Título original: Growing Faith
Por: Archibald G. Brown (1844-1922)
Traduzido,
Adaptado e Editado por
Silvio Dutra
“Sempre devemos,
irmãos, dar graças a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé cresce
muitíssimo, e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros,
De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais” ((2 Tessalonicenses 1.3,4)
De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais” ((2 Tessalonicenses 1.3,4)
(Nota do tradutor: Podemos vislumbrar um dos grandes motivos de a fé dos
tessalonicenses ter crescido muitíssimo, apesar do pouco tempo que tinham de
convertidos, por ocasião da escrita das duas epístolas que o apóstolo destinou àquela
igreja, foi a provação.
Em ambas ele faz referência às duras perseguições que os tessalonicenses
estavam enfrentando em razão da sua fé em Jesus Cristo, como citado no texto em
título (verso 4), e na introdução da primeira epístola:
“Porque o nosso evangelho não foi a vós
somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita
certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós. E vós
fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação,
com gozo do Espírito Santo.
De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na macedônia e Acaia.” (I Tessalonicenses 1.5-7).
De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na macedônia e Acaia.” (I Tessalonicenses 1.5-7).
Sabemos pela prática e pelo testemunho das próprias Escrituras que nada
contribui mais para o aumento e o refino da fé do que as provações suportadas
por amor ao Evangelho. Os tessalonicenses tiveram este privilégio de terem a
sua fé provada em grande extensão, e desta forma fizeram grande avanço na vida
espiritual, conforme o testemunho que o apóstolo Paulo dá acerca deles.
Assim, o contraste entre crentes piedosos e cheios
de fé, e crentes mundanos, sempre pôde ser visto ao longo de toda a história da
Igreja Cristã, pois os primeiros são achados principalmente em países em que há
grande oposição ao evangelho, e os últimos em circunstâncias em que a sua fé é
pouco ou nada provada.
O que parece ser um progresso para o avanço do
evangelho em vidas santificadas – a liberdade religiosa da qual tanto nos
gloriamos – de certa forma, acaba por se tornar um fator impeditivo ao
progresso na fé em razão das grandes comodidades que são oferecidas pela vida
moderna, notadamente no chamado mundo Ocidental.
Agora, ninguém precisa ir à busca de perseguições para que a sua fé seja
aumentada, pois, uma vez que decidamos nos consagrar de fato a Deus e à Sua
vontade, por um verdadeiro interesse em guardar a Sua Palavra, amando os Seus
mandamentos, e entregando-se de forma aplicada ao uso de todos os meios de
graça que são necessários para tal (meditação da Palavra, vigilância, oração
incessante, comunhão com os santos etc), o reino das trevas se levantará em
paralelo para tentar se opor ao nosso avanço na fé, e esta será uma das
principais causas das provações que serão permitidas por Deus para que sejamos
aperfeiçoados.
A pessoa que tem em si mesma o testemunho
de estar crucificada para o mundo e o mundo para ela tem também o testemunho de
saber que há vida eterna no espírito, porque a nova criatura vive e cresce na
mesma medida em que o velho homem morre a cada dia.
Evidentemente, por ser este um
trabalho que pode ser efetuado somente por Deus, mediante a graça que está em
Jesus Cristo, e operado pelo poder do Espírito Santo, podemos saber que não
está em nós mesmos a capacidade para fazer tal trabalho de deixar de ser
atraído pelas coisas que antes nos dominavam, inclusive as lícitas, e que agora
não exercem mais qualquer tipo de
fascínio sobre nós, uma vez que somos movidos por desejos mais nobres e
elevados, conforme são inspirados pela presença e ação do Espírito Santo em
nós.
Apesar de não
estar em nós mesmos o poder para tal trabalho, todavia ele nunca progredirá
naqueles que são negligentes quanto à sua consagração a Deus, por nunca terem
tomado a decisão de serem pessoas
piedosas, devotadas e santas. Na verdade, não basta o desejo de ser assim, mas ter
um real empenho em buscar ao Senhor e as coisas que são relativas ao Reino dos
Céus, pelo carregar diário paciente da cruz e o exercício da autonegação, para
que sejam implantadas em nós as virtudes de Cristo, pelo Espírito.
Um coração
cativado por Deus e que recebeu a obra da mortificação da carne, é um coração
inclinado para o Espírito - ao que Paulo chama de pendor do Espírito no lugar
do pendor da carne.
Daí o mesmo apóstolo afirmar o
seguinte: “Porque a inclinação da carne é morte; mas a
inclinação do Espírito é vida e paz.” (Rom 8.6).
Em face desta realidade, a
consequência terrível de permanecer vivendo segundo a inclinação da carne
significa morte espiritual, e a consequência abençoada de se mortificar a carne
por meio do poder do Espírito é vida, a vida espiritual abundante que está em
Jesus Cristo.
“Porque,
se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as
obras do corpo, vivereis.” (Romanos 8.13).
Até aqui as palavras do tradutor.
O egoísmo é propenso a se misturar não somente com
as nossas orações, mas também com os nossos louvores. Assim como na oração
somos propensos a pedir a nosso Senhor somente aquelas coisas que nos preocupam
mais especialmente, e ignoramos as necessidades dos outros; assim, em nossos
louvores, somos aptos a cantar apenas sobre aquelas misericórdias que nós
mesmos recebemos: "Bendizei ao Senhor, oh minha alma, e tudo o que há
dentro de mim bendiga o seu santo nome", é na maioria das vezes a nossa
canção na linguagem da gratidão, por misericórdias que caíram em nossa própria
porta.
Mas, o filho de Deus nos seus momentos mais elevados de comunhão
reconhecerá alegremente a obrigação de louvar as misericórdias concedidas aos
outros. Ele cantará não somente pelo que o Senhor lhe fez, mas também pelo que
a graça tem realizado nos corações de seus companheiros.
Agora, nos arriscamos a dizer que um espírito mais altruísta do que o do
apóstolo Paulo nunca foi encontrado na terra, conforme o exemplo que nos é dado
em nosso texto. Aqui temos dele muito júbilo, e usando a linguagem mais forte
para expressar essa alegria, não por causa de alguma misericórdia particular
recebida para ele mesmo, mas porque o Senhor tinha abençoado os membros da
igreja em Tessalônica em suas próprias almas.
A alegria de Paulo a esse respeito pode ser facilmente compreendida.
Aquela igreja infantil em Tessalônica fora plantada por sua instrumentalidade e
a grande maioria de seus membros tinha sido conquistada por seu ministério. Ele
podia olhar para aqueles jovens convertidos e dizer: "Eu vos gerei de novo
no Senhor, vós sois a minha alegria e coroa de regozijo".
A simpatia e o amor que existem entre o conquistador da alma e a alma
ganha, entre o instrumento de conversão e o convertido - são tão íntimos e
queridos que nunca podem ser descritos pelos lábios - mas apenas realizados no
coração. O amor de um pai para com seus filhos não é mais profundo do que o
amor que um pai espiritual sente em relação àqueles que o Senhor lhe deu; e o
interesse de um pai pelo crescimento e prosperidade de seus filhos não é maior
do que a ansiosa solicitude sentida por parte daquele que tem sido o meio de
levar almas a Cristo; e da parte do ministro para selar o seu ministério.
O crescimento espiritual dos novos convertidos de Paulo na igreja de
Tessalônica foi tal que, quando ele marcou seu curso, a alegria transbordou em sua
alma, e na linguagem do texto, sentiu-se ligado por um impulso que era
impossível resistir, de dar graças a Deus em seu favor. Entre as causas de sua
gratidão estava a seguinte: que ele percebia que a graça da fé estava crescendo
muito neles.
Existem quatro verdades proeminentes ensinadas no texto. Que o Espírito
Santo nos ajude em nossa meditação sobre elas.
A primeira é esta - que é a vontade divina que a fé deve crescer.
Em segundo lugar - que o crescimento da fé é obra de Deus.
Em terceiro lugar - que o crescimento da fé é motivo de regozijo.
Em quarto lugar - que a fé não só deve crescer - mas crescer
excessivamente.
I. É a vontade divina que a fé cresça. O crescimento é uma das
características da obra de Deus. Desde o momento em que, na manhã da criação,
ele fez obedecer a seu mandamento, todas as coisas nasceram em existência
madura, desde então até o presente, sucessivos estágios de crescimento marcaram
sua obra. Todas as árvores do jardim do Éden foram criadas tendo "fruto
segundo a sua espécie, com sementes nelas". (Gên 1.11). E assim, durante
séculos, as sementes caíram na terra, brotando, formando raízes, crescendo e
gradualmente tomando o lugar das florestas que caem diante do madeireiro.
O carvalho que enfrenta a tempestade e luta com fúria selvagem com o
vendaval - que vive no furacão, e lança suas raízes ásperas profundamente para
baixo através do solo, até que finalmente aperta a rocha com a força de um Sansão
- é, afinal de contas, apenas a consequência da bolota (semente do carvalho),
uma vez carregada no bolso de uma criança, e jogada com alegria infantil pelo
desfiladeiro.
A águia, que olha o sol sem piscar os olhos - que
dirige o seu curso nos dentes da tempestade - que ri das montanhas, quando com
suas largas asas voa majestosa sobre elas – foi uma vez a pequena águia no
ninho, que temia abrir as suas asas.
O Deus da Natureza e o Deus da Graça são um só.
Como em duas pinturas feitas pela mesma mão - embora os rostos retratados
possam ser dissimilares em quase todos os traços - ainda assim você percebe que
o mesmo lápis esboçou ambos os semblantes; assim, quando olhamos para os reinos
da Natureza e da Graça, é evidente que o mesmo Deus reina em ambos.
Amados, as árvores de Deus, as árvores semeadas por sua mão, não
alcançam sua proporção total em um momento. É verdade, que no reino da Graça,
as velhas cabeças não são encontradas em ombros jovens. O velho santo veterano
de cabelos prateados, amadurecido por anos de longa experiência, é apenas a
consequência do pecador, uma vez quase desesperado que foi regenerado pela
graça de Deus. Aquele homem de Deus, tão poderoso em sua fé – Elias, que parece
quase capaz de abrir ou fechar o Céu com suas orações, é simplesmente o
resultado do buscador trêmulo, que uma vez clamou "Senhor, creio, ajude
minha incredulidade" (Marcos 9.24).
Os santos de Deus, que agora se erguem como com asas de águia, nem
sempre conseguiam olhar sem piscar o sol. As águias de Deus não podem, desde o
primeiro momento, se erguer sobre o furacão, nem brincarem na tempestade. Foram
uma vez as minúsculas águias no ninho.
Por muito que acreditem, vocês podem ter crescido, e por mais elevados
que possam ser os seus alcances espirituais, não se esqueçam de sua fraqueza original.
Isto o levará à humildade pessoal em sua própria alma e ensiná-lo-á ternura
para com os outros.
E para aqueles de vocês que não conhecem o Senhor há muito tempo,
aqueles de vocês "que são a nossa coroa de regozijo", diríamos a
vocês - não fiquem muito abatidos pelos fracassos. Não pense que porque você
ainda não alcançou a fé e alegria de determinados crentes, que não houve obra
de graça genuína em seu coração. Aquele que iniciou a obra, aperfeiçoará tudo
por etapas sucessivas, pois o crescimento é o método de trabalho de nosso
Senhor.
Talvez alguns façam a pergunta: "Por quê a fé deve crescer?" A
essas pessoas respondemos, que deve ser motivo suficiente que isto seja da vontade
de Deus, e acrescentamos na linguagem de réplica de Paulo: "Ó homem, quem
és tu para contenderes com Deus?" (Romanos 9.20).
Mas, embora nós mesmos estejamos perfeitamente satisfeitos com esta
resposta - nos arriscamos a sugerir que o crescimento de um crente é parte da
alegria de Deus. Há um prazer em observar o crescimento. Apelo para aqueles de
vocês que são pais, se não é assim. Não é a sua maior alegria marcar o
crescimento terno do corpo, e o desenvolvimento gradual da mente, da pequena
luz do lar? Será que aquele que implantou aquela alegria nos pais, não a
possui? Certamente não é demais dizer que nosso Pai Celestial tem um interesse
infinito e encontra uma alegria infinita no crescimento de Seus filhos
redimidos.
(Nota do tradutor: Se Deus é santo, e se importa que sejamos também
santos, jamais poderíamos atender ao propósito da criação caso não tivéssemos
uma fé aumentada, porque sem ela não podemos crescer espiritualmente em
santificação.)
No livro de Cantares de Salomão, encontramos Cristo andando em Seu
jardim, para ver como a mirra, o aloés e as especiarias cresciam, e comer seus
frutos agradáveis. Além disso, é por esse processo de crescimento gradual que
melhor aprendemos de nosso Senhor. Se alcançássemos a maturidade ao mesmo
tempo, perderíamos muitas experiências doces; teríamos pouco conhecimento de
sua bondade amorosa, e saberíamos muito pouco de sua grande ternura. É melhor,
portanto, para o nosso próprio coração e para a sua glória, que a santificação
seja marcada pelo crescimento.
Vejamos agora, em segundo lugar,
II. Esse crescimento na fé é obra de Deus. Isto nós recolhemos da forma
da expressão usada em nosso texto, "nós somos obrigados a agradecer a
Deus." Paulo reconheceu o crescimento da fé na Igreja de Tessalônica, como
sendo obra de Deus. Que é assim - eu acho que podemos mostrar-lhe em uma única
frase: crescimento depois de tudo é, senão o desenvolvimento da vida, e a vida
é o sopro de Deus. O homem nunca foi capaz de colocar essa coisa secreta em
qualquer uma de suas obras que fará com que cresçam. O escultor pode cinzelar o
bloco de mármore em uma forma de beleza até que pareça quase respirar, mas não
tem nenhum poder inerente de desenvolvimento - um século de tempo vai
encontrá-lo, como sua mão o deixou. O artista pode modelar em cera, flores que
enganam a visão - mas para transmitir esse poder que fará com que o broto se
abra em uma flor está além de sua habilidade. Da mesma forma, a prerrogativa de
causar crescimento é só de Deus, e esse crescimento é tanto o seu trabalho como
a primeira implantação do princípio da vida.
Não é o desejo mais profundo de cada crente crescer em conformidade com
o seu Senhor? E ainda assim ele não aprendeu por experiência dolorosa, sua
própria incapacidade de fazê-lo? Ele sabe que é seu Deus que deve trabalhar
dentro de si, o querer e o efetuar segundo a Sua boa vontade.
"Fé, é uma graça preciosa
Sempre que é concedida,
Vangloria-se de um nascimento celestial,
E é o dom de Deus.
Senhor, é seu trabalho sozinho,
E que é divinamente livre;
Mande o Espírito do seu Filho
Trabalhar essa fé em mim. "
E, aqui, deixe-me dar a expressão de um pensamento, peço-lhe que possa
ser motivo de meditação para ser cumprido em sua vida futura. A santificação
vem pelos mesmos meios que a justificação - com a mesma fé que você achou que
confiou em Cristo para salvá-lo; você deve confiar para que ele o faça santo, a
linguagem de seu coração deve ser: "Senhor Jesus, confio em que você pode subjugar
os meus pecados, confio em que você me moldará à sua imagem, confio em que você
soprará seu Espírito dentro de mim."
A árvore não cresce por esforços violentos próprios - mas simplesmente
por viver ao sol. Exatamente assim, os filhos de Deus não crescem por seus
próprios votos e resoluções - mas morando à luz de Seu semblante, que é o
"Sol da Justiça". É o Sol que melhora, tanto o fruto da natureza como
da graça.
Você pergunta como Deus faz crescer nossa fé? Eu respondo: de três
maneiras.
Primeiro, colocando na própria fé um princípio que obriga seu
crescimento. Como na criança, assim na fé há aquilo que se desenvolve
naturalmente. Uma fé viva, vivendo porque é dada por Deus, deve crescer.
Talvez alguns vão objetar. "Se isso é verdade, como você concilia isto
com sua declaração anterior de que o crescimento na fé é obra de Deus
sozinho?" Esta é uma objeção muito antiga. Cada infiel tem tocado sobre
esta corda, e declarado que tudo é regido por leis eternas - mas quem fez as
leis, e quem deu à fé o princípio de crescer?
Este princípio de crescimento na fé proíbe que a fé permaneça a mesma.
Mas, o crescimento requer nutrição - e pelo alimento Deus aumenta a fé. A
criança cresce pela comida; e a árvore não cresce a não ser que tire seu alimento
da terra e do sol. O autor de nossa fé, deseja que a fé tenha um banquete
contínuo. Quero me referir às promessas. Estou me dirigindo a alguém que tenha
uma fé fraca e tímida? Então, que se deleite com uma promessa como esta:
"Minha graça é suficiente para você." (2 Cor 12.9). Existe alguém em
perigo sobre o futuro olhando para a frente com apreensão para os próximos
dias? Então, que a sua fé se fortaleça com esta promessa: "Como os vossos
dias, assim será a vossa força". (Deuteronômio 33,25). Em todo o seu
abençoado Livro, o Senhor providenciou aquilo em que nossa fé pode e deve
crescer mais forte. A fé vive na atmosfera das promessas da Palavra de Deus.
Agora, uma criança não crescerá sozinha; ela precisa de exercício. O
crescimento no volume não é sempre crescimento na força. O próprio esforço que
traz cansaço e faz com que o pequenino pare para descansar, traz consigo também
força. Não é sentado na mesa de jantar, mas correr ao ar livre em exercício
saudável que faz a criança crescer.
A árvore cresce não só através do sol e suaves brisas de verão, mas
pelos ventos invernais. É a tempestade que lhe dá estabilidade, e ela suga sua
força do peito da tempestade. Uma semana de campanha no campo de batalha fará
um soldado melhor do que em um ano de aulas teóricas. Apenas assim, Deus faz a
fé de seus filhos crescer forte - pelo exercício. Para a fé de Abraão, ele dá
um Monte Moriá; para a fé de Jacó, a perda de um Benjamim. Para a fé de Daniel,
uma cova de leões; e à fé de Jó, uma sucessão de mensageiros do mal.
E não pense, crente, que você será uma exceção. Sua fé terá que crescer
sendo forçada e provada. Seu braço de fé como o ferreiro, terá seus músculos
fortes, empunhando muitos martelos. Assim, tentamos mostrar que a fé cresce por.
. .
Um princípio interno,
Alimentação adequada,
E exercício diário.
III. Este versículo nos ensina que o crescimento na
fé é motivo de regozijo. "Somos obrigados a agradecer a Deus, irmãos,
porque a vossa fé cresce muito." Por que você acha que o Apóstolo Paulo se
alegrou com o crescimento da fé deles? Penso principalmente por duas razões.
Primeiro, porque ele sabia que, à medida que sua fé
crescia - assim também seria sua felicidade. Fé e felicidade sempre andam de
mãos dadas. Pouca fé é da mesma natureza que a grande fé, e salva certamente; mas
pouca fé está sempre chorando e enxugando os olhos - enquanto a grande fé ocupa
o dia inteiro em louvar. A pouca fé diz: "Tenho certeza de que não sei se
sou Seu, Senhor, espero que eu seja." E se consegue superar esta
dificuldade, ela só cai em outra, e quando entra no fluxo de problemas começa a
gritar "Um abismo chama outro abismo, ao ruído das
tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim." (Salmo
42.7).
Mas, a fé forte é gloriosamente consciente de seu interesse salvador em
Cristo, e com voz alegre diz: "Eu sei em quem tenho crido, e estou
convencido de que ele é capaz de guardar o que lhe tenho confiado até aquele
dia". Quando no meio do fluxo sua cabeça está acima da água, e vê a terra
seca à frente, enquanto ouve em antecipação o Salvador lhe dando as boas-vindas,
"Vinde benditos de meu Pai". (Mateus 25.34). Ambos caminham pela
mesma estrada, e certamente chegarão ao mesmo lugar – mas, suas experiências na
viagem são muito diferentes. Não preciso me deter muito nesse ponto, pois seu
coração lhe diz que quando sua fé é mais forte, sua alegria é maior.
Creio que também Paulo se alegrou porque sabia que à medida que a fé dos
tessalonicenses aumentava, sua capacidade de trabalho também aumentaria. Um
grande trabalho é demais para as mãos da fé fraca - e um fardo pesado quebraria
suas costas. A fé fraca anda na retaguarda do exército - a fé forte caminha na
vanguarda. Não dizemos que não há trabalho que a fé fraca não possa realizar; ela
pode dar o copo de água fria para os feridos no campo de batalha, e fazer mil
pequenos atos de bondade para seus companheiros soldados. Mas é somente a fé
forte que pode fazer um avanço na falta de esperança, e agir contra as
fortalezas do inferno, rasgando para baixo a bandeira preta do Inimigo, e hasteando
em seu lugar a bandeira vermelha de seu Capitão.
Pouca fé pode fazer um trabalho útil em molhar as
plantas do jardim; mas somente a fé forte é qualificada para sair como um
pioneiro na selva do pecado, e com vigor destruir a floresta.
A espada do espírito é muito pesada para que a fé
fraca a segure com eficácia; mas coloque a mesma espada nas mãos de uma fé
forte, e verá como ela faz balançar com a velocidade do relâmpago, fazendo
baixas nas fileiras do inimigo a cada golpe. Sim, amigos, os obreiros de Deus
devem ter fé forte, ou logo terão o coração partido e estarão prontos vinte
vezes ao dia para deporem as suas armas e gritar "desisto".
IV. A fé não só deve crescer - mas crescer
excessivamente. Não creio que o Apóstolo Paulo agradeça muito a Deus neste
texto pelo crescimento da fé na Igreja de Tessalônica, assim como pelo fato de
ter crescido muito. Não foi um pequeno aumento de fé que ele viu neles.
Infelizmente! Com que pequeno aumento ficamos satisfeitos; e se às vezes
conseguimos confiar em nosso Deus um pouco mais do que o normal, quão propensos
somos para crescermos autojustos sobre isso! Temo que a raça dos gigantes na fé
tenha degenerado. Houve uma vez uma geração de homens que parecia como se eles
poderiam confiar em seu Deus para qualquer coisa em tudo. Neste grupo
encontramos os nomes de Abraão, Daniel, Davi, Lutero, Knox e outros. A Igreja
de Deus perdeu a sua fé, mais do que qualquer outra coisa. Sião requer uma fé que ande de modo inabalável
e que não seja afetada por probabilidades, e que não dependa das
circunstâncias.
Bonaparte disse uma vez: "Outros homens são feitos pelas
circunstâncias. O que ele disse vangloriosamente - a fé pode dizer
triunfalmente. Queremos fé que nos faça fazer o que o mundo chamará de coisas chocantes.
Fé que chocará os nervos da descrença prudente. Fé que só leva em consideração
que seu Deus é "o mesmo ontem, hoje e eternamente" (Hebreus 13.8) e
que todas as suas promessas são "Sim, e Amém em Cristo Jesus". (2 Cor
1.20). Não se contente com uma mera fé de canoa, apenas para o bom tempo; mas ore
por uma fé leviatã que se diverte nas profundezas quando amarrada na fúria mais
selvagem. Busque uma fé como a de Elias, com a mão forte o suficiente para
virar a fechadura do Céu e trazer os chuveiros para baixo.
E agora, pobre buscador, uma palavra para você é, "deixe sua fé
crescer".
Você acredita que Cristo é capaz de salvá-lo. Vá um passo adiante, e
acredite que ele está disposto. Você está dizendo agora: "Senhor, eu quase
acho que posso confiar em você para minha salvação", vá mais longe e diga:
"Senhor, eu confio em você". Tome-o como a sua única esperança, com a
mão da fé segure-o, e diga: "afundando ou nadando, ganhando ou perdendo, a
partir deste momento confio em você."
E então, quando ouvir a sua voz amorosa dizer-lhe que "a sua fé lhe
salvou", então ore para que esta fé cresça diariamente. O Senhor conceda
que se possa dizer sobre todos os seus filhos neste tabernáculo esta manhã:
"A vossa fé cresce muitíssimo!"
Senhor, aumenta nossa fé, por amor de Jesus. Amém.
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