Título
original: The
atonement
Extraído de: the rock of our salvation
Por: William S. Plumer (1802-1880)
Traduzido,
Adaptado e Editado por
Silvio Dutra
A palavra Expiação é
encontrada apenas uma vez no Novo Testamento em inglês: "Nós também nos
regozijamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem agora recebemos a
expiação". (Romanos 5:11). No entanto, a palavra grega aqui traduzida por expiação
frequentemente ocorre em outro lugar. Nossa palavra inglesa atonement é uma
palavra composta de um e um - at-one-ment. É, portanto, a mesma coisa que uma
reconciliação entre partes. Ela reúne aqueles que estiveram em desacordo. A
palavra reconciliar, em aplicação à obra de Cristo, é encontrada no Novo
Testamento nove ou dez vezes. "O ministério da reconciliação" é o
ministério que faz conhecer a expiação de Cristo. "A palavra da
reconciliação" é a doutrina da expiação.
Aqui estão quatro passagens notáveis do Novo Testamento em que a palavra ocorre:
" Pelo que convinha que em tudo fosse feito
semelhante a seus irmãos, para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e
fiel nas coisas concernentes a Deus, a fim de fazer a reconciliação pelos
pecados do povo." (Hebreus 2:17).
"Todas as coisas são de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus
Cristo". (2 Cor 5:18). "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o
mundo, não lhes imputando as suas ofensas." (2 Cor 5:19). "Porque
aprouve a Deus que nele habitasse toda a plenitude, e que, havendo por ele
feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo
todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus." (Col 1:19, 20). Do mesmo modo Daniel
9:24, diz: "Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo, e
sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos
pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão
e a profecia, e para ungir o santíssimo."
Cada uma dessas frases usadas por Daniel é explicativa das outras. Cada uma delas
aponta para uma expiação; e uma expiação é uma reconciliação, uma união dos que
foram alienados.
Abandonamos, insultamos e nos rebelamos contra Deus. Ele nos seguiu com
misericórdia, reprovação e persuasão, mas persistimos na iniquidade. Como
governador moral, ele deve punir o pecado em seus domínios. Ele é santo e odeia
a iniquidade. Sua natureza e seu cargo exigem que a transgressão seja punida.
Viu homens arruinados e perdidos, mas ele se compadeceu deles. Ele proporcionou
um modo de reconciliação pela vida e morte de seu Filho. Jesus Cristo, que é o
Reconciliador. Ele está apto para este trabalho. Ele tem a natureza de Deus, e
assim pode aparecer com honra diante da Majestade celestial. Ele tem a natureza
do homem e, por experiência, está familiarizado com todas as nossas fraquezas
naturais. Ele sabe o que é tentação, tristeza e morte.
Na passagem citada de Colossenses, de Deus é dito "reconciliar todas
as coisas consigo mesmo" por Jesus Cristo. Este modo de falar não é
incomum nos escritos sagrados. A razão disso parece ser que Deus é a parte
ofendida e nós somos os ofensores. Como tal, precisamos nos reconciliar com
ele. O preço da reconciliação foi, portanto, pago a ele, e não a nós. O erudito
Grocio observou muito justamente que, em autores pagãos, os homens que se
reconciliam com seus deuses sempre são entendidos como apaziguando a ira de
seus deuses. Quando nosso Salvador ordenou ao ofensor ir e ser reconciliado com
seu irmão, o significado claro é que ele deveria ir e tentar apaziguar a ira de
seu irmão, obter seu perdão e recuperar seu favor pela humildade, súplica e, se
necessário, por reparação ou restituição. Este é também o uso da palavra
reconciliar, em 1 Samuel 29: 4, onde os filisteus dizem de Davi e sua
dificuldade com Saul. "Com que se reconciliará com seu senhor, e não será
com a cabeça destes homens?" Eles pensaram que Davi tentaria amenizar a
ira de Saul e recuperar seu favor ao destruir seus inimigos. De fato, este é o
sentido comum do termo na Escritura. Fazer a reconciliação, portanto, é
oferecer uma expiação.
A doutrina da expiação é vital no sistema cristão. Reivindica nosso
estudo cuidadoso. Quando falamos de expiação, queremos dizer que "Cristo,
por sua obediência e morte, pagou inteiramente a dívida de todo o seu povo, e
fez uma satisfação adequada, real e plena à justiça de seu Pai em seu
favor".
Foi uma satisfação adequada; ou seja, não era figurativa ou emblemática.
Era real, não imaginária, não fingida, não fictícia, não teatral. Ela foi
completa, e não parcial. Era completa, inteira, sem nada faltar. As únicas
TEORIAS possíveis que dizem respeito à obra e à morte de Cristo são estas:
1. Que Jesus Cristo satisfaz plenamente todas as exigências penais da lei
para todos os homens, e que, portanto, todos serão infalivelmente salvos. Esta
foi anteriormente a doutrina dos Universalistas. Eles sustentavam que Cristo
pagara todas as dívidas de todos os homens e que Deus certamente salvaria todos
os homens pelos méritos de seu Filho.
2. Outra teoria sobre a expiação é que Cristo, por sua morte, não
satisfez a justiça divina por nenhum dos pecados de qualquer homem; que ele
morreu meramente como um mártir da verdade; que nenhum homem exigia uma
verdadeira expiação, e que Deus não exigia satisfação à sua justiça. Esta era a
opinião de velhos Socinianos da Europa, e abraçada por seus seguidores
modernos.
3. Outra teoria da morte de Cristo é que ele fez expiação por alguns dos
pecados de todos os homens e deixou-os por suas próprias obras e sofrimentos
para satisfazer os seus outros pecados da melhor maneira possível. Esta visão
apresenta a obra de Cristo como parcial e incompleta. É praticamente a teoria
de todos os que, com dores, orações, penitências e atos de humildade
voluntária, se propõem a tornar-se aceitáveis a Deus.
4. O último ponto de vista é que Jesus Cristo fez completa satisfação
para todo o seu povo; que nele estão completos; que nele possuem a completa
redenção e perfeita justiça diante de Deus. Esta é a verdadeira doutrina
bíblica da expiação. Ela é cheia de conforto para todos os que são tão humildes
que estão dispostos a ser salvos pela graça soberana. Põe a consciência em
repouso, para que não exija mais expiação. Na verdade, ela acende até
indizíveis deleites. "Regozijamo-nos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo
- por quem agora recebemos a expiação", diz a Escritura.
Como a doutrina da expiação não é de origem humana, mas é matéria de
revelação pura de Deus, é evidente que devemos ser guiados na formação de nossas
opiniões somente pelas Escrituras. Se elas não resolvessem os pontos
envolvidos, toda a nossa lógica e filosofia seriam inúteis. Nosso apelo é
diretamente para a Palavra de Deus.
Ninguém negará que nos escritos sagrados Cristo é chamado de Salvador, Redentor,
Libertador. Dele é dito ser o Pão da vida, a Árvore da vida, a Água da vida. Na
verdade, dele é dito ser a própria vida.
As Escrituras atribuem claramente nossa salvação à morte de Cristo. Dizem
que ele "morreu pelos ímpios"; que "para este fim, Cristo morreu
e ressuscitou". Que Cristo "morreu pelos nossos pecados"; que os
santos devem viver para aquele que morreu por eles; que morreu por nós, para
que vivêssemos com ele. (Romanos 5: 6; 14: 9; 1 Cor 15: 3; 2 Cor 5:15; 1 Tes 4:14;
5:10).
O Antigo e o Novo Testamento harmonizam maravilhosamente seus
ensinamentos sobre este assunto. Isaías diz: "Certamente ele levou nossas
enfermidades e carregou nossas dores ... Ele foi ferido por nossas
transgressões, ferido por nossas iniquidades: o castigo da nossa paz, e pelas
suas pisaduras somos sarados ... Tu farás a sua alma uma oferta pelo pecado ...
Pela transgressão do meu povo foi ferido ... O Senhor colocou sobre ele a iniquidade
de todos nós ... Ele carregou o pecado de muitos."
No pecado há duas coisas: uma é a sua impureza ou poluição; a outra seu castigo.
Dizer que Deus colocou em Cristo a poluição de nossos pecados é blasfêmia; mas
dizer que Cristo "levou nossos pecados em seu próprio corpo sobre o
madeiro", é uma doutrina celestial. Quando o profeta diz: "Fareis a
sua alma uma oferta pelo pecado", sabemos que ele não se refere a nenhuma
iniquidade em Cristo, pois não teve pecado.
Nem nosso Senhor suportou o pecado dos anjos caídos. Ele não tomou sobre
ele a sua natureza. Entre eles e Deus não há mediador. Eles estão reservados em
cadeias debaixo da escuridão, para o julgamento do grande dia. E, no entanto,
sua alma era uma oferta pelo pecado. Que pecado pode ser entendido, senão o
nosso? Diz-se: "Podemos, em muitos casos, dizer que o inocente sofre pelos
culpados, quando alguém é exposto à perda ou à dor por culpa de outrem, ou para
seu benefício, mas pode-se dizer, com propriedade, que o Senhor coloca sobre o
iníquo sofredor a iniquidade do ofensor, ou que o primeiro carrega os pecados
do último, quando nenhuma tradução ou imputação de culpa é pretendida e nenhuma
verdadeira expiação feita? Em caso afirmativo, que palavras podem transmitir as
ideias de imputação ou que significado determinado pode haver na linguagem? "
(Scott).
Pedro declara que "Cristo também já sofreu pelos pecados, o justo
pelos injustos". (1 Pedro. 3:18). Se ele sofreu por pecados - de quem eram
os pecados? Eles eram os pecados dos injustos, mesmo dos que ele salvaria de
uma destruição justa e eterna. Na verdade, quase todas as formas de linguagem
são empregadas para mostrar que os sofrimentos de Cristo eram vicários, não
para si, mas para os outros. Paulo diz: "Deus o fez ser pecado (ou oferta
pelo pecado) por nós". (2 Cor 5:21). No mesmo verso é declarado que Cristo
não conhecia pecado. Certamente ele suportou a ira de Deus, que era devida a
nós.
Quando Pedro diz que ele, "levou nossos pecados em seu próprio corpo
sobre o madeiro", 1 Pedro 2:24, qual é o significado desta linguagem
solene? A expressão que leva pecado, ou que leva iniquidade, ocorre mais de
trinta vezes na Escritura, e em cada caso significa suportar os sofrimentos ou
pena do pecado. Assim, em Levítico 5: 1, Deus ordena que se uma pessoa não fala
quando ouve uma acusação pública para testemunhar sobre algo que ele viu ou
aprendeu, ele "levará a sua iniquidade". Isso significa que a culpa
deve repousar sobre aquele que será passível de punição. Assim também em
Levítico 22: 9, Deus diz: "Por isso guardarão a minha ordenança, para que
não levem pecado por ela e morram". Assim, em Ezequiel 23:49, Deus diz:
"Vocês levarão os pecados dos seus ídolos". Claramente, o significado
é, você será considerado passível de castigo por adorar seus ídolos. Novamente,
em Levítico 24:15, o Senhor diz: "Quem amaldiçoar o seu Deus levará o seu
pecado". Em Hebreus 9:28, Paulo diz: "Cristo foi oferecido uma vez
para levar os pecados de muitos"; e em Isaías 53:11, Deus diz: "Meu
servo, o Justo ... levará suas iniquidades". Poderiam palavras mais
claramente ensinar que Cristo suportou a ira de Deus por nós, e suportou a
penalidade da lei em nosso lugar?
Em Gálatas 3:13, Paulo diz: "Cristo nos redimiu da maldição da lei,
sendo feito maldição por nós". Esta passagem parece especialmente
destinada a satisfazer todos os contraditores. Na língua de um israelita, a lei
consistia em um preceito, um estatuto, uma regra ou uma direção - e uma
maldição, ou pena, e uma promessa ou bênção. A regra ou o comando era para
todos. A promessa ou bênção era para o obediente; a maldição ou a penalidade
era para o transgressor. Como todos nós éramos transgressores, estávamos todos
sob a maldição. Mas Cristo nos redimiu por suportar o castigo ou por ser feito
uma maldição por nós. As pequenas variações no sentido da palavra maldição
nesta passagem não precisam enganar ninguém. No último caso, significa uma
vítima, uma devotada ou maldita para nós. Em muitas passagens fala-se de Cristo
como um cordeiro, um Cordeiro morto, um Cordeiro que tira o pecado, como um
Cordeiro adorado no céu, um Cordeiro morto desde a fundação do mundo. (Isaías
53: 7; João 1:29; Atos 8:32; 1 Pedro 1:19; Apo 5: 8, 12 e 13: 8).
É admitido que Cristo se assemelhava a um cordeiro em sua gentileza não
queixando-se. Mas, em que sentido um cordeiro tirou o pecado, senão morrendo no
altar pelo ofertante, e como poderia Cristo como um cordeiro tirar o pecado, senão
pelo sacrifício de si mesmo? Se ele fosse morto, não seria para si mesmo - mas
para nós. Todos os cordeiros oferecidos em sacrifício morreram inocentes pelos
culpados; o impecável para o criminoso. Essas coisas não ensinam claramente que
Cristo suportou a penalidade da lei, que ele morreu como um substituto para os
outros?
A mesma doutrina é várias vezes ensinada nas Escrituras em conexão com a
frase, o sangue de Cristo. É expressamente dito que ele "fez a paz através
do sangue de sua cruz", (Col. 1:20); que "pelo seu próprio sangue
entrou uma vez no lugar santo, tendo obtido eterna redenção para nós", (Heb
9:12); que seu sangue purificará nossa "consciência de obras mortas para
servir ao Deus vivo", (Heb 9:14); que "o sangue de Jesus Cristo ...
limpa-nos de todo o pecado", (1 João 1: 7); que nos remiu para Deus pelo
seu sangue, (Apocalipse 5: 9); e que "fomos aproximados pelo sangue de
Cristo". (Ef 2:13). Ora, o derramamento do sangue de Cristo por seus
inimigos foi o maior crime jamais cometido nesta terra. É impossível que tal
maldade possa ser agradável a Deus. Em que sentido seu sangue nos purifica do
pecado? Não pode ser outra coisa senão porque ele se ofereceu como um Cordeiro
sem mancha a Deus; derramou a sua alma até a morte, para que vivêssemos para
sempre. Sangue, sangue inocente, chama vingança. O sangue de Abel clamou da
terra, e o grito subiu ao céu. Mas, o sangue de Cristo fala melhor do que o de
Abel. Ele pede salvação para todos os que creem.
As Escrituras não menos claramente declaram que Cristo suportou seus
sofrimentos pelas iniquidades de seu povo. Isaías diz: "Pela transgressão
do meu povo foi ferido". (Is 53: 8). Paulo diz que "ele foi entregue
pelas nossas ofensas", (Romanos 4:25); que ele "morreu pelos nossos
pecados de acordo com as Escrituras", (1 Coríntios 15: 3); e que ele se
"entregou pelos nossos pecados", (Gal 1: 4). Não há nenhum sentido
desejável no qual Cristo poderia ter feito e sofrido essas coisas pelo pecado,
a menos que fosse como expiação. E é muito claro no Novo Testamento que Cristo ter
morrido pelo pecado é motivo de exultação para todos os piedosos. Na verdade, a
única festa instituída sob o evangelho é uma festa expressamente ordenada para anunciar
a sua morte até que ele venha.
As Escrituras não menos frequentemente declaram que Cristo morreu por
homens culpados. "Este é o meu corpo que é dado por vós". (Lucas
22:19). "Dou a minha vida pelas ovelhas". (João 10:15). "No
devido tempo Cristo morreu pelos ímpios." (Romanos 5: 6). "Ainda
éramos pecadores, quando Cristo morreu por nós". (Romanos 5: 8). Existe o
perigo de enfraquecer a força de tais passagens claras e solenes por qualquer
explicação. Ainda assim, pode-se perguntar: em que sentido concebível Cristo
poderia morrer em nosso lugar se não fosse como um sacrifício expiatório e
vicário?
As Escrituras também declaram que toda a esperança de perdão para nós
homens perdidos está centrada em Cristo. Mas por que nele - se ele não fosse
nosso sacerdote expiatório? Assim diz Pedro: "Deus o tem exaltado com a
sua mão direita para ser um Príncipe e um Salvador, para dar arrependimento a
Israel e perdão dos pecados". (Atos 5:31). Paulo diz explicitamente:
"Portanto, conheceis, homens e irmãos, que por este homem que vos é anunciada
a remissão dos pecados". (Atos 13:38). Mais uma vez: "Em quem temos a
redenção pelo seu sangue, o perdão dos pecados, segundo as riquezas da sua
graça". (Ef 1: 7). Onde está a aptidão de conectar a remissão de pecados
de maneira tão notável com a pessoa e o sangue de Jesus Cristo - a menos que
ele seja de fato o substituto de seu povo e seu Salvador no mais alto sentido
já reivindicado pelo mundo cristão?
Essas evidências e declarações claras e escriturísticas recebem
confirmação e elucidação das seguintes CONSIDERAÇÕES:
1. Se negarmos que Jesus Cristo suportou a penalidade da lei, e que seus
sofrimentos foram vicários - então devemos negar que ele era o substituto de
seu povo, e que seus pecados são imputados a ele. Se isso fosse verdade, seríamos
de todos os homens os mais miseráveis; pois desistimos deste mundo na esperança
de alcançar um mundo melhor, através da substituição de Cristo por nós. Mas,
todos os nossos pecados ainda permanecem, a menos que tenhamos remissão pelo
seu sangue. Estaríamos eternamente decepcionados, e nossa culpa ainda estaria
sobre nós. Se chegarmos até aqui, devemos em consistência sustentar que a
justiça está insatisfeita e deve sempre permanecer assim, e que, se há salvação
para os homens pecadores, deve ser em derrogação da justiça de Deus; deve ser
pisoteando sob a pena da lei de Deus.
2. Alguns que negam que a morte e os sofrimentos de Cristo foram vicários
e para nós, admitem que as Escrituras parecem ensinar essa doutrina. Mas elas
nos advertem contra ser desviado pela linguagem figurativa. Para isso, essas
respostas podem ser dadas:
1. Se a linguagem figurativa não ensina nada, então é absurda.
2. Em todas as línguas, as coisas mais fortes que são ditas são ditas em
metáfora.
3. Uma grande variedade de metáforas são empregadas pelos escritores
sagrados sobre este assunto.
4. Muitas vezes as Escrituras falam em linguagem perfeitamente clara:
"Ele levou o pecado de muitos." "Ele foi ferido por nossas
transgressões." "Ele morreu por nossos pecados." "Ele
sofreu, o Justo pelos injustos". Estas são formas de expressão tão livres
da figura como a linguagem pode muito bem ser.
3. Se as Escrituras que são geralmente invocadas como ensinando a
doutrina de expiação vicária podem ser explicadas de modo a não ensiná-la,
então é inútil tentar provar qualquer coisa pela Palavra de Deus.
4. Qualquer esquema de doutrina que se opõe à justiça retributiva de
Deus, se levado a seus resultados legítimos, subverte também a doutrina da
santidade Divina. Deus castiga o pecado porque sua natureza o leva a
abominá-lo.
5. Se Deus deixou de lado a penalidade de sua lei sem uma completa
satisfação, não deve ter sido no início muito severa? E se a pena foi errada no
princípio, não pode o preceito para a mesma causa ser demasiado estrito? Assim,
por nossas especulações, subvertemos toda a lei.
6. Do mesmo modo subverteremos o evangelho. O que o pecador convencido
necessita e procura é, não apenas que ele possa escapar do inferno e alcançar o
céu, mas deseja fazê-lo de uma maneira que assegure a honra de Deus. Ele deseja
ver como Deus pode ser justo e ainda justificar o pecador. Sobre a antiga
doutrina bíblica de uma expiação vicária, tudo é claro; mas em qualquer outro
esquema não há maneira de satisfatoriamente explicar a morte de Cristo ou a
oferta de salvação. Se Jesus Cristo suportou a pena - por que Deus feriu o Homem
que era seu companheiro?
7. Quão bem a verdadeira doutrina concorda com os tipos do Antigo
Testamento. Sem se referir às muitas grandes ofertas em detalhe, que alguém
considere cuidadosamente a oferta de até mesmo pombinhos ou o rito do bode
expiatório, e ver o que pode ser o significado de tais serviços, se Jesus
Cristo não morreu por nós . se Cristo levou nossos pecados, bem podemos ser
perdoados.
8. Quão bem a verdadeira doutrina se harmoniza com a adoração do céu:
"Os cânticos dos remidos no céu, mesmo daqueles que tinham saído da grande
tribulação, e tinham derramado o seu Sangue na causa de Cristo, propiciam um
argumento incontestável em favor de uma verdadeira expiação e de um sacrifício
vicário na morte de Cristo. Sem uma voz discordante, eles atribuem sua salvação
ao Cordeiro que foi morto e os redimiu para Deus por meio de Seu sangue, que os
lavou de seus pecados em seu próprio sangue, mas em que sentido poderia o
Cordeiro que foi morto lavá-los de seus pecados em seu próprio sangue, a menos
que ele fosse literalmente um sacrifício expiatório? (Scott). O que há para
fazer exultante a adoração de pecadores salvos se, afinal, Deus apenas é conivente
em suas transgressões?
9. Não se pode negar com segurança - é comumente admitido - que os
primeiros escritores cristãos, os reformadores e o mundo cristão em geral, até
meados do século XVIII, sustentaram e ensinaram que Cristo suportou a maldição
e suportou a ira De Deus no lugar dos pecadores. Não é este fato uma forte
prova presuntiva de que a doutrina é verdadeira? É possível que Deus tenha
enganado os profetas e apóstolos, e tenham sido deixados a abraçar a ilusão?
10. É um grande fato confirmatório da verdadeira doutrina, que tem um
poderoso poder sobre todos os corações dos justificados. "Oh, que
consideração é esta, que da angústia de Cristo vem a nossa vitória, da sua
condenação a nossa justificação, da sua dor a nossa facilidade, das suas chagas
a nossa cura, do seu fel e do vinagre o nosso mel; da sua maldição a nossa
bênção, da sua coroa de espinhos a nossa coroa de glória, da sua morte a nossa
vida: se não pudesse ser libertado, seria para que pudéssemos ser, se Pilatos o
condenou, foi para que o grande Deus nunca pudesse dar a sentença contra nós. (Hopkins).
Corações devem ser mais duros do que as rochas, se o amor e a morte de Cristo
não movê-los! Quando ele morreu - as rochas foram quebradas.
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