Título original: The preciousness of
christ”s blood
Por Octavius Winslow (1808-1878)
Traduzido,
Adaptado e
Editado por
Silvio Dutra
"O precioso sangue de Cristo."
(1 Pedro 1:19)
A Palavra de Deus é o único
livro que nos transmite uma ideia correta da santidade e do significado do
sangue expiatório. As instruções de Deus quanto à sua natureza e uso na dispensação
levítica apresentam o espetáculo à mente investido de uma expressividade grandiosa
em seu caráter e em seu profundo significado. Aos olhos de Deus o sangue era
uma coisa sagrada. A solenidade com que Ele o olhou, e a vigilância com que Ele
o protegeu, são notavelmente impressionantes.
Não nos maravilhamos com isso. Pelo instrumentalidade
do sangue, Jeová deveria revelar Seu caráter Divino, ilustrando Seu governo
moral e ofertando Seu milagre de misericórdia em favor do homem caído, de uma
forma tão maravilhosa e resplandecente como o universo inteligente nunca tinha
visto.
Essa única coisa - SANGUE, deveria preencher o
mundo com Sua glória, o céu com Seus redimidos, e a eternidade com Seu louvor!
Daí a sacralidade e o valor do sangue na visão de Deus. Que espetáculo
impressionante encontraria o olho do devoto israelita quando ele entrava no
templo para adorar. Ele veria sangue no altar; nas laterais do altar; nas
bacias do altar; sangue fluindo ao redor do altar; e nesse sangue tão
profusamente derramado e minuciosamente aplicado, seu coração arrependido
confrontaria a verdade: "Sem derramamento de sangue não há remissão";
e seu olho crente contemplaria o "sangue precioso de Cristo, como de um
cordeiro sem mancha e sem mácula", "morto desde a fundação do mundo."
Tal é a
verdade vital que deve agora absorver nossos pensamentos. Entre todas as coisas
preciosas de Deus, não há uma tão preciosa, tão inestimável, tão influente,
como o "precioso sangue de Cristo." Toda a salvação, toda a pureza,
toda a paz, toda a santidade, toda a esperança, todo o céu, estão ligados ao
sangue expiatório de Emanuel. Não há aceitação para o pecador, nenhuma purificação
para o culpado, nenhum perdão para o penitente, nenhuma santificação para o
crente, senão no sacrifício vicário do Filho de Deus. Com nada mais está
intimamente relacionado além de Cristo, a honestidade e ternura de consciência,
a prosperidade da alma, o poder da oração, pureza de coração, santidade de
vida, obediência sem reservas, paz, alegria e esperança.
Torna-se,
então, muito momentoso que devamos uma visão desta grande verdade que seja
bíblica e espiritual.
O ponto a
que estamos expostos não é tanto a nossa visão depreciativa do valor essencial
do sangue expiatório como da necessidade de sua aplicação à consciência. Quão
poucos são os que sendo do povo do Senhor, andam com o sangue sobre a
consciência! "Por isso muitos estão fracos e doentes entre vós, e muitos
dormem." Detectamos esta deficiência e defeito na religião experimental de
muitos, pela ausência de uma consciência de profunda espiritualidade mental, de
confissão minuciosa do pecado, e ausência também de uma caminhada, temperamento
e espírito semelhantes a Cristo. Nem isso somente. Ao que se pode atribuir a
dúvida e a incerteza quanto à sua salvação pessoal, a falta de paz, alegria e
comunhão com Deus, que transmite um tom doentio ao cristianismo de tantos, que
obscurece sua luz, prejudica seu vigor e torna-os tão fáceis presas dos
assaltos de Satanás e das seduções do mundo, senão a falta de lidar de modo estreito
e correto com o sangue expiatório?
A aplicação
do sangue era uma verdade claramente vista, mesmo em meio às escuras sombras
crepusculares das dispensações levíticas e proféticas.
O sangue do
sacrifício foi inútil até que foi aplicado, colocado em contato com o objeto.
Esse objeto então - se uma pessoa ou uma coisa - se tornou relativamente santo.
Tocado pelo sangue do sacrifício, era considerado santificado - como separado
para o Senhor Deus; mas até que o sangue fosse aplicado era uma coisa comum.
Quão glorioso é o evangelho quanto a isto! A alma crente deve entrar em contato
com o sangue expiatório de Cristo; e manter a santidade e a proximidade da
caminhada com Deus - a essência da verdadeira religião - e passar pelos
deveres, pelas provações e tentações da vida, como um sacerdote real, cumprindo
nosso alto chamado de Deus, e para tudo isto, deve haver a aplicação constante
de Deus do sangue de Cristo. Nós prosseguiremos para estabelecer a base do
nosso assunto dirigindo a atenção do leitor para a dignidade e valor essenciais
do "precioso sangue de Cristo".
Parece
impossível, por qualquer ilustração ou argumento, superestimar o valor
intrínseco do sangue expiatório de Cristo. Há algumas coisas na religião das
quais podemos ter uma concepção exaltada e exagerada. Por exemplo, podemos ter
uma visão muito alta da Igreja de Cristo, exaltando-a acima do próprio Cristo.
Podemos ter opiniões demasiado exageradas e demasiado exclusivas das ordenanças
da Igreja, deslocando-as e magnificando-as, substituindo-as pela religião
vital, por uma mudança de coração, pela fé em Cristo exclusivamente para
justificação. Mas, esse perigo não reside no nosso estudo do sangue de Cristo.
Aqui nossas vistas não podem ser demasiado elevadas, nossa contemplação
demasiado profunda, nossos corações demasiado amorosos e adoradores.
Considere
por um momento, amados, os fins que foram alcançados pelo derramamento do
sangue de Cristo. Muitas vezes estimamos o valor de um meio pelo fim que ele
assegura. A Expiação de Cristo foi para atender as reivindicações do governo
moral de Deus. Pelo pecado do homem sua santidade havia sido ofendida, sua
autoridade desprezada, suas sanções, leis e comandos ultrajados. Uma nuvem
havia passado em toda a sua glória. O propósito eterno de Deus era o de salvar
o homem. Mas, Ele poderia salvá-lo somente por um expediente que removeria
aquela nuvem e faria com que a glória que ela sombreasse brilhasse com brilho
mais profundo e mais resplandecente. O expediente que assim cumpriria as
reivindicações do governo Divino deveria ser também Divino. A Expiação que
ligaria a justiça com a misericórdia, e a santidade com o amor, na salvação da
Igreja, deve ser infinita em seu caráter, e inestimável em seu valor. Tais, em
poucas palavras, foram os dois grandes fins a serem garantidos, e que foram
garantidos, pela oferta do Senhor Jesus Cristo. Vistos apenas sob esta luz,
quão precioso o sangue de Cristo aparece! Sangue que poderia harmonizar os
atributos Divinos - defender a justiça do governo Divino, tornando-a honrosa e
gloriosa em Deus para salvar o homem pecador, é algo de fato precioso.
É sangue
precioso, porque é virtualmente o "sangue de Deus". Esta é uma
expressão forte, mas é uma Escritura. Paulo, em seu discurso de despedida aos
anciãos de Éfeso, diz: "A Igreja de Deus, que Ele comprou com Seu próprio
sangue". Isto é o que marca o sangue expiatório do Salvador com tal
dignidade e virtude - é o sangue de Jeová-Jesus. Possui todo o valor e glória
da Divindade - toda a virtude divina e eficácia da Divindade. Disto derivou seu
poder de satisfazer, sua virtude de expiar, sua eficácia para purificar. E esta
é a razão pela qual uma gota deste sangue precioso, caindo sobre uma
consciência carregada de pecado, em um momento dissolve a carga pesada, e enche
a alma de alegria e paz em crer. E é por isso que não existe uma mancha de
culpa humana que o sangue expiatório de Emanuel não possa completamente e para
sempre apagar. Por que, em uma palavra, é o sangue que "purifica de TODO
pecado".
Mas,
segue-se que é o sangue de uma humanidade pura e sem pecado (a de Jesus), e
isso não diminui de modo algum nossa ideia de sua preciosidade. Um profundo
mistério, admitimos, é a encarnação de Deus; mas o mistério nos confronta em
todos os lugares, e em tudo; portanto, não seria filosófico, como incrédulo,
criticar essa doutrina fundamental do cristianismo - o mistério mais profundo
do universo - porque transcendeu, embora não contradiga a razão humana. Nossa
humanidade é a encarnação de uma natureza espiritual; não somos um, mas três
partes - corpo, alma e espírito - e ainda assim não negamos nosso próprio ser.
Vamos para Belém, e vejamos esta grande visão, não para raciocinar, mas para crer,
não para entender, mas para adorar.
Quão grande
a loucura do homem em seu esforço para sondar as profundezas do infinito de
Deus! Aqui, então, existe um elemento essencial de preciosidade no sangue de
Cristo - fluía de artérias intocadas, não contaminadas pelo vírus do pecado; a
partir de uma humanidade sobre a qual nem um sopro de poluição tinha caído.
"Ele não conhecia pecado." Gerado pelo Espírito Santo, Ele era aquele
"ser sagrado" nascido de uma virgem. "Santo, inofensivo,
imaculado e separado dos pecadores", Ele veio ao mundo, viveu nele, morreu
nele, e deixou-o como puro e imaculado com a Deidade que Ele consagrou. Sua
divindade não usava o velo contaminado, não estava vestida com a roupa leprosa
de nossa natureza caída, apóstata e pecadora. Um santo Salvador ofereceu uma
expiação sem pecado pelo homem profano e pecador. Daí a preciosidade de Seu
sangue. Olhem para ele, amados, nesta luz, e deixem seus corações brilharem com
amor, adoração e louvor, enquanto vocês se ajoelham diante da cruz, e sentem a
destilação em sua consciência desse sangue, que perdoa, cobre, cancela toda a
sua culpa. A partir dessa visão da preciosidade essencial do sangue de Cristo,
consideremos sua preciosidade para Deus.
Referimo-nos
à lei da dispensação levítica relacionada ao sangue. As minúsculas instruções
que Deus deu a respeito dele marcaram a sacralidade e o significado do sangue
em Seus olhos santos. Podemos por um momento supor que o sangue da Expiação
oferecido sobre a cruz do Calvário não deveria ter ainda mais valor infinito e
preciosidade para Deus? Amados, acreditamos que, de todas as grandes verdades
sobre as quais temos neste Livro, nós acharemos na hora da morte que esta é a
mais essencial, o apoio e o conforto - a preciosidade e aceitação a Deus desse
Divino sacrifício pelo Pecado, no qual, naquele momento terrível, estamos
confiando - saber então que Deus está bem satisfeito com aquele sangue sobre o
qual, como pecador pobre, culpado, prestes a aparecer na eternidade,
descansamos; e que em sua aceitação somos aceitos, e por sua virtude somos
lavados mais alvos do que a neve, e que por seu mérito compareceremos diante de
Deus em justiça - certamente, com esta verdade testemunhada pelo Espírito Santo
em nossas almas, a morte estará sem ferrão, e a sepultura sem terror.
O sangue
expiatório de Cristo deve ser precioso para o Pai, porque é o sangue de Seu
próprio Filho. Havia uma relação essencial, estreita e cativante entre a Vítima
e o Ofertante. O sangue de um filho é precioso para o coração de um pai? Assim
precioso era o sangue de Jesus para Deus. Oh, eu penso, se alguma vez Deus amou
Seu Filho, Ele O amou então! Olhando de Seu trono em glória sobre a terrível
cena na Terra, Ele viu o Filho que morava em Seu seio desde a eternidade pregado
sobre o madeiro amaldiçoado, sofrendo o justo pelos injustos, vindicando a
retidão de Seu governo e derramando Sua alma santa até a morte, para nos levar
a Deus.
Mas, não
havia apenas o anseio da afeição paternal em Deus, mas no sacrifício de Seu
amado Filho Ele viu a salvação de Sua Igreja plenamente e eternamente
assegurada. Naquele fluxo vital Ele viu a vida, a vida espiritual e eterna, de
Seu povo. Seu amor eterno havia encontrado um canal apropriado e adequado pelo
qual poderia fluir para o pecador mais vil. A Divina Misericórdia, em sua
missão ao nosso planeta caído, aproximou-se da Cruz do Calvário, parou, olhou e
adorou. Em seguida, mergulhando as asas no riacho carmesim, prosseguiu sua fuga
pelo mundo, proclamando, em música tal como os anjos nunca haviam ouvido:
"Glória a Deus nas alturas, e na terra paz e boa vontade aos homens!"
E quando
Deus levantou Seu Filho da sepultura, o exaltou à glória, colocou-o à Sua
própria mão direita, e então enviou o Espírito Santo, o selo de Sua aceitação
foi afixado ao Seu profundo senso da preciosidade do sangue de Cristo. "Aqui
está o amor, não que nós amamos a Deus, mas que Ele nos amou, e enviou Seu
Filho para ser a propiciação pelos nossos pecados". Trema alma!
Aproxime-se desta Expiação. Deus aceitou isso, não é? Certamente você pode
confiar e esperar confiar no sacrifício com que Ele assim se declarou
satisfeito. Você não pode chegar a ele muito esperançosamente, nem confiar nele
de maneira muito implícita, nem acreditar nele com demasiada simplicidade, nem
se alegrar nele muito fervorosamente. É precioso para Deus e, em virtude de sua
preciosidade, sua pessoa é preciosa, suas orações são preciosas, suas ofertas
de amor são preciosas - perfumadas para Ele como o "cheiro de um campo que
o Senhor abençoou". Clamai, porém, ao precioso sangue de Cristo para
renovar o perdão, usem-no como argumento na oração, e tirem dele o seu motivo
para se apresentarem como sacrifício vivo e santo a Deus.
Mas há outra
visão de nosso assunto que ilustra o caráter cativante do sangue de Cristo. Não
é apenas precioso para Deus, mas também é precioso na experiência do crente.
Deus fará precioso para Seu povo aquilo que é precioso para Ele. Ele vai
agradar seus corações com aquilo que é agradável ao Seu. É precioso para os
santos, porque é o sangue do seu Grande Sumo Sacerdote. Não havia relação
pessoal entre o sacrifício e o sacerdote na dispensação levítica. Mas aqui o
Antitipo transcende o tipo. Vemos no sangue de Cristo o sangue de alguém que se
nos apresenta nas variadas e ternas relações de um Sacerdote, de um Pastor, de
um Amigo, de um Irmão, de um Parente, de um Redentor. Oh, viaje para a cruz e
contemple aquele ilustre Sofredor que combinava em si toda relação cativante,
terna e preciosa! Não era nenhum estranho que foi pendurado lá. Não foi um
homem comum que morreu ali. Era nosso irmão mais velho, nosso Goel, nosso
amigo. Quão precioso, então, para nossos corações penitentes, crentes e
amorosos deve ser esse sangue! Com que reverência devemos falar dele, com que
fé devemos confiar nele, com que gratidão devemos acolhê-lo, e com que
santidade de vida devemos mostrar o seu louvor!
Como toda a
sua salvação deve possuir uma preciosidade indescritível para o crente! Não há
salvação para a alma senão no sangue expiatório de Emanuel. O que mais se
apresenta como tal é uma ilusão e um laço. O batismo não é nada aqui. Os
sacramentos não são nada aqui. O poder sacerdotal não é nada aqui. Obras de
mérito humano não são nada aqui. O sangue de Cristo - o próprio expediente de
Deus - permanece inigualável e sozinho, a única esperança de um pecador
perdido. O ensino e a autoridade da Palavra de Deus são decisivos e definitivos
sobre este ponto crucial e importante.
O sacrifício
de Cristo é declarado como uma "propiciação pela fé em Seu sangue" (Rom
3:25); "Sendo justificados pelo Seu sangue" (Romanos 5: 9);
"Temos a redenção pelo Seu sangue" (Efésios 1: 7); "Para
santificar o povo com o Seu próprio sangue" (Heb 13:12); "Quem nos
lavou dos nossos pecados com o Seu próprio sangue" (Apocalipse 1: 5);
"Estes são os que saíram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes, e
as tornaram brancas no sangue do Cordeiro; por isso estão diante do trono."
(Apocalipse 7:14).
Nestas
declarações, ver-se-á que está inscrita a grande verdade essencial - SALVAÇÃO
APENAS PELO SANGUE DE EXPIAÇÃO DE CRISTO. Esta é a "Pedra" que não é
posta em nada para todos os que procuram outro caminho para o céu - que
edificam sua esperança sobre a areia - um caminho cujo fim é a morte. Mas
"em nenhum outro há salvação, pois não há outro nome debaixo do céu, dado
entre os homens, pelo qual devamos ser salvos". Diante do poder e glória
deste precioso nome, toda religião falsa desaparecerá, e a ele se dobrará todo
joelho.
Em torno de
uma cama moribunda, o andaime de todos os sistemas eclesiásticos cai, deixando
o homem que repousou tudo sobre ele, uma esperança fantasmagórica. Mas, para
aquela alma que está partindo, para quem o sabor, o poder e a preciosidade do
nome de JESUS é como unguento derramando sua fragrância ao redor da sala onde a doença e a morte com força unida estão lutando com a vida, oh como o apoio, a suavização e a esperança são sólidos. Inspirador é o sangue precioso de Cristo que se sente naquele horrível momento, quando as transgressões de uma vida se aglomeram em
memória, para "purificar de TODO pecado!"
A paz que
flui da aplicação do sangue expiatório de Cristo aumenta grandemente o
sentimento do crente de sua preciosidade. Quem pode descrever o repouso da
consciência, a serenidade mental, e a tranquilidade do coração que este sangue
sela na alma crente? Deve ser experimentado para ser compreendido. Amado, quando
o seu olho lê esta página, pode haver raiva dentro de seu peito, desconhecida e
insuspeitada por outros, a tempestade da convicção do pecado. E você se sente
um pecador - um pecador perdido - o principal dos pecadores. Você está cheio de
pecado, repugnância, autoaborrecimento, tristeza e sofrimento. Uma profunda
convicção de sua absoluta vileza, indignidade e merecimento do inferno é a
causa. E qual é o remédio? O precioso sangue de Cristo! Trazido sob esse
sangue, como uma maré carmesim que flui da cruz, paz perfeita - a paz de Deus
que ultrapassa todo o entendimento, fluirá em sua alma, e haverá uma grande
calma. E então você vai exclamar alegremente: "Eu estou em paz com Deus
através de Cristo, a tempestade é silenciada, a nuvem de trovão passou, o Sol
da Justiça derramou seus feixes de ouro em minha alma, e o céu e a terra
parecem se encontrar e se beijarem."
A presente
eficácia do sangue expiatório deve formar um elemento cativante para o coração,
cujas aspirações são por pureza. Isso não precisará de nenhum argumento para os
meus leitores que estão acostumados a manter uma supervisão vigilante do estado
espiritual de suas almas. Vocês sentirão, amados, que não poderão fechar o seu
dia, no qual, apesar da maior vigilância e oração, haverá, nas coisas feitas ou
nas coisas desfeitas, muito para produzir contrição e humildade, sem uma nova
Fonte. O sangue expiatório de Jesus é de eficácia presente. Este, um de seus
elementos essenciais, é muito mais visto. Muitos do povo do Senhor adiam uma
confissão imediata de pecado e aplicação ao sangue. O efeito é produzir um
ardor de consciência e uma espécie de ossificação moral do coração, mais
prejudicial à santidade pessoal. A consciência, assim, perdendo sua ternura, e o
coração sua sensibilidade, o pecado vem a ser visto de uma forma menos
abominável, a santificação menos procurada, e Cristo menos precioso.
Lembrando-se, então, de que há uma fonte aberta e que flui - que nenhum pecado,
nenhum retrocesso, por maior que sejam, ousam interceptar sua aproximação, corra
imediatamente na fé para o sangue, que lava e limpa. Tome uma ilustração. O
homem físico é mantido saudável e vigoroso apenas por uma limpeza perpétua. E
não está agindo em obediência às leis de seu ser, assim como aos mandamentos de
seu Criador, que, considerando indignas as suas pretensões de sua estrutura
física a seu respeito, despreza essas medidas de precaução e recusa empregar a
água que Deus impôs para a preservação e recuperação da saúde corporal. Não
temos mais o direito de brincar com o corpo do que com a alma. Se, como cristão
professo, que sofre de doenças, recusa-se a aproveitar as ajudas sanativas que
Deus colocou gentilmente ao seu alcance, a habilidade e os instrumentos que Sua
providência providenciou, você está, sem dúvida, atuando presunçosamente e não
em fé. Deus ordenou o meio como o fim, e nenhum homem pode tentar destrui-los
sem violar seus melhores interesses e desonrar a Deus.
Com isso
devemos misturar o pensamento de que todos os meios de recuperação são fúteis
sem a Sua bênção; mas que, olhando para Ele em oração e confiança,
compreenderemos a verdade de Sua Palavra - "E a oração de fé salvará o
enfermo." Ou, se essa petição é retida, é apenas para conferir uma bênção
ainda mais preciosa - pode ser, a tradução da alma para aquele mundo de
bem-aventurança, "os habitantes dizem, não estou mais doente.” E agora
voltemos à verdade assim ilustrada.
Infinitamente
mais necessária é a limpeza constante da alma. Repetimos a afirmação de que o
sangue expiatório é a pia divina do crente. A existência de uma hanseníase
interna e esta necessita de purificação de alma perpétua. Não se deve supor que
estamos defendendo um hábito calculado para impressionar a mente com
pensamentos leves de pecado, ou para fazer de Cristo seu ministro. Longe disto
será o efeito de uma constante e conscienciosa consideração da expiação de
Cristo – de um banho frequente no sangue.
O sangue de
Cristo é santificador, assim como purificador. Ele não só elimina a mancha
imediata de culpa, mas intensifica a sede de santidade do coração. Nenhum
crente pode cultivar um íntimo conhecimento com Cristo, ou banhar-se frequentemente
na fonte do Seu sangue, e não experimentar uma crescente santificação. É o
sangue de um santo sacrifício, e deixa os vestígios da santidade onde quer que
flua. E quando ele vem de novo e de perto ao "sangue da aspersão", e
novamente sai para o conflito cristão, irá lutar com mais sucesso, andará com
mais circunspecção, e entregar-se-á mais sem reservas a Deus. Quão claramente e
com força o apóstolo coloca esta verdade - a influência santificadora do
sangue. "Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer
dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas, vos
aperfeiçoe em toda boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em nós o que
perante ele é agradável, por meio de Jesus Cristo, ao qual seja glória para
todo o sempre. Amém." (Hebreus 13:20, 21). Não se suponha, portanto, que
ao suplicar a frequente aplicação do sacrifício do Salvador, uma constante
limpeza do pecado, que defendemos uma caminhada descuidada. Acreditamos que o
coração é apenas examinado minuciosamente, o pecado é apenas profundamente
conhecido, princípios, motivos e objetivos são apenas cuidadosamente analisados
e vistos, pelo poder do sangue expiatório de Cristo. O sangue não só limpa, mas busca; não só purifica, mas sonda. Sua influência é poderosa e penetrante, transmitindo uma aguda
percepção do pecado onde sua existência e mácula não foram vistos ou suspeitos. Mantenha seu coração, ó crente, aos pés da
cruz, sua consciência em contato frequente e próximo com o sangue, e o menor
toque de pecado fará você inquieto e infeliz até que você tenha confessado, e
Deus perdoado.
Este é o
segredo - que, infelizmente! Poucos veem ou se preocupam em saber preservar as
roupas brancas em meio à poluição, a mente serena no meio da agitação, o
coração feliz no meio da tristeza, a vida radiante e transparente como o sol, e
o espírito e temperamento semelhantes a Cristo. Oh as maravilhas do precioso
sangue de Cristo! Quem pode exaltá-lo muito, adorá-lo profundamente, amar,
magnificar e honrá-lo profunda e exclusivamente? Não constituirá o tema do
nosso estudo, o fardo do nosso canto e a fonte da nossa felicidade à medida que
os anos rolam e nunca cessam de rolar? Amados, então a surpresa será que aqui
embaixo teríamos tão pouco apreciado, viajado tão raramente, e glorificado tão
imperfeitamente, e tê-lo encarado com uma afeição tão inconstante e tão fria!
A última não
é a visão menos preciosa, para os santos de Deus, do sangue expiatório de
Cristo, isto é, sua voz e poder no céu. É uma verdade deliciosa e santificante
- a súplica do sangue dentro do véu que agora separa os santos do Altíssimo
sobre a terra da glória do santuário superior e interior. Nosso grande Sumo
Sacerdote passou dentro desse véu, entrou no santuário, carregando nas Suas
mãos o sangue que Ele derramou sobre o Calvário. E com fundamento nesse sangue há
Sua intercessão eficaz divina e imutável - Ele defende a Igreja com uma
intercessão individual, momentânea e incessante. Certamente o presente poder do
sangue no céu não vai admitir uma dúvida por um
só momento em sua mente que se lembra de suas virtudes. Deus, em
antecipação a este sacrifício, com a promessa de Cristo de oferecer a si mesmo
como uma oferta, estendeu o seu perdão completo àqueles que, em meio a tipos,
sombras e símbolos, acreditavam no "Cordeiro morto desde a fundação do
mundo". Com o vínculo de Cristo para libertar Sua Igreja, muito antes do
pagamento efetivo do resgate, a "presa foi tirada dos poderosos, e o
cativo foi libertado".
Deus aceitou
a subsistência do Salvador e estendeu o perdão a Adão, a Abel e a todos os
crentes do Antigo Testamento, com base na confiança e no crédito de um futuro
sacrifício. Assim fez o sangue expiatório de Jesus o que a lei nunca poderia
ter feito - "redimir das transgressões sob o primeiro testamento"; e,
pelo seu mérito antecedente e antecipativo, obter a "remissão dos pecados
passados". Se, então - e este é o nosso argumento - o sangue de Cristo foi
tão eficaz em idades antes de ser derramado, quanto mais eficaz é no momento
presente, agora que foi realmente derramado! O testemunho do Espírito Santo
tocando esta verdade é claro e conclusivo: "Mas Cristo, tendo vindo como
sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito
tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue
de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no
santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção." (Hebreus 9:11, 12)
"Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do
verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de
Deus." (v. 24). "O sangue de Cristo, que fala coisas melhores do que
o sangue de Abel". Aqui, então, o sangue é uma das coisas preciosas de
Deus - a mais preciosa! Cristo está sentado à direita de Deus, envolto na nuvem
de incenso de Seus méritos, orando por vocês com uma defesa incessante e
bem-sucedida. Em meio a vossas provações e labutas, vossas tentações e pecados,
vossos desejos e aflições, vossos medos e tremores, a voz do sangue de Emanuel
fala por vós no céu, e essa voz é ecoada de volta à terra nos socorros,
sustentação e consolação. A força, a graça e o amor que suas súplicas lhe
garantem aqui embaixo.
E que
bálsamo para a consciência angustiada pelo pecado é o precioso sangue de Cristo!
Não cresce no universo outra árvore cujo bálsamo possa curar a consciência
ferida, mas esta Árvore da Vida - um Salvador crucificado. Ó, leitor amado, de
uma falsa cura! "Eles curaram o sofrimento do meu povo superficialmente",
diz Deus; Isto é, imperfeitamente, falsamente. Não há bálsamo para uma
consciência ferida, senão aquilo que exala das feridas de Cristo. "Com as
Suas pisaduras somos curados". Traga a sua ferida para as feridas de
Cristo, e ela é curada em um momento. "Cura-me, ó Senhor, e serei
curado." Davi testifica: "Eu clamei a Ti, e Tu me saraste." E
não é este o ofício especial e a missão graciosa de Jesus? Ouça Suas preciosas
palavras: "Ele me enviou para curar os quebrantados de coração". Oh,
um coração quebrantado pelo pecado, assim acalmado, ligado e curado pelo
"precioso sangue de Cristo!" Quem não clamaria: "Senhor,
subjuga, quebra, dissolve o meu coração pelo pecado, que a sua dor nunca seja
tão profunda, pungente e amarga, que ela seja posta em contato com a virtude, a
paz e a preciosidade do teu Sangue precioso?"
Outra vez,
nós lhe imploramos que se acautele de uma cura espúria! Lembre-se que nenhuma
lágrima pode curar uma consciência ferida - nenhuma confissão pode curá-la -
nenhum sacramento pode curá-la - nenhum ministro pode curá-la - nada nesse
amplo universo pode curá-la, exceto o precioso sangue expiatório de Cristo.
Isso pode curá-la em um momento. Ele pode apagar, não só o menor suspiro de
culpa da consciência perturbada, mas também pode eliminar a mais profunda, mais
escura, mais suja mancha de pecado que já existiu sobre a alma humana. Você
acha que não há perdão para você? Considera-se não merecedor da salvação porque
você é tão grande, ou tão idoso pecador - "um pecador de cem anos de
idade", pode ser? Olhe para Adão, o envenenador de sua espécie, o
assassino de sua raça. O precioso sangue de Cristo serviu para ele, e em
virtude dele ele está agora em glória, o maior, o chefe, a cabeça de todos os
pecadores, cantando os altos louvores do sangue que o trouxe para lá. Você,
então, hesita em acreditar? Você desanimará e desesperará enquanto este
monumento de salvação misericordiosa, de graça soberana, do sangue expiatório
de Cristo, permanece como "um padrão para aqueles que deveriam crer nele
para a vida eterna?"
Você está se
aproximando da hora solene da morte? Oh, vire-se agora de tudo, menos do
precioso sangue de Cristo! Solte todos os objetos, exceto a cruz. Relaxe em sua
apreensão de igrejas e credos, deveres e ordenanças, ministros e santos, e
deixe um objeto absorver cada pensamento, sentimento e desejo - enchendo todo o
espaço do espaço breve e solene que divide agora o tempo da eternidade - O
SANGUE PRECIOSO DE CRISTO! Lance-se sobre ela com uma crença simples, olhe para
ele com o mais fraco olho da fé, e ele falará de perdão, paz e alegria para a
sua alma, revelando ao seu espírito que está partindo uma esperança radiante de
imortalidade.
Cuidado com
as falsas religiões do dia. Elas são todos concebidas e tendem a velar a cruz
de Jesus. Não queremos outro "altar" além de Cristo. Não precisamos
de outro sacrifício além do Seu. Cristo é o nosso único altar; Cristo é nosso
único sacrifício; Cristo é a nossa única porta para o céu; Cristo é tudo, e em
todos. Avalie os ministros, as igrejas, as ordenanças, os meios de graça,
apenas como eles são pedras que lhe elevam acima de si mesmo e lhe conduzem
para cima e para a frente, cada vez mais perto de Jesus. Entrelace-o ao redor
dos braços de sua fé; abrace-o a seu coração amoroso; e tenha a certeza de que
tal é a Sua graça, a Sua compaixão, a Sua ternura, a Sua compaixão e o Seu
amor, Ele nunca rasgará de Seu seio a alma pobre, trêmula e penitente que fugiu
para o abrigo. Aproxime-se deste altar divino, este Sacrifício consumado, você
pobre de espírito, você que chora pelo pecado, você que clama: "Imundo,
imundo!" Você que vê a sua própria justiça como sendo apenas trapos
imundos; você que nega e abjura cada outra forma de salvação, e coloca a sua
boca no pó, reconhecendo a sua iniquidade, transgressão e pecado; aproxime-se deste
SANGUE EXPIATÓRIO, e eis a sua boa vinda na graça livre de um Deus perdoador,
perdoando o pecado. Este sangue precioso lhe dará liberdade - este precioso
sangue lhe dará paz - este precioso sangue o assinalará e o selará como alguém
sobre quem a "segunda morte" não terá poder.
Então,
quando Cristo vier, e a trombeta soar, e os mortos se levantarem, e o grande
trono branco for desvendado, e todos estiverem em volta do trono para serem
julgados, então será cumprido, como nunca antes, a preciosa promessa de Deus -
"E QUANDO VER O SANGUE, EU O PASSAREI POR ALTO". Aspergido com aquele
sangue, abrigado por aquele sangue, lavado de toda mancha nesse sangue, nem uma
gota da ira divina brilhará em cima de você; e você ouvirá o juiz de todos
pronunciá-lo perdoado, aceito e salvo! Então será dito de vós: "Estes são
os que saíram da grande tribulação, lavaram as suas vestes, e as fizeram
brancas no sangue do Cordeiro, pelo que estão diante do trono". E de todo
coração e língua daquela boa companhia de apóstolos, e profetas, e mártires, e
dos espíritos de homens justos aperfeiçoados, o hino glorioso soará: "Àquele
que nos amou, e nos lavou de nossos pecados em Seu próprio Sangue, e nos fez
reis e sacerdotes para Deus, a ele seja glória e domínio para todo o sempre.” Oh,
a felicidade daquele momento! Que sejamos reunidos a esse número e unidos a
essa canção! Amém e Amém.
"Temos
um ALTAR e um SACERDOTE
Dentro do
véu rasgado -
Todo o
sacrifício típico cessou,
Remova esse
"trilho do altar"!
Com a santa
ousadia se aproxima;
O altar
dourado está no alto.
É aspergido
com o sangue caro
Sobre o qual
o Pai sorri,
Esse sangue
que da oferta fluía
Por todos os
que o pecado levou a transgredir.
Olhe lá, e
encontre o olho de seu Pai,
Aprenda lá o
mistério sacerdotal.
O altar de bronze
não mais existe
Sobre o qual
estava a vítima,
Onde o mal
do pecado a levou,
Quando você
não tinha nada a pagar;
"Saí do
acampamento", e vê
O que o sumo
sacerdote de Deus fez por ti.
Então olhe
dentro do Santuário Interior,
Onde agora
Ele está,
Não somente
o Sumo Sacerdote de Deus,
O que dizem
as mãos feridas?
O Pai,
quando aquelas cicatrizes Ele curou,
Uma vez, e
para sempre, seu perdão selou.
Ainda agora
no céu, o Rei Sacerdotal
Ministra em
favor da terra;
Sua vida, um
"holocausto completo",
Doce-sabor
de seu nascimento;
A fragrância
daquela vida divina
Perfuma e
enche o Santuário Interno.
Nenhuma
balaustrada o protege do olho
Daqueles
cuja visão é verdadeira;
Esse Santuário
Interior no céu puro
Está aberto
agora para você.
Toda a
consciência limpa e livre do pecado,
O Pai diz:
"Bem-vindo".
Eis que as joias
em seu peito,
Cada uma
como um selo gravado!
Perto do
peito, calorosamente,
Repousam
aqueles salvos por Jesus;
E você é
salvo, quem quer que sejas,
Se Jesus tem
seu coração disposto.
A lâmina
dourada em sua testa,
Com Santidade
está inscrita,
Diz que a
lei é honrada agora,
O trabalho
perfeito de somente um
A própria
justiça de Deus será justa.
Ouça a
música desses sinos!
Quão doce é sua
voz prateada!
Da paz, da
boa vontade e da graça,
Como você
pode se alegrar,
Quando Deus
mesmo se deleita em ouvir
Aqueles tons
de prata soando em Seu ouvido!
Uma lâmpada
de ouro derrama seu raio;
O Espírito é
o seu guia;
Ele mostra o
Novo, o Caminho Vivo -
O véu
abre-se largamente:
Uma luz sete
vezes maior que a lâmpada transmite,
E a coragem
dá a corações trêmulos.
E diga, você
não tem muitas vezes se regalado
Sobre esse
pão vivo,
Que, quando
todo o conforto terreno falhou,
O desejo de
seu espírito alimentou?
Esse Maná
celestial, esse pão vivo,
Que só os
sacerdotes vestidos de branco podem comer.
O Lavandeiro
está de pé,
Vá, lave
suas mãos, seus pés,
E
simplesmente como um filho perdoado
Aproxime-se
da Misericórdia;
Dentro do
véu traga o seu incensário,
E queime
incenso doce para o Rei.
Pois sabem
que, desde que o Cordeiro de Deus foi morto,
Todos os
ritos típicos cessaram;
Nem mesmo
Melquisedeque reinará,
Que a terra
veja um sacerdote,
Que salve
aqueles que, lavados no sangue de Jesus,
São agora
feitos sacerdotes vestidos de branco para Deus.
Eles andam no
pátio exterior do templo,
Mas vivem
dentro do véu;
Olhe para
fora e chore, olhe e sorria,
E cante o canto
de comunhão
Aquele que
abençoou o pão e o vinho -
O SACERDOTE”
dentro do SANTUÁRIO INTERNO.
Pelo Autor
de "Wild Thyme ".
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