Título original: Christs ascension, and session at gods
right hand
Extraído de: The rock of our salvation
Por: William S. Plumer (1802-1880)
Traduzido,
Adaptado e Editado por
Silvio Dutra
"Vinde,
cantemos ao Senhor; jubilemos à rocha da nossa salvação" (Salmo 95.1)
O primeiro passo na exaltação de
Cristo foi sua ressurreição; o segundo, sua ascensão ao céu; o terceiro, o assenta-se
à direita de Deus.
I. ASCENSÃO
DE CRISTO.
1. Nosso
Senhor, tendo ressuscitado, não subiu imediatamente ao céu, mas permaneceu na
terra quarenta dias. (Atos 1: 3). Por esta demora:
(1) Daria
aos seus seguidores toda a prova razoável de sua humanidade: "Olhai as
minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um
espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho. E, dizendo isso,
mostrou-lhes as mãos e os pés.” (Lucas 24.39,40).
Muito tempo
depois de sua ascensão ao céu, o último apóstolo sobrevivente testifica: "O
que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o
que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida (pois
a vida foi manifestada, e nós a temos visto, e dela testificamos, e vos
anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e a nós foi manifestada); sim,
o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que vós também tenhais
comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo."
(1 João 1: 1- 3).
(2) Cristo
daria toda satisfação razoável a respeito da realidade de sua ressurreição. E
fez isto de muitas maneiras, inclusive chamando um pobre duvidoso para estender
seu dedo e tocar suas mãos, e estender a mão, e tocar em seu lado. (João 20:27).
De fato, ele se mostrou vivo depois de sua paixão, por muitos sinais
infalíveis. (Atos 1: 3).
(3) Cristo
permaneceu na terra um tempo para ajudar seus discípulos a se recuperarem do
terrível choque que sua fé recebera na crucificação e para confirmar e instruir
mais sobre a natureza e as coisas de seu reino. "Depois lhes disse: São
estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se
cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos
Salmos. Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras."
(Lucas 24:44, 45).
2. A
profecia exigia a ascensão de nosso Senhor, e as Escrituras não podem ser
quebradas. Assim, lemos: "Deus subiu entre aplausos, o Senhor subiu ao som
de trombeta." (Salmos 47: 5). "Subiste ao alto, levaste cativo o
cativeiro; recebeste dons para os homens, sim para os rebeldes, para que o
Senhor Deus habitasse entre eles". (Salmos 68:18). Dessa predição temos
uma interpretação inspirada e tão infalível dada por Paulo em Efésios 4: 8-13: “Por
isso foi dito: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos
homens. Ora, isto - ele subiu - que é, senão que também desceu às partes mais
baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu muito acima de
todos os céus, para cumprir todas as coisas. E ele deu uns como apóstolos, e
outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e
mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do
ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do
pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da
estatura da plenitude de Cristo.”
Daniel
previu a mesma coisa: "Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis
que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião
de dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um
reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é
um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído."
(Dan 7:13, 14).
Nosso Senhor
muitas vezes anunciou sua própria ascensão: "Eu vou ao Pai". (João
14:28). "Vou para o que me enviou". (João 16: 5). “E acrescentou: Em
verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto, e os anjos de Deus
subindo e descendo sobre o Filho do homem.” (João 1:51). Muito mais ele disse
para o mesmo efeito. Para que, sem dúvida alguma, várias predições, correndo
pelo espaço de pelo menos mil anos, exigissem que Cristo subisse a Deus.
3. Com a
profecia, o registro histórico bem e totalmente concorda. Nem Mateus nem João
registram a ascensão de Cristo. No entanto, é declarado em quatro livros do
Novo Testamento. O testemunho de Marcos sobre o assunto é: "Assim, depois
que o Senhor lhes falou, foi recebido no céu, e assentou-se à destra de
Deus". Em seu evangelho, Lucas diz: "Quando ele os levou para a
vizinhança de Betânia, ele levantou as mãos e os abençoou, enquanto os abençoava,
os deixou e foi levado para o Céu. Então o adoraram e voltaram a Jerusalém com
grande alegria, e ficaram continuamente no templo, louvando a Deus." (Lucas
24: 50-53). E em Atos 1: 9-11 lemos: "Tendo ele dito estas coisas, foi
levado para cima, enquanto eles olhavam, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a
seus olhos. Estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que
junto deles apareceram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram:
Varões galileus, por que ficais aí olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre
vós foi elevado para o céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.”
Em 1 Timóteo
3:16, Paulo diz que ele foi recebido na glória. Assim, o registro concorda com
a previsão e explica-a.
4. No lado sudeste
de Jerusalém, e separado dele pelo vale do ribeiro Cedron, há uma cordilheira
correndo ao norte e ao sul. Seu cume está a cerca de meia milha do muro da
cidade santa. Por muitos milhares de anos tem sido famosa por suas oliveiras, e
desde os dias de Samuel até os tempos atuais tem sido chamado de Monte das
Oliveiras. (2 Sam 15:30). Sobre este Davi fugiu chorando, quando se retirou de
seu palácio na rebelião de Absalão. O caminho para Jericó e o Jordão atravessa
este cume. Na sua base no oeste estava o jardim sempre famoso do Getsêmani. Em
sua vertente oriental estava a aldeia afastada de Betânia, tão frequentemente
favorecida com a presença do Salvador. Muitas vezes cruzava o Monte das
Oliveiras. Este monte, que se eleva a cerca de duzentos metros acima de Jerusalém,
é escolhido por Zacarias como o lugar ou o emblema de grandes e terríveis
julgamentos.
Ele
testemunhou muitas das maravilhas e misericórdias e sofrimentos de nosso
Senhor. Dele ele subiu. A tradição tenta marcar o ponto de onde ele surgiu; mas
tudo isso é incerto. Sobre este monte ele tinha visto a cidade santa e chorou
sobre ela. Na sua base, ele estava triste e muito angustiado; sim, seu suor era
como se fossem grandes gotas de sangue caindo no chão. Tinha testemunhado sua
fraqueza humana e seus terríveis sofrimentos. Na sua ascensão, testemunhou o
seu triunfo e glória incrível. Aqui ele lutou com os poderes das trevas. Aqui
ele agora "fez uma exposição deles abertamente."
5. Do Monte
das Oliveiras ascendeu ao céu. De sua subida ao céu é expressamente dito que
foi necessário: "Quem o céu deve receber até os tempos de restauração de
todas as coisas". (Atos 3:21). O propósito de Deus, a verdade da profecia
e a aptidão das coisas requeriam a ascensão de Cristo ao céu. Marcos diz:
"Ele foi recebido no céu." Lucas diz: "Ele ... foi levado para o
céu". O próprio Cristo diz: "Ninguém subiu ao céu, senão aquele que
desceu do céu, o Filho do homem que está nos céus". (João 3:13). Em Atos
1:11 temos as palavras dos anjos: "Esse Jesus, que dentre vós foi elevado
para o céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir."
Estevão viu
"os céus se abrindo, e o Filho do homem, que estava à direita de
Deus". Paulo adverte os senhores para serem gentis, e dá a isto uma razão,
"sabendo que o vosso Mestre também está no céu". (Efésios 6: 9). Mais
uma vez: "Nossa pátria está no céu, de onde também esperamos o Salvador, o
Senhor Jesus Cristo". (Filipenses 3:20). Novamente: "Pois Cristo não
entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu,
para agora comparecer por nós perante a face de Deus." (Hebreus 9:24).
Pedro também diz: Ele "foi para o céu". Mas, Paulo diz que ele é
"feito mais alto do que os céus". (Hebreus 7:26). Este modo de falar
pode ter referência à ideia judaica de três céus - primeiro o céu atmosférico,
e depois os céus estrelados. Cristo é feito mais alto que estes céus, e entrou
no terceiro céu, muitas vezes chamado de o céu dos céus.
6. Quando
falamos do Cristo ascendente, falamos de seu corpo humano e alma humana. Sua
natureza divina preenche, e sempre encheu, céu e terra. Essencialmente preenche
todo o espaço, é confinado a nenhum lugar, mas impregna a imensidão. Quando
Cristo estava caminhando aqui na terra, ele falou do Filho do homem como estando
então no céu. (João 3:13). Em todos os tempos isso era verdade para a sua
natureza divina, e apenas para ela. O efeito dessa exaltação sobre a natureza
humana de Cristo não era aniquilá-la, não sublimá-la para que deixasse de ser
natureza humana, mas para glorificá-la, para a coroar de glória e honra. Quando
Saulo de Tarso o viu, logo após sua ascensão, ele brilhou com um brilho acima
do brilho do sol. A visão produziu cegueira, que foi milagrosamente curada.
Cerca de sessenta anos depois, João o viu, e caiu a seus pés como morto. O modo
ordinário de explicar esta maravilhosa mudança na aparência de Cristo é que,
enquanto ele estava aqui na terra, sua glória estava velada. Em sua
transfiguração o véu foi tirado, e sua veste tornou-se branca e brilhante. No
céu não há véu, nem cobertura. A glória brilha intensamente, e nada a
obscurece.
7. O modo de
ascensão de Cristo é digno de nossa atenção. Cristo ascendeu não
figurativamente, mas literalmente; não espiritualmente, mas corporalmente; não
insensivelmente, mas visivelmente. Seus discípulos o viram ascender ao céu tão
claramente como o viram na cruz, ou no barco, ou no lado do mar. Subiu em uma
nuvem. Ninguém nos disse quão brilhante era essa nuvem, ou qual era sua
aparência; mas era como a nuvem em que ele chegará ao julgamento. (Atos 1:11).
Nem foi tirado de repente. Ele foi visto para deixando a terra, e visto por
algum tempo depois que ele a deixou. Eles olharam para ele quando ele subia.
Sua ascensão
foi triunfante. Quarenta e três dias antes ele havia subido a Jerusalém num
jumentinho. Ele agora ascende triunfalmente à Jerusalém celeste. Ele deixou o
mundo falando palavras de encorajamento e bênção aos humildes. As nove
primeiras frases de seu sermão no monte começaram com a palavra benção. A
última coisa que ele fez na terra foi pronunciar uma bênção sobre o seu povo.
Sua ascensão ao céu era gloriosa em todos os sentidos, e seu séquito foi
primeiro o exército celestial de anjos. Em Atos é feito menção, senão a dois
anjos que foram vistos. Mas, a profecia que prediz expressamente sua ascensão
começa dizendo: "Os carros de Deus são vinte mil, até milhares de anjos, o
Senhor está entre eles como no Sinai, no lugar santo". (Salmos 68:17).
Compare o versículo 18 e Efésios 4: 8-12.
A lei no
Sinai foi dada pelos anjos. O Salvador chegará ao juízo com os seus anjos da
mesma maneira que deixou o mundo. A ascensão de nosso Senhor foi, de todos os
modos, um evento alegre, e foi assim considerado por seus discípulos, como
Lucas nos informa expressamente. Foi o fruto abençoado de seus sofrimentos e
obediência. E foi testemunhado por um número suficiente de testemunhas
competentes e críveis, não menos de quinhentas. (1 Cor. 15: 6). Nenhum homem
jamais sugeriu um pretexto plausível para qualquer um dizendo que o tinha visto
subir, a menos que fosse verdade.
(Nota do
tradutor: A ascensão de nosso Senhor, é a garantia de que os próprios crentes
também ascenderão em corpos glorificados ao céu, como o do Senhor, por ocasião
do arrebatamento da Igreja. É pois um forte fundamento para a nossa fé, que
depois de passarmos por este vale de sofrimentos terrenos por amor ao
Evangelho, assim como ele também passou, por fim, haveremos de ser glorificados
e recebidos nas alturas, tendo os nossos corpos ressuscitados de entre os
mortos.)
II. SEU ASSENTAR-SE
À DIREITA DE DEUS.
Esta é a
terceira medida da recompensa de nosso Senhor - o terceiro passo na sua
exaltação.
Isso foi
exigido pela profecia. Davi havia dito: "Disse o Senhor a meu Senhor:
Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de
teus pés". (Salmo 110: 1). Comparar com Lucas 20:42 e Hebreus 1:13. Tanto
Pedro como Paulo provam que isso se aplica a Cristo. Cristo mesmo previu a
mesma coisa quando estava nas mãos de seus assassinos: "Daqui em diante o
Filho do homem assentará à direita do poder de Deus". (Lucas 22:69).
Este
assentar-se à direita de Deus é muito falado nas Escrituras. Marcos diz que ele
"estava assentado à destra de Deus". Paulo diz que Deus "o pôs à
sua direita nos lugares celestiais". (Efésios 1:20). Pedro diz: "Ele
está à direita de Deus". (1 Pedro 3:22).
1. A questão
então surge: Qual é a importância da frase, "sentado à direita?" A
palavra sentar não ensina que o corpo de nosso Senhor está sempre em uma
postura sentada. De fato, a mera postura não é mencionada em absoluto. Pedro e
Paulo, cada um, simplesmente dizem: "Ele está à direita de Deus". E
Estevão, morrendo, viu "o Filho do homem que está à direita de Deus".
(Atos 7:56). Permanente é uma postura em que uma está pronta para receber outra,
ou dar-lhe assistência. Era exatamente o que Estevão indicava.
(1) A
primeira coisa ensinada por Cristo "sentado à direita de Deus" é que
ele agora tem quietude, repouso. Ele entrou em seu descanso. Ele cessou de suas
próprias obras. Assim diz Miquéias: "Cada um se assentará debaixo da sua
videira e debaixo da sua figueira, e ninguém os assustará". (Miquéias 4: 4).
Assim, no Apocalipse: "Ao que vencer, eu concederei sentar-se comigo no
meu trono, assim como eu venci, e me assentei com meu Pai em seu trono". (Apo
3:21). É certo que depois do trabalho deve vir o descanso; após a guerra, a
paz. Depois do conflito, Cristo e seu povo descansam de seus trabalhos e
tristezas.
(2) O termo
sentar também denota permanência de morada e posse. Assim se diz: "Aser
continuou [literalmente, sentou] à beira-mar", (Juízes 5:17); Isto é, ele
tinha a posse permanente desse lugar. Cristo tem repouso e uma morada
permanente e uma possessão legítima no céu.
(3)
Sentar-se também expressa autoridade e domínio. "Sente-se à minha direita,
até que eu faça de seus inimigos seu escabelo" (Salmo 110: 1), é paralelo
a "Ele deve reinar até que ele coloque todos os inimigos debaixo de seus
pés." (1 Cor 15:25). Não convém que o rei fique de pé na presença de seus
súditos, mesmo dos admitidos mais próximos de seu trono.
(4) Sentar é
também uma postura de ajuste para um juiz. Salomão fala de "um rei que
está sentado no trono do juízo". (Provérbios 20: 8). Falando de Cristo,
Isaías, 16: 5, diz: "Em misericórdia o trono será estabelecido; e ele se assentará
verdadeiramente na tenda de Davi, julgando, buscando juízo e apressando a
justiça". E ele não deve falhar nem se desanimar até que ele tenha julgado
na terra; sim, "ele julgará os pobres do povo, ele salvará os filhos do
necessitado, e despedaçará o opressor". (Salmos 72: 4).
2. Estar
sentado, estar à direita é figurativo. Deus não tem partes corpóreas. Ele usa
essa linguagem em condescendência com a fraqueza humana. A figura é de uso
frequente nas Escrituras. Jacó pôs a mão direita sobre a cabeça do filho mais
novo de José com intenção de lhe dar a maior bênção. No Salmo 80:17 estão estas
palavras: "Que a tua mão esteja sobre o homem da tua destra, sobre o filho
do homem, que fizeste forte para ti". Qual é a importância da figura?
(1) As mãos
são os instrumentos principais do poder humano do corpo, e por causa do uso, a
mão direita é geralmente a mais forte das duas. É um emblema apto de força, e é
frequentemente usado para denotar o poder onipotente de Deus. Assim, no cântico
de Moisés: "A tua destra, ó Senhor, se tornou gloriosa em poder; a tua
destra, Senhor, despedaçou o inimigo". (Êxodo 15: 5). Assim, Jesus Cristo,
à direita de Deus, tem todo o poder. Ele é capaz de fazer toda a Sua vontade.
(2) Com a
mão direita os dons eram geralmente concedidos e recebidos. Assim, quando
Cristo subiu ao alto, recebeu dons para os homens, e para si glória e domínio. (Efésios
4: 8).
(3) A mão
direita do poder real é por homens considerados um lugar de gozo. Como tal, é
muito procurado. Assim, no Salmo 16:11, que se relaciona muito com Cristo,
lemos: "Na tua presença há plenitude de alegria, à tua direita há prazeres
para sempre". Nosso Salvador não é mais "um homem de dores". A
dor não chega mais a ele.
(4) A mão
direita, de acordo com ideias hebraicas, é o posto de honra. Quando Salomão
conferiu honra peculiar a sua mãe, ele a fez sentar-se à direita de seu trono. (1
Reis 2:19). Dizer que Cristo está à mão direita de Deus é declarar que ele é
exaltado por seu Pai com grande dignidade e glória. Isso corresponde à
declaração de Paulo em Filipenses 2: 9. Nossa tradução é: "Deus o exaltou
muito". O siríaco é: "Deus multiplicou sua sublimidade". O árabe
é: "Deus o elevou com uma altura". Justino diz: "Deus o exaltou
fielmente". Deus ouviu a sua oração e o glorificou consigo mesmo, com a
glória que teve com o Pai antes que o mundo existisse. Sim, "vemos Jesus
coroado de glória e honra". (João 17: 5; Hebreus 2: 9). Para um maior grau
de repouso, e governo, e felicidade, e favor, e poder e majestade.
Neste estado
glorioso, Jesus Cristo executa todos os ofícios mediadores. Ele é o grande
PROFETA da igreja. Com ele está a plenitude do Espírito. Pelo seu Espírito, ele
convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Não podemos dizer, como
alguns fazem, que o Espírito foi comprado por Cristo, muito menos que ele é o
ministro de Cristo. O Espírito Santo é "livre". (Salmos 51:12). Ele
não tem guia nem conselheiro. Ele é igual ao Pai e ao Filho. Ele é soberano em
todos os seus atos. (1 Cor. 12:11). Ele não pode ser comprado nem com dinheiro,
nem com lágrimas, nem com sangue. Mas há uma gloriosa harmonia nos conselhos da
Trindade. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Não há diversidade de
conselho ou de vontade na Divindade. No dia do Pentecostes, Pedro disse:
"Jesus, estando à mão direita de Deus exaltado, e tendo recebido do Pai a
promessa do Espírito Santo, derramou isto que agora vedes e ouvis". (Atos
2:33). Assim, o Espírito Santo é o Espírito de Cristo. Ele ilumina nossas
mentes, trabalha fé em nós e nos salva. Cristo também ressuscita, qualifica e
envia todos os verdadeiros ministros do evangelho. Ele é Cabeça sobre todas as
coisas para a igreja.
Em seu
estado exaltado, Cristo continua sendo nosso SACERDOTE. Ele não faz, de fato, mais
ofertas; mas gloriosamente intercede por nós. A glória de sua intercessão pode
ser aprendida com esses fatos:
1. A pessoa
do intercessor é eficientemente graciosa;
2. Ele é o
deleite de seu Pai;
3. Sua
intercessão está cheia de autoridade;
4. Ele sempre
prevalece;
5. Ele
continua para sempre.
Na sua
exaltação, Cristo é também um REI. Nesta sua grande glória:
1. Seu reino
é espiritual, e assim tem seu lugar nos corações de seu povo.
2. É
inteiramente ordenado na verdade, e equidade, e justiça.
3. É tão
estável quanto o trono de Deus.
4. É para
sempre e sempre.
1. Temos o
direito de esperar a conversão de todos os escolhidos de Deus. A depravação
nativa e os hábitos prolongados de pecar podem parecer tornar uma mudança de
coração desesperada; mas porque Cristo está sentado à direita de Deus, seu povo
estará disposto no dia de seu poder. (Salmo 110: 1, 3).
2. Não
haverá fracasso na conclusão de todos os planos e esquemas de Deus: "O
Senhor, à tua direita, quebrantará reis no dia da sua ira. Julgará entre as
nações; enchê-las-á de cadáveres; quebrantará os cabeças por toda a terra. Pelo
caminho beberá da corrente, e prosseguirá de cabeça erguida." (Salmos 110:
5-7).
3. A igreja
é segura. Sua cabeça é exaltada, e ele a ama, e a comprou com seu sangue. Ele a
gravou nas palmas de suas mãos. Seu sucesso depende de um braço cheio de poder,
de uma graça infinita, da intercessão que sempre prevalece. A confiança humilde
e exclusiva no capitão de nossa salvação, nunca pode ser decepcionada.
4. Para o
mesmo estado glorioso os crentes em Cristo estão tendendo rapidamente. O céu, o
céu dos céus, o terceiro céu, o paraíso, a nova Jerusalém, a cidade de Deus,
são alguns dos nomes pelos quais a glória dos espíritos dos homens justos
aperfeiçoados é designada. A glória daquele mundo abençoado em que o Cordeiro é
a sua luz. Seremos como ele, porque o veremos como ele é. Nossos corpos vis
serão modelados como seu corpo glorioso. Estaremos para sempre com o Senhor.
5. A
submissão e obediência fervorosas e universais a Cristo são razoáveis e obrigatórias. Devemos nos submeter alegremente para a salvação, ou relutar para a
destruição. Agora os homens podem se afetar, e até sentir desprezo pela
religião e seu Autor; mas esses são pensadores superficiais que não sabem que a
coragem desconsiderada logo cede lugar a consternação terrível, enquanto a apreensão
sóbria prepara a mente para o pior. Nenhum grito de misericórdia será mais
forte, nenhum grito de angústia será mais penetrante, nenhum gemido de
desespero será mais doloroso do que aqueles proferidos no último dia por homens
que toda a sua vida fizeram pouco caso das coisas eternas. Se você ainda está
em seus pecados, uma de duas coisas é verdadeira - ou sua consciência está em
perpétua e terrível guerra com sua prática - ou você abraçou algum erro que
tira a vida de dignidade do céu mata a esperança de alcançá-lo.
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