confiar em um braço de carne, mas no Deus vivo, "que se deleita em
misericórdia, e não aflige voluntariamente os filhos dos homens". Há
muitas razões pelas quais devemos equilibrar nossos medos com nossas esperanças,
das quais eu seleciono o seguinte.
1. A longa série de libertações que Deus tem feito
para este país. Nós, de fato, sempre fomos o berço da sua Providência; os
registros de nossa história estão repletos de instâncias de interposição divina
em nosso favor. Além da nossa emancipação precoce, primeiro, do jugo da
idolatria e depois do domínio do Papado, que libertações de cada um temos
experimentado posteriormente!
Desde a Reforma até a Revolução, foram feitos
esforços incessantes para roubar o país de seus mais valiosos privilégios, da
tirania civil, por um lado, e da usurpação eclesiástica, por outro. Tornou-se
quase obsoleto agora falar da Armada Espanhola e da trama da pólvora, mas nem
esses esquemas profundos contra a religião protestante, nem os projetos igualmente
malignos dos Reis Stuart contra a nossa liberdade civil, deveriam ser
permitidos afundar no esquecimento. Nós merecemos todos os terrores que esses
eventos produziram na mente de nossos antepassados, se permitirmos que a
memória deles pereça. Voltemos, muitas vezes, àquela época ilustre, quando
nosso misericordioso Deus salvou a Grã-Bretanha da escravidão à qual seu
monarca enfatuado a estava conduzindo e, tendo-o banido como um pária do país,
nos deu em lugar dele aquele ilustre Príncipe, que ascendeu ao trono vago, como
com a declaração de direitos em uma mão e o ato de tolerância na outra. As
rebeliões de 1545, em favor do Pretendente, são raramente pensadas por nós, mas
fizeram nossos antepassados temerem para a segurança de tudo que era caro a
eles.
Para chegar aos nossos tempos, quem pode esquecer
os alarmes que atravessamos desde a Revolução Francesa? Nunca teve este país,
desde o período da Conquista, tal luta pela sua existência como um reino
independente. Um inimigo surgiu cujo poder num momento parecia quase tão
ilimitado como sua ambição, enquanto ambos juntos estavam dirigindo seus
esforços extremos contra nós. Como Hamã, que considerava todas as suas honras,
mas como nada enquanto Mordecai não fosse humilhado, ele considerava todas as suas
conquistas com insatisfação enquanto a Inglaterra era livre. Ao subjugar o
resto da Europa, ele parecia não ter outro objeto senão convertê-la em um
imenso armazém, do qual recolher os materiais de nossa ruína. Vimos o seu
progresso com consternação, e como ele quebrou o poder de um estado após outro,
e vimos o mal se aproximando cada vez mais perto de nossas próprias costas. A
libertação, no entanto, chegou finalmente, e de uma maneira que mostrou que era
inteiramente de Deus. "Ele envia o seu
mandamento pela terra; a sua palavra corre mui velozmente. Ele dá a neve como
lã, esparge a geada como cinza, e lança o seu gelo em pedaços; quem pode
resistir ao seu frio? Manda a sua palavra, e os derrete; faz soprar o vento, e
correm as águas; ele revela a sua palavra a Jacó, os seus estatutos e as suas
ordenanças a Israel. Não fez assim a nenhuma das outras nações; e, quanto às
suas ordenanças, elas não as conhecem. Louvai ao Senhor!” (Salmos 147: 15-20).
Ele soltou sobre nosso antagonista todos os
terrores e forças do inverno; ele fez dos elementos nossos aliados, e derramou
sobre ele o granizo e a neve que "ele tinha reservado para o tempo de
angústia, para o dia da batalha e da guerra". Não foi por força humana nem
pelo poder, tanto quanto pela ação do Senhor, que o orgulho da França foi
humilhado, e nossa própria libertação efetuada. "Foi obra do Senhor, e é
maravilhosa aos nossos olhos." Finalmente, porém, o inimigo poderoso foi
completamente subjugado pela instrumentalidade desse reino, que ele tão frequentemente
ameaçara aniquilar, e foi abandonado na ilha de Santa Helena, e deixado a ser
presa de suas próprias reflexões.
Ora, embora não possamos concluir peremptoriamente
sobre o que Deus tem feito; que ele continuará a fazer o mesmo, especialmente
porque nós merecemos tão pouco. No entanto, podemos imitar a conduta do
salmista e, no meio de nossas dificuldades, "lembrarmo-nos dos anos da
destra do Altíssimo". Casos de libertação do passado ilustram o poder e a
misericórdia de Jeová; e nos encorajam a confiar em ambos. Quantas vezes os
israelitas se dirigiram a fortalecer a sua confiança no Senhor, olhando para
trás em todo o caminho em que ele os tinha levado através do deserto; e para
provar por novos atos de livramento, que seu braço não foi encurtado, nem seu
ouvido se tornou pesado. O primeiro dever que devemos a Deus ao receber um
favor é ser grato; a seguir, deduzir dele um motivo para confiar nele para o
futuro. A piedosa sugestão de uma mulher israelita pode provavelmente ser
aplicada, sem presunção, ao nosso caso como nação: "Se o Senhor quisesse
nos matar, ele não teria recebido uma oferta queimada em nossas mãos, nem teria
mostrado todas essas coisas."
2. O número de verdadeiros cristãos na terra é um
agradável e forte campo de esperança. Em meio à abundância da iniquidade,
graças a Deus, não descobrimos um grau pequeno de piedade genuína.
Provavelmente não há sobre a superfície do globo um lugar onde, dentro dos
mesmos limites, se encontrem tantos daqueles a quem "a graça que traz a
salvação, ensinou a viver sóbria, justa e piedosa neste presente mundo
mau." Referindo-nos às Escrituras, aprendemos este sentimento importante,
que Deus frequentemente confere favores ao culpado por causa dos justos. Em
alguns casos, os juízos divinos teriam sido totalmente evitados de sobre um
povo, se houvesse entre eles um pequeno número de amigos de Deus. Ele teria
poupado Sodoma por causa de dez justos, e disse em séculos posteriores a
Jeremias: "Corra de um lado para outro pelas ruas de Jerusalém, olhe e
observe! Procure nas suas esquinas para ver se consegue encontrar um homem, um
que faça justiça e busque a verdade, para que eu possa perdoá-la ." (Jeremias
5: 1).
Às vezes a ira de Deus foi adiada por causa dos
justos. Havia paz nos dias de Ezequias, ainda que tempos terríveis viessem. A Josias
foi prometido que ele iria para o túmulo em tranquilidade, e não veria o mal
que estava por vir sobre a Judeia. A vingança do Altíssimo é frequentemente
atenuada, e encurtada em sua duração; por conta dos piedosos. "Por causa
dos eleitos", disse Cristo, ao referir-se a tempos de grande tribulação,
"esses dias serão encurtados". Em um caso, encontramos um país
liberto dos horrores da invasão e do pavor da subjugação iminente, por consideração
a um santo que estava morto há quase três séculos. "Porque eu vou defender
esta cidade para salvá-la", disse Jeová, quando Jerusalém foi ameaçada
pelo exército assírio sob Senaqueribe, "por minha causa e por causa do meu
servo Davi".
Os favores temporais foram conferidos a algumas
pessoas por puro respeito aos santos indivíduos com os quais estavam
conectados. Labão prosperou porque Jacó estava a seu serviço, e o Senhor
abençoou a casa do egípcio por amor de José. E em quantos casos as bênçãos
espirituais foram mantidas em cidades, vilas e aldeias, por causa daqueles que
tinham piedade suficiente para valorizá-los e usufruí-los. Quando Paulo teria
partido de Corinto, ele foi detido ali por uma revelação de Deus para este
efeito, "Eu tenho muitas pessoas nesta cidade". Esses são exemplos
suficientes para estabelecer a verdade do princípio geral, de que os ímpios são
muitas vezes abençoados por causa dos justos, e para garantir a crença de que
se pudéssemos perscrutar os segredos do governo divino, ficaríamos espantados
ao descobrir uma influência extensa que os amigos do céu possuíram nos arranjos
da providência e nos destinos das nações. Também não é difícil atribuir os
fundamentos do presente processo. Não é um testemunho público suportado por
Jeová de seu amor por seu povo e sua aprovação de seus princípios? Nada é mais
comum entre os homens do que conferir um favor a um estranho, ou um inimigo,
por causa de um amigo; nem sentimos nada para ser um sinal mais forte de
respeito, do que uma bondade mostrada a outro por nossa conta. Nesse princípio,
o Senhor age em referência aos justos; são os filhos de sua adoção, e os
favoritos de seu coração, a quem pedem, e em nome dos quais, às vezes, ele dá
seus favores aos outros. É assim também que ele honra a oração. "Procuro
por um homem entre eles", disse ele a Ezequiel, "que deve fazer a
cerca e ficar na brecha diante de mim para a terra, para que eu não a destrua."
Os justos respondem à descrição que aqui é dada, e chegam à requisição do
Senhor. Eles estão no espaço, através do qual seus julgamentos estão chegando
sobre a terra, e cercam seu país com uma cobertura de orações. Eles levam as
calamidades públicas com eles para o quarto da devoção privada, e fazem-no nas
épocas da santa reclusão o assunto de sua súplica fervorosa ao trono da graça;
e como um rio que transporta fertilidade e riqueza através de uma terra, deve
ser rastreado até uma fonte que borbulha acima nos recantos escondidos de
alguma densa floresta, e assim que são muitos os córregos de bênçãos nacionais
encontrados emanando da câmara onde o cristão luta em oração com seu Deus.
A Escritura nos assegura que "a oração
fervorosa e eficaz de um homem justo aproveita muito". Parece haver uma
crença muito forte na mente dos homens em geral, que os santos têm "poder
com Deus", e um interesse considerável na corte do céu. Portanto, quando
os ímpios estão em circunstâncias de angústia, e especialmente quando a morte
os olha na cara, eles estão mais ansiosos para desfrutar as orações dos piedosos;
faraó pediu as orações de Moisés; e Simão Mago pediu a intercessão de Pedro.
Os justos têm grande influência no destino de uma
nação, ao se oporem e restringirem a iniquidade que traz os juízos de Deus
sobre a terra. Como é o pecado de um povo que o deixa aberto à ira; os que desejam
se livrar da vingança divina devem evitar o pecado. Quem são as pessoas que
mais impedem o pecado? Os piedosos! Eles o repreendem pelo seu testemunho, o
desprezam com o seu exemplo, o reprimem com a sua autoridade. Todo homem santo
é um impedimento para a prevalência universal da iniquidade! À medida que a
maré da depravação se aproxima dele, levando consigo a desolação, ele, na
verdade, diz-lhe: "Até aqui irás, e não irás mais adiante, e aqui as tuas
ondas orgulhosas serão interrompidas".
E, além da santidade pessoal, ele se aproveita de
todos os meios bíblicos e racionais para a supressão do vício e do erro. E
enquanto os justos, fazendo tudo para suprimir a iniquidade, estão diminuindo
as causas do desagrado divino contra uma terra, eles ao mesmo tempo aumentam os
objetos e fortalecem os fundamentos da amável consideração de Deus, pela
propagação da verdadeira religião. A piedade vital, como qualquer outra coisa
viva, contém um princípio de disseminação, e seu possuidor nunca mais exibe ou
goza de sua influência do que quando movido pelo desejo filantrópico de
estender seus benefícios aos outros. Uma preocupação zelosa pela glória de Deus
e os melhores interesses de seus semelhantes, o levam a aproveitar todas as
oportunidades adequadas para ampliar o domínio e aumentar os assuntos da
verdadeira religião. Com isso, ele multiplica na nação aqueles que são amigos e
favoritos de Deus, e continua levantando outros ao seu redor cujos louvores e
piedade estão subindo continuamente em nuvens de incenso para o céu e
retornando novamente sobre a terra "em chuvas de bênçãos."
Há ainda outra razão pela qual os justos têm essa
influência em trazer favores sobre os outros, ou seja, para manter uma analogia
entre a ordem da providência e a doutrina da graça. É o princípio peculiar e
identificador da dispensação da graça; conferir benefícios ao culpado por causa
dos justos. Deus não "fez Cristo ser pecado por nós, que não conheceu
pecado, para que sejamos feitos nele a justiça de Deus?" Pela justiça de
um, o dom gratuito veio sobre todos os homens para justificação da vida. Pela
desobediência do homem muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de
um muitos serão feitos justos. Qual é a salvação do pecador, sobre o plano do
evangelho, senão dando a vida eterna aos ímpios; por causa daquele que era
completamente santo? Que glória e honra ilimitada conferirá a nosso Senhor
crucificado, ressuscitado e ascendido, quando os santos forem vistos no último
dia lançando suas coroas a seus pés, reconhecendo com gratidão; que foi por
causa dele que todos foram salvos. Não é então uma analogia impressionante que,
como os benefícios espirituais e eternos são conferidos aos pecadores por causa
de Cristo; assim os santos são honrados nos arranjos da Divina Providência, por
terem benefícios temporais concedidos por eles ao mundo. Com esta visão da
influência importante e benéfica difundida pelos santos sobre os interesses dos
países em que vivem e, ao mesmo tempo, lembrando quão grande é o seu número nesta
terra, não posso deixar de dar uma agradável esperança na Divina misericórdia, que
ainda seremos poupados das calamidades que as circunstâncias existentes e a
apreensão pública poderia de outra forma nos levar a esperar.
(Nota do tradutor: é deveras impressionante a
eficácia e o poder que somente a obra realizada por Jesus em nosso possui para
satisfazer plenamente as justas exigências da justiça divina quanto à
condenação relativa ao pecado, pois está escrito que:
“15 Mas não
é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram
muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus
Cristo, abundou sobre muitos.
16 Também
não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo
veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de
muitas ofensas para justificação.
17 Porque,
se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que
recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só,
Jesus Cristo.
18 Portanto,
assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para
condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os
homens para justificação e vida.
19 Porque,
assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos
pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos.”
(Romanos 5.15-19).
Aqui se
contrasta “muitos” com um “só”.
Uma só
ofensa (a de Adão) trouxe maldição, juízo e morte sobre todos. Mas é de tal
ordem a graça e o dom de Deus para os pecadores arrependidos, que há na morte e
ressurreição de Cristo, que somente isto sem a necessidade de qualquer
acréscimo, é suficiente para remover a maldição, o juízo e a morte, e em seu
lugar justificar e dar vida eterna ao que crê.
Se a desobediência de Adão trouxe condenação e
morte, e todos se tornaram desobedientes como ele, a obediência de Jesus trouxe
libertação e vida para todos os que nele creem.
Há então esta bênção divina trazida para muitos,
em livramentos de juízos divinos imediatos, quando se vê a obediência de Jesus
sendo expressada na vida dos crentes, quando estes andam em santidade de vida.)
3. A grande mudança moral que Deus está nos
empregando para efetuar no mundo, é outra base de esperança. O trabalho feito
para Deus raramente não é recompensado. "Ele não é injusto para esquecer
nosso trabalho de amor." Ao referir-se ao ato de Fineias em matar Zimri e
Cozbi, encontramos ele usando a seguinte linguagem: "Fineias desviou a
minha ira dos filhos de Israel, enquanto ele estava zeloso por mim entre eles,
que eu não os consumi." Também somos informados disto no zelo de Josué na
detecção e execução de Acã, "o Senhor se desviou da fúria de sua
ira". Há poucas dúvidas de que a piedade de Josias em reformar a religião
e destruir a idolatria, que era tão generalizada na terra, teve uma influência
considerável em manter fora os juízos do Senhor durante sua vida. A Escritura
foi ainda mais longe disto, ao nos informar que o serviço de um príncipe pagão,
ao executar os juízos do Senhor sobre seus inimigos, embora não fosse movido
por nenhum outro motivo além de sua própria ambição, não passava despercebido
ou não recompensado pelo Todo-Poderoso. "Filho do
homem, Nabucodonosor, rei de Babilônia, fez com que o seu exército prestasse um
grande serviço contra Tiro. Toda cabeça se tornou calva, e todo ombro se pelou;
contudo não houve paga da parte de Tiro para ele, nem para o seu exército, pelo
serviço que prestou contra ela. Portanto, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu
darei a Nabucodonosor, rei de Babilônia, a terra do Egito; assim levará ele a
multidão dela, como tomará o seu despojo e roubará a sua presa; e isso será a
paga para o seu exército. Como recompensa do serviço que me prestou, pois
trabalhou por mim, eu lhe dei a terra do Egito, diz o Senhor Deus.” (Ezequiel 29: 18-20)
Os atos públicos de zelo, então, para a glória e
serviço de Deus, prestados a ele na maneira de cumprir seus propósitos, parecem
ser peculiarmente aceitáveis aos olhos de Deus, e muitas vezes derramam sua bênção não apenas naqueles por quem
são
realizados, mas também em outras pessoas ligadas a eles. Os perversos às vezes são
poupados para ajudar os justos a realizarem esta obra, como os gibeonitas eram
reservados para ser cortadores de madeira e carregadores de água, para uso da
congregação. Essa parte das visões apocalípticas é muitas vezes realizada, em
que a terra foi vista ajudando a mulher. Muitos que estão totalmente
destituídos de religião real podem prestar um serviço essencial à grande obra
de propagá-la no mundo. Raramente apareceu um homem mais perverso do que
Henrique VIII, mas foi o instrumento da reforma. Ciro, um pagão, soltou os
cativos do Senhor, para edificar a cidade e o templo. Dario, Artaxerxes e
Assuero apoiaram Daniel, Neemias e Mardoqueu, em seus esforços piedosos e
zelosos.
A Inglaterra tem sido por muito tempo um asilo ao
qual, de todas as terras, os pés dos oprimidos dirigiram seu curso para obter
proteção, e a que "o olho implorante da miséria" foi tirado de quase
cada cena da miséria humana. Mas, ela não é apenas a benfeitora das nações, ela
sustenta um caráter ainda mais alto, mais sagrado e mais importante, pois
também é seu evangelista. Quando Jeová a colocou em seu assento rochoso no meio
do oceano, e enviou o comércio para derramar seus tesouros em seu colo, e
permitiu que ela tomasse o Oriente e o Ocidente como uma possessão, e a fizesse
temida por toda a terra, e deu as artes e as ciências para ser seus
assistentes, e a liberdade religiosa e civil para ser os filhos de sua adoção,
e pôs a Bíblia em sua mão; foi com esta admoestação mais impressionante:
"Por esta causa eu te criei, para ser uma luz para iluminar os gentios, e
para ser minha salvação até os confins da terra."
Em certa medida fiel ao seu chamado, ela está
neste momento carregando a tocha da verdade, acesa na fonte da iluminação
celestial, nos "lugares escuros da terra", enviando escudos de
misericórdia para "as habitações da crueldade"; rasgando "o véu
da cobertura sobre todas as nações" e preparando para as tribos famintas
da terra, a festa das coisas gordas no monte do Senhor". Por suas escolas
dominicais ela está esclarecendo as mentes e reformando as maneiras e a moral
das classes mais baixas em casa; por suas sociedades bíblicas, ela está
ajudando o mesmo projeto benevolente e, ao mesmo tempo, despertando as igrejas
adormecidas da Europa e enviando a preciosa Palavra de Deus até os confins da
terra; e por suas instituições missionárias ela está voltando as nações pagãs
"e seus ídolos mudos para servir ao Deus vivo e verdadeiro."
Os esforços bem-sucedidos que os cristãos
britânicos fizeram em cada denominação evangélica para difundir a luz do
cristianismo sobre a face do globo não encontram paralelo na história de nossa
religião desde suas primeiras idades. Nem estas operações são suspensas ou
diminuídas pelas dificuldades dos tempos. Os fundos das diferentes sociedades
religiosas nunca foram maiores. Nesta época de nossa depressão, quando os
ventos e as ondas parecem não mais como antigamente quase exclusivamente
empregados para trazer-nos riqueza; quando nossas frotas estão nas docas, em
vez de transportar nossa mercadoria a cada porto estrangeiro; quando o tecelão
se senta para olhar com olhar desesperado para o tear; agora, nosso país está
compartilhando com os idólatras, a renda de sua pobreza e empregando seus
recursos diminuídos para estender a influência e os benefícios de sua fé.
O espírito missionário é o anjo da guarda de nossa
nação, e preserva um símbolo muito auspicioso, ao qual os piedosos transformam num
olho esperançoso. Não que esses esforços justifiquem quaisquer reivindicações
sobre Deus, no caminho do mérito, mas eles parecem interpretar suas
dispensações e revelar seus desígnios.
III. Vou agora enumerar os deveres que nos
incumbem, que devem ser deduzidos a partir deste assunto, conforme apropriado
para a nossa situação.
1. Devemos reconhecer devotadamente tanto a fonte
quanto a justiça de nossas calamidades. É verdade que, em todos os casos de
calamidade que admitem a operação de segundas causas, é nosso dever olhar para
eles com um olhar perscrutador, pois a origem dos males que nos afligem é
muitas vezes encontrada nos pecados que nos desonram, e a própria remoção de
nossas angústias depende, sob Deus, de nós mesmos. Uma tentativa de desenvolver
as causas mais ocultas que influenciam o destino das nações é um exercício dos
poderes mentais mais nobre do que qualquer outro, na medida em que abrange o
campo mais amplo e agarra uma cadeia cujos elos são os mais numerosos,
complicados, e afiados. Mas, quando chegarmos a estes, não vamos supor que isso
supere a necessidade de reconhecer a interposição do Supremo Governador; pois
admitindo que as calamidades de uma nação são as consequências naturais de
certos movimentos no corpo político, efeitos que seguem as causas da conexão
estabelecida, ainda assim a pergunta pode ser feita; não foram os movimentos
originais, as causas primárias, designados por Deus; para que possamos sentir
as consequências e os efeitos que se seguem? Seja o longo estado de guerra em
que estávamos engajados, ou a transição da guerra para a paz, ou o excesso de
máquinas, ou certos desajustes financeiros; ou todos estes juntos, que produziram
a nossa atual angústia, no caminho do ensino secundário. Não nos esqueçamos de
olhar para aquele grande Ser pelo qual todas as causas inferiores e dependentes
estão dispostas para cumprir seus propósitos, seja de misericórdia ou de
vingança. Sua vara não é menos para ser reconhecida, porque nossas próprias
loucuras às vezes fornecem seus materiais. Não há nada que ele mais obviamente
pretende por seus julgamentos, do que produzir uma profunda impressão de seu
próprio domínio. Cuidemos, pois, de não trazer sobre si o mal que é denunciado
contra aqueles que "não se preocupam com a obra do Senhor, nem consideram
a operação de suas mãos". Ao examinar, sentindo e deplorando as angústias
dos tempos, não deixe de perceber nessas coisas a mão corretiva do Senhor. E
enquanto fazemos isso, vamos confessar a justiça de seus negócios. Consideremos
as nossas grandes e múltiplas transgressões contra ele. "Vocês, por nossos
pecados, estão justamente descontentes", é a linguagem que melhor nos
convém.
2. Devemos aprender a formar a partir deste
assunto uma estimativa certa da influência poderosa exercida por causas morais;
sobre o destino e a prosperidade das nações. Nós já consideramos a ordem do
governo divino, ao conceder favores em algumas ocasiões, por causa dos justos;
mas, além disso, a justiça em si tem uma tendência natural para promover os
interesses de uma nação. Nas teorias e especulações que estão sempre à tona
quanto às causas da prosperidade ou do declínio dos impérios; muito pouco se
tem em conta as de tipo moral. Formas de governo, códigos de leis, sistemas de
jurisprudência, estado das artes e ciências, regulamentos comerciais,
financeiros e políticos, têm cada um a sua própria operação apropriada; mas há
outra fonte de influência, menos óbvia, embora não menos poderosa do que estes,
e da qual todos dependem por grande parte de sua eficácia, quero me referir ao
estado da virtude cristã.
As instituições mais sábias da política humana
podem fazer pouco para um povo entre o qual falta esse grau de princípio que é
necessário para assegurar-lhes uma direção correta e um bom resultado. A
prevalência do vício em um país, que é abençoado em outros aspectos com todas
as vantagens de ser grande e feliz; é como a corrosão de um câncer interno
sobre uma das melhores formas humanas, colocada em uma situação saudável e
possuindo todas as fontes de riqueza e grandeza; apesar de toda vantagem
externa, e enquanto a beleza enganosa está sobre o semblante; os princípios da
deterioração interior estão em operação contínua.
A prevalência do pecado prejudica os interesses de
uma nação de maneiras inumeráveis; circula a doença no sangue da vida do estado
através de cada parte do sistema, da coroa da cabeça à sola do pé. Diminui o
rendimento por um lado ou o aplica mal por outro; ela seca o gênio, reduz a
força, paralisa a indústria e dissipa a riqueza da população; destrói a
confiança mútua, elimina as únicas garantias para a direção correta das
energias públicas e das instituições públicas. Em suma, a prevalência do pecado
extingue todos os princípios de honestidade, justiça, verdade, sobriedade e
subordinação, que são as sementes da prosperidade nacional; e encoraja o
crescimento de uma classe de sentimentos que derrama influências venenosas ao
seu redor.
Um país onde o princípio cristão está em um baixo
declínio, não pode ser uma nação feliz; e não pode ser, por uma longa série de
anos, uma grande. Se o Império Romano possuísse mesmo as virtudes parciais e
defeituosas da República, teria resistido aos ataques dos bárbaros do norte,
cujos sucessivos exércitos teriam sido derrotados pelo antigo valor e
patriotismo romanos; como Pirro, Hannibal e os gauleses foram conquistados diante
deles. Poder-se-ia citar exemplos da história moderna, nos quais, quando os
eventos mais auspiciosos se apresentavam para beneficiar um povo, não tinham
virtude suficiente para garantir um resultado feliz, mas converteram os
próprios meios que os abençoariam numa fonte dos mais pesados maldições.
Um prelado inglês, em uma obra que honra o
intelecto humano, demonstrou mais claramente a tendência natural da virtude
nacional, não só para a prosperidade, mas para o poder. "Poderíamos
nós", observa Butler, "supor um reino ou sociedade de homens sobre a
terra universalmente virtuosos por uma longa sucessão de épocas, é fácil
conceber qual seria sua situação interna e qual a influência geral que tal
comunidade teria. Teriam no mundo a título de exemplo e a reverência que lhe
seria paga, claramente superior a todos os outros, e as nações deveriam
gradualmente ficar sob seu domínio, não por meio de violência ilegal, mas em
parte pelo que seria permitido ser uma conquista justa, e em parte por outros
reinos se submeter voluntariamente a ela, e buscando sua proteção um após o
outro em sucessivas emergências."
Em vez disso, de ter nossa atenção absorvida na
contemplação das causas políticas da prosperidade e da adversidade nacionais,
olhemos com mais intensidade para aquelas de natureza moral e espiritual. Cada
amigo de seu país, de acordo com a medida de sua capacidade e na linha mais
direta de sua influência, trabalhe para consolidar a força de nosso império
pelo poderoso cimento do princípio religioso. Em meio às melhorias na
agricultura e no comércio, nas artes e na fabricação, na jurisprudência e nas
finanças; lembremo-nos de que, sem um aumento da verdadeira retidão bíblica;
não há nada sólido, nada duradouro. O que quer que aumente, se, ao mesmo tempo,
a infidelidade e a irreligião aumentam com ele, é apenas a expansão de uma
bolha que, quanto mais inflada, se aproxima mais rapidamente do momento de sua
dissolução!
3. O arrependimento e a reforma pessoal são
eminentemente apropriados à época atual. Vimos que é pecado, sob a influência
da qual os interesses de uma nação murcham e morrem, como uma árvore que foi
ferida com a explosão do céu. Não pode haver pouca esperança para nós na
misericórdia de Deus, a não ser que "o ímpio abandone o seu caminho, e o
homem injusto seus pensamentos, e todos abandonem o seu mau caminho e a
violência que está em suas mãos e clamem poderosamente a Ele. E quem então pode
dizer, senão que Deus se voltará e se arrependerá, e afastará a sua ira feroz
de nós!
Como a maldade nacional é constituída pelos
pecados dos indivíduos, deve ser diminuída pela penitência e reforma
individual. Que cada um de nós, por si mesmo, diga: "De que maneira estou
contribuindo para o estoque geral de culpa?" O que há na minha conduta que
tende a irritar Deus com o país? Onde eu acumulo a vingança divina sobre a
terra?" Não vamos fundir nossa individualidade na multidão. É muito vão e
hipócrita lamentar a depravação geral, enquanto nossas transgressões
particulares escapam ao nosso conhecimento! Tais "lamentações gerais"
são muitas vezes usadas como uma composição fácil para o dever mais severo de
arrependimento pessoal. Quem está vivendo em hábitos de embriaguez, de
juramento profano, de quebra de sábado, de impureza, de falsidade, de negligência
da grande salvação? Estas são as pessoas que, enquanto estão trazendo sobre a
terra, por assim dizer, "granizo e brasas de fogo", "estão
acendendo para si um fogo que queima até o inferno". Os ímpios devem
considerar sua situação terrível; apressando-se do pecado para a morte, da
morte para o julgamento, do juízo para o abismo, e depois de idade para idade
de tormento sem fim ou mitigação! O que é qualquer alteração política ou
reforma, para tais pessoas, ou para qualquer um de nós, em comparação com essa
mudança espiritual que é absolutamente necessária e inseparavelmente ligado à
salvação eterna! Oh, se apenas uma pequena parte do tempo e sentimento que é
dado a questões que em poucos anos devem cessar de nos interessar, foram
dedicados às questões de importância eterna que em um milhão de anos, portanto,
será tão caro para nós como neste momento, seria muito mais feliz para nós e
para o nosso país.
Por todo o valor da alma imortal, e toda a solene
importância da eternidade; pelas alegrias do céu, por um lado, e os tormentos
da perdição, por outro; por tudo o que é arrebatador no sorriso de Deus, e tudo
o que está atormentando em seu rosto; rogo a vocês, meus irmãos, que concentrem
seus principais desejos e perseguições mais vigorosamente na mudança de coração
e conduta que é necessária para a posse da vida eterna!
Além da maior importância da reforma pessoal e
espiritual, sobre todos os outros tipos, ela tem essa vantagem; que está mais
ao nosso alcance. Nossos esforços para reformar outros podem ser mal sucedidos;
não podemos comandar os seus juízos, nem desviar os seus corações; mas, com a
ajuda de Deus, nenhum esforço sincero e fervoroso será em vão, dirigido ao
aperfeiçoamento de nosso próprio caráter, e à obtenção de nossa própria
salvação. Neste sentido, cada um procure reformar alguém, e assim, ao mesmo
tempo que promove aqueles interesses que florescerão quando a terra e todos os
países que nela estiverem queimados, avançaremos muito eficazmente para o
presente bem-estar da terra, e nós abriremos para nós mesmos um refúgio para
que possamos estar protegidos sob toda calamidade pessoal, doméstica ou
nacional, e que não nos falte finalmente, entre o naufrágio da matéria e o
estrondo dos mundos!
4. A oração importuna pelo favor divino se
recomenda a todos, exceto aos ateus, tão peculiarmente sazonável na atual
conjuntura de nossos negócios. Se Deus é o governador das nações, que tenha a
honra devida ao seu nome. Sem negligenciar um único meio que a sabedoria humana
possa inventar para diminuir as dificuldades que existem, recorramos sincera,
fervorosa e coletivamente, à fonte da iluminação e à fonte da graça. Em meio
aos inúmeros expedientes que um e outro sugerem, que um ministro do verdadeiro
Deus proponha, que qualquer que seja adotado, o dever de oração deve ser
realizado com ardor novo. Temos algum direito, ou qualquer razão, de esperar a
bênção divina, a não ser que ela seja solicitada? Que algo de todos os partidos
seja poupado de repreensões, algo de acusação, algo de discussão; e dado à
oração. Pode-se afirmar que aqueles que trilham mais; oram menos. Se alguma
oração prevalecer; será a dos justos. Portanto, empreguem-se diligentemente
neste santo exercício. Quão grande será a sua alegria, se as suas súplicas
tiverem êxito; e se não, elas terão o conforto de refletir que fizeram tudo o
que estava em seu poder para evitar os julgamentos do Todo-Poderoso; de modo
que, em qualquer dos casos, suas orações trarão paz ao seu próprio seio.
Especialmente oremos por aqueles que estão ao leme
dos negócios, para que neste momento de tempestade e perigo, eles possam ter
sabedoria dada para guiar o barco nacional em água parada, e levá-lo em segurança
para um ancoradouro, sem lançar ao mar qualquer dos preciosos direitos e
privilégios com os quais ele é tão ricamente carregada. Intercedamos para que
não lhes seja permitido adotar nenhuma medida que exasperasse; onde esperamos
caridosamente que seja sua intenção curar. E se há alguém que tenha pouca
confiança na administração existente, há mais necessidade de orar a Deus, cuja
sabedoria pode confundir os mais poderosos, como pode ajudar as mentes mais
fracas.
* Uma reunião de oração pública, em que se unem
sete congregações, é realizada uma vez por mês em Birmingham, para o estado da
nação. Em vez de um tema, que seria difícil enquadrar para evitar toda a causa
de ofensa; cada ministro lê uma parte da Escritura antes de orar.
5. Exercemos uma submissão bíblica e
constitucional às autoridades justas e às leis do reino. "Há, na minha
apreensão", diz o Sr. Hall, "um respeito devido aos governadores
civis, por causa de seu ofício, que não nos é permitido violar; mesmo quando
estamos sob a necessidade de culpar suas medidas. O apóstolo Paulo foi traído
em uma expressão de raiva intemperada contra o sumo sacerdote judeu, por
ignorância da ocasião, em que ele não foi informado mais cedo, mas do que se
desculpou, e citou um preceito da lei Mosaica, que diz: Não falará mal dos
juízes, nem amaldiçoará o governante do teu povo.” De acordo com o qual o Novo
Testamento se subordina ao dever de temer a Deus, o de "honrar o rei"
e frequente e enfaticamente inculca submissão aos governantes civis, não tanto
por medo de seu poder, como pelo respeito ao seu ofício.
Além das pessoas dos governantes, que são
variáveis, você verá que os Apóstolos continuamente recomendando respeito
ao governo, como uma ordenança permanente de Deus, suscetível de várias modificações da sabedoria humana,
mas essencial, sob alguma forma ou outra, à existência da sociedade. A
sabedoria de descansar o dever de submissão sobre este fundamento é óbvia. A
posse do cargo" constitui uma distinção clara e palpável, sem objeções ou
controvérsias. Os méritos pessoais, ao contrário, são facilmente contestados,
de modo que se a obrigação de obediência se baseasse em virtudes pessoais, ela
não teria força alguma, nem manteria qualquer tipo de controle sobre a
consciência; os laços da ordem social poderiam ser dissolvidos por uma
declaração não protegida. Se o respeito pela autoridade for destruído, nada
permaneceria para assegurar tranquilidade, senão o medo servil dos homens. Na
ausência desses sentimentos, à medida que os mais sutis esforços da autoridade
se sentissem injuriados, a autoridade logo deixaria de ser leve; e os príncipes
não teriam alternativa senão a de governar seus súditos com o zelo severo de um
mestre sobre os escravos prontos para a revolta; tão estreito é o limite que
separa uma liberdade licenciosa de uma tirania feroz.
Faremos bem em nos proteger contra qualquer
sistema que retire os deveres que devemos a nossos governantes e à sociedade,
da jurisdição da consciência. Que o dever geral de submissão à autoridade
civil, portanto, seja gravado em nossos corações, feito no próprio hábito de
nossa mente e feito parte de nossa moralidade elementar. Não que por nada aqui
dissesse, restringiria o direito constitucional do povo de discutir livremente
as medidas do governo. "O privilégio de censurá-los com decência e
moderação é essencial para uma constituição livre, um privilégio que nunca pode
perder seu valor aos olhos do público até ser licenciosamente abusado. O
exercício temperado desse privilégio é uma restrição muito útil sobre aqueles
erros e excessos, para os quais a posse de poder fornece uma tentação.
A livre expressão da voz pública é capaz de
intimidar aqueles que não têm nada além de apreender, e o tribunal da opinião
pública é algo, cujas decisões não é fácil desprezar, para homens ainda que nas
posições mais elevadas. Mesmo que, portanto, mantendo o privilégio com zelo
cuidadoso, vamos ter o mesmo cuidado para não abusar dela.
6. Devemos ser zelosamente ativos no apoio de toda
medida apropriada para disseminar os princípios da verdade divina. Se o
"espírito miserável da infidelidade" estiver no exterior, deixe que
os "amigos do evangelho" o sigam através de todos os seus caminhos
sombrios e sinuosos, opondo energia a energias e artifício a artifícios. Seu
elemento é a escuridão, seu alimento é a iniquidade. Esforcemo-nos por todos os
meios possíveis para derramar uma chama de "luz das Escrituras" sobre
a terra, e reformar os vícios que existem, e ele se afastará como a fera da
floresta da luz do céu; para morrer de fome e perecer em Sua cova. Que aqueles
que professam acreditar na verdade do cristianismo, sejam mais cuidadosos do
que nunca para exibir em sua conduta a pureza, a benevolência, a mansidão e a
humildade do evangelho. Que cada um incorpore em seu próprio caráter a
evidência interna do cristianismo, e prove que é do céu, mostrando aquilo que o
torna celestial. A sublimidade, pureza e benevolência de sua moralidade sempre
foram consideradas como a inscrição da deidade sobre o evangelho; deixem-nos
ser exibidos em caráter vivos em nosso temperamento e conduta!
A infidelidade é gerada nas corrupções, manchas e
defeitos de cristãos inconsistentes, e são alimentados da mesma fonte. (Um
santo e venerável amigo meu estando em Londres, sentiu compaixão de invocar o
infiel Carlile, antes de seu julgamento, para argumentar com ele, e
entregar-lhe a voz de advertência. O blasfemador ouviu com calma e atenção
paciente o mensageiro de Deus, e quando este se afastava disse-lhe:
"Senhor, se todos os discípulos professantes de Jesus fossem tão cristãos
como você, eu e meu partido provavelmente teríamos pensado diferente do
cristianismo.")
Quem pode admirar a grande prevalência da
infidelidade na França, quando a única visão do cristianismo que ali existia,
era na forma de jesuítas mentirosos, monges preguiçosos, eclesiásticos
arrogantes e uma população que pensava em expiar cada vício por algumas orações
em uma língua que não entendiam; ou alguns poucos atos de penitência a uma
imagem dourada ou pintada! Não precisamos nos surpreender de que os sarcasmos
de Voltaire deveriam ter sido empregados contra o Novo Testamento; quando isso
foi tudo o que ele viu de sua influência. Uma religião corrupta é o pai da
infidelidade, e não é nenhuma maravilha se tal filha se levantar até a destruição
de uma mãe tão hipócrita; ou que em sua fúria louca dirija seus esforços contra
o ser santo, cujo nome o hipócrita tinha emprestado e desmentido! Os infiéis
acham muito mais fácil atacar o cristianismo através das inconsistências de
seus professos crentes, do que fazer seus avanços direto contra si mesmo! É
muito mais lido escarnecer da hipocrisia dos adeptos da Bíblia, do que refutar
a realidade dos milagres. Isto é tão injusto método de proceder quanto a
imputar à jurisprudência britânica os crimes julgados no Palácio de Justiça; ou
imputar à Constituição britânica as práticas sediciosas dos rebeldes.
É inútil, no entanto, defender a injustiça do
processo, e a única maneira de enfrentá-lo é determinar que, como os infiéis
julgarão o cristianismo pela conduta de seus professantes, verão neles uma fiel exibição de sua influência. Continuemos
com a educação espiritual dos filhos das classes trabalhadoras. Eu digo a
educação espiritual, pois nos equivocamos se supomos que basta ensinar-lhes a
ler e a escrever. Não há nada em tal sistema para operar como com o poder de um
"charme mágico", na transformação do caráter.
Além disso, é o princípio que é necessário. Que
todas as nossas escolas dominicais se tornem o que deveriam ser, o que
originalmente se pretendia que fossem e o que muitas delas são; uma cena de
cultivo espiritual, onde o vasto deserto da mente que se encontra nas classes
mais baixas será quebrado E, sendo semeados com princípios corretos,
tornar-se-ão como o jardim do Senhor, e renderão com rica abundância os frutos
da justiça, da paz e da ordem. Se nos limitarmos a ensiná-los a ler e a
escrever, só araremos o solo, e depois deixá-lo-emos para que o inimigo semeie
com joio, ou levante sobre ele uma colheita de ervas venenosas. Que nossos professores
de escola dominical trabalhem ao máximo para produzir uma impressão devota,
para implantar a convicção religiosa, para formar o caráter de hábitos de
piedade, ordem e lealdade.
E que as partes respeitáveis, bem educadas e
superiores da comunidade, venha e ajude esta grande obra. Nós temos a próxima
geração da população trabalhadora no momento presente sob nosso cuidado, na
forma de crianças e no caráter dos alunos, e se deixarmos escapar a
oportunidade, mereceremos de fato sofrer por nossa loucura.
Sejamos duplamente zelosos na circulação das
Sagradas Escrituras. A Palavra de Deus é um sol moral, cujo fluxo de radiação
derramado sobre aquelas chamas inferiores, presunçosamente acesas por uma
faísca do abismo para iluminar em seu esplendor e suprir seu lugar, acabará por
extingui-las todas. Agradeça a Deus por uma instituição como a Sociedade
Bíblica, que nunca foi mais necessária nem mais sazonal do que nos dias atuais,
e que envolve os interesses morais dos pobres com uma barreira mais inconcebível
para os inimigos da revelação do que a grande muralha da China é para os
errantes tártaros do deserto. Permita que essa defesa poderosa seja mantida com
a despesa e o trabalho sem escrúpulos, e deixe cada cristão que tem um dólar
para dar, ajudar o trabalho. Posso facilmente conceber com que raiva e
desespero o gênio do ceticismo deve olhar para esta barreira intransitável,
enquanto carrancudo ao longo de sua base ela "conta as torres, e marca bem
os seus baluartes."
Renovemos nossos esforços na causa das missões
cristãs. Tais esforços, enquanto destroem a idolatria no estrangeiro e derrubam
a bênção de Deus sobre nosso país, estão perpetuando, pelo seu sucesso, a
evidência do cristianismo decorrente de sua prevalência. A religião de Jesus é
o único sistema de teologia que nunca suplantou outro pelo mero poder de
persuasão. E isso aconteceu; dissolveu o edifício colossal da idolatria antiga
com o encanto das palavras; e prostrou na poeira, pela mera força da verdade,
sistemas que eram caros ao gosto, aos preconceitos e ao orgulho dos milhões; provando
assim que a conversão do mundo pagão era o ato da mesma onipotência que tirou a
terra do caos. Agora, à medida que empregamos os mesmos meios, nosso sucesso,
até onde ele vai, é uma continuação dessa espécie de prova. Cada Brahmin
convertido, Tahitian, e Hottentot, é um feixe de evidências brilhando sobre o
evangelho, que se tornou assim o poder de Deus para a sua salvação. Podemos
enviar o deísmo aos pomares poluídos de Tahiti, onde o canibalismo, o assassinato
e a fornicação promíscua foram tão recentemente cometidos sem vergonha e sem
remorso; e depois de ter examinado a mudança que o cristianismo produziu,
peça-lhe que o faça com seus feitiços, se ele puder.
Sede zelosos, pois, meus compatriotas, pelo Senhor
Deus Todo-Poderoso. Gratidão, justiça, dever, todos o exigem de você; e se
estes não forem suficientes, eu suplico um outro motivo; o interesse pessoal o
requer. Quando as pretensões do Todo-Poderoso são geralmente, devotamente e
praticamente reconhecidas, então as escalas do nosso destino nacional não mais
vacilarão, mas estabelecer-se-ão em quietude e preponderarão do lado da nossa
salvação; então a Grã-Bretanha repousa suas esperanças na misericórdia de Deus
e estima a grande expectativa de que ela será preservada uma grande e feliz
nação, até a conflagração do universo!
(Nota do tradutor: À luz destas verdades, façamos
uma análise da condição atual de todas as nações, especialmente de tudo o que
tem ocorrido em nosso próprio país, o Brasil.
E qual é a única conclusão a que podemos chegar?
Há esperança para nós, pela simples via de
mudanças políticas?
O que o nosso povo almeja é um viver justo segundo
tudo o que é revelado nas Escrituras Sagradas?
Se não há sequer uma impulsão para a defesa de
simples valores morais, quanto mais não há esta impulsão na sociedade como um
todo voltada para os valores espirituais e eternos da Palavra de Deus, que mais do que para a
mera moralidade apontam para a santificação que é decorrente da comunhão plena
com nosso Senhor Jesus Cristo.
O povo tem de fato clamado pela libertação da
corrupção no poder público. Mas, quantos estão clamando pela libertação da
corrupção do pecado que habita em suas próprias vidas?
Que esperança há para uma profunda reforma
nacional quando a própria Igreja, em grande parte, encontra-se envolvida com
práticas mundanas reprovadas por Deus? Que luz há para o mundo quando a lâmpada
que foi acesa pelo Senhor nega-se a brilhar com o testemunho da verdade que
deveria governá-la em todas as suas palavras, pensamentos e ações?
Certamente, a par de tudo isto, ainda há os dez
justos que não havia em Sodoma e Gomorra, que intercedem em favor deste mundo
ímpio e que honram ao Senhor, senão poderíamos ter como certos os juízos
divinos do Apocalipse sendo derramados sobre toda a Terra, como serão,
certamente, depois de a igreja ter sido arrebatada, e pela falta da presença
dos que são justos aos olhos do Senhor, a proteção presente dos ímpios será
removida, e todas as taças da ira de Deus serão derramadas sobre todas as
nações.)
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