Título
original: Fé”s Standing-Ground
Por J. C. Philpot (1802-1869)
Traduzido,
Adaptado e
Editado por
Silvio Dutra
“Se Deus é
por nós, quem pode ser contra nós, quem não poupou seu próprio Filho, mas o
entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?"
(Romanos 8:31, 32)
Neste capítulo glorioso e nobre (Romanos 8), o
apóstolo, como um mordomo fiel dos mistérios de Deus, propaga diante de nós a
herança das propriedades do herdeiro do céu. Por conseguinte, passarei
brevemente por algumas das amplas posses aqui atribuídas ao herdeiro de Deus e
co-herdeiro com Cristo, asseguradas como estão com a certeza da bondade de seu
título e uma segurança de seu prazer eterno e ininterrupto de sua condição.
O primeiro é a não condenação, por
se estar em Cristo Jesus.
O segundo é a liberdade da lei do
pecado e da morte.
O terceiro é o cumprimento da
justiça da lei no crente, por andar não segundo a carne, mas segundo o
Espírito.
O quarto é a habitação do
Espírito de Deus.
O quinto é o ser conduzido pelo
Espírito.
O sexto é o recebimento do
Espírito de adoção, para clamar "Abba, Pai".
O sétimo é o Espírito
testificando com seu espírito que ele é filho de Deus.
O oitavo é a intercessão interior
do Espírito, intercedendo por ele com gemidos que não podem ser proferidos.
O nono é o conhecimento de que
todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.
E então todo um conjunto de belas
propriedades, todas, por assim dizer, numa corrente de elos:
Ser chamado de acordo com o
propósito de Deus;
Ser emancipado;
Ser predestinado;
Ser justificado; e
ser glorificado.
Até que termine o catálogo
abençoado pela afirmação de que está sem separação do amor de Deus que está em
Cristo Jesus.
Herdeiro de Deus, leia a sua
herança! Faça com este capítulo o que Abraão fez quando Deus lhe ordenou que
andasse "por toda a terra, na sua extensão e na sua largura" (Gênesis
13:17); pois Deus certamente deu a vocês toda a boa terra da Canaã celestial,
aqui traçada pela pena do apóstolo, como deu a Abraão a Canaã literal; "Porque
o Senhor teu Deus te está introduzindo numa boa terra, terra de ribeiros de
águas, de fontes e de nascentes, que brotam nos vales e nos outeiros; terra de
trigo e cevada; de vides, figueiras e romeiras; terra de oliveiras, de azeite e
de mel;" (Deuteronômio 8: 7, 8). Então, andem para cima e para baixo neste
capítulo glorioso, e vejam e notem bem as fontes e profundezas de amor e
misericórdia que nele brotam, quão gordo o trigo, quão bom é o vinho, quão rica
é a terra em óleo, quão cheio é o bosque de mel. Não é uma terra em que você
possa comer pão sem escassez, e não falta nada nela que a sua alma possa ter
fome?
Mas, tendo enumerado estas amplas
propriedades e dando-nos um catálogo tão completo das posses do herdeiro da
promessa, o apóstolo, como se em um transporte de alegria celestial, irrompe
com a indagação: "O que diremos então, se Deus é por nós, quem pode ser
contra nós?" E então cheio, por assim dizer, de uma visão gloriosa da
graça superabundante de Deus no dom de
seu querido Filho, ele coloca para si mesmo e para nós aquela pergunta decisiva
e satisfatória: "Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou
por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?"
Ao abrir as verdades divinas constantes
destas palavras, eu, como o Senhor permitir, examinarei:
Primeiro, a força da indagação da
fé; "Que diremos, pois, a estas coisas?"
Em segundo lugar, a firme posição
da fé; "Se Deus é por nós, quem pode ser contra nós?"
Em terceiro lugar, o sólido
argumento da fé; "Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou
por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?"
I. A força da indagação da fé: "Que diremos, pois, a estas
coisas?" Você observará que quando o apóstolo nos deu esta lista de
bênçãos celestiais, e especialmente aquela gloriosa aglomeração, tão ricamente
amontoada, como as plêiades no céu, da eterna onisciência, da predestinação, do
chamado, da justificação e da glorificação, ele então faz a pergunta, a qual eu
chamei de força de indagação da fé: "O que diremos então a estas
coisas?"
A. Posso não insistir com a mesma
pergunta sobre nós mesmos? O que diremos a estas coisas, ou melhor, o que a fé
em nosso peito nos dirá?
1.
Primeiro, diremos que elas não são verdadeiras? Mas, esta pergunta pode ser
necessária? Certamente não se pensaria, quando elas são tão claramente reveladas
em cada parte do volume inspirado; e ainda sabemos que em todas as épocas as
verdades gloriosas da eleição, da predestinação, do prévio conhecimento de Deus,
do chamado efetivo e da certeza da salvação para o povo eleito de Deus não só
foram negadas, mas combatidas com inimizade amarga e implacável. Mas, diremos
que estas coisas não são verdadeiras, porque foram assim negadas e feita
oposição a elas, quando elas brilham como um raio de luz, não somente através
de toda a Palavra de Deus, mas especialmente atendem ao nosso olho de crente
neste capítulo, como se estivessem iluminadas com a própria Luz da face de Deus
irradiando sobre elas? Não podemos dizer que elas brilham tão intensamente como
as estrelas no céu da meia-noite, de modo que lê-lo na fé é como olhar para o
próprio rosto do céu todo radiante com a refulgência celestial de mil constelações!
Cegos certamente devem ser aqueles que podem ler este capítulo e não ver
nenhuma beleza ou glória nele! E piores do que os cegos devem ser aqueles que veem
as verdades contidas nele, e as odeiam.
Mas,
espero que alguns presentes aqui as tenham visto tão claramente quanto Abraão
viu as estrelas no céu naquela noite memorável, quando o Senhor o trouxe para
fora e disse: "Olhe agora para o céu e conte as estrelas, se você é capaz
de enumerá-las ". Não, creram no seu divino doador com a mesma fé que
Abraão, então "creu no Senhor, e ele contou isto para a sua justiça" (Gn
15: 5, 6).
2. Mas,
diremos que, embora verdadeiras, devem ser retidas; que são verdades que podem
ser cridas no nosso quarto, mas nunca devem ser proclamadas no púlpito, para
que crentes fracos não tropecem, ou que ofendam muitos professantes da religião
que são muito sinceros, esfrie a seriedade dos inquiridores, ou acrescente
melancolia ao espírito perturbado dos filhos de Deus deprimidos? Devemos ouvir
tais objeções, vendo essas verdades celestiais como mistérios profundos que
nunca devem ser examinados ou procurados, como estando entre as coisas secretas
que pertencem a Deus? Podemos, digo, dar ouvidos a argumentos tão sutis que os
homens tão frequentemente empregaram para reter o que não podem negar, e lançar
um véu sobre o que seu coração aborrece interiormente?
Não! A fé não pode agir como uma
parte traiçoeira. Pelo contrário, a fé diz que estas coisas são reveladas na
Palavra de Deus com o propósito expresso de que elas possam ser cridas, e sendo
cridas que elas possam ser faladas, como se proclamado de cima dos telhados.
Não é isto tanto a fé como a expressão do apóstolo? "Ora, temos o mesmo
espírito de fé, conforme está escrito: Cri, por isso falei; também nós cremos,
por isso também falamos" (2 Cor 4:13). Que fé, então, interiormente crê
que a boca fala exteriormente; porque "pois é com o coração que se crê
para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação" (Romanos
10:10). Elas devem então ser proclamadas por todos os embaixadores de Deus como
uma mensagem celestial; e certamente são dignas de serem pregadas, como com a
voz dos querubins e dos serafins, até os confins da terra, para que sejam soadas
tão longe e largamente quanto como a trombeta de Deus.
3. Mas, não são perigosas? Será
que elas não levam à presunção? Que não inspirem uma confiança vã? Que elas não
endureçam o coração, e nos tornem descuidados quanto a trabalharmos nossa
salvação com temor e tremor? Sim, elas podem, a menos que o Espírito de Deus as
revele à alma. Elas podem, se tomadas por uma mão presunçosa; se levadas por
dedos não santificados pelo Espírito Santo, podem tornar-se muito prejudiciais;
como sem dúvida tem ocorrido em muitos casos. Mas, o abuso de uma coisa não
refuta seu uso. Não são os melhores dons de Deus na providência abusados por homens ímpios? Se
então as
doutrinas da graça são abusadas até
à
licenciosidade, isso não refuta nem a verdade nem a influência delas, se usadas corretamente.
Mas, a questão talvez
possa ser melhor resolvida por sua própria experiência, se de fato você as
recebeu em um coração crente sob o ensino e o testemunho de Deus, o Espírito
Santo. Você as encontrou perigosas; você que as recebeu da boca de Deus, e
sentiu o sabor e a doçura de seu Espírito que as envolveu em sua alma íntima?
Elas lhe fizeram presumir? Elas inspiraram a vã confiança em seu peito?
Endureceram a sua consciência, tornaram o pecado menos pecaminoso, o atraíram
para o mal ou o fizeram se apressar, em ousada rebelião, sobre o escudo de
Deus? "Não", você diz: "Eu senti que elas produzem em mim apenas
os efeitos contrários. Eu descobri que, como elas foram feitas espírito e vida
para minha alma, elas suavizaram meu coração, fizeram minha consciência terna, deram-me
uma santa reverência do nome de Deus e temor de pecar contra ele, e, na medida
em que senti seu poder, elas me humilharam, derreteram e me derrubaram em amor
e tristeza aos seus queridos pés". Então, como podemos dizer que são
perigosas como tendendo à presunção, se sentimos alguma coisa de sua eficácia e
poder, e sabemos, por experiência, que elas produzem autodesconfiança,
humildade, quebrantamento e temor divino?
4. Mas, elas não podem
levar ao pecado? Se cremos que somos eleitos, não podemos viver como desejamos,
e andar em toda a maneira de impiedade e maldade, como estando certos de nossa
salvação, seja lá o que fizermos ou o que quer que deixemos de fazer? Aqui,
novamente, devemos chegar à experiência espiritual. Será que o filho da graça
acha que elas têm essa tendência licenciosa, quando uma poderosa impressão de
sua verdade e bem-aventurança repousa sobre sua alma como uma nuvem de graça e
glória? Quando ele vê o Cordeiro sangrando na cruz; quando vê pelo olho da fé o
suor sangrento cair em grandes gotas da testa do Redentor querido no jardim
sombrio; quando o amor e a misericórdia revelam seus tesouros através dos
gemidos, dos suspiros e das agonias do Filho sofredor de Deus; pois este é o
canal pelo qual essas misericórdias vêm; é ao pé da cruz que essas bênçãos são
aprendidas; eu pergunto, quando o filho de Deus tem uma visão dessas preciosas
verdades, como seladas pelo sangue de um Salvador e testificadas pelo
testemunho do Espírito, ele descobre que o encorajam a viver pecaminosamente e,
assim, atropelam o sangue da cruz, e crucificam o Filho de Deus de novo, e o
expõem ao vitupério? Essas verdades vivas endurecem seu coração, tornam o
pecado menos odioso e a santidade menos desejável? Não; pelo contrário, cada filho
da graça que alguma vez sentiu a presença e o poder de Deus em sua alma, pode
dizer com verdade e sinceridade que essas preciosas verdades têm uma influência
santificadora, uma tendência santa, que removem o pecado em vez de conduzir ao
pecado; e que quanto mais ele vê e sente do amor moribundo de um Salvador, mais
ele odeia o pecado e mais ele se odeia como um pecador.
Que diremos, pois, a estas coisas? Não ousamos
dizer que elas não são verdadeiras; não ousamos dizer que não devem ser
proclamadas; não ousamos dizer que são perigosas; não ousamos dizer que são
licenciosas. Mas, o que diremos? Eu mostrei o lado negativo; eu não tenho nada
a dizer sobre o positivo? Devemos nos colocar inteiramente na defensiva?
Deixe-nos ver.
B. Dizemos então que elas são abençoadamente
verdadeiras. Mas, como sabemos que elas são abençoadamente a verdade? Será
porque as vemos, as lemos, as estudamos como escritas pela caneta do Espírito
Santo na Palavra de Deus? Essa é uma razão que eu admito livremente. Lá elas
são reveladas como com um raio de luz; lá elas brilham em toda a sua própria refulgência,
irradiando com uma clareza com a qual nenhuma pena humana poderia ter conseguido.
Mas, isso será suficiente? Eu não quero mais nenhuma evidência melhor? Estou
contente, até agora, disso; eu recomendo-o altamente, e sou frequentemente
obrigado a cair para trás nele como um suporte firme de encontro à
incredulidade ou à infidelidade. Mas, isso me satisfaz, satisfaz-me completamente?
Não vai. Quero algo mais forte, mais poderoso, mais convincente, mais
confirmador do que isso. Então o que eu quero? Quero saber que elas são as
verdades de Deus de uma maneira peculiar; uma maneira muito peculiar, tão
peculiar que ninguém pode conhecê-lo senão pelo poder do Espírito. Quero,
então, saber que elas são as verdades de Deus por uma dessas três maneiras
peculiares. Eu as chamo de maneiras peculiares, porque diferem umas das outras;
Não na natureza, mas em grau, e, portanto, são tão distintas.
1. O mais alto, o melhor e o mais abençoado modo de
conhecê-las é pelo TESTEMUNHO INTERNO do Espírito ao meu espírito que elas são
as próprias verdades de Deus e que eu, eu mesmo, tenho um interesse pessoal,
eterno e incontestável nelas. Se, então, o Senhor, o Espírito, fala
graciosamente no meu coração, e as revela com poder, unção e deleite à minha
alma, que é o próprio testemunho de Deus à sua realidade e bem-aventurança; e
este é o mais alto testemunho que podemos ter da verdade como está em Jesus,
pois é o ensino, o testemunho e o selo interior do Espírito; como lemos:
"O próprio Espírito testemunha com nosso espírito que somos filhos de
Deus" (Romanos 8:16); e, outra vez, "no qual também vós, tendo ouvido
a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido,
fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa
herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória."
(Efésios 1:13, 14).
Mas, não há outro conhecimento da
verdade, além disso? Podem todos se levantar para esta firme segurança e total
certeza? Todos recebem o testemunho completo do Espírito? Todos são favorecidos
com a doce certeza da fé? Todos conhecem o testemunho selador do Espírito de
Deus? Certamente não. Há muitos que realmente temem a Deus que não podem e não
se levantam na doce certeza da fé, nem têm o testemunho de selamento do
Espírito em seu peito, e ainda conhecem a verdade até onde o Senhor lhes
mostrou. Como, então, eles sabem disso? Existem dois tipos de conhecimento?
Não; não em espécie, mas há em grau, como o apóstolo fala disto: "E há
diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de
operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos." (1 Cor 12: 5, 6).
Eles podem conhecê-lo, então, por uma ou ambas as coisas, que sempre atendem à verdade de Deus,
como foi dado à alma por poder divino.
2. A primeira é que sempre que a
verdade vem com o poder divino no coração, ela LIBERTA. "Conhecereis a verdade,
e a verdade vos libertará" (João 8:32). Assim, pode haver aqui alguns que
não receberam o Espírito como selando a Palavra de Deus com o seu próprio
testemunho celestial sobre o seu peito, que ainda assim pode ter recebido até
agora o amor da verdade em seus corações como para experimentar algo de seu
poder libertador doce. Você nunca, no trono da graça, sentiu o poder da verdade
de Deus em seu coração comunicando a liberdade de acesso, encorajando você a
derramar sua alma diante do Senhor com algum testemunho interior de que suas
orações foram aceitas? Isso era exatamente o que Ana sentia quando uma palavra
da boca de Eli caiu com poder em seu coração. Libertou-a de sua tristeza e
deu-lhe um testemunho de que o Deus de Israel lhe concederia a petição que ela
lhe fizera. Isso lhe deu descanso e paz.
De novo, você nunca se sentou sob
o som do evangelho, sentiu um testemunho interior de que era verdade pela
liberdade que lhe dava de suas muitas dúvidas e medos prementes, seus desencorajamentos
e escravidão e apreensões culpadas? O sentimento pode não ter durado muito, mas
enquanto durou, foi em você um espírito de liberdade; pois "onde está o
Espírito do Senhor, aí há liberdade". E ainda que não se levantem à plena
certeza da fé, de modo a serem cheios de toda a alegria e paz na crença, porém,
tendo experimentado uma medida da influência libertadora da verdade de Deus
sobre o seu coração, poderão por o selo de que era a verdade, e que você tinha
recebido o amor dela em sua alma.
3. Mas, há outra maneira também
pela qual podemos conhecer essas preciosas verdades em vitalidade e poder; e
isto é, pela influência SANTIFICANTE que produzem sobre a alma sob a unção do
Espírito Santo. "Santifica-os através da tua verdade", disse o nosso
bendito Senhor ao seu Pai celeste, na sua oração de intercessão pelos seus
discípulos; "Sua palavra é a verdade" (João 17:17). Sempre que a
palavra da verdade chega em casa com poder ao coração, ela carrega consigo uma
influência santificadora. Ela atrai as afeições para cima; fixa o coração nas
coisas celestiais; Jesus é visto pelos olhos da fé à direita de Deus, e todo
desejo terno de um seio amoroso flui para ele como "o capitão entre os dez
mil e totalmente amável". Esta visão de Cristo, como o Rei em sua beleza,
tem uma influência santificadora sobre a alma, comunicando sentimentos santos e
celestiais, subjugando o poder do pecado, separando-nos do mundo e dos objetos
mundanos, e trazendo em cativeiro todo pensamento para a obediência de Cristo.
Agora basta ver se você sabe
alguma coisa sobre o poder e a preciosidade da verdade celestial por uma
experiência com ela em qualquer uma dessas três maneiras diferentes; o
testemunho do Espírito para o seu espírito em seu testemunho selador; ou tendo
sentido sua influência libertadora; ou conhecendo seus efeitos santificadores.
Não é verdade que essas três evidências nunca podem ser separadas, mas pode
haver nelas diferentes graus, como estágios do testemunho divino. Mas, se
encontrar estas três evidências, ou alguma delas, no seu seio, o que você dirá
a estas coisas? Você responde: "Que elas são abençoadamente verdade, pois
senti seu poder em meu próprio coração." O que quer que outros possam
dizer a elas, ou delas, que elas são falsas, ou devem ser retidas, ou perigosas,
ou perniciosas, você pode levantar-se diante de Deus e do homem com uma
consciência honesta e destemida e testemunhar a sua divina realidade.
C. Mas,
mais uma vez, o que mais diremos a essas coisas? Por que, diremos delas que são
extremamente adequadas às necessidades e desgraças de um pecador carente; que
neste capítulo há tudo adaptado às necessidades de alguém verdadeiramente
convencido de seus pecados e completamente sensível de sua condição perdida e
arruinada; que é atraído pelo poder de Deus para o escabelo da misericórdia, e
chega ao trono da graça para obter misericórdia e encontrar graça para ajudar
em tempo de necessidade. Quão apropriado para um pecador culpado e condenado é
a declaração de que "não há condenação para os que estão em Cristo
Jesus". Quão adequado é o testemunho de que a lei do Espírito de vida em
Cristo Jesus o libertou da lei do pecado e da morte. Como adequado aos tais
que, como muitos são guiados pelo Espírito de Deus, que eles são os filhos de
Deus. Como é adequado a eles que o Espírito ajuda as suas enfermidades,
ensina-lhes como orar, e ele mesmo intercede por eles e neles com gemidos que
não podem ser proferidos. Quão adequado é para eles que todas as coisas
trabalham juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, e são chamados de
acordo com seu propósito. Não quero dizer que o pecador pobre e convencido
possa apoderar-se dessas bênçãos até que sejam trazidas ao seu coração pelo
poder de Deus, mas eu estou mostrando-lhe a sua adequação aos seus desejos e
aflições; e se sua fé não pode elevar-se para o gozo espiritual delas, ele
ainda pode acreditar em sua conveniência excessiva para sua condição
desesperada e miserável.
D. Mas,
a fé vai além de sua adequação quando atraídos para o exercício vivo sobre elas,
e é capaz de, em certa medida, realizá-las e se apropriar delas. A fé, então, os
vê como ricos em conforto e cheios de doce consolo. Pois quão consolador é para
uma alma abatida acreditar que não há condenação para ela de uma lei condenatória,
da santidade de Deus, da sua tremenda justiça e da sua terrível indignação,
como estando em Cristo Jesus a salvo de toda tempestade. Que consolo para o
pobre e desolado filho de Deus, é encontrar e sentir que a lei do Espírito de
vida em Cristo Jesus o liberta da lei do pecado e da morte em sua mente carnal,
que é sua praga constante e vexação diária; como é reconfortante acreditar que
ele está sob as orientações do Espírito abençoado, e, portanto, tem uma
evidência de ser um filho de Deus. Quão cheio de consolo é encontrar o Espírito
ajudando as suas fraquezas e intercedendo por ele com gemidos que não podem ser
proferidos.
E não é isto também, repleto de
consolação para todo aquele que ama a Deus - acreditar que todas as coisas, por
mais dolorosas ou angustiantes que sejam para com a carne, estão trabalhando
juntas para seu bem? Que consolo também existe na crença de que, sendo chamado
de acordo com o propósito de Deus, tem um interesse salvador em sua Onisciência
eterna, sua predestinação fixa e imutável,
de modo que nada pode mudar os propósitos de misericórdia e graça que Deus tem
para com ele! Quão abençoado é o pensamento e a doce certeza de que ele é
justificado livremente pela imputação da justiça de Cristo e, em certo sentido,
já foi glorificado por ter recebido no seu seio uma medida da glória de Cristo!
E. Mas, ainda, a fé diz:
"Quão GLORIFICATIVAS são essas verdades divinas para Deus!" Como elas
colocaram a coroa sobre a cabeça do Mediador, a quem só pertence, e cuja glória
enche os céus. Visto corretamente, cada elo nesta corrente celestial traz
glória ao Deus e Pai do Senhor Jesus Cristo. Quão glorioso é Deus por libertar
o pecador de toda condenação, em Cristo Jesus. Como é glorioso Deus por dar-lhe
o Espírito para ajudar suas fraquezas e ensinar-lhe como orar. Quão glorioso é
Deus por fazer todas as coisas trabalharem em conjunto para o seu bem. Assim,
eu poderia percorrer toda a cadeia do começo ao fim e mostrar como a glória de
Deus é refletida, com um esplendor celestial de todas as partes, mas não posso
deixar de mencionar o último elo que une a Igreja de Deus com o trono da glória;
por quão glorioso que é, nem a morte, nem a vida, nem as coisas presentes, nem
as coisas vindouras, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra
criatura poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso
Senhor.
Assim, a Fé responde à indagação
juntando a seu peito estas verdades gloriosas e celestiais, e diz: "Quão
apropriadas são a todos os meus pecados e tristezas, como destilam consolação
no meu espírito sobrecarregado, quão bem adaptadas estão a cada estação das
trevas e como caem no gemido do espírito no primeiro grito de misericórdia, e
como elas voam com a mais doce certeza, como se levadas sobre as asas das
águias até a própria porta do céu! E se a fé pode dizer isso, o que mais pode
ou precisa a fé dizer? Esta é, então, a resposta da fé à pergunta: “O que
diremos a estas coisas?” A fé tem falado, se eu ouvi e interpretei corretamente
a sua voz; e que possa essa voz encontrar um eco responsivo em cada coração
crente aqui presente.
II. Em seguida chegamos à firme
posição da fé.
A fé encontrou nestas verdades
celestiais um terreno firme sobre o qual pode plantar o pé; pois somente assim
que a fé pode estar sobre este terreno firme, que ela pode levantar sua
poderosa voz e enviar o desafio por toda a criação, "se Deus é por nós,
quem pode ser contra nós?"
Que palavras são essas! Como o
apóstolo aqui parece lançar a luva para lançar um desafio contra o pecado,
Satanás e o mundo; para ficar com o pé firme sobre a base do amor eterno de
Deus e, na confiança da fé, olhar impiedosamente no rosto todos os inimigos e
todos os temores, e dizer com ousadia a todos, como se desafiando-os a fazer o
seu pior: "Se Deus é por nós, quem pode ser contra nós?"
A. Mas, a pergunta pode surgir em
muitos corações palpitantes: "Deus é por MIM? Sei que Deus é por mim,
ninguém pode ser contra mim, mas eu também sei", acrescenta o coração
trêmulo "se Deus é contra mim, então ninguém pode ser por mim." Você
fala corretamente. Se Deus é por você, nem todos os homens da Terra nem todos
os demônios do inferno podem manter sua alma fora do céu. Mas, se Deus está
contra você, nem todos os homens da terra, nem toda a absolvição dos sacerdotes
podem manter sua alma fora do inferno. Este é, portanto, o ponto; o ponto
restrito a ser decidido na consciência de cada homem: "Se Deus é por nós,
quem pode ser contra nós?" Mas, se Deus está contra nós, quem pode ser por
nós? Pegue ambos os lados; olhe cada face da moeda. Há uma vitória e há uma
derrota; há uma vitória da coroa e há uma perda para sempre. Examine, então,
ambos os lados; veja em qual você está; e antes que levante a sua voz e diga:
"Se Deus é por nós, quem será contra nós?" Obtenha um fundamento
firme para seus pés, para que estejam sobre a rocha e não sobre a areia. Tenha
um claro testemunho de que Deus é por você; e então você pode olhar um mundo
franzido na cara, lançar desafio a Satanás, e apelar para o evangelho contra a
lei, e para o sangue da aspersão contra uma má consciência. Eu, então, como o
Senhor possa permitir, olho para ambos os lados e mostro no que é que Deus está
contra você e no que Deus é por você; e então será capaz de ver até onde pode
juntar mão na mão com a fé como ela está em cima do terreno vantajoso do texto,
e erguer a sua voz alta em união com a dela, "Se Deus é por nós, quem pode
ser contra nós!"
1. Você
está no mundo? Então Deus não é por você, pois você não é por Deus. Podemos
estabelecer isso como um princípio amplo, que aqueles que são por Deus, Deus é
por eles; e que aqueles que são contra Deus, Deus é contra eles. Esse é o
princípio amplo, que é estabelecido na Palavra infalível da verdade como um
critério rígido, do qual não há desvio. Mas, deixe-me explicar-me um pouco mais
claramente. Por estar no mundo, não quero dizer estar envolvido em negócios ou
em qualquer chamado legal, pois todos temos que estar, ou pelo menos a maioria
de nós, para ganhar o nosso pão de cada dia, quer pelo suor da nossa testa ou o
suor do nosso cérebro. Podemos estar no mundo, mas não ser do mundo; pois, como diz o apóstolo, precisaríamos
sair do mundo, se não temos nada a ver com ele. Mas, eu quero dizer estar no
mundo com nosso coração e afeições de modo a amá-lo e senti-lo para ser o nosso
próprio lar e elemento. João não diz? "Se alguém ama o mundo, o amor do
Pai não está nele" (1 João 2:15); e Tiago não declara na linguagem mais
forte o que é a amizade do mundo? "Infiéis, não sabeis que a amizade
do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do
mundo constitui-se inimigo de Deus."
(Tiago 4: 4). Se, então, você é um amigo do mundo, você é um inimigo de Deus; e
se é inimigo de Deus, está contra Deus; e certamente, em seu estado atual, Deus
está contra você. Mas, o que você fará no dia da visitação? Como será com você
no leito da morte? E como você estará diante do tribunal do Altíssimo no dia
grande e terrível, se você viver e morrer inimigo de Deus?
2. Você
está vivendo em pecado? Você é culpado de práticas ímpias secretas ou
abertamente? A luxúria da carne, a luxúria dos olhos e o orgulho da vida
prevalecem, não só em seu peito, mas em sua conduta? Então, certamente Deus não
é por você; porque você é contra Deus. Porque todas estas coisas "não são
do Pai, mas do mundo, e o mundo passa, e a sua concupiscência, mas aquele que
faz a vontade de Deus permanece para sempre".
3. Você
está morto em delitos e pecados? Nenhuma obra de graça jamais passou sobre seu
coração? Então você é um inimigo e um estrangeiro, e isso por obras perversas;
e se é um inimigo e um estrangeiro, Deus não é por você, pois você não é por
Deus. Você está em aliança com os inimigos de Deus, pois o que é um inimigo
para Deus como o pecado; aquela coisa má que ele odeia? Se, então, está com as
mãos e os pés ligados em carnalidade e morte, você está caído em toda a culpa e
ruína da queda de Adão, Deus está contra você, e será sempre contra você, a
menos que ele tenha algum propósito secreto de misericórdia para você ainda não
revelado em seu estado presente. Deus é certamente contra você; porque que
amizade ou união pode haver entre um Deus vivo e uma alma morta em pecado?
4. Você
é um inimigo da verdade de Deus? Será que as coisas que trago nesta noite são
odiosas para o seu coração? Acenderam inimizade, aversão e rebelião em seu
peito quando eu as trouxe à sua consideração, e fizeram você quase me odiar por
ter soado em seus ouvidos? Como então você pode acreditar que Deus é por você,
se você odeia a verdade de Deus, e é tão ousado como realmente negar, o que
você deve fazer para se justificar, o que está escrito na Palavra de Deus como
com um raio de luz divina? Você não está se manifestando como um inimigo de
Deus se você é um inimigo da verdade de Deus, e lutando com malícia em seu
peito contra a sua santa Palavra? Então Deus está contra você.
5. Você
está mostrando alguma inimizade contra o povo de Deus, os servos de Deus, ou os
caminhos de Deus? Então Deus está contra você, porque todas estas coisas lhe
são caras como a menina dos seus olhos; e se Deus está contra você, como pode
sonhar por um momento que ele será sempre por você, a menos que haja uma mudança
poderosa, tão poderosa que todas estas coisas velhas passem, e todas as coisas
se tornem novas?
B. Mas,
vou deixar esta parte do nosso assunto. É uma parte, e uma parte muito
necessária do meu ministério, que eu deveria incitar essas coisas sobre a
consciência e, assim, dividir corretamente a Palavra da verdade e "tirar o
precioso do vil", e assim ser como a boca de Deus, se talvez o Senhor
possa aplicar a palavra de advertência com poder ao coração de algum pobre
pecador. Mas, deixe-me, antes, chegar a uma parte mais agradável do assunto e
mostrar quem está do lado de Deus, por quem Deus é, e que, assim favorecido e
abençoado, pode estar no firme fundamento da fé de que tenho falado.
Tomando,
então, a ampla linha de verdade que acabo de estabelecer, podemos extrair desta
conclusão, que se você é por Deus, Deus é por você.
Esta verdade primária tendo sido
estabelecida como um princípio amplo, tenho agora de trabalhá-la em harmonia
com as Escrituras e com a experiência dos santos, pois de outra forma poderemos
cair em alguns erros perigosos. Muitos acreditam que são por Deus, e no
entanto, seus princípios e prática não contradizem cada parte da Palavra de
Deus? O bendito Senhor mesmo disse a seus discípulos que chegaria o tempo em
que quem os matasse pensaria que fazia o serviço de Deus. Quando os zifeus
vieram a Saul prometendo entregar Davi na mão do rei, ele os abençoou em nome
do Senhor (1 Samuel 23:21). E o seu homônimo perseguidor não pensou em si mesmo
que deveria fazer muitas coisas contrárias ao nome de Jesus de Nazaré? (Atos
26: 9).
Assim, os pensamentos dos homens
não são um guia seguro e o zelo dos homens não garante que eles estão fazendo a
obra do Senhor ou que são por Deus, pois quando chegamos a resolver o problema
e a manifestar em todos os seus diferentes rumos, logo veremos que há para isso
autoengano, ilusão religiosa e zelo supersticioso, nenhum dos quais se colocam
diante da luz da verdade ou do ensinamento de Deus no coração. Vejamos, pois,
este importante assunto à luz do testemunho da Palavra e do Espírito no nosso interior.
Posso quase usar as palavras de Jeú aqui, quando ele veio como o servo vingador
do Senhor, e, levantando a minha voz, dizer: "Quem está do lado do Senhor?”
ou, para falar em linguagem mais simples: "Quem dentre vocês é por
Deus?" Deixe-me dar-lhe algumas marcas pelas quais você pode saber o
estado do caso.
1. O Senhor sempre por seus
próprios lábios deu-lhe um testemunho de que ele é por você? Mas, olhe para a
conexão do nosso texto; "Se Deus é por nós, quem pode ser contra
nós?" Você vai observar que ele está falando não geralmente e
universalmente, mas de um certo número, a quem ele chama de "nós".
Agora, se você rastrear a conexão, você verá que por "nós" ele se
refere àqueles que amam a Deus; àqueles que foram conhecidos de Deus em
presciência eterna, predestinados por decreto eterno, chamados pelo despertar
da graça, justificados pela imputação da obediência de Cristo, e glorificados
pelo recebimento de seu Espírito. Estes são o "nós" por quem Deus é.
Então, olhe estas coisas à luz do
testemunho, como Deus as revelou aqui, e tome o seguinte como sua primeira
marca e evidência: "E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem
daqueles que amam a Deus". Amar a Deus é, então, uma grande e essencial
evidência de que ele é por nós. Agora olhe e veja se, à luz deste testemunho
exterior, você pode encontrar qualquer evidência em seu seio à luz do
testemunho interior de que você ama a Deus. Você diz, talvez, "Eu espero
que eu ame", ou "Eu ficaria muito triste se eu não amasse", ou
"em que você me leva a pensar que eu não amo a Deus?" Mas, isso pode
ser apenas esgrima com a questão e fugir do ponto da espada.
Permitam-me ainda mais perguntar:
Seu amor foi derramado em seu coração? Jesus foi sempre precioso para a sua
alma? Pode dizer, com Pedro; pode dizer com um coração trêmulo e sincero;
"Senhor, você sabe todas as coisas, você sabe que eu te amo?" Seu
nome foi para você como o unguento derramado? As suas afeições estavam sempre
fixadas nele como o chefe entre dez mil e o totalmente amável? E embora isso
possa ter sido mais profunda e poderosamente sentido anos atrás, e você pode
ter deixado seu primeiro amor, ainda têm as impressões de sua beleza e
bem-aventurança sido tão forjadas na própria substância de sua alma, que você sente
de vez em quando o fluir de afeição para com ele sob aqueles graciosos
avivamentos com os quais o Senhor se agrada de lhe favorecer? Se você pode
colocar sua mão sobre essa evidência, Deus é por você.
2. Mas, nem todos podem colocar a
mão com a mesma firmeza sobre esta grande evidência distintiva. Pegue outra,
então, em conexão com nosso texto; "Chamado de acordo com o propósito de
Deus." Você tem algum testemunho de que Deus lhe chamou pela sua graça,
vivificou a sua alma na vida divina, lhe resgatou da maldição de uma lei
condenatória, lhe deu o arrependimento pelos seus pecados, levantou um suspiro
e um clamor no seu peito para um sentido de seu amor perdoador, lhe trouxe ao
escabelo da misericórdia, dando-lhe fé para crer em seu querido Filho, com alguma
doce esperança de que ele começou uma obra de graça em seu coração? Você pode olhar
para trás em algum período para nunca ser esquecido quando o Senhor, por sua
graça especial e onipotente, vivificou sua alma na vida divina? Pois creio que
nunca podemos esquecer as primeiras sensações do Espírito de Deus em seus
movimentos vivificantes sobre a alma; quando ele, usando a figura de Moisés,
flutua sobre ela como uma águia que agita seu ninho, infundindo e comunicando
uma vida nova e celestial, como quando na criação ele se moveu sobre a face das
águas, comunicando a vida e a energia ao caos.
Certamente, se alguma vez
sentimos a poderosa mão do Senhor sobre nós, nunca poderemos esquecer o momento
memorável em que ele primeiro se propôs a comunicar luz e vida divinas às
nossas almas mortas, derramar sobre nós o Espírito de graça e de súplicas, para
nos separar do mundo, para nos levar a seus pés com confissões e súplicas,
abrindo e revelando realidades eternas com um peso e um poder que elas entraram
em nossos mais profundos e mais íntimos pensamentos e sentimentos. Você pode
olhar para trás para esse tempo? Espero poder agora, mais de trinta e cinco
anos atrás. Então Deus é por você; e se Deus é por você, então você pode, como
ele é feliz para fortalecer a sua fé, olhar diretamente através dessa cadeia
abençoada com todos os seus elos celestiais, e ver como ele antes de conhecê-lo
antes da fundação do mundo, escreveu o seu nome no Livro da Vida.
3. Mas, na medida em que você
pode ver claramente o seu chamado pela graça, você também pode ver a sua
justificação, pois "aos que chamou a estes também justificou", o que
nos leva a outra evidência para apontar aqueles por quem Deus é. Este é um
ponto que precisa de algum exame, pois dele depende o seu título para o céu.
Porventura, vocês já viram a Cristo pelos olhos da fé como lhes justificando de
todas as coisas "das quais não podiam ser justificados pela lei de
Moisés?" Quais são as suas opiniões e sentimentos sobre este ponto
importante? Você já acreditou na justiça de Cristo e a vê pelos olhos da fé
como a obediência ativa e passiva do Filho encarnado de Deus? Alguma vez você o
recebeu como sua vestimenta justificativa; e lançando de lado e renunciando a seus
próprios trapos imundos de justiça própria, alguma vez estendeu a mão direita
da sua fé e a lançou, por assim dizer, sobre o Seu manto de cobertura? Você já
sentiu a sentença de justificação em seu peito, de modo a ver-se completo em
Cristo sem mancha ou rugas, ou qualquer coisa semelhante? Então Deus é por você.
4. Você já sentiu alguma medida
de glorificação? Pois isso se segue à justificação: "A quem ele
justificou, a estes também glorificou". Mas, você talvez diga: "Eu
pensei que isso era somente para o futuro, e que agora devemos sofrer com
Cristo para que possamos ser glorificados juntamente". Isso é verdade; e
ainda, em certo sentido, Deus glorifica seu povo aqui embaixo. O Senhor não
disse de seus discípulos a seu Pai celestial? "E a glória que me deste, eu
lhes dei;" Não "Eu lhes darei", mas "Eu dei", já tenho
dado. Pedro também não diz? "Se pelo nome de Cristo sois vituperados,
bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito
de Deus." (1 Pedro 4:14). Nós também não lemos? "O Senhor dará graça
e glória" (Salmo 84:11); como se estivessem tão ligados que são dados
juntos; como bem se disse: "A graça é a glória iniciada e a glória é a
graça terminada".
Quando Cristo, então, é revelado
à alma, uma medida de sua glória desce ao peito, como o apóstolo fala
lindamente; "Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um
espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma
imagem, como pelo Espírito do Senhor." (2 Coríntios 3:18). Então, você já
sentiu uma medida daquela glória celestial descendo em seu seio, como
"Deus que ordenou que a luz brilhasse das trevas brilhasse em seu coração,
para dar a luz do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo”? Se
você pode olhar para trás sobre qualquer visitação dessa natureza de Deus,
então você pode levantar um testemunho abençoado que Deus é por você.
Chamada, justificação e
glorificação são as três grandes evidências da posse da vida eterna; e na falta
destas evidências o filho da graça nunca pode realmente descansar. Ele pode ter
suas esperanças e expectativas, estar olhando para dias melhores, e às vezes se
sentir quase seguro de sua eterna segurança, mas sem uma evidência completa e
clara de seu chamado celestial, sua plena justificação e sua eterna
glorificação, ele nunca pode descansar satisfeito nem ter certeza de que Deus é
por ele.
Mas, agora vem o abençoado
terreno da fé: "Se Deus é por nós, quem pode ser contra nós?" O
apóstolo quer dizer aqui que ninguém é contra os santos de Deus? Que todos os
homens e todas as coisas estão a seu favor? Que eles velejam para o céu com uma
maré fluida e um vento próspero, e chegam à costa celeste com apenas um
vendaval adverso? Não; ele não pode, ele não quer dizer isso; pois tal visão
contradiria todo o testemunho de Deus. Mas, quando ele faz este desafio triunfante,
o que ele quer dizer é: Quem pode estar contra eles para lhes causar algum dano
real permanente? Quem pode estar contra eles para arrancá-los da mão de Deus?
Quem pode ser contra eles para derrotar os propósitos de Deus, e desatar o nó
da predestinação que os prendeu tão firmemente, tão indissoluvelmente ao trono
eterno? Quem pode ser contra eles para que sua vocação, sua justificação e sua
glorificação sejam todos desfeitos e anulados, e que eles devem perecer em seus
pecados? Esta é a essência de seu desafio; não que nenhum deles seja contra
eles, mas que nenhum terá sucesso em seus projetos maliciosos. Vamos, então,
correr sobre algumas das coisas que estão contra eles, e ainda nenhuma das
quais, eventualmente, possa prejudicá-los.
1. O
mundo está contra eles, mas isso não pode machucá-los, pois já é um inimigo
batido. "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o
mundo." (João 16:33). E nós também o venceremos no Senhor e por ele.
"Porque todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a
vitória que vence o mundo, a nossa fé" (1 João 5: 4). Se nós saímos do
mundo, entregamo-nos a Cristo e manifestamos nossa fé por uma vida piedosa, o
mundo não pode ser nosso amigo. E por que? Porque o condenamos. Esta foi a vitória
de Noé, que, "movido com temor, preparou uma arca para a salvação de sua
casa, pela qual condenou o mundo" (Hb 11: 7); pois cada prego que ele
dirigia para dentro da arca testemunhava sua separação e condenação do mundo,
como estando sob a ira de Deus. Se então, como Noé, se moveu com temor a Deus,
estamos preparando uma arca; a arca de Cristo; para salvar a nossa alma,
condenaremos assim o mundo; e como esta é uma ofensa que o mundo não pode
suportar, ele se levantará em armas contra nós, e no máximo de seu poder,
caluniará, perseguirá e, se pudesse, nos destruiria. Não devemos esperar melhor
tratamento do que nosso Senhor e Mestre. "Se chamaram o senhor da casa de
Belzebu, quanto mais chamarão os de sua casa?"
2. Mas
são todos os professantes filhos de Deus por nós? Ora, sabemos que alguns dos
inimigos mais amargos que tivemos de encontrar foram aqueles que professam
estar do lado do Senhor. Os professantes de religião sempre foram os inimigos
mais mortíferos dos filhos de Deus. Quem eram tão contrários ao Senhor bendito
quanto os escribas e fariseus? Não era o povo em geral, mas seus professantes
religiosos e líderes que crucificaram o Senhor da glória. E assim, em todas as
épocas, os religiosos da época foram os perseguidores mais ardentes e amargos
da Igreja de Cristo. Nem o caso é alterado agora. Quanto mais os filhos de Deus
são firmes na verdade, quanto mais desfrutam de seu poder, mais vivem sob sua
influência, e quanto mais terna e conscienciosamente caminham com temor
piedoso, mais a geração professante do dia os odeia com um ódio mortal.
Não
pensemos que podemos desarmá-los por uma vida piedosa; porque quanto mais
andarmos no doce gozo da verdade celestial e deixarmos a nossa luz brilhar
diante dos homens como tendo estado com Jesus, mais isso aumentará seu ódio e
desprezo.
3. Mas o que é muito mais
difícil de suportar, até os próprios santos de Deus às vezes podem ser contra
nós; e contra nós às vezes justa e corretamente, às vezes injusta e
erradamente. Nós podemos ser deixados em um momento mau para dizer ou fazer
coisas que podem trazer o franzir de olhos dos santos de Deus sobre nós, e seu
franzir é também justo. De uma caminhada inconsistente, de uma conduta
imprópria, devemos justamente incorrer no descontentamento e desaprovação dos
santos de Deus; e assim a própria família de Deus pode ser justamente contra
nós, e não agir fielmente a Deus ou fielmente à sua própria consciência, se
eles fossem por nós.
A religião não é coisa de
festa. Seu próprio caráter, como sendo "de cima", é ser "sem
parcialidade e sem hipocrisia". Não devemos esperar, portanto, que os
santos de Deus aprovem nossos maus feitos e se unam a nós contra o Senhor; eles
têm reivindicações mais elevadas do que nossa amizade ou favor, e só podem
estar do nosso lado quando estamos do lado do Senhor. Se a nossa consciência
for sensível, sentiremos isso com agudeza; e embora a nossa carne possa se
encolher de suas repreensões, contudo acharemos no final uma bondade e "isso será
como óleo sobre a nossa cabeça"
(Salmo 141: 5), para amaciar nosso coração em contrição e confissão .
Mas, às vezes os santos
estão injustamente contra nós. O preconceito, o orgulho, a inveja, o ciúme, a
desconfiança infundada, a má vontade e a miserável inimizade da mente carnal
podem funcionar no peito do santo de Deus e exalar-se em atos de maldade ou palavras
que profundamente cortam e ferem nosso espírito . Pois, como Deer diz: "Do
pecador e do santo, ele encontra muitos golpes". Ainda assim, a fé ainda
pode assumir a palavra, "Se Deus é por nós quem pode ser contra nós?"
4. Mas,
ainda, a lei de Deus não é contra nós? Ela não requer perfeita obediência? Não
amaldiçoa e condena não só toda palavra e ação ímpias, mas também todo
pensamento ímpio, pois "O desígnio do insensato é pecado" (Provérbios 24: 9). Mas, ela será tão
contrária ao santo de Deus como para condená-lo ao inferno? Se o nosso bendito
Senhor cumpriu a lei, suportou a maldição, obedeceu-a em todas as suas
exigências e é "o fim da lei para a justiça de todo aquele que crê"
(Rm 10: 4), que acusações por sustentar contra o santo de Deus para sua condenação
eterna? Pode-se exigir uma dívida já paga, "Primeiro com as mãos de meu
Sangrento Fiador, e depois com as minhas?"
Qual é
o primeiro som da trombeta do evangelho que discursa tão doce música durante
todo este capítulo? "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que
estão em Cristo Jesus". E se é "nenhuma condenação", a lei não
pode ser ouvida quando falaria contra ele no tribunal da Justiça diante da
Majestade Soberana do céu.
5. Mas
nem mesmo sua própria consciência está contra ele? Eu livre e honestamente
confesso que muitas vezes tenho uma consciência culpada; e eu sei que quando
este é o caso é mais contra mim do que qualquer um no mundo. Sua voz interior
fala mais alto do que qualquer exterior. Poucos ministros, em nossos dias pelo
menos, tiveram mais coisas ruins ditas e escritas contra eles do que eu; e, no
entanto, nenhum de seus discursos difíceis se preocupou, embora pudessem ter-me
irritado, quando a minha própria consciência não acrescentou seu testemunho
silencioso. E a razão é, porque quando a consciência está contra mim eu não
posso acreditar que Deus é por mim. Admiro muito o que o Espírito Santo fala
pela caneta de João. Ele assume dois casos; um onde a consciência nos condena,
e o outro onde não nos condena; e ele faz uma provisão graciosa para cada caso:
"porque se o coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e
conhece todas as coisas. Amados, se o coração não nos condena, temos confiança
para com Deus" (1 João 3:20, 21).
Agora,
considere o primeiro caso como aplicável ao nosso ponto atual; uma consciência
condenatória. Que graciosa provisão existe para isso? "Deus é maior do que
o nosso coração, e sabe todas as coisas." Seu amor no dom de seu querido
Filho; seu livre perdão de todos os nossos pecados, embora seu sangue
expiatório, e plena justificação de nossas pessoas por meio de sua justiça; sua
aceitação de nós no Amado; e seu propósito irreversível de salvar; em todas
essas indizíveis misericórdias "Deus é maior do que nosso coração",
que, pela culpa, afunda na dúvida e no medo; e "ele sabe todas as
coisas", de modo a purificar uma consciência culpada pela aplicação do
sangue expiatório e do amor do perdão. E ele sabe também quais são os desejos
reais de nosso coração para com ele mesmo, em meio e sob toda a condenação de
uma consciência culpada, e que ainda lhe soa verdadeiro abaixo de tudo. No
outro caso mais feliz em que o coração não condena não posso entrar agora.
O que, então, permanece, se nem o
mundo, nem o professante, nem mesmo o santo, nem uma lei condenatória, nem uma
consciência culpada; se nenhum deles individualmente, nem todos eles
coletivamente são ou podem ser contra nós, quem ou o que permanece que devemos
temer? Não devemos nós, se sabemos alguma coisa dessas verdades pelo
ensinamento divino e pelo testemunho divino, permanecer com fé em nossa própria
posição firme; e não em presunção arrojada, mas em santa, humilde confiança,
mansamente e em silêncio dizer: "Se Deus é por nós, quem pode ser contra
nós?"
Quanto à minha própria
experiência, desde que fui chamado para o campo de ação para combater o bom
combate da fé, não tenho muito medo do homem. Espero no Senhor, pelo menos em
certa medida, tenha lutado arduamente pela fé que uma vez foi entregue aos
santos, libertando-me do medo do homem que traz um laço. Mas, francamente,
confesso que por um só temor; muitas vezes tenho tido muito medo de Deus.
Espero que tenha plantado no meu coração um medo filial de seu grande nome,
mas, misturado com isso, muitas vezes encontrei e senti muito medo servil; esse
miserável medo do qual João realmente diz que "tem tormento"; pois
creio que atormenta mais ou menos toda a família de Deus. Mas, há também um
remédio abençoado para isso; o amor de Deus que o elimina; não para nunca
voltar, mas de seu lugar de influência e poder prevalecentes. À vista, então,
de todos os inimigos subjugados ou silenciados, não digamos: "Se o Senhor
é por nós, quem, na terra ou no inferno, pode ser contra nós?"
III. Mas, agora chegamos ao
ARGUMENTO SÓLIDO DA FÉ; pois a fé pode argumentar; na verdade não de acordo com
a lógica das escolas; não de acordo com o sistema de Aristóteles que aprendi em
Oxford, nem de acordo com as demonstrações matemáticas estudadas em Cambridge,
mas com aquela lógica celestial de que Jó fala quando diz: "Ah, se eu
soubesse onde encontrá-lo, e pudesse chegar ao seu tribunal! Exporia ante ele a
minha causa, e encheria a minha boca de argumentos” (Jó 23: 3, 4). Aqui está o
argumento da fé: "Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou
por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?"
A. Vamos ver se não podemos, com
a ajuda de Deus e sua bênção, reunir a substância do argumento convincente da
fé aqui. Qual é a sua base firme! O dom do próprio Filho de Deus. Mas, observem
comigo a maneira pela qual o Espírito Santo, pela caneta do apóstolo, expressa
este dom e marca a sua linguagem; "Aquele que não poupou o seu próprio
Filho". Não quero me debruçar sobre estas palavras no espírito da
controvérsia, mas no espírito da verdade; contudo, não posso deixar de chamar a
sua atenção para a forma surpreendente em que o nosso bendito Senhor está aqui
descrito; e quem, eu peço, que lê essas palavras com um olho imparcial pode
negar que o Senhor Jesus é mencionado aqui como o próprio Filho de Deus? Marca
a beleza, a força, o caminho requintado que alcança o coração mesmo nas
palavras "seu próprio filho!" Negar que nosso bendito Senhor é o
próprio Filho de Deus; dizer que ele não é o seu próprio peculiar, como
literalmente significa a palavra, seu próprio Filho e unigênito, e onde está a
força e a beleza do argumento? Que cai, como o orvalho do céu, em um peito de
fé, "Aquele que não poupou seu próprio Filho?"
Como esta palavra de graça e
verdade parece levar nossos pensamentos crentes nos próprios tribunais de
bem-aventurança antes que o tempo se fosse, ou os dias conhecessem seu lugar!
Como nos dá uma visão do Filho de Deus que repousa no seio de seu Pai desde a
fundação do mundo! E como nos dá a ver, se assim posso dizer, a luta no seio do
Pai entre segurar o seu próprio Filho no seu seio e abandoná-lo. "Aquele
que não poupou a seu próprio Filho"; como se, por assim dizer, existisse
no seio de Deus que o teria poupado, se pudesse ter feito isso. Se houvesse
outro caminho pelo qual a Igreja pudesse ter sido salva, o pecado perdoado, a
lei engrandecida e a justiça de Deus glorificada, esse Filho teria sido
poupado. Mas, não havia outro caminho possível senão dar o seu Filho; e
portanto, mais cedo do que a lei devesse ser violada, seus atributos violados,
e a Igreja eternamente perdida, "Ele não poupou seu próprio Filho".
Ó, criaturas descontentes e
descrentes, miseráveis, posso quase chamá-los, cavalheiros que disputam e negam
o mais sublime mistério de piedade que sempre Deus revelou ou o homem crê, o
que vos digo? Ó vocês que viram e conheceram a beleza e a bem-aventurança, a graça
e a glória do unigênito do Pai, vocês que acreditam, amam e adoram-no, em vez
de procurar roubá-lo de seu direito eterno e de seu nome mais querido. Mas, se
o próprio testemunho de Deus não pode convencê-lo, como será o meu? Admito que
é um mistério mas, "grande é o mistério da piedade, Deus manifestado na
carne"; e que Jesus deve ser o próprio Filho de Deus não é um mistério
maior do que o de que Deus tenha encarnado. Este mistério, com todos os seus
resultados abençoados e consequências, levará uma eternidade para ser desdobrado,
mas podemos simplesmente deixar cair alguns pensamentos sobre o assunto,
movendo-nos com espírito reverente, e andando nos passos da revelação.
Olhe para as consequências que a
queda introduziu na criação de Deus. Veja como ela invadiu seu caráter justo; como
manchou, por assim dizer, a Majestade do céu em sua supremacia soberana. Não é
a desobediência a um mandamento, especialmente se voluntário e intencional, um
desprezo lançado sobre ele? Quando um pai oferece um filho, ou um mestre, ou um
servo, faz uma coisa, e o filho ou o servo se recusam a obedecer ou faz
exatamente o contrário; não é este ato de desobediência inegável desprezo, se
não um insulto decidido à autoridade legítima ? Assim, a desobediência de Adão,
da qual a culpa e as consequências se estendem até nós, foi um insulto à
autoridade suprema do Legislador do Céu. Se isso não foi expiado e, como foi
vingado e remediado, como poderia a supremacia de Deus ser vindicada?
Veja, então, a impossibilidade de
o homem ser salvo a menos que a justiça pudesse ser amplamente satisfeita; a
menos que a lei pudesse ser totalmente obedecida; a menos que toda perfeição da
Divindade devesse ser completamente harmonizada. Os anjos testemunharam a queda
de seus irmãos apóstatas; eles haviam visto a "ira sem misericórdia"
derramada sobre aqueles espíritos, uma vez brilhantes e gloriosos, que haviam
sido ligados juntos na grande transgressão. Agora, se os homens caídos fossem
poupados, a justiça desconsiderada e a lei quebrada com impunidade, o que teria
sido o pensamento daqueles seres angélicos que se levantaram quando seus irmãos
caíram? Que Deus era parcial; que ele sacrificou sua justiça à sua misericórdia;
que ele estava transbordando de compaixão para o homem caído, embora não para os
anjos caídos, e não se importava se Seus atributos, especialmente o de justiça,
fossem sacrificados ou não.
Para garantir, portanto, este
ponto indispensável que nenhum de seus atributos eternos devesse sofrer perda,
que a justiça deveria ter o que lhe é devido, e ainda que a misericórdia deve
prevalecer contra o julgamento, Deus desistiu do Filho do seu seio para que ele
pudesse assumir nossa natureza em união com a sua própria Pessoa divina, e
assim harmonizar toda perfeição da Divindade, cumprir uma lei condenatória,
trazer uma perfeita obediência, lavar a Igreja em seu precioso sangue e
salvá-la nas alturas do céu. Para realizar esses maravilhosos propósitos de
sabedoria e graça, não havendo outra maneira de executá-los, Deus não poupou
seu próprio Filho.
B. Mas, algo mais é intimado em
nosso texto como parte também do argumento da fé. Ele "entregou-o para
todos nós". Que grande mundo de significado está contido nessa expressão
"entregou-o"; pois quando Deus não poupou a seu próprio Filho, não
foi apenas que ele entrou neste mundo inferior ou tomou nossa natureza em união
com sua própria Pessoa divina, que em si teria sido um ato de infinita
condescendência; mas envolveu necessariamente todas as consequências que dele
resultaram, e que são intimados pela expressão "entregou-o". Para o que
as palavras implicam?
1. Primeiro, que ele deve
suportar a humilhação profunda e dores amargas da cruz. Um sacrifício deveria
ser oferecido, sangue a ser derramado, e ele deveria ser a vítima. Pense em um
pai terno entregando com suas próprias mãos um único filho à morte. Não era
menos para Deus entregar Seu próprio Filho para carregar nossos pecados em seu
próprio corpo sobre o madeiro.
2. Ao sofrer isso, ele também foi
entregue à perseguição de homens ímpios, às zombarias, provocações e
comentários sarcásticos daqueles que olhavam para ele sangrando na cruz e diziam:
"Ele salvou os outros, mas a si mesmo não pôde salvar." Isto, como
encontramos no Salmo 22, não foi uma pequena parte dos sofrimentos do Redentor:
"Mas eu sou verme, e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo.
Todos os que me veem zombam de mim, arreganham os beiços e meneiam a cabeça,
dizendo: Confiou no Senhor; que ele o livre; que ele o salve, pois que nele tem
prazer.” (Salmo 22: 6-8).
3. Ele também foi entregue para
suportar as tentações de Satanás, aquele arqui-demônio, esse espírito maligno.
Não posso ampliar aqui; mas que cena isto abre para a nossa visão surpresa que ao
demônio imundo do inferno deve ser permitido atirar seus dardos ardentes contra
o peito do Filho coigual de Deus!
4. Mas, há algo mais profundo e
mais maravilhoso ainda, o que excede todo o pensamento humano para entrar no
sagrado mistério; ele deveria ser entregado para suportar a tremenda ira de seu
Pai, os esconderijos de seu rosto e aquele amargo abandono da luz de seu
semblante que arrancou de seu peito aquele grito doloroso que abalou os
próprios fundamentos da terra: "Meu Deus, meu Deus, por que me
desamparaste?" Agora, quando olhamos esses mistérios solenes pelo olho da
fé, e vemos que Deus, o Pai, entregou o seu Filho, quando ele não o poupou, que
vista nos dá do eterno e infinito amor de Deus a uma raça culpada, dar seu
filho, assim livremente para morrer por seus pecados e para conservá-los nele
mesmo com uma salvação eterna.
Isso, então, é o argumento da fé;
se Deus fez tudo isso, o que ele negará? Aquele que deu o maior, ele vai reter
menos? Como a fé nasce aqui, e, chegando à sua plena estatura, fala em voz alta
para toda a família de Deus, e diz: "Que Deus, o Pai, não poupou a seu
próprio Filho, deu-o livremente para morrer por nossos pecados? "Será que,
depois desta exibição de sua superabundante graça e misericórdia infinita, não
nos devolverá algo que seja realmente para o nosso bem, não nos dará também com
ele todas as coisas?" O que! "todas as coisas?" Sim; todas as
coisas que serão para o nosso bem e para a sua glória; todas as coisas na
providência, que serão para o nosso bem, enquanto viajamos por este vale; todas
as coisas em graça que serão para nosso lucro espiritual e consolação.
Precisamos de fé em maior medida? Ele nos dará isso. Precisamos de esperança
para ancorar mais fortemente dentro do véu? Ele não nos dará isso também?
Queremos amar mais quem nos amou primeiro? Ele vai reter isso? Precisamos de
apoio na aflição, libertação da tentação, consolação sob as dores da vida? Não
nos dará todas essas coisas? Será que ele não estará conosco em um leito
moribundo, quando precisarmos de sua presença, e dar-nos então ali o que nos
levará no escuro vale? Assim a fé, estando sobre este terreno elevado, pode
olhar o horizonte largo e dizer, "O que há que Deus nos reterá quando ele
não poupou seu próprio Filho?"
Mas, nem sempre ou com frequência
a fé pode usar esses argumentos. A fé às vezes é muito fraca e dificilmente
pode levantar a voz para usar uma linguagem como esta. Ainda assim, o argumento
da fé é o mesmo, embora ela possa não ser capaz de usá-lo com igual força; porque
a base é ainda a mesma, se a fé é fraca ou forte, que se Deus não poupou seu
Filho, mas o entregou por todos nós, certamente nos dará todas as coisas livre,
liberal, graciosamente, e sem reservas.
Vamos, pois, juntar os fragmentos
para que nada se perca; reunir os fios deste discurso, e ver como ele se
sustenta sobre nossa experiência e nossas esperanças. O grande ponto é ter este
testemunho selado em nosso peito, de quem somos e a quem servimos; de cujo lado
estamos e quem é por nós. Se conseguirmos isso claramente estabelecido em nosso
seio pelo trabalho e testemunho do Espírito Santo, então tudo se segue. Mas,
enquanto estamos em dúvida e temor de que lado estamos e se Deus é contra nós
ou por nós, não podemos estar no fundamento da fé, nem podemos usar o argumento
da fé. Quão desejável, então, é que cada santo de Deus tenha algum testemunho
interior de que Deus é por ele. E como isso pode ser adquirido se não for
possuído pela oração e súplica; olhando para o Senhor, lutando com ele,
derramando o coração diante dele, buscando seu rosto, e implorando dele de vez
em quando para deixar claro que Deus o Espírito começou aquela obra sagrada
sobre a alma que ele nunca deixará nem abandonará até que ele a tenha
concluído.
Como, então, o filho da graça é
favorecido com uma doce evidência de que Deus é seu Pai e amigo, ele pode
assumir a primeira forte indagação da fé, "O que diremos então a estas
coisas?" Então a firme posição da fé: "Se Deus é por nós, quem pode
estar contra nós?" E então o sólido argumento da fé: "Aquele que não
poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará
também com ele todas as coisas?"
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