Imagine este
mundo como sendo apenas um palco de aperfeiçoamento ou ruína de espíritos.
Desde Adão o
espírito humano é aqui colocado por Deus, certamente não com o propósito de ser
arruinado, senão de ser aperfeiçoado.
Sendo Ele o
Pai dos espíritos, é impossível ter tal aperfeiçoamento aparte dele, pois é
somente na comunhão com ele que se pode fazer o uso adequado de todas as
faculdades naturais ou espirituais, nas diversas circunstâncias que somos
chamados a vivenciar.
Um outro ponto
importante a ser considerado é que se não formos despertados pelo próprio Espírito
de Deus, jamais poderemos topar com o propósito real e final de nossas vidas.
Sem esta
revelação do Espírito somos cegos e mortos para o referido propósito.
Uma indagação
pode vir à nossa mente quanto ao motivo de sendo Deus espírito, e tendo objetivado
que também fôssemos espirituais, por que nos dotou de um corpo natural e nos
colocou em mundo natural?
Vejamos o que é
dito pelo apóstolo Paulo:
"Sim,
na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo
qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que
possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo como minha justiça a que
vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus
pela fé." (Filipenses 3: 8, 9).
Muito pode
ser depreendido destas palavras, mas elas apontam sobretudo para o fato de que
uma vez tendo sido descoberta a excelência da vida espiritual que há em Jesus
Cristo, tudo o mais que nos rodeia neste mundo, seja em bens materiais, honras,
intelectualidade, saúde física etc, deixa de ocupar o centro de nossas aspirações
e interesses, pois passamos a ter o nosso entendimento iluminado para a grande
verdade de que tudo o que é visível e passageiro se destina apenas a provar a
nossa fé, e a indicar o quanto nosso coração tem sido de fato conquistado pelo
Senhor, em vista do valor que atribuímos às coisas do mundo ou à Sua pessoa
divina, e tudo o que recebemos em nossa própria transformação espiritual em
decorrência de nosso relacionamento com ele.
Numa avaliação
apressada poderíamos pensar que o mundo material se destina a aperfeiçoar o
nosso ser espiritual pela forma como usamos as coisas e nos comportamos diante
das circunstâncias, mas é muito mais do que isso, pois podemos aprender a ser
gentis e não avarentos, por não retermos os bens materiais, mas usá-los também
para atender às necessidades de outros. Mas, sabemos que é possível fazer isto
e não ter contudo qualquer comunhão com Cristo, e desta forma, nenhum aperfeiçoamento
espiritual seria decorrente do referido comportamento.
A
gentileza, apesar de ser um dos componentes do amor, deve estar baseada em
motivos divinos para que seja de fato espiritual, pois somente assim, visará à
Sua glória exclusivamente, e não a qualquer outro interesse egoísta daquele que
é supostamente gentil.
A este
respeito, quantos não se enganam como o próprio apóstolo Paulo antes da sua
conversão, pensando que Deus lhes deve uma grande recompensa em razão das obras
da lei que eles praticam. Paulo chegou até o extremo disso, a ponto de perseguir os cristãos por pensar que eram
seguidores de um falso profeta chamado Jesus.
Todavia,
estava cego para a verdade de que pela mera prática das obras da Lei nenhuma
recompensa de vida nos aguarda, senão o salário da morte, pois a Lei condena a
todos os que não guardam os seus mandamentos perfeitamente, ou seja, a todos os
homens, pois não há quem ame perfeitamente a Deus e ao próximo durante todos os
dias e minutos de suas vidas. Uma só transgressão o torna culpado e digno a uma
condenação eterna no inferno de fogo.
Há somente uma
forma de termos uma recompensa futura que nos seja favorável, e esta é decorrente
exclusivamente da nossa união com Jesus Cristo, que é da parte de Deus para nós
a nossa justiça, redenção, sabedoria e santificação. Sem ele, nada somos ou
temos, que seja de valor eterno e aprovado.
Ele é a árvore
da vida que estava no centro do Jardim do Éden, de cujo fruto Adão deveria
comer com um coração obediente, para que vivesse eternamente em comunhão com
Deus.
Todo aquele
que se alimenta do fruto desta Árvore bendita – Jesus - pela fé nele, tem a
vida eterna, e terá o seu entendimento iluminado para conhecer e fazer a
vontade de Deus.
Concluímos
portanto, que por mais que se tenha de tudo o que pertence ao mundo, quando
falta esta única coisa que é necessária, pode-se dizer do seu detentor que é
pobre, miserável, cego e nu, pois lhe falta o que é essencial, que é o conhecimento
e posse da fonte da vida eterna.
O Espírito
Santo, que é esta fonte que flui no coração do crente – é ele quem tudo opera
quanto a esta vida espiritual que deve ser vista em nós. Sem a verdadeira fé em
Jesus Cristo não pode haver a habitação, a unção, a regeneração, a renovação e
a santificação que são operadas pelo Espírito.
De modo que
devemos não apenas viver pelo Espírito, mas andar no Espírito continuamente,
pois é Ele que aperfeiçoa o nosso espírito, pela instrumentalidade da Palavra
de Deus.
Mas, fiel é o
que prometeu completar a boa obra da santificação que começou em nós na conversão.
Ainda que seja por meio de correções dolorosas presentes ou até mesmo pelo
extremo da morte física. Ele jamais deixará de realizar o Seu trabalho, pois é
paciente e longânimo, de modo que sendo tardio em se irar, pode suportar muitas falhas e
fraquezas em seus servos, sem no entanto, jamais aprová-las.
O crente pode
viver apaticamente, de forma negligente, e isto sempre entristecerá e apagará a
ação do Espírito Santo, em manifestações de Seu fruto em sua vida. Importa
pois, ser diligente e se esforçar em vigilância, oração, meditação na Palavra,
em santificação no cuidado com suas palavras, pensamentos e ações. Mas, se vier
a falhar, Deus cumprirá o Seu propósito eterno, ainda que o crente fique privado
de muitas consolações divinas e do galardão futuro. O pecado será por fim
vencido e a graça triunfará completamente e o Senhor receberá toda a honra, glória
e louvor.
Tenhamos pois,
a mesma paciência que há em Deus, em relação àqueles que são fracos no corpo de
Cristo presentemente, sabendo que ainda que demore até mesmo anos, Deus os
conduzirá a uma melhor condição, se continuarmos nos estimulando ao amor e às
boas obras, segundo a prática de tudo o que nos é ordenado na Sua Palavra.
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