Título
original: Causes of Unanswered Prayers
Por: William Bacon
Stevens (1815—1887)
Traduzido,
Adaptado e Editado por
Silvio Dutra
"Pedis
e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites." (Tiago
4: 3)
A pergunta é frequentemente feita: "Por que
minhas orações não são respondidas e por que, as respostas concedidas são tantas vezes
aparentemente contrárias aos meus pedidos?" Estas são perguntas
importantes, e respondê-las será o nosso objetivo.
Uma vez que Deus se declarou um ouvinte da oração; era necessário que
ele instituísse o caminho pelo qual poderíamos ter comunhão com ele. A mente
humana, sem ajuda, nunca poderia ter inventado um método de aproximar-se do
Altíssimo, ou ser capaz de indicar em que termos Deus ouviria e responderia à
oração. Ele deve nos dizer o caminho, e ele deve designar os termos, nos quais
e através dos quais ele será abordado. E segue-se que, a menos que procedamos
dessa forma, ou, pelo menos que sigamos suas instruções; não podemos ir a Deus
nem ser recebidos com graça.
As instruções que Deus nos deu sobre este assunto são poucas; mas
simples. Devemos orar de nossos corações, pedindo as coisas que são agradáveis à sua vontade; com fé, crendo; inspirados
em nossas súplicas pelo
Espírito Santo,
e em e através do nome prevalecente de Jesus Cristo. Estes termos simples
devem, em todos os aspectos, ser cumpridos, ou a oração será oferecida em vão.
Seria bom se cada cristão entendesse cuidadosamente o que é a oração, e
mantivesse diante dele os vários elementos de que é composta; e então ele
sempre teria um guia para a devoção aceitável, bem como um teste pelo qual ele
poderia provar a natureza de sua petição; se é apresentada corretamente, ou se
não está oferecendo a Deus o mero culto dos lábios, "enquanto o coração
está longe dele".
Para facilitar isso, declararei algumas causas pelas quais nossas
orações falham com tanta frequência.
A maior entre estas, talvez, é a falta de fé. Não pode haver oração
aceitável; onde não há fé. Pois, se não crermos na Palavra de Deus e não confiarmos
nas suas promessas, não só o desonraremos, mas engendraremos dentro de nós essa
desconfiança que abstrai da oração toda a sua vida e força. Todos os cristãos,
no entanto, têm um tipo geral de fé; eles têm uma crença na Palavra de Deus, e
uma espécie de confiança em todas as suas promessas; mas quando descem a pontos
particulares e são obrigados a exercer fé em todas as posições e relações; acreditar
em cada palavra de Deus e confiar em cada uma de suas promessas, a menor e a
maior; então é que a desconfiança e a fraqueza da fé começa a se manifestar.
Há uma multidão de orações oferecidas a Deus, com
algo como este sentimento: "Bem, talvez Deus vai ouvir e responder, talvez
não. Em qualquer caso, eu também posso orar, e se a resposta vier, muito bem,
se não, pelo menos fiz o meu dever.” Ora, tal sentimento como este, embora não
seja infidelidade positiva, é tão próximo a ela como para ser mais ofensivo
para Deus, e só pode trazer o seu desagrado severo. A fé que ele exige de nós é
que devemos crer implicitamente que ele ouve e responderá a todas as orações
que lhe são oferecidas corretamente.
É um grande pecado apresentar a Deus qualquer outra
petição além daquela que ele dirigiu, e de qualquer outra maneira que não tenha
apontado. Mas, atendendo a isso, é ainda maior o pecado oferecê-lo
desacompanhado pela fé que pode assegurar que Deus ouvirá e responderá.
O assunto da oração é uma coisa, a maneira de orar é outra. Se a maneira
de apresentar a nossa oração é correta, e o assunto errado; então, é claro, ela
vai abortar. Se o assunto é correto e a maneira errada; a oração é também
infrutífera. Tiago diz: "Peça-a, porém, com fé, não duvidando; pois aquele
que duvida é semelhante à onda do mar, que é sublevada e agitada pelo vento. Não
pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa." Nunca devemos
oferecer uma oração para a qual não desejamos uma resposta; e, desejando que
seja respondida, devemos crer implicitamente que ela será ouvida e respondida, se
estiver de acordo com a Divina vontade. Sempre que você se curvar diante do
propiciatório, você deve se perguntar: eu quero isso e essa misericórdia? Deus
prometeu concedê-lo? E se você sentir sua necessidade e reconhecer sua
promessa, então ore com uma certeza de fé que não vagueia como a rocha sólida,
porque a sua promessa repousa sobre Aquele em quem "não há mudança, nem
sombra de variação."
Nesta falta de fé; nesta semi-infidelidade do povo de Deus; nesta
desconfiança do cuidado de Deus, ou bondade, ou poder; nesta incredulidade na
plena importância de suas promessas; nessa falta de vontade de confiar de modo inabalável
em sua vontade e sabedoria, e para tomá-lo em sua palavra como um Deus da
verdade; pode ser encontrado um dos grandes motivos por que nossas orações não
são ouvidas e respondidas.
Se um de nossos companheiros nos promete sua
palavra, ou nos dá, com ampla segurança, sua nota promissória; nós os recebemos
com confiança implícita; e tudo o que Deus requer de nós é dar à sua palavra e
suas promessas, a mesma crença que atribuímos a uma criatura mutável, falível e
mortal como nós mesmos. Quantas orações que agora estão sem resposta diante do
propiciatório, voltariam cheias de bênçãos; se apenas acreditássemos na verdade
de Deus como confiamos na veracidade dos homens.
Outra razão pela qual nossas orações não são
respondidas é que demonstramos uma descrença prática na capacidade de Deus de
nos conceder nossos pedidos. Digo, descrença prática; pois, em teoria, todos os
cristãos acreditam na onisciência e onipotência de Jeová. No entanto, na
prática, nos detalhes da vida, quão poucos respeitam essas doutrinas! Estamos
muito acostumados a medir a capacidade de Deus; por nossa capacidade; e, se uma
coisa nos parece improvável ou impossível, então imediatamente agimos como se
essas contingências afetassem a Deus, assim como a nós mesmos, e
apresentássemos as mesmas barreiras para ele como para nós! As probabilidades e
as possibilidades dizem respeito apenas a nós mesmos e devem governar-nos
sempre em nossos planos e expectativas futuros; e a sagacidade humana é testada
pela sua capacidade de prever esses planos, de modo a afastar-se de todas as
contingências, e educar essas expectativas, desimpedidas por qualquer obstáculo.
Mas tais ideias como estas, nunca devem ganhar um lugar em nossas mentes
quando nos apresentamos diante de Deus em oração; pois não só é verdade, como
disse Cristo, que "todas as coisas são possíveis ao que crê", mas
também é verdade, como a Bíblia declara em outra parte que: "com Deus nada
é impossível".
Sempre que, então, pedimos qualquer coisa de acordo com a vontade de
Deus, nunca devemos parar para calcular as chances de sua audição, ou especular
sobre as dificuldades que interponham a sua concessão de nossos pedidos. Se é
um pedido apropriado; devemos orar e agir com a plena certeza de que ele vai
ouvir e responder, apesar de cada dificuldade aparente na forma de concedê-lo.
Somente ore, e acredite que Deus é o que ele é; e tudo ficará bem. Mas, se você
o considerar como um ser inferior ao infinito em suas perfeições e atributos, a
força de suas orações será graduada pela sua visão de seu caráter e,
naturalmente, ficará aquém do padrão bíblico e, assim, falhará em ser ouvido ou
respondido.
Outro grande obstáculo ao sucesso da oração, surge da indulgência de
alguém ou de pecados mais conhecidos. O salmista declarou distintamente:
"Se eu considerar a iniquidade em meu coração, o Senhor não me
ouvirá". Orar e ainda pecar voluntariamente, ou ainda perseguir um curso
de iniquidade secreta ou aberta, não é apenas zombar de Deus com o culto de
lábios, mas também estar agindo com hipocrisia, professando uma coisa, mas
fazendo outra. Um Deus de santidade não pode, de acordo com seu próprio
caráter, ouvir a oração de um pecador deliberado. E por isso ele diz aos ímpios
israelitas, através do seu profeta: "Quando estenderes as tuas mãos,
esconderei os meus olhos de ti, e quando fizeres muitas orações, não o ouvirei".
E, em outra passagem, temos a afirmação distinta, "Deus não ouve os
pecadores"; isto é, aqueles que continuam na transgressão conhecida. Pois
não somente uma vida assim é repugnante à santidade de Deus, mas também se opõe
a todo princípio de piedade em nosso próprio coração; e onde o pecado habita; não
se pode encontrar nem fé, nem humildade, nem obediência, nem amor a Deus, nem
esperança fundada, nem desejos celestiais, nem uma vida justa; e se estas coisas
não existem no coração, vãs são todas as palavras dos lábios.
Um espírito de oração e um coração pecador não podem habitar juntos; e
quando a vida não corresponde às nossas devoções, então nunca podemos esperar
respostas de paz. Daí a necessidade de examinar cuidadosamente a nós mesmos
quando nos apresentamos diante do Senhor, para que possamos nos aproximar dele
com mãos limpas e corações puros, sabendo que a indulgência de qualquer pecado,
por menor e insignificante que possa parecer a nós; certamente expulsará de
nossas almas o espírito de graça e súplica, e cortará toda a comunhão. . .
Com o Espírito Santo, o Instigador da oração;
Com Jesus Cristo, o Intercessor; e
Com Deus, o Ouvinte da oração.
Ser remisso no desempenho de nosso dever cristão é também outra razão
pela qual nossas orações não são respondidas. A oração não é o único dever que
Deus colocou sobre nós; há outros igualmente obrigatórios, como a vigilância, o
autoexame, a leitura da Palavra de Deus, a doação de esmolas, a resistência à
tentação, a fuga do mal. E o desempenho destes é tão interligado com a oração,
que a oração sem eles é tão inútil, para todos os fins de crescimento na graça,
como estes são sem a oração. Podemos, por exemplo, suplicar a Deus que nos
livre do mal, e nos dê um aumento de santidade; contudo, se entretemos
pensamentos maus em nossas mentes e não fazemos nenhum esforço para crescer em
graça; não podemos receber uma resposta de paz. No mundo moral, como no mundo
físico, Deus estabeleceu uma conexão entre meios e fins; e esses fins só se
tornam nossos, através dos meios estabelecidos que levam a esses fins. Os meios
que Deus ordenou para o nosso avanço na santidade são claramente declarados
para nós na Bíblia; e quando pedimos uma piedade mais profunda, um amor maior,
um aumento da fé, e alegria, paz e santidade; a resposta virá até nós através
dos canais designados de vigilância, meditação, autoexame, e do desempenho
diligente de cada um.
A oração não gera para nós uma infusão direta em nossos corações da
graça desejada; e se, depois de orar pelo avanço na graça, no conhecimento e na
fé, prosseguirmos para seguir os nossos próprios caminhos, e nos entregarmos à
negligência, à presunção e ao mundanismo da mente; não observando nem
examinando nossos corações; nem lendo nem meditando na Palavra de Deus; nem se
esforçando nem fugindo das tentações; as nossas orações, por boas que sejam em
si mesmas, ou por mais sinceras que sejam, ou apresentadas corretamente em nome
de Jesus; não só serão frustradas; mas não podem ser respondidas na natureza
das coisas, porque esperamos que Deus ponha de lado todos os meios designados
através dos quais ele responde à oração.
Nenhum fervor ou frequência de oração pode nos dispensar de cumprir
todos os deveres impostos a nós como cristãos; a negligência destes criará a
negligência da oração; assim como certamente a negligência da oração gerará a
remissão no desempenho do dever cristão.
Sempre que oramos por bênçãos a respeito das quais Deus estabeleceu uma
certa instrumentalidade, não basta que oremos; mas devemos usar a
instrumentalidade também; ou a oração retornará vazia. Suponha que todos os
cristãos no mundo se unissem em levantar seus corações a Deus para a conversão
do mundo, e ainda não fazem um esforço para sua restauração a Deus; seria isso orar
corretamente? E haveria muito motivo para acreditar que essas orações seriam
respondidas?
Essa tendência, na mente de muitos, de divorciar a oração de todos os
instrumentos que Deus ligou à sua resposta, é uma fonte fecunda do mal, e uma
causa por que tantas orações são proferidas em vão.
Para ilustrar isso: suponha que você esteja ameaçado de naufrágio; a
tempestade está enfurecida; as ondas quebram sobre o navio; o navio é
precipitado sobre as rochas, e é quebrado; toda esperança de fuga parece ter ido,
e no extremo da sua angústia você clama a Deus para salvá-lo desta morte iminente!
Mas, como você espera que ele vai salvá-lo? Por um milagre? Pela interferência
direta de sua onipotência? Por levar você através do ar, e aterrando você com
segurança na costa? Ou, você não prefere uma resposta à sua oração por meio da
agência humana, e pela instrumentalidade física e natural? Por um barco
salva-vidas; até que seja levado para a praia. E suponha que, tendo orado a
Deus por apoio, você ainda se recuse a usar a instrumentalidade que, em
resposta à sua oração, ele tem fornecido para a sua segurança. Você se recusa a
entrar no bote salva-vidas, ou se opõe a ser puxado para longe por uma corda,
ou não se comprometerá com algum meio proporcionado para sua fuga; você pode
ser salvo?
Deus respondeu à sua oração; não só dando-lhe, instantaneamente, o fim
desejado; mas dando-lhe meios adequados para garantir esse fim; e se você
recusou os meios; então você não poderia esperar o fim. Assim também se dá com
bênçãos espirituais. Deus nos responde através da instrumentalidade dos deveres;
e encontramos o fim que desejamos, quando usamos os meios que ele ordenou.
Outra razão pela qual nossas orações não são respondidas é, porque não
perseveramos em oração. Aprendemos a necessidade de perseverança na oração, a
partir das várias exortações a ela que encontramos na Palavra de Deus; mas
especialmente em duas parábolas relacionadas pelo nosso Salvador: "O Amigo
Importuno", registrada no capítulo 11 de Lucas, e "O Juiz
Injusto", no décimo sétimo capítulo do mesmo Evangelho; e cada uma delas
ilustra pontos importantes relacionados com este assunto.
A parábola do "Amigo Importuno" foi falada imediatamente
depois de ensinar a seus discípulos o que agora é chamado de "Oração do
Senhor"; no final da qual ele disse: "E eu digo a você, peça; e lhe
será dado, procure; e você encontrará, bata; e será aberto para você."
As três repetições do comando são mais do que meras repetições; já que
buscar é mais do que pedir; bater, mais do que procurar; e assim, nesta escala
ascendente de seriedade, ilustrada como é pelo efeito que, na parábola, é
atribuído à importunidade humana, uma exortação não é dada apenas à oração; mas
a uma urgência crescente na oração; até o suplicante alcançar a bênção que ele
deseja, e que Deus está apenas esperando o momento oportuno para lhe dar.
Pela parábola do "Juiz Injusto", Cristo projetou que os homens
raciocinassem assim: se um juiz humano, um juiz injusto, um juiz reprovado, não
temendo a Deus nem o homem, aliviará a causa de uma viúva, simplesmente porque
ela o cansa Com sua importunidade; então Deus, que conhece nossas necessidades;
um Deus justo, que nos ordenou orar; responde às mesmas petições que ele
ordenou? E embora ele demore a responder por algum tempo, não é para que ele
possa tornar a resposta mais graciosa; mais liberal; mais estimada?
Se nós desmaiarmos em oração, ou oferecermos a Deus nossas petições de
maneira agitada, sem perseverança, nem importunidade; podemos esperar que ele
responda? Não mostra que nós realmente não desejamos a bênção anelada? Porque se
nós a desejássemos como o amigo importuno fez pelos pães, ou a viúva para a reparação
do juiz injusto; não cederíamos tão cedo à oração; mas redobraríamos a nossa
seriedade e perseverança, sabendo que "o reino dos céus sofre violência, e
que os violentos o tomam pela força."
Outra maneira pela qual pedimos e não recebemos, porque pedimos mal, é
pedindo coisas que não estão de acordo com os propósitos de disciplina ou
misericórdia de Deus. Não devemos esquecer a grande verdade, que Deus usa este
mundo como uma escola de disciplina, para nos encaixar num estado mais santo; e
todos os seus propósitos para nós devem ser interpretados por esta visão da
nossa pupila terrena. Neste estado de disciplina, provações, aflições,
decepções, etc; são os instrumentos necessários para que nossas almas sejam
purgadas e ajustadas para o Céu. No entanto, muitas vezes oramos para que Deus
nos alivie dessa provação; que ele nos isente dessa aflição ameaçadora; que ele
tire de nós essa nuvem de tristeza. Mas, em sua infinita sabedoria, ele sabe
que conceder esses pedidos seria mais produtivo do mal do que do que do bem; pois
é "no forno da aflição" que Deus muitas vezes escolhe seus santos; e
"através de muita tribulação que eles entram no reino do Céu".
Paulo "suplicou ao Senhor três vezes" que ele tirasse dele
"o espinho na carne, o mensageiro de Satanás para o esbofetear"; mas
Deus apenas respondeu: "A minha graça te basta."
Ou, mais uma vez, olhando para o mundo com o olho do sentido, e não com
a fé; pedimos a Deus que nos dê bênçãos temporais, como parecendo, à nossa
visão míope, consistentes com nosso bem-estar e sua glória. Mas, ele conhece
nossa necessidade melhor do que nós, e ele vê que se ele fosse conceder o nosso
pedido, seria o meio de enviar magreza em nossas almas. Ele sabe que a
existência de nossa piedade depende de não responder aos nossos pedidos, e que
o bem-estar de nossas almas requer, talvez, coisas exatamente o oposto daquelas
pelas quais oramos.
Se Deus realmente nos ama, ele nos responderá; não tanto de acordo com
nossos pedidos, mas de acordo com seus propósitos de misericórdia. E para
realizar isto, necessitará, às vezes, fazer as coisas que nós mais sinceramente
desejamos que ele não faça; porque os seus caminhos não são os nossos caminhos,
nem os seus pensamentos são os nossos pensamentos.
Se pedimos que sejamos humildes, Deus não nos dá
diretamente a graça da humildade; mas abre, talvez, para nossos corações uma
visão da profunda depravação e vileza de nossas almas.
Se buscarmos um acesso e uma comunhão mais próximos
com Deus; ele tira de nós algum ídolo terreno, para que os afetos possam ser
transferidos para ele.
Se desejamos uma visão ampliada do caráter de Deus; ele não
imediatamente, mas por algum trabalho súbito, amplia os limites de nossa mente,
ou dá um novo poder ao nosso intelecto; mas ele nos ensina o que desejamos
aprender com suas providências, temerosas e alarmantes, talvez, em suas
manifestações ilustrativas de sua glória e atributos.
Se desejamos o desmame do mundo; ele ataca, talvez, os confortos terrenos
em que confiamos, e em que colocamos nossa esperança.
Se pedimos crescimento na graça; ele responde, talvez, fazendo-nos
passar pelas fornalhas da opressão, ou da aflição.
E quando oramos, Senhor, aumenta nossa fé; quantas
vezes a resposta vem sob a forma de alguma provação, ou luto, ou vicissitude,
que, mostrando-nos a vaidade da terra, nos faz olhar com confiança crescente
para Deus, e para colocar uma confiança mais duradoura nas promessas que são
melhores e mais elevadas.
Assim, é que, embora nossas orações sejam
respondidas; elas nem sempre são respondidas da maneira que esperamos ou
desejamos. É nosso dever orar; e devemos deixar com Deus a decisão de nos
responder quando e como ele quiser. Nenhuma oração oferecida a ele na fé, e de
acordo com sua vontade, está perdida; todas elas são entesouradas diante do
Cordeiro, nos "frasquinhos de ouro" mencionados no Apocalipse; o seu
incenso ainda subirá em preciosas fragrâncias diante do trono; o seu clamor
ainda será respondido; e todos os que ofereceram petições ao Intercessor,
levantarão ainda os seus corações agradecidos, e dirão com Davi: "Bendito
seja o Senhor, porque ele ouviu a voz das minhas súplicas. O meu coração confiou
nele e eu sou ajudado, por isso o meu coração se alegra muito, e com o meu
cântico vou louvá-lo!"
Nenhum comentário:
Postar um comentário