Título original: Joy and Gladness for Mourning Souls
Por J. C. Philpot (1802-1869)
Traduzido,
Adaptado e
Editado por
Silvio Dutra
“1 O Espírito do Senhor Deus está
sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me
a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a
abertura de prisão aos presos;
2 a apregoar o ano aceitável do
Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes;
3 a ordenar acerca dos que choram
em Sião que se lhes dê uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de
pranto, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem
árvores de justiça, plantação do Senhor, para que ele seja glorificado.” (Isaías
61.1-3)
Ao
falar sobre o testemunho de Jesus Cristo, sobre o modo como esse testemunho é
recebido, e como aqueles que o receberam testificaram que Deus era verdadeiro,
eu poderia ter citado, se tivessem ocorrido em minha mente, estas palavras do
Senhor Jesus Cristo, pois é de seus lábios que procedem. Isto é evidente não só
pelo alcance geral do capítulo, mas também pela declaração expressa do próprio
Senhor Jesus Cristo.
Vocês
se lembrarão de que em certa ocasião, pouco depois de ter entrado em seu
ministério, veio a Nazaré e, como era costume, entrou na sinagoga no dia de
sábado e levantou-se para ler. E foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Ele
abriu o livro no lugar onde estava escrito "O Espírito do Senhor está
sobre mim" (Lc 4. 18). Então segue a passagem que acabamos de ler. Assim,
sentando-se para expor as Escrituras segundo o seu costume, acrescentou
"Hoje se cumpriu esta Escritura aos vossos ouvidos" (Lc 4. 21).
Agora, como poderia a Escritura ser cumprida em seus ouvidos, a menos que ele fosse
a pessoa cujo ofício era confortar todos os que choram, e fazer toda a obra
abençoada que é aqui falada?
Ao
olhar para estas palavras, com a bênção de Deus, tentarei mostrar:
I. O
caráter do enlutado espiritual, pois é de quem se fala aqui.
II. As
doces e abençoadas promessas que Deus deu ao enlutado espiritual.
III. A
glória que redunda assim para Deus.
I. O
caráter do enlutado espiritual, pois é de quem se fala aqui. Agora, como para
nos proteger de ver estas palavras em um sentido muito geral, o Senhor limitou
seu significado no terceiro versículo; "a ordenar acerca dos que choram
em Sião". A promessa, portanto não
é para aqueles que choram em geral, mas para aqueles que choram de um modo especial;
não para aqueles que estão em peso e tristeza de meros problemas mundanos, mas
para aquelas pessoas que sob a doutrina de Deus, estão de luto em Sião. Ninguém
pode estar enlutado em Sião, a menos que seja um participante da graça,
regenerado e vivificado na vida divina pela operação do Espírito Santo no
coração. Onde quer que a graça tome posse do coração de um homem, elevando nele
uma vida que nunca pode morrer, isso o torna um enlutado espiritual. Até que
essa obra seja realizada na alma, ela não tem lugar nas promessas, nenhuma
situação marcada para ela na Palavra de Deus, nem está em um estado adequado
para receber as consolações do evangelho.
(Nota do tradutor: Daí nosso
Senhor afirmar no Sermão do Monte, que são bem-aventurados apenas os que
choram, segundo o modo aqui apontado. Aqueles que lamentam por seus pecados e
pela natureza corrompida pelo pecado que possuem, mas que buscam a regeneração
e a renovação em Deus. Isto está claramente revelado em várias passagens
bíblicas, especialmente na seguinte
promessa do Senhor em relação àqueles que seriam os únicos contemplados pelo seu
favor nas coisas relativas à salvação “Porque a minha mão fez todas
estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o Senhor; mas para esse
olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra.”
(Isaías 66.2).
E ainda: “Porque assim diz o
Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e
santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para
vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos.” -
Isaías 57.15)
Mas, eu não iria limitar os
choros aqui falados apenas aos enlutados espirituais, pois se eu desenhasse
essa linha muito estreita, quantas provações, sofrimentos e tristezas, eu
passaria; por isso quase diria que tais aflições não precisavam de consolações
divinas. Porém, embora eu limite os enlutados aos que choram em Sião, eu não
limito o luto de Sião ao luto espiritual, mas me refiro a todos os sujeitos de
provação e dor que só Deus, por seu Espírito e graça pode confortar e apoiar.
Como então, o Senhor prometeu que
vai consolar todos os que choram, todos os enlutados espirituais que têm um
caso de dificuldade e tristeza, e têm interesse nesta promessa?
Mas, para além das variadas
fontes de angústia temporal que os filhos de Deus sentem com tanta agudeza,
mais intensidade e profundidade do que as pessoas mundanas, como possuindo
sentimentos mais ternos e requintados, têm problemas peculiares que os tornam particularmente
notados em Sião. Estes têm um sofrimento interior, um coração ferido que os faz
caminhar sobrecarregados, e às vezes pesadamente durante todo o dia. Onde quer
que haja verdadeiras convicções de pecado, uma verdadeira ferida feita na
consciência pelo Espírito de Deus, haverá luto.
O pecado é uma coisa tão vil em
si mesmo; um objeto que Deus tão essencialmente e eternamente odeia, uma
questão que estava sobre Jesus com peso e poder tão pesados, que foi uma fonte
de intensa dor e angústia para o querido Filho de Deus, quando reclinou seu
corpo e alma sagrados no jardim do Getsêmani e o teve pregado na cruz, que todo
santo de Deus que se abriu em sua consciência com uma verdadeira convicção
espiritual deve se tornar um enlutado espiritual.
Mas, além do peso das convicções
angustiantes na primeira obra de graça na alma, quando este luto começa, olhe
para um filho de Deus através de seu curso, até o dia em que recebe sua coroa
imortal; este luto o acompanha por todo o deserto, a partir do momento em que a
vida divina entra em sua alma até o final de seus dias, quando as ondas do
Jordão estão à vista, e ele passa por suas inundações para os reinos da bem-aventurança.
Quanto mais ele conhece o seu coração, quanto mais anda na vida divina, e
quanto mais o pecado lhe é aberto à luz do semblante de Deus, mais ele será um
enlutado espiritual. Às vezes ele vai chorar por causa dos males de seu coração,
já que as suas concupiscências e corrupções são tão fortes, e ele tão fraco
contra elas; às vezes sobre as tentações que Satanás colocou para seus pés, em
que ficou enredado, e por elas foi derrubado; às vezes por causa da ausência de
Deus, pela qual ele encontra tão pouco acesso à sua bendita Majestade. Às vezes,
ele vai chorar por sentir quão pouca graça possui, e em outro momento se entristecerá
por suas falhas e incapacidade de perceber aquela piedade vital em sua alma,
que é carimbada pela aprovação de Deus. Às vezes, ele vai chorar por causa de
suas apostasias, como se envolveu e deu lugar às suas concupiscências, como foi
vencido por seu temperamento, como murmurou e se preocupou com os tratos de
Deus com ele, de modo que às vezes estava quase pronto a cometer suicídio ou
fazer algo desesperado.
Como estes, outros mil males são
sentidos no coração de um homem, que o fazem chorar, e como o texto fala, têm
cinzas para sua cobertura. Ele chora também por sua falta de frutificação, pois
que não pode ser, fazer ou dizer o que quer. Ele tem fortes desejos de adornar
a doutrina de Deus em todas as coisas, ter espiritualidade de mente e terna
consciência, bem como levar uma vida de fé, oração e vigilância. Mas, é
obrigado a confessar com o apóstolo: "Pois o que faço não é o bem que
quero fazer, mas o mal que não quero fazer, este eu faço" (Romanos 7:19). Entretanto,
muitas vezes sua mente está fazendo exatamente o contrário. Todas estas coisas
combinadas com as poderosas tentações de Satanás e suas muitas dúvidas, em
virtude da ocultação do rosto de Deus por causa de seus pecados, por sua
completa incapacidade de afastar os fardos que o pressionam para o mal, o
afundam profundamente.
E, quando ele não pode perceber
nenhuma manifestação do amor de Deus; tudo é escuro e desolado, lhe parece como
se nunca tivesse conhecido qualquer bem, estando pronto para se excluir como um
hipócrita ou um professante morto. Além de tudo isso, ele também pode ter
experiência de perseguição por causa da verdade daqueles que talvez lhe sejam
próximos e queridos; de modo que não é apenas um, porém muitos sofrimentos para
suportar, com o sentimento, às vezes, de ser dentre todos os homens, o mais
miserável.
1. Mas
o Senhor, falando deste lamentador, deu certas MARCAS definidas pelas quais ele
pode ser mais claramente e distintamente conhecido. Ele fala, por exemplo, de
"cinzas" em conexão com este enlutado espiritual, pois prometeu
dar-lhe "uma coroa no lugar de cinzas". Para entender essa alusão,
precisamos ver qual é o significado bíblico desse emblema. Nos tempos antigos
as cinzas eram um sinal exterior de luto, assim como as roupas negras são para
nós em nossa cultura. Mas elas também transmitem uma sensação de profunda
humilhação. Jó, na sua aflição, assentou-se entre as cinzas. Saco e cinzas são
muitas vezes acoplados na Escritura, como marcas de luto, como Jó fala
"Aborreço-me, e me arrependo no pó e na cinza" (Jó 42: 6). Quando
Tamar sofreu desonra de seu irmão, rasgou suas roupas e colocou cinzas em sua
cabeça, como uma marca externa de luto por sua degradação e humilhação.
Há
muito significado no emblema. As cinzas são apenas o resíduo queimado e o
resíduo escuro do que antes era brilhante e justo. Assim, as cinzas, como
falado em relação ao enlutado espiritual implicam que, o que antes era justo e
bonito em seus olhos, quando consumidos na fornalha, torna-se apenas um
remanescente escuro e miserável. O ato de espalhar cinzas sobre a coroa de sua
cabeça parece implicar que, o enlutado espiritual não poderia tomar um lugar
muito baixo, para que pudesse esconder seu rosto na poeira, e espalhar sobre si
mesmo toda a sua glória jactanciosa que sentiu uma vez, pois a humilhação que
sentiu presentemente em sua alma diante de Deus, fez com que se percebesse em
sua própria visão como um miserável, um pecador de fato.
2.
Outra marca que o Senhor dá sobre enlutado espiritual em Sião, é que ele está
vestido com espírito angustiado. Há algo muito expressivo nesta figura. A força
do coração é comparada a um manto enorme ou vestuário exterior, que não só o
cobre em toda a volta, mas repousa sobre ele com um peso que deprime seu
espírito até a poeira. Quantas coisas há para produzir em uma alma crente, um
espírito pesado, angustiado! Alguns do povo de Deus parecem quase
constitucionalmente dispostos ao abatimento da mente, sensações e apreensões
sombrias, tanto na providência como na graça. Nuvens escuras e sombrias passam
continuamente por cima de sua mente, e Satanás ajudando a acelerar sua
angústia, levanta diante de seus olhos mil males que talvez nunca aconteçam,
mas são tão temidos como se fossem reais e ainda mais dolorosamente sentidos.
Esta depressão mental os veste como com uma peça de vestuário que se fecha em
cada lado, dificultando cada movimento com suas dobras aparentemente
inextricáveis.
Esses entristecidos espirituais são
então, as pessoas para quem o Senhor tem um respeito especial. Estes são
aqueles a quem o Senhor Jesus Cristo foi ungido pelo Espírito Santo para
consolá-los. Isso nos leva ao nosso segundo ponto, que é mostrar:
II. As doces e abençoadas
PROMESSAS que Deus deu ao enlutado espiritual. Ele foi especialmente designado
para os que choram em Sião, e foi ungido com o propósito expresso de lhes dar
"uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de pranto, vestes de
louvor em vez de espírito angustiado".
Tudo isto observado, é de ordenação
divina. Nós nunca podemos aquilatar devidamente estas ordenanças de Deus, como
o grande governante, diretor e controlador de todas as coisas. Não devemos
olhar para os variados acontecimentos que estão ocorrendo neste mundo como uma
mera questão de acaso, uma mistura confusa, como se essas circunstâncias multiformes
fossem todas jogadas como bolinhas de gude em um saco, e jogadas fora sem
qualquer ordem ou arranjo.
Deus é um Deus de ordem. No mundo
natural, o mundo da criação, tudo está em ordem. No mundo espiritual, o mundo
da graça, tudo está em ordem; e no mundo providencial, o mundo da providência,
também tudo está em ordem. Em nossa mente, na verdade, tudo parece desordem, mas
isso surge de nossa ignorância, não
vendo o todo como um plano definitivamente arranjado. Se você visse um tecelão
trabalhando em um tear e não visse nada, exceto os fios e agulhas em contínuo
movimento, você não veria nada além de confusão, tampouco poderia formar a mais
leve concepção do padrão que estava sendo trabalhado. Mas, quando o todo foi
concluído e a seda tirada do rolo, então veria um padrão arranjado em ordem
bonita, cada linha concorrendo para formar um design harmonioso. Porém, tudo
isso era conhecido de antemão pelo artista que desenhou o padrão, e todo
arranjo foi feito em estrita subserviência a ele.
Mas, se este é o caso das
nomeações de Deus na providência, quanto mais é verdade de seus projetos
gloriosos em graça. Todo julgamento e tentação, aflição e tristeza são apenas o
resultado de um plano definido na mente eterna. No entanto, muitas vezes tudo
parece como confusão para nós! Esta confusão não é tanto nas coisas em si, mas em
nossa mente. Jó, cercado de angústia, gritou: "Estou cheio de
confusão" (Jó 10.15).
No entanto, podemos ver ao ler
sua história que todas as suas provações estavam trabalhando em direção a um
fim designado. Assim, cada tentação, provação, ou aflição, que já se apresentou
ou que sempre se apresentará em seu caminho; se você é um filho de Deus, você
foi marcado por uma sabedoria infinita e infalível.
A estrada mais comum, não está
disposta de acordo com um plano definido, quando o topógrafo traçou cada quilômetro em seu devido
lugar? Então, o Senhor não apresenta de antemão o caminho pelo qual o seu povo
deve andar? Ele não coloca uma tribulação aqui, uma tristeza ali, uma aflição
nesta esquina e uma cruz naquele canto, mas cada um definitivamente não é posto
em infinita sabedoria, para trazer o viajante seguro para casa em Sião?
Mas, como o Senhor designou o luto, o peso e a
cinza, assim ele designou o Senhor Jesus Cristo, para que possa administrar
consolo aos enlutados espirituais. E você não pensa que quando Deus em sua
infinita sabedoria escolheu seu próprio Filho querido, ele escolheu alguém que
era apto para a obra? Quem mais estava apto para isso? Pois os que estão de
luto em Sião têm tentações e dores que precisam de um apoio e uma consolação,
que só o Filho de Deus pode dar; nenhum homem, nenhum ministro, nem mesmo um
anjo do céu sem uma comissão especial para esse propósito poderia consolá-los, porque
precisam de um libertador Onipotente; e sendo seus problemas principalmente
espirituais, eles precisam de alívio espiritual para chegar à raiz do caso, de
modo a tornar o remédio adequado para a doença.
Quando Deus então, em sua
infinita sabedoria designou seu querido Filho para consolar todos os que
choram, ele designou alguém capaz de fazer a obra; não somente Aquele cujo
coração e afeições estavam engajados nela, não só Alguém disposto, mas forte
para fazê-lo, tendo em sua Pessoa gloriosa a força infinita e poder de Deus.
Por isso o Senhor disse: "Naquele tempo falaste em visão ao teu santo, e
disseste: Coloquei a coroa num homem poderoso; exaltei um escolhido dentre o
povo." (Salmos 89:19).
Então, Ele veio no tempo
designado por Deus, o Espírito Santo repousou sobre ele sem medida, e o ungiu
para pregar estas boas-novas; “O
espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar
boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a
proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;" (Is
61.1).
Tanto sua nomeação para o cargo,
como o seu cumprimento são semelhantes à graça. A criatura não tem posição
aqui, nem leio uma única palavra sobre o seu mérito ou suas boas obras. Eles
choram, é verdade, mas Deus não vê mérito em lágrimas, nem em luto, nem em
sofrimento, nem em tristeza. Se seus olhos fossem uma fonte de lágrimas, não
poderia lavar um só pecado. Se, então, o Senhor olha com piedade para estes
choros, é somente por sua graça.
Seus olhos estão fixos em suas
provações, e seu coração simpatiza com suas tentações, porque ele próprio nos
dias da sua carne foi semelhantemente tentado, e tem uma simpatia de sentimento
com eles em todas as suas aflições, pois ele também era "um homem de
dores, familiarizado com o sofrimento" (Isaías 53: 3). Mas ele não somente
tem compaixão; a misericórdia sem ajuda é senão um trabalho frio. Ele, portanto
ajuda, bem como se compadece.
1. Assim, ele lhes dá "uma
coroa no lugar de cinzas". Nós os vemos sentados em cinzas, lamentando
seus pecados e tristezas, escrevendo coisas amargas contra si mesmos como vendo
em seu interior apenas a miséria e a morte. Então Ele vem, e pelo seu Espírito
abençoado fala uma palavra de perdão ou de paz em seu coração e consciência. Quando
essa palavra vem com um poder divino em suas almas, ela tira as cinzas, isto é,
remove o sentido que têm de ruína e miséria, tira sua lamentação e tristeza, e
faz seu rosto brilhar. Isso lhes dá beleza. Mas que beleza? Não a sua própria,
mas a dele. Mas como pode dar-lhes sua
beleza – ela é comunicável?
Sim, dando-lhes uma visão de si
mesmo, de acordo com sua promessa, "Seus olhos verão o Rei em sua formosura"
(Isaías 33:17). Quando então, seus olhos veem o Rei em sua beleza, quando
vislumbram seu rosto bonito, aquela beleza é refletida de seu rosto para o
deles. Assim foi com Moisés. Ele subiu as escarpas do Sinai carregado e abatido
com os pecados do povo, sobre o qual Deus o tinha feito cabeça. Mas, quando
chegou lá, ele se comunicou com Deus; e vendo sua beleza e glória incriadas,
assim se refletiu sobre ele e seu rosto ficou tão resplandecente com a glória
de Deus, que o povo não pôde olhar para ele. Por isso lemos que Moisés tomou um
véu e o pôs sobre o rosto. Havia tal contraste entre a beleza e a glória de seu
rosto, e a escuridão e carnalidade de suas mentes, que eles não podiam suportar
a visão.
Perto da beleza do Senhor, nada é
tão bonito como a graça. É bonito como sendo glória começada, glória no broto.
Na verdade, até que possamos ver e sentir o quanto a graça é bela mesmo em
nosso estado neste tempo presente, ainda não temos nenhuma concepção do que a
glória será em um estado eterno. Admirar a beleza é natural para nós, pois que naturalmente
admiramos a beleza humana, um rosto bonito, uma figura graciosa.
Na verdade, toda a criação de
Deus é cheia de beleza, desde o sol que brilha no céu até o inseto que rasteja
no chão. Um homem não pode ter olhos que não vejam beleza em cada criação da
mão de Deus. Na verdade, neste mundo não há nada realmente deformado ou feio, senão
o pecado e o que foi produzido por ele. Mas, toda a beleza criada fica aquém da
beleza incriada; quero dizer, a beleza da graça, a imagem de Cristo na alma.
Esta é a verdadeira beleza que a Escritura chama de "a beleza da
santidade".
"O teu povo apresentar-se-á
voluntariamente no dia do teu poder, em trajes santos; como vindo do próprio
seio da alva, será o orvalho da tua mocidade." (Salmo 110: 3).
O povo de Deus é aqui
representado, como saindo do ventre da madrugada, embrulhado, por assim dizer,
com o orvalho refletindo em cada gota, as belezas da santidade do Sol da
Justiça. Mas, há essa característica peculiar na beleza espiritual - uma pessoa
nunca a vê em si mesma; não, porque aquele que tem mais graça vê-se mais pecador,
portanto não pode ver a beleza que a graça coloca sobre ele. Esta beleza não
habita exteriormente no rosto ou no comportamento, mas no homem interior do
coração, e consiste na reflexão da imagem de Cristo.
Desta beleza, a humildade é a
característica mais marcante, de modo que quanto mais o Senhor entra na alma de
um homem nas manifestações de seu amor e graça, e quanto mais ele vê a beleza e
santidade de Deus, mais se aborrece no pó e aborrece a si mesmo por causa de
suas abominações. Mas toda graça do Espírito se combina com um todo belo; e
ainda assim é uma reflexão imperfeita da beleza consumada do Senhor Jesus
Cristo, que, como diz a noiva, é "alvo e corado, o principal entre dez
mil" (Cântico dos Cânticos 5: 10).
Então, esta é a beleza que ele dá
para as cinzas da humilhação em que o filho de Deus se senta; essas cinzas
negras se encaixam no emblema da queima da justiça da criatura. O Senhor tira
essas coisas e coloca sobre ele a sua própria beleza incriada, o vestido
glorioso da justiça imputada, que ele executou, com o qual veste a alma crente;
e para isso ele acrescenta a sua própria imagem, aquele novo homem da graça que
segundo Deus foi criado em justiça e verdadeira santidade.
Agora, não é este um intercâmbio
glorioso – o de remover a cinza para colocar beleza; remover a si mesmo e
colocar Cristo; remover a miséria e colocar misericórdia; colocar fora os panos
de saco e ser vestido com alegria?
2. A segunda coisa que o Senhor
dá é "o óleo da alegria". Há algo muito notável nessa expressão. O
Senhor não só dá alegria à seu filho de luto, mas o óleo da alegria. Alegria,
mera alegria, não é suficiente quando não acompanhada com o óleo de alegria, pois
parece muito superficial para uma alma de luto. Há algo no coração de um
crente, uma santa sabedoria e cautela, que rejeita a superficialidade; uma
ternura sagrada do sentimento divino, que vê e rejeita o que quer que use a
aparência de excitação natural. Flashes de alegria natural são muito vazios,
demasiado superficiais para ele. Ele as rejeita, portanto, como lisonjeiras e
ilusórias, como antes acendendo a mente carnal e estimulando o espírito natural,
do que regando e abençoando a alma.
Um crente pode muito bem suspeitar
do valor real do produto. Um comerciante que entende seu negócio não é enganado
com uma superfície lustrosa colocada sobre os bens, mas examina como todo o
artigo foi elaborado, de que materiais originais ele consiste e como foram trabalhados.
É somente o ignorante que é enganado por uma superfície lisa e um exterior
reluzente. Assim, um filho de Deus, que há muito tempo foi pressionado por
provações, tentações, e teve que provar sua religião uma e outra vez, não é enganado
com a aparência exterior das coisas, mas o que ele olha é a realidade, algo
sólido e permanente, algo divino e espiritual, recomendado à sua consciência
como o verdadeiro dom de Deus.
A alegria, portanto que o Senhor
dá é "o óleo da alegria", porque cai com poder ungido na alma,
espalhando e comunicando seus efeitos de suprimento, suavizando cada parte, e
penetrando nas profundezas da consciência culpada e sobrecarregada. Não se
deixe enganar com uma alegria falsa. Recorde que há a alegria do hipócrita, que
lemos sobre aqueles que "receberam a palavra com alegria" (Lc.8: 13).
Essas pessoas estavam certas? Não! Pois em tempo de tentação eles caíram; tiveram
alegria, mas não o óleo de alegria; as cascas, mas não o grão de alegria. Não
havia unção, nem poder, nem profundidade, nem realidade, nem felicidade em sua
alegria; era um mero flash que veio e se foi em um momento. Não é a alegria
como este óleo de alegria, mas aquela excitação carnal que as emoções muitas
vezes produzem entre o seu povo através de melodias animadas, pregações
trovejantes excitando seus ouvintes a explodirem em exclamações de graça e
glória, enganando-os na crença de que receberam o perdão de seus pecados. Um
pregador carnal pode dessa forma, dispersar a alegria entre os punhados de uma
congregação, e as pessoas podem ser tão iludidas a ponto de pensar que isso é
"alegria e paz na fé" (Romanos 15:13).
Mas, todo esse incêndio é uma
coisa muito diferente do óleo da alegria, que vem com suavidade e quietude na
alma, como dos lábios de Jesus; aqueles lábios nos quais Deus derramou sua
graça, pois o ungiu com o óleo de alegria acima de seus companheiros (Salmos
45: 17). Assim, lemos sobre o precioso unguento que estava sobre sua cabeça,
que escorreu sobre a barba, até a barba de Aarão, e desceu até as orlas das
suas vestes. Esta foi a unção que foi dada a Cristo pelo Espírito Santo, quando
o ungiu para pregar boas novas aos mansos, que é a mesma unção chamada no texto
de o "óleo de alegria", que flui de Cristo para a alma de um crente.
Examine, portanto suas alegrias. Então,
se obtém alguma coisa ao ouvir a Palavra, ao ler as Escrituras, ou em uma
oração secreta que parece uma alegria, examine-a bem, se Satanás não pode
tentar colocar em você alguma moeda falsa da sua lavra; veja se contém a imagem
e a inscrição do rei estampadas nela pela lavra do céu. O que é real sempre
suportará o exame.
Mas, quando o crente é realmente
favorecido e abençoado, Satanás ainda pode trabalhar em sua mente para descrer
seu poder e realidade, e você pode ser persuadido às vezes, a considerar tudo
isto. Mas, quando o Senhor voltar com algumas gotas da mesma unção divina, você
pode olhar para trás e ver pelos efeitos doces que produz, que era o óleo da
alegria e não as cascas de alegria, que você desfrutou antes. Na verdade, para
que os enlutados espirituais possam se satisfazer senão apenas com o verdadeiro
óleo da alegria, e para que possam aprender a distingui-lo e valorizá-lo, é a
razão pela qual o Senhor os coloca em uma fornalha tão quente. Se não fossem santos
espirituais, com cinzas em suas cabeças, eles poderiam ser enganados por
qualquer coisa, mas eles são muito aguçados para serem enganados agora.
(Nota do tradutor: Este livro é
de uma preciosidade muito grande em relação a nos alertar sobre a natureza e
essência da genuína vida espiritual, pois é uma experiência sentida e provada
por todos os que têm uma participação comum em tudo isto que está sendo
exposto, que de fato Deus sempre traz a alma, à tristeza e ao luto pelo pecado,
produzindo dores na consciência pelo que somos ou fazemos, que seja contrário à
Sua vontade, antes que ele possa nos ungir com o santo óleo da alegria celestial.
Isto tem muito a ver com a vida espiritual que é prometida, e que se segue
sempre ao arrependimento.
Portanto, pessoas que vivem de
modo mundano com uma mente carnal, não podem participar das bênçãos desta
promessa, mesmo que sejam crentes animados em suas igrejas, por todo o aparato
dos louvores e das pregações extasiantes às quais o autor alude de forma muito
sábia e apropriada.)
Se um homem está deitado sob um
peso de cem libras, não é o dedo de uma criança que pode tirá-lo. A criança
pode brincar com ele, mas não pode levantar o peso. Assim, se uma alma está
realmente pesada e carregada pelo pecado e tristeza, tentação e medos, não é
para uma criança brincar com ela, para que possa levantar a carga pesada, mas é
o próprio Cristo que vem com o poder divino, que tira a carga da consciência do
pecador e, quando o faz, dá-lhe "o óleo da alegria no lugar do luto".
3. A terceira bênção que Cristo é
ungido para dar é "a veste de louvor para o espírito angustiado ou pesado".
Quando consideramos quantas coisas há para sobrecarregar a consciência e
angustiar a mente, vemos quantas vezes um crente é pressionado com o espírito
de angústia. Isso o envolve como um manto, mas quando o Senhor vier e tirá-lo
dele, o vestirá com um manto suave; e isto, por fazê-lo louvar e bendizer o seu
santo nome, é chamado de "veste de louvor". Mas, como o tempo não
permitirá que nos aprofundemos mais neste ponto; eu passo, portanto, para
mostrar:
III. A GLÓRIA que redunda para
Deus a partir desta obra do abençoado Salvador. Crentes tão altamente
favorecidos devem ser chamados de "árvores
de justiça, plantados pelo Senhor, para que ele possa ser glorificado".
Aqui, Deus tem comparado seu povo
com árvores, mas árvores de um tipo peculiar, árvores de justiça. O que há na
figura de uma árvore que parece suportar a experiência de um filho de Deus?
Existe alguma coisa que parece ter mais vida do que uma árvore?
Olhe para uma árvore na
primavera. Como parece estar surgindo na vida! Como a seiva está inchando cada
botão, e empurrando adiante cada folha em verdura e beleza! Que emblema da vida
de Deus, na alma recebida, da plenitude de Cristo! Assim, um filho de Deus se
assemelha a uma árvore por possuir um fluxo de vida divina em sua alma.
Mas, novamente, uma árvore cresce a partir de um
pequeno começo, como uma semente, um cone ou um grão, mas se expande até
crescer a ponto de ser o monarca da madeira. Assim, em um filho de Deus, há um
crescimento na graça e no conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo. Um
filho de Deus não cresce como a aboboreira de Jonas, nem se torna um gigante em
um dia. Um carvalho exige um século para trazê-lo à maturidade. Aquele carvalho
tem resistido a muitas tempestades, muitos ventos do leste que são cortante e
uivam através de seus ramos, muitos grumos de neve têm descansado sobre seus
ramos, muito granizo tem derrubado suas folhas, e também muitos raios do sol
brilharam sobre ele. Mas, todos eles contribuíram para o seu crescimento, e
trouxeram-no para a sua maturidade presente. Assim, um filho de Deus tem muitas
tempestades para suportar, bem como para desfrutar o vento quente do sul e os
raios ardentes do sol, mas todos se combinam para fortalecê-lo e fazê-lo
crescer no conhecimento do único Deus verdadeiro, e de Jesus Cristo, a quem ele
enviou.
No entanto, quão gradual é o crescimento de uma
árvore! Não as vemos crescer pontualmente, contudo se voltarmos depois de
alguns anos para vê-las, nossa primeira exclamação é, "como as árvores estão
crescidas!" Assim na graça. Geralmente não podemos ver se crescemos ou
não. Não, em nossos próprios sentimentos, muitas vezes parecemos estar
paralisados, ou mesmo, devo dizer, muitas vezes nos parece como se nós recuamos
em vez de ir para a frente, que estamos caindo e decadentes, em vez de crescer e
florescer. No entanto, há um crescimento se
sentimos mais de nossa pecaminosidade profunda e desesperada, e se vemos
mais da adequação do Senhor Jesus para todas as nossas necessidades. Se
sentimos que a salvação é inteiramente de graça, e lançamos nossa alma mais
crente e sem reservas sobre ela, há um crescimento. Embora nós não possamos
vê-lo, outros podem vê-lo para nós, e em nós.
Mas, uma árvore tem botões,
folhas, flores e frutos. Então, quando um cristão recebe a seiva da plenitude de Cristo e esta flui
em sua alma, ele lança os botões da esperança; que enquanto incham e se espalham,
produzem as folhas verdes de uma profissão consistente. No devido tempo as
flores do amor se penduram nos ramos, e são seguidos pelos frutos de uma vida
consistente e piedosa.
Mas, um crente é chamado no texto,
de "uma árvore de justiça". Em três sentidos, um crente é uma árvore
de justiça. Primeiro, pela imputação da justiça do Senhor Jesus Cristo, que é por
ele e para ele. Em segundo lugar, pela implantação de uma natureza santa, por
meio da qual ele é interiormente justo. E em terceiro lugar, pela produção
dessas obras de justiça, que por Cristo Jesus são para a glória de Deus.
Mas, dele também é dito ser
"plantado pelo Senhor, para que Deus seja glorificado". O homem não
tem sua mão na obra de Deus; tudo o que ele pode fazer é prejudicá-la. Você
pode ver talvez, um engenhoso e hábil jardineiro plantando uma árvore. Agora,
suponha que algum sujeito estúpido, completamente ignorante da jardinagem,
viesse a ele e dissesse "Deixe-me ajudá-lo mestre, acho que posso fazer
melhor do que você", agarrando o caule. Seus dedos não seriam mais
susceptíveis de mover a árvore da situação em que o hábil jardineiro a tinha
posto, e estragado completamente a obra, do que lhe fazer qualquer bem real?
Um sujeito que não fosse capaz de
segurar uma pá, seria muito presunçoso se interferisse desse modo.
Assim na graça. A árvore da
justiça é plantada pelo Senhor. Você não acha que o Senhor sabe plantar suas
árvores? Ele não conhece o solo certo para colocá-las, a profundidade em que
plantá-las, que tipo de cerca para colocar em volta delas a fim de manter fora
o gado ou outros animais prejudiciais? O Senhor não sabe de quanta chuva elas
precisam, e quantos dias de sol brilhante, para levá-las à beleza e
fecundidade? Não é, então, um insulto a Deus considerar necessário o auxílio do
homem, como se Deus não fosse suficiente para sua própria obra?
Tal interferência certamente
parece desprezar o Deus de toda graça.
Mas por que tudo isso? Não é
"para que Deus seja glorificado?"
Sim! O todo é para sua própria
glória declarativa. Por que o mundo foi chamado à existência? Para a glória de
Deus.
Por que Adão foi criado? Para a
glória de Deus. Por que você nasceu? Para a glória de Deus. Mas você diz,
"Talvez eu possa ser condenado." Mesmo isso seria para a glória de
Deus, pois embora seja um pensamento alarmante, contudo é perfeitamente verdade
que a justiça de Deus é glorificada na condenação dos pecadores. Quais foram
suas palavras para Faraó? "Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar
o meu poder, e para que seja anunciado o meu nome em toda a terra."
(Romanos 9:17).
Se não fosse assim, a glória de
Deus não seria vista em todas as coisas.
Portanto, mesmo naqueles que
perecem em seus pecados, a glória da justiça de Deus é manifestada. De outro
modo, como poderiam os justos consentir na ruína daqueles que lhes eram
próximos e queridos? A esposa no inferno, o marido no céu! Ou o reverso. O pai
nos domínios da bem-aventurança, o filho na morada da miséria! Aqueles que se
uniram nos laços mais ternos, rasgados em pedaços, nunca mais se encontraram.
Uma eternidade de alegria para um, uma eternidade de desespero para o outro.
Agora, como os justos poderiam
concordar, se não vissem nisso a glória manifesta de Deus?
Seriam capazes de prejudicar os
hinos de felicidade se eles pudessem olhar para baixo do céu, para o abismo
abafado do inferno, e lá ver a mãe, a esposa, ou o filho condenados, e eles
mesmos salvos, a menos que sentissem uma santa aquiescência na vontade de Deus
.
Estas são profundidades
tremendas, eu admito, e a alma pausa com sentimento solene, mas a natureza
humana é silenciada quando a glória de Deus é vista. Arão sentiu isso quando
seus filhos foram mortos no altar, e calou-se; Davi, quando Absalão foi tirado
dele no meio de sua rebelião, e Jó sentiu o mesmo quando perdeu os filhos de
uma só vez. Suas palavras foram "O Senhor deu, e o Senhor tirou, bendito
seja o nome do Senhor" (Jó 1:21). Até chegarmos aqui, somos rebeldes
contra Deus sob tais dispensações aflitivas. É realmente difícil para carne e
sangue; parece cortar a alma até o centro, e fazê-la tremer como sob a faca
afiada. Ainda assim, a alma deve se submeter a tudo isso sabendo que Deus deve
ser glorificado.
Mas, a glória de Deus resplandece
especialmente nas árvores da justiça. Este ponto, certamente você vai admitir,
se não pode ir comigo para as profundezas de que tenho falado, e está pronto
para dizer "Eu nunca posso pensar que Deus pode ser glorificado na miséria
dos condenados". Eu não peço que você pense assim agora, mas o tempo
certamente virá, se você é um filho de Deus, quando você será levado a
reconhecê-lo.
Mas, você certamente admitirá que
Deus será glorificado na salvação dos eleitos. Todas as suas tristezas,
tentações e aflições que passam pela providência e pela graça, com todas as
suas consolações, esperanças e prazeres, são para este fim; para que Deus seja
glorificado. Agora, não é tudo o que a alma pode desejar? Em que você acha que
consiste a felicidade dos anjos? Que Deus seja glorificado.
Quando Deus enviar um anjo da sua
presença para cortar um rei, afligir uma cidade com pestilência, enviar guerra
e espada para os cantos da terra, afogar armamentos poderosos, ou executar
qualquer um desses ofícios que são obras
dos anjos, ele parará e dirá "Eu não posso fazer isso?"
Ele deixaria de ser um anjo imediatamente,
se parar e não executar a vontade de Deus. Essa pausa iria transformá-lo em um
demônio do inferno, e destruiria sua natureza de um ser angélico.
Alguns de nossos antigos teólogos,
não permitiriam que um homem pudesse ter uma libertação, até ser trazido para
glorificar a Deus em sua própria condenação; tão convencidos estavam de que até
chegar a este ponto, um homem não sentia completamente sua condição perdida.
Aqui, então, fechamos nosso
assunto, atribuindo aos santos sofredores na terra, e aos espíritos
glorificados no céu, louvor, honra e glória a Deus e ao Cordeiro!
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