sábado, 6 de maio de 2017

Piedade Genuína


Título original: Genuine Piety

Por: Archibald Bonar (1753—1816)

Traduzido, Adaptado e
Editado por Silvio Dutra

PREFÁCIO
Aliviar as ansiedades dos pobres laboriosos, e aumentar a felicidade do povo comum, é o objetivo sincero do escritor deste Tratado. Como método mais eficaz para realizar este objetivo desejável, ele deseja recomendar a eles e a suas famílias - o conhecimento e o amor da religião real; totalmente persuadido, de que só isso pode apoiar suficientemente suas mentes sob os vários males a que são expostos diariamente.
Muitas são as armadilhas da pobreza e severas as dificuldades experimentadas por aqueles que são colocados nas posições inferiores da vida. Quando sofrendo sob agonizante solicitude, ou negligência cruel, ou todas as circunstâncias humilhantes de dependência arrogante; quando a vasilha de farinha é consumida, e as crianças choram pelas provisões que seus pais necessitados são incapazes de comunicar; quando a doença une-se à pobreza para tornar as suas habitações sombrias; quando aquele em cujo trabalho suas esperanças estavam centradas, é perfurado pelas flechas da morte - como é lamentável então o estado de tais famílias! Mas muito mais lamentáveis ​​ainda, se, sob essas calamidades, eles permanecem estranhos às alegrias satisfatórias, e às esperanças animadoras do cristianismo; se viveram nos tristes hábitos da impiedade, ou cresceram em todas as misérias da ignorância; se, em meio a suas complicadas provações, sentidas e lamentadas, eles estão destituídos das consolações que permitem aos crentes triunfar no meio da adversidade.
Tal ignorância da verdadeira religião dificilmente pode deixar de ser produtora de prodigalidade e miséria. Aqueles que nunca foram ensinados a buscar a felicidade nos caminhos de Deus, ainda estão ansiosos por conforto, e são naturalmente levados a colocar todas as suas expectativas de desfrutá-lo nas intoxicações do vício; sua pobreza, unida à sua ignorância, os envolve em muitas armadilhas, os apressa a todos os terríveis excessos da iniquidade, e afoga-os finalmente na culpa e eterna perdição! Ao passo que, se tivessem sido treinados nos caminhos da piedade e da justiça, poderiam ter mantido um caráter honrado em meio a todas as armadilhas da pobreza e desfrutado de serenidade interior em meio a todas as adversidades da vida.
Tentar, portanto, a libertação de muitos desta miséria, e procurar dirigi-los para a frente nos caminhos da sabedoria e da paz, não pode ser um objeto não apto a uma mente benevolente. Com este desígnio, e de um desejo ardente de promover um objeto tão importante - um amigo apresenta ao povo comum em nossa terra, um diretório simples e monitor, escrito para sua instrução, e enviado ao mundo com súplicas fervorosas ao Pai de todos, pelo seu sucesso na promoção dos melhores interesses da humanidade.














Introdução pelo Tradutor:
Nós vemos o apóstolo Paulo se dirigindo a Timóteo para que se exercitasse pessoalmente na piedade (I Tim 4.7), uma vez que viriam tempos trabalhosos em que os homens teriam a forma de piedade, mas negariam o seu poder (II Tim 3.5), dos quais ordenou a Timóteo que se afastasse deles.
Os dias seriam difíceis por causa desta aparência de piedade religiosa sem que a fosse de fato, de maneira que muitos seriam enganados e conduzidos a um modo de vida cristã que não poderia de modo algum agradar a Deus.
Com o intuito de fundamentar os crentes na verdade todos os apóstolos dirigem sérias advertências em suas epístolas quanto ao dever de se crescer na graça e no conhecimento de Jesus para que se tenha um testemunho de vida cristã verdadeiro e maduro, apto para o serviço de Deus e para a comunhão entre os crentes em amor.
É a isso que o apóstolo Pedro se refere em sua segunda epístola quando, com vistas a tal crescimento espiritual rumo à necessária maturidade, aponta os degraus de graças  nos quais o crente deve avançar rumo à citada maturidade:
“5 E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência,
6 E à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade,
7 E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade.
8 Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.” (II Pedro 1.5-8)
Como não poderia deixar de ser, ele começa com o degrau da fé, pelo qual os crentes tiveram acesso à conversão, com a justificação e a regeneração, e com a qual devem também prosseguir na santificação progressiva durante toda a sua jornada espiritual.
À fé deve ser seguida por um viver segundo as excelências de Cristo, ao qual ele chama resumidamente de virtude (erete no grego), palavra que designa aquele que sabe distinguir o  vil do precioso.
Mas, há ainda outros degraus na vida espiritual que devem ser acessados com o tempo de nossa caminhada no Senhor. E o próximo citado pelo apóstolo é a ciência, ou conhecimento da vontade de Deus, especialmente a revelada na Palavra, que o instrumento da nossa santificação pelo Espírito.
Tendo alcançado estes degraus, o próximo em ordem é a temperança, ou domínio próprio, um fruto do Espírito Santo, obtido pelo exercício da negação do nosso ego, para sermos conduzidos pela mente de Cristo, segundo instrução e direção do Espírito.
Alcançado este ponto, estamos em condições de avançar para exercer o próximo degrau que se refere à paciência cristã, e sobre a qual todo um compêndio poderia ser escrito, mas que podemos resumir como sendo particularmente a imitação da longanimidade de Deus, sendo tardios para nos irarmos, e para falar, e prontos para ouvir, conforme o dizer do apóstolo Tiago. Está em foco aqui, a capacidade aprendida em diversas provações e exercícios espirituais, a suportar ofensas, ingratidões e toda sorte de danos e perseguições, sem perder a paz e alegria de Cristo no coração.
Este já é um grau de crescimento espiritual bastante recomendável, mas falta ainda ser-lhe acrescentado os degraus da piedade e do amor, que são apresentados pelo apóstolo Pedro, nesta ordem. A piedade está relacionada à vida de devoção a Deus, não apenas externa, mas sobretudo interna, de coração, quanto à adoração, louvor, oração, ações e reações cristãs especialmente na comunhão dos santos. E amor, cujas características essenciais são destacadas pelo apóstolo Paulo em I Coríntios 13, dispensa maiores comentários.
Concluímos então que a plenitude do amor de Cristo não poderá ser vista no crente ou na congregação de crentes em que tais degraus anteriormente citados não tiverem sido alcançados na experiência da prática da vida cristã.
Na verdade, todas estas graças são alcançadas e aperfeiçoadas mediante exercício, ou seja, por serem praticadas, por nos empenharmos em agir de acordo com o que a Palavra nos ensina e exige de nós em relação a elas.
O apóstolo Paulo se expressa a respeito desta forma de Pedro definir o crescimento espiritual à estatura de varão perfeito (amadurecido), usando outras formas de expressão, como a que encontramos por exemplo em Efésios 4.11-16:
11 E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,
12 Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
13 Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,
14 Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.
15 Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,
16 Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento de si mesmo, para sua edificação em amor.”
Ou ainda:
“3 E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança,
4 e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança;
5 e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rom 5.3-5).
Aqui, pretendemos, com a tradução deste livro de Archibald Bonar, focarmos apenas no assunto da piedade, principalmente com o propósito de aprendermos que a par de o crente ter recebido todo o aparato da graça em semente na conversão, é necessário fazer crescer e aparecer tudo o que se refere a Cristo, para que o propósito eterno de Deus se cumpra em sua vida.
Alguns crentes entraram pela porta da fé, e sequer avançaram na da virtude e do conhecimento, e não tendo avançado nestas, muito menos terão avançado nas portas do domínio próprio, da paciência e da piedade, as quais tendo sido percorridas, são o caminho normal para a grande porta do amor em sua plenitude em maturidade.
Os apóstolos lutaram e deixaram escrito para nós em suas epístolas tudo quanto nos convém, e se esforçavam para que fosse aprendido e praticado por todos os crentes. A falta da mesma diligência no ensino e aplicação de tais coisas, explica a grande carnalidade que campeia uma grande parte da igreja atual em todo o mundo.


Os Princípios da Verdadeira Religião
A VERDADEIRA RELIGIÃO consiste em três partes: princípios apropriados, disposições apropriadas e conduta apropriada. A união destes três, forma o caráter de uma pessoa piedosa; e se algum deles faltar, os outros dois devem ser grandemente deficientes; porque os princípios em que você deve estar imbuído darão uma direção aos afetos de seu coração; e ambos, ao unirem sua influência, determinarão o teor geral de sua conduta.
Portanto, será necessário apresentar-lhes uma simples descrição dos princípios sagrados, ou doutrinas, que os cristãos reais consideram essenciais para suas esperanças e felicidade; que são claramente revelados na Palavra de Deus; e que, portanto, são do seu maior interesse bem compreender, firmemente acreditar e constantemente lembrar. Depois de termos visto os princípios passaremos à descrição das disposições ou afetos, e finalmente à conduta.
(Nota do tradutor: Vemos assim que é possível que um crente genuíno pode estar destituído de um viver piedoso, ou seja, sem ter a piedade acrescentada à sua vida religiosa, desde que lhe falte a prática da Palavra, refletida pela sua plena vivência em sua conduta. E isto não é recebido como um dom instantâneo como é o caso da justificação e da regeneração, antes é alcançada por exercício, e exercício continuado em grande disciplina na aplicação da Palavra à vida pelo poder do Espírito Santo, como vemos o apóstolo instruindo Timóteo em 1 Tim 4.7. Assim, mesmo que haja conhecimento da Palavra, e uma disposição afetuosa por Deus e pela Sua vontade, e todavia houver esta falta de prática da verdade na vida, não pode ser dito que o crente é piedoso, ou que alcançou a piedade.)
As doutrinas essenciais da Escritura referem-se principalmente aos seguintes detalhes:
1. O caráter e a providência de Deus.
2. As circunstâncias originais e presentes da humanidade.
3. O amor de Cristo, como exposto em sua encarnação, sofrimentos, morte e ressurreição; e ainda exibido em seu cuidado ininterrupto de sua igreja e pessoas.
4. A aplicação deste amor através das influências do Espírito Santo.
5. O estado eterno.
Vamos discorrer um pouco sobre o que as Sagradas Escrituras revelam a respeito de cada um desses artigos.
1. O fundamento de todo conhecimento religioso é estabelecido em concepções justas do SER DIVINO.
Que há um Deus, toda a natureza proclama em voz alta, e quase todas as nações admitiram prontamente. Assumindo, portanto, o Ser de Deus como um princípio consentido, a interessante indagação segue naturalmente: Quem é Deus? Quais são seus atributos? Que atenção ele tem para suas criaturas racionais aqui embaixo? Qual é a extensão de seu domínio e providência? Se aqueles que arrogantemente se vangloriam de que a razão não iluminada pode guiar os homens para a felicidade, são incapazes de resolver essas perguntas com satisfação para si ou para os outros; se eles só podem conjecturar; e se suas conjecturas são passíveis de controvérsias; então que eles não pensem mais do que deveriam da luz da natureza, mas deixem que eles escutem os ditames da revelação bíblica, e aprendam a partir daí o que a razão humana nunca poderia ter descoberto. (Nota do tradutor: porque Deus não nos deixou sem respostas quanto ao que é essencial para adorá-lo e servi-lo, conforme a revelação que fez nas Escrituras para tal propósito.)
Das Escrituras aprendemos que o Deus com quem temos de lidar é sobre todos, e antes de tudo, infinitamente e independentemente, abençoado em si mesmo; de eternidade a eternidade, sem qualquer variação, ou mesmo sombra de mudança. Como ninguém pode resistir ao seu poder, assim todas as coisas são possíveis com ele, porque ele é o Senhor Deus onipotente, que era, e é, e está para vir. Ele é glorioso em santidade; e não pode olhar para a iniquidade sem aborrecimento. Diante dele todas as coisas são abertas e manifestas; porque as trevas não nos podem esconder dele, porque é como a luz. Mais, ele procura os pensamentos e corações dos homens, e conhece todos os seus feitos secretos.
Grandes e maravilhosas são suas obras. Ele fez os céus, e todas as suas hostes, o mundo e todos os seus habitantes. Ele os sustenta pela palavra do seu poder, e faz todo o seu prazer entre os filhos dos homens. Seu reino governa sobre todos, e seus olhos contemplam as nações. Ele fere e cura. Ele abate e eleva; e ninguém pode livrar de suas mãos. O que ele propôs, ele realizará; porque o conselho do Senhor permanecerá para sempre, e os pensamentos do seu coração por todas as gerações. Portanto, bem irá para os justos; porque de fato há um Deus que governa a terra, e ele punirá os ímpios com destruição eterna!
A linguagem do volume sagrado, ao descrever o caráter de Deus, é inimitavelmente sublime; e dirigir sua atenção para algumas dessas descrições, é sem dúvida o método mais apropriado de transmitir visões justas de sua grandeza e glória.
"1 Eu te exaltarei, ó Deus, rei meu; e bendirei o teu nome pelos séculos dos séculos.
2 Cada dia te bendirei, e louvarei o teu nome pelos séculos dos séculos.
3 Grande é o Senhor, e mui digno de ser louvado; e a sua grandeza é insondável.
4 Uma geração louvará as tuas obras à outra geração, e anunciará os teus atos poderosos.
5 Na magnificência gloriosa da tua majestade e nas tuas obras maravilhosas meditarei;
6 falar-se-á do poder dos teus feitos tremendos, e eu contarei a tua grandeza.
7 Publicarão a memória da tua grande bondade, e com júbilo celebrarão a tua justiça.
8 Bondoso e compassivo é o Senhor, tardio em irar-se, e de grande benignidade.
9 O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas obras.
10 Todas as tuas obras te louvarão, ó Senhor, e os teus santos te bendirão.
11 Falarão da glória do teu reino, e relatarão o teu poder,
12 para que façam saber aos filhos dos homens os teus feitos poderosos e a glória do esplendor do teu reino.
13 O teu reino é um reino eterno; o teu domínio dura por todas as gerações.
14 O Senhor sustém a todos os que estão caindo, e levanta a todos os que estão abatidos.
15 Os olhos de todos esperam em ti, e tu lhes dás o seu mantimento a seu tempo;
16 abres a mão, e satisfazes o desejo de todos os viventes.
17 Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, e benigno em todas as suas obras.
18 Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.
19 Ele cumpre o desejo dos que o temem; ouve o seu clamor, e os salva.
20 O Senhor preserva todos os que o amam, mas a todos os ímpios ele os destrói.
21 Publique a minha boca o louvor do Senhor; e bendiga toda a carne o seu santo nome para todo o sempre." (Salmo 145)
Para o mesmo propósito você lê no Salmo 104:
 "1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Senhor, Deus meu, tu és magnificentíssimo! Estás vestido de honra e de majestade,
2 tu que te cobres de luz como de um manto, que estendes os céus como uma cortina.
3 És tu que pões nas águas os vigamentos da tua morada, que fazes das nuvens o teu carro, que andas sobre as asas do vento;
4 que fazes dos ventos teus mensageiros, dum fogo abrasador os teus ministros.
5 Lançaste os fundamentos da terra, para que ela não fosse abalada em tempo algum.
6 Tu a cobriste do abismo, como dum vestido; as águas estavam sobre as montanhas.
7 À tua repreensão fugiram; à voz do teu trovão puseram-se em fuga.
8 Elevaram-se as montanhas, desceram os vales, até o lugar que lhes determinaste.
9 Limite lhes traçaste, que não haviam de ultrapassar, para que não tornassem a cobrir a terra.
10 És tu que nos vales fazes rebentar nascentes, que correm entre as colinas.
11 Dão de beber a todos os animais do campo; ali os asnos monteses matam a sua sede.
12 Junto delas habitam as aves dos céus; dentre a ramagem fazem ouvir o seu canto.
13 Da tua alta morada regas os montes; a terra se farta do fruto das tuas obras.
14 Fazes crescer erva para os animais, e a verdura para uso do homem, de sorte que da terra tire o alimento,
15 o vinho que alegra o seu coração, o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que lhe fortalece o coração.
16 Saciam-se as árvores do Senhor, os cedros do Líbano que ele plantou,
17 nos quais as aves se aninham, e a cegonha, cuja casa está nos ciprestes.
18 Os altos montes são um refúgio para as cabras montesas, e as rochas para os querogrilos.
19 Designou a lua para marcar as estações; o sol sabe a hora do seu ocaso.
20 Fazes as trevas, e vem a noite, na qual saem todos os animais da selva.
21 Os leões novos, os animais bramam pela presa, e de Deus buscam o seu sustento.
22 Quando nasce o sol, logo se recolhem e se deitam nos seus covis.
23 Então sai o homem para a sua lida e para o seu trabalho, até a tarde.
24 Ó Senhor, quão multiformes são as tuas obras! Todas elas as fizeste com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas.
25 Eis também o vasto e espaçoso mar, no qual se movem seres inumeráveis, animais pequenos e grandes.
26 Ali andam os navios, e o leviatã que formaste para nele folgar.
27 Todos esperam de ti que lhes dês o sustento a seu tempo.
28 Tu lho dás, e eles o recolhem; abres a tua mão, e eles se fartam de bens.
29 Escondes o teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras a respiração, morrem, e voltam para o seu pó.
30 Envias o teu fôlego, e são criados; e assim renovas a face da terra.
31 Permaneça para sempre a glória do Senhor; regozije-se o Senhor nas suas obras;
32 ele olha para a terra, e ela treme; ele toca nas montanhas, e elas fumegam.
33 Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu existir.
34 Seja-lhe agradável a minha meditação; eu me regozijarei no Senhor.
35 Sejam extirpados da terra os pecadores, e não subsistam mais os ímpios. Bendize, ó minha alma, ao Senhor. Louvai ao Senhor."
Não menos simples, e não menos sublime, é a descrição do Deus Altíssimo nas profecias de Isaías, no capítulo quarenta:
"1 Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.
2 Falai benignamente a Jerusalém, e bradai-lhe que já a sua malícia é acabada, que a sua iniquidade está expiada e que já recebeu em dobro da mão do Senhor, por todos os seus pecados.
3 Eis a voz do que clama: Preparai no deserto o caminho do Senhor; endireitai no ermo uma estrada para o nosso Deus.
4 Todo vale será levantado, e será abatido todo monte e todo outeiro; e o terreno acidentado será nivelado, e o que é escabroso, aplanado.
5 A glória do Senhor se revelará; e toda a carne juntamente a verá; pois a boca do Senhor o disse.
6 Uma voz diz: Clama. Respondi eu: Que hei de clamar? Toda a carne é erva, e toda a sua beleza como a flor do campo.
7 Seca-se a erva, e murcha a flor, soprando nelas o hálito do Senhor. Na verdade o povo é erva.
8 Seca-se a erva, e murcha a flor; mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.
9 Tu, anunciador de boas-novas a Sião, sobe a um monte alto. Tu, anunciador de boas-novas a Jerusalém, levanta a tua voz fortemente; levanta-a, não temas, e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus.
10 Eis que o Senhor Deus virá com poder, e o seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão está com ele, e a sua recompensa diante dele.
11 Como pastor ele apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam, ele as guiará mansamente.
12 Quem mediu com o seu punho as águas, e tomou a medida dos céus aos palmos, e recolheu numa medida o pó da terra e pesou os montes com pesos e os outeiros em balanças,
13 Quem guiou o Espírito do Senhor, ou, como seu conselheiro o ensinou?
14 Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse entendimento, e quem lhe mostrou a vereda do juízo? quem lhe ensinou conhecimento, e lhe mostrou o caminho de entendimento?
15 Eis que as nações são consideradas por ele como a gota dum balde, e como o pó miúdo das balanças; eis que ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima.
16 Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para um holocausto.
17 Todas as nações são como nada perante ele; são por ele reputadas menos do que nada, e como coisa vã.
18 A quem, pois, podeis assemelhar a Deus? ou que figura podeis comparar a ele?
19 Quanto ao ídolo, o artífice o funde, e o ourives o cobre de ouro, e forja cadeias de prata para ele.
20 O empobrecido, que não pode oferecer tanto, escolhe madeira que não apodrece; procura para si um artífice perito, para gravar uma imagem que não se pode mover.
21 Porventura não sabeis? porventura não ouvis? ou desde o princípio não se vos notificou isso mesmo? ou não tendes entendido desde a fundação da terra?
22 E ele o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e o desenrola como tenda para nela habitar.
23 E ele o que reduz a nada os príncipes, e torna em coisa vã os juízes da terra.
24 Na verdade, mal se tem plantado, mal se tem semeado e mal se tem arraigado na terra o seu tronco, quando ele sopra sobre eles, e secam-se, e a tempestade os leva como à pragana.
25 A quem, pois, me comparareis, para que eu lhe seja semelhante? diz o Santo.
26 Levantai ao alto os vossos olhos, e vede: quem criou estas coisas? Foi aquele que faz sair o exército delas segundo o seu número; ele as chama a todas pelos seus nomes; por ser ele grande em força, e forte em poder, nenhuma faltará.
27 Por que dizes, ó Jacó, e falas, ó Israel: O meu caminho está escondido ao Senhor, e o meu juízo passa despercebido ao meu Deus?
28 Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos confins da terra, não se cansa nem se fatiga? E inescrutável o seu entendimento.
29 Ele dá força ao cansado, e aumenta as forças ao que não tem nenhum vigor.
30 Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os mancebos cairão,
31 mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão."
Tudo o que diz respeito à natureza, ao caráter e ao domínio divinos, revelados nas Escrituras, excede em muito o que a razão natural descobriu. A razão nos diz que Deus é o Criador de todas as coisas; mas nunca descobriu que ele criou todas as coisas do nada, e arranjou e estabeleceu-as meramente por sua palavra soberana. A razão pode nos dizer que Deus é sábio e poderoso; mas não sabia, até que foi ensinado por revelação, que ele tem estas, e todas as propriedades da Deidade, independente de todo ser, em um grau infinito, através dos séculos eternos. A razão supõe que há uma providência geral governando as nações; mas nunca sugeriu, que esta providência de nosso Deus se estende às preocupações de cada homem, para seus propósitos mais secretos e aparentemente para as misericórdias mais acidentais.
Mas, a informação insuficiente que a razão não-assistida transmite de Deus, é peculiarmente manifestada pelas descobertas que nos são dadas nas Escrituras da adorável Trindade. Aprendemos que o Senhor nosso Deus é o único Senhor; que nesta unidade de Deus há três pessoas; que o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a mesma natureza, os mesmos atributos e a mesma essência; que, portanto, em perfeita coerência com a razão, assim como a Escritura, podemos afirmar que o objeto glorioso de nossa adoração é o vivo e verdadeiro JEOVÁ. Essas são verdades, que, enquanto confundem a sabedoria humana para entender, estão essencialmente conectadas a cada parte do grande plano de nossa redenção; e são bem calculadas para silenciar toda a arrogância humana, para exaltar nossas ideias da natureza divina, e para nos fazer dizer, com os exércitos adoradores acima, "Quem pode revelar a perfeição do Todo-Poderoso!"
2. A natureza do HOMEM. Como as Escrituras nos favoreceram com informações satisfatórias sobre o mais sublime e importante de todos os assuntos, a natureza e o caráter de Deus; elas igualmente satisfazem nossas perguntas sobre um assunto intimamente relacionado com o primeiro, e altamente interessante para todos. O que é o homem? Para que fim ele recebeu a existência? E que perspectivas de futuro, é permitido a ele para entreter?
Esse homem, em muitos aspectos, se assemelha aos animais que perecem, é inegável. Como eles - ele come, e dorme, e adoece, e morre! O homem é de poucos dias, e estes incertos e cheios de problemas. Mas esse homem é também mais excelente do que a criação animal, é abundantemente evidente, das capacidades mais nobres que possui; uma capacidade de adorar o Ser supremo, de contemplar coisas invisíveis e espirituais, de manter uma conversa racional com outras criaturas e de fazer uma parte na vida, como o seu entendimento e reflexão se unem para ditar.
Estes vários poderes, que marcam a dignidade superior do homem acima das bestas do campo, derivam do Pai de nossos espíritos; e são inteiramente dependentes para sua preservação, em seu prazer soberano. Permaneceu, portanto, com ele revelar, se ele fez ou não o homem imortal. Nenhum raciocínio filosófico poderia ter determinado completamente essa questão; mas a página sagrada colocou este assunto fora de toda dúvida, e claramente testifica que, como o homem possui um espírito vivo, totalmente distinto do seu corpo material - assim Deus tem se agradado em selar a imortalidade sobre a alma racional e disse sobre o homem, que ele existirá para sempre.
A Escritura nos informa ainda, que Deus criou o homem à sua própria imagem; adornou-o com todas as belezas do perfeito conhecimento, justiça e santidade; investiu-o com a dignidade de ser Senhor desta criação inferior, e o tornou completamente abençoado, pelo conhecimento e gozo, pela contemplação e imitação de seu Deus.
Mas, infelizmente! Este estado original de inocência, dignidade e felicidade, foi de curta duração! A humanidade logo violou as leis mais justas de seu Criador todo-poderoso, e se afastou do Deus vivo. Por isso, justamente, foram punidos como rebeldes contra seu governo; banidos do paraíso e condenados à dor, à morte e à miséria eterna!
Tal é o estado atual do homem; um estado de apostasia da santidade e de Deus; um estado de ignorância e dificuldade, de degeneração e culpa, de incerteza e medos. Tais sentimo-lo ser - e tais as Escrituras o descrevem. Eles também revelam o resultado melancólico: que em Adão todos caíram; que pela desobediência desse homem, toda a humanidade foi feita pecadora; e que a condenação passou para todos os homens, porque todos estão destituídos da glória de Deus.
O coração do homem não mais permanece ereto ou não corrompido; nem é a suprema consideração para a vontade de Deus agora natural para os homens: pois a sua mente carnal é inimizade contra ele, e se recusa a sujeição à sua lei; o seu coração é enganoso e ímpio; abandonaram a fonte das águas vivas, seguiram as imaginações vãs, e se desviaram cada um em seus próprios caminhos.
O temperamento, as perseguições e a conduta de cada homem, desde os dias de Adão até a hora presente; a experiência de cada nação, seja bárbara ou civilizada; evidencia diariamente a depravação voluntária, em oposição a todas as influências da educação, ameaças e recompensas. A prevalência universal da ingratidão, da desconfiança e da desobediência a Deus, unindo sua evidência com o testemunho da Escritura, que todos são por natureza filhos da ira, e que é por causa das misericórdias do Senhor que não somos consumidos.
3. O REMÉDIO de Deus para o pecado do homem. À medida que a Palavra de Deus manifesta a origem, a natureza e as evidências da depravação humana, revela graciosamente o remédio que o próprio Deus providenciou: é, portanto, conveniente lembrar-nos que outra distinta Doutrina da revelação, é a Redenção dos homens através do Senhor Jesus Cristo.
A Escritura nos informa que, desde o princípio, o onisciente Jeová previu a apostasia da humanidade; e, com a mais terna piedade, viu-os envolvidos em circunstâncias de miséria, das quais nenhum poder humano poderia resgatar: que, com a mais rica misericórdia, ele colocou a sua ajuda em alguém capaz de nos livrar; e entregou o seu Filho unigênito aos sofrimentos e à morte. O Filho de Deus prontamente se empenhou para salvar os homens da ruína, morrendo como sua garantia; e que o que ele livremente empreendeu, ele realizou plenamente; porque quando a plenitude do tempo chegou, ele foi manifestado na carne, foi contado com transgressores, e morreu pelos injustos; para redimir os perdidos, para expiar a culpa, e para trazer muitos filhos e filhas para a glória.
Para auxiliar nossas concepções do amor deste Redentor, a Escritura nos assegura que a culpa do pecado não poderia ser expiada, nem os homens redimidos, sem um sacrifício de valor infinito; e que aquele que se humilhou até a morte da cruz por nós, não foi senão o Senhor da glória, Emanuel, Deus conosco, em quem habita toda a plenitude da Divindade! Este é aquele que inclinou a cabeça no Calvário, e disse que estava consumado! O Messias morreu, embora não para si mesmo; mas para acabar com as ofertas do pecado, para fazer a reconciliação dos transgressores e para trazer a justiça eterna. Precisamos então nos admirar que os escritores inspirados falem na linguagem do arrebatamento neste tema glorioso; e que eles parecem trabalhar por expressões ao tentar exaltar o amor do Pai eterno, ao dar o seu Filho unigênito à morte pelos pecadores; e o amor do Redentor adorado, em derramar seu precioso sangue para a remissão dos pecados de muitos!
As Escrituras ainda nos informam que o mesmo amor sem paralelo, que levou o Filho de Deus a sofrer e a morrer, permanece até hoje tão ardente como sempre, e permanecerá inalterado e imutável durante os séculos eternos. Tendo, por seu próprio sangue, expiado os pecados de seu povo, levantou-se em triunfo da sepultura para sua justificação, ascendeu às mansões no alto como seu representante e sentou-se à direita do Pai; lá ele sustenta o caráter cativante do Sumo Sacerdote compassivo de seu povo, e Advogado justo! Intercede com sucesso em seu favor; torna seus serviços aceitáveis ​​pelo mérito de sua própria mediação; dá-lhes graça para ajudar em cada momento de necessidade! Ele escolhe a porção de sua herança; faz bondade e misericórdia para segui-los através da vida; e os leva finalmente a seu reino celestial, para sempre, para o Senhor. Estas são partes do grande amor com que ele ama seus redimidos. Mas a altura e a profundidade, a largura e o comprimento do amor redentor excedem em muito todos os poderes da descrição e todas as concepções dos homens ou dos anjos!
Sob este artigo, o amor de Cristo, estão incluídos todas as incríveis descobertas feitas na Escritura, o que o Redentor fez, e está agora transacionando e ainda fará pela felicidade do seu povo. Seu compromisso compassivo para sua redenção; seu constante cuidado condescendente de sua igreja nos períodos do Velho Testamento, o número e variedade indizível de seus sofrimentos, quando se dignou morar com o homem na terra; o valor inestimável das bênçãos que sua morte meritória obteve; as manifestações de sua graça a todos os seus escolhidos, em sua conversão, confirmação e conforto. Sua comunicação a seu povo de todas as bênçãos espirituais, como seu glorioso Senhor e cabeça; e preparando para todos os seus redimidos um estado de glória indizível, ininterrupta e infinita! Mas nenhuma linguagem ou concepção é adequada a este mais nobre dos temas - o amor de Cristo aos homens caídos.
4. O ESPÍRITO SANTO. Outra doutrina distintiva da nossa santa religião é a agência do Espírito Divino, na preparação dos homens para o reino dos céus. O glorioso sujeito deste ramo da revelação divina é denominado na Escritura de Espírito de Deus, o Espírito Eterno, o Terceiro na Trindade sagrada que dá testemunho no céu, o Espírito Santo, o Consolador, o Espírito de glória. Em seu nome somos batizados; e para ele, com o Pai e o Filho, a suprema adoração é tributada no céu e na terra.
As operações do Espírito Santo, na mente daqueles homens que são escolhidos para a salvação, são estas: Ele convence do pecado, da justiça e do juízo. Ele ressuscita aqueles que estão mortos em pecados, e os torna vivos para Deus. Ele os purifica de todos os seus ídolos e purifica o seu coração por meio da fé em Cristo. Ele derrama o amor de Cristo, fazendo a vontade e o que é agradável aos olhos de Deus. Ele lhes ensina como orar e intercede por eles. Ele os sela para o dia da redenção, e os mantém por seu próprio poder. Ele testemunha com seus espíritos que eles são filhos de Deus, e permanece com eles como um Consolador. Ele os enche de esperança e paciência, fortalece-os com todo o poder e os leva à glória eterna.
Tão necessárias são as influências do Espírito para nos constituir verdadeiros cristãos, que a Escritura frequentemente nos assegura, que se alguém não tem o Espírito de Cristo, o tal  não é dele; e que somente aqueles que são guiados pelo Espírito são filhos de Deus. A evidência de ser assim conduzido, é progresso na graça; para os frutos do Espírito, que são fé, paz, amor, alegria, longanimidade, mansidão, bondade, mansidão e temperança.
Eu expressei estes sentimentos a respeito da influência do Espírito na mente dos crentes, nas palavras precisas da Escritura, para que se possa ver que lugar importante esta doutrina sustenta no esquema cristão. Ao considerar estes testemunhos unidos da Escritura, como eles se relacionam com a agência do Espírito, você será capaz de rastrear o progresso gradual da vida divina, desde as primeiras convicções salvadoras do Espírito Santo, através de sua futura iluminação, renovação, santificação e consolo. Mas este assunto você encontrará mais amplamente ilustrado no capítulo seguinte, sob o título de Experiência em Religião.
5. O estado eterno. A última doutrina distintiva de nossa santa religião, que eu propus mencionar, é o Estado de Retribuição além da Sepultura. Isso pode ser justamente chamado, uma doutrina peculiar ao evangelho: pois, embora os sábios, em diferentes épocas e nações, desejassem alegrias futuras, e conjeturaram, que certamente um futuro estado de bem-aventurança ou de aflição está preparado para os homens, de acordo com seu caráter e conduta na terra; contudo é somente pela revelação que Deus fez em sua Palavra, que a imortalidade foi trazida claramente à luz.
Como o Antigo e o Novo Testamento são partes de uma revelação gradual feita à humanidade; como ambos testemunham de um Deus, e um Salvador, e um evangelho; assim eles se unem para revelar o futuro e o estado eterno das coisas, embora com graus muito diferentes de clareza. Eles nos mostram o que será a seguir; e solenes e sublimes são as cenas que eles representam: a abertura das nuvens do céu; a descida do grande Deus, nosso Salvador, para julgar os vivos e os mortos; a grandeza de sua manifestação, em sua própria glória e de seu Pai, com dez milhares de seus anjos; a ressurreição dos mortos, ao som da trombeta de Deus; a aparição de mundos reunidos diante do tribunal de Cristo; a separação dos ímpios dos justos; a sentença irreversível sobre os ímpios, denunciando a eterna destruição da presença do Senhor; a mudança dos corpos dos santos em um momento, e tornando-os espirituais e imortais; os arrebatamentos dos redimidos, quando reconhecidos, absolvidos e honrados, diante de toda a criação inteligente; a conflagração geral, sob o comando do juiz soberano, e a dissolução destas obras estupendas que ele agora sustenta; a abertura das portas eternas da glória, para admitir os resgatados do Senhor; sua inclinação diante do trono; sendo apresentados ao Pai com grande alegria; seus cânticos celestiais ao que está assentado no trono, e ao Cordeiro que foi morto; vendo Deus como ele é; lembrando-se de todo o caminho pelo qual os conduzia; estar com Jesus, para contemplar a sua glória; sendo feitos reis e sacerdotes para o nosso Deus para todo o sempre! Estas são as realidades futuras que a revelação bíblica desenvolveu; estas são as tuas gloriosas esperanças, ó crente em Jesus! E estas gloriosas esperanças devemos ao Vosso Sacrifício Expiatório, ó bendito e bem-aventurado Emanuel!

A EXPERIÊNCIA da Verdadeira Religião
Tendo falado do conhecimento religioso como respeitando às doutrinas da Escritura; passo agora a considerá-lo como respeitando ao relato bíblico da experiência dos cristãos; o agir de suas mentes para objetos divinos; e a influência do que eles acreditam em seus temperamentos e afetos.
Toda a verdadeira piedade está assentada no coração; e daí, como boa semente semeada em boa terra, produz os frutos da justiça que são para a glória de Deus. Não há formas externas de devoção; nenhuma profissão externa de piedade, por mais fervorosa, regular e notável; nenhum esforço para o bem da humanidade, por mais bem sucedido e aplaudido; nenhuma emoção súbita de tristeza ou alegria, sob a pregação da Palavra; não, nenhum sofrimento por causa de Cristo, ou zelo pela sua causa, pode dar-nos direito ao caráter de verdadeiros cristãos, enquanto estamos destituídos do arrependimento, da fé e da conversão a Deus, que têm seu lugar no coração, que são os sopros da vida espiritual, e que as Escrituras descrevem como partes essenciais da verdadeira piedade.
Esse DEUS a quem temos de prestar contas, procura o coração, e exige a verdade no interior. Essa lei pela qual seremos julgados, exige a sujeição de todo o homem interior, e impõe o amor a Deus com todo o nosso coração e mente. Que JESUS, de quem depende todas as nossas esperanças de felicidade, distingue seus verdadeiros discípulos por seu nascimento de novo, pela renovação de suas mentes, e que colocam suas afeições nas coisas de cima. Esse EVANGELHO que publica as boas-novas da paz ao homem, testemunha a indispensável necessidade de se converter e nascer de novo.
Uma nova criatura em Cristo; com as coisas antigas passadas; o reino de Deus dentro de você; Cristo formado em você; fortalecido com todo poder no homem interior; crendo com o coração para a salvação - estas são expressões familiares aos escritores inspirados; e eles nos lembram que os homens não são mais piedosos aos olhos de Deus do que quando sua religião está assentada no coração e é influenciada por aqueles princípios divinos de fé sincera em Cristo e supremo amor a ele, e ao que o Espírito de Deus inspira.
Estas observações destinam-se a evidenciar este importante sentimento de que, para que mereçamos o caráter de verdadeiros cristãos, devemos experimentar a energia da religião vital em nossas próprias almas. De que maneira essa influência exerce-se, vem em seguida a ser considerada. Aqui, no entanto, devemos pisar com passos cautelosos, para que não substituamos os delírios de entusiasmo, pelas comunicações da graça divina; ou ainda, que em nosso zelo contra o entusiasmo, condenemos as operações mais nobres do Espírito sagrado.
No que diz respeito à natureza dos poderes e operações da mente, os homens eruditos sempre diferiram, e provavelmente continuarão a divergir enquanto durar o mundo. Eles não concordam de que maneira o entendimento opera sobre a vontade, a vontade sobre os afetos, e uma afeição sobre outra; muito menos podem compreender ou explicar as operações da graça divina no entendimento, na vontade e nos afetos, como unidos e cooperando. Mas, embora as pesquisas filosóficas possam nos dar pouca ajuda para traçar o progresso da vida divina na alma, contudo desfrutamos de uma palavra de profecia mais segura e de um método de ilustração mais óbvio, o qual iremos agora apresentar.
Que a mente do homem é capaz de receber impressões de Deus é um princípio consentido por sábios pagãos, bem como por teólogos. Que nenhum homem pode purificar sua mente de toda a iniquidade, é a doutrina da experiência universal. Mas, a Escritura inculca ainda que, sem o Espírito de Cristo, não podemos fazer nada de verdadeiramente bom; e que só Deus trabalha no homem para querer e para fazer o que é certo. Toda visão justa, portanto, de objetos espirituais; todo sentimento piedoso impresso na mente; todas as emoções divinas da alma que surgem desses sentimentos; todos os desejos celestiais; todas as disposições santas; todos os temperamentos divinos e todas as conquistas progressivas na pureza interior - são os frutos do Espírito e as evidências de suas operações divinas.
Ligado a este princípio, segue-se outro, igualmente necessário para ser mencionado sobre este assunto - que as operações do Espírito na mente são geralmente por meio da Escritura, e sempre em perfeita coerência com ela. A revelação das Escrituras é completa e contém toda a informação necessária para guiar nossos pés nos caminhos da paz. O Espírito, portanto, em sua agência na mente dos crentes não faz nenhuma nova revelação do céu, nem descobre objetos despercebidos na Palavra da verdade. Seu ofício gracioso é fazer-nos perceber o significado, a importância e a glória do que a Escritura testifica; e trazer para casa, por uma aplicação particular, essas verdades sagradas para nosso entendimento e nosso coração. Aqui, naturalmente, somos levados a examinar como as sublimes e importantes verdades da Escritura, anteriormente enumeradas, afetam a mente, quando aplicadas de modo salvífico pelo Espírito.
A primeira evidência de tal aplicação, é auto-humilhação, e solicitude sobre a paz com Deus. Quando o Espírito vier, disse o Salvador, ele vai convencer o mundo do pecado. Com essas convicções, suas operações de salvamento geralmente começam. Ele desperta os homens de sua insensibilidade anterior para as coisas divinas. Ele chama sua atenção para as futuras cenas solenes e eternas reveladas nas Escrituras. Ele coloca diante deles a majestade, a justiça, a autoridade soberana e a  santidade infinita do Senhor Deus Onipotente. Ele desenvolve a perfeição da lei divina, suas exigências de obediência constante, seu espírito, sua extensão ampla e suas sanções solenes. Ele os convence de que Deus será honrado e obedecido, ou punirá os desobedientes com a destruição; que ao exigir sujeição ilimitada, ele é justo para si mesmo, e bom para a sua prole racional; e que, ao detê-la, se tornem acusáveis ​​de ingratidão e rebelião, em todas as suas circunstâncias agravantes. Essas verdades sagradas são impressas no coração em caráter duradouro, através do poder do Espírito; elas são contempladas, acreditadas e reconhecidas. A sua tendência para humilhar, e gerar temor, e alarmar, pode facilmente ser observada. É este o Deus que tem a cada momento nos sustentado; mas que não temos temido, nem amado, nem honrado como deveríamos!
São estas as exigências invariáveis ​​do onipotente Legislador? Sua lei imutável tem um conhecimento imparcial de nossos pensamentos, nossos temperamentos, nossos motivos, nossas palavras e nossos caminhos? E ameaça com indignação e aflição contra toda a injustiça dos homens? Que faremos então para sermos salvos? Como podemos escapar da ira vindoura? Nossos corações nos condenam, Deus é maior do que nossos corações, e conhece todos os nossos pecados secretos. Como, então, estaremos diante dele? Ou como podemos responder por uma de nossas muitas transgressões? Senhor, tem misericórdia de nós pecadores! Senhor, abominamo-nos à tua vista; a nós pertence a tristeza, porque pecamos, e desprezamos a tua glória.
Há uma grande diferença entre estas convicções auto-humilhantes do Espírito, que estão conectadas com a salvação, e as remontagens de uma consciência natural em homens não renovados. Estes últimos são excitados principalmente pela comissão dos pecados grosseiros, ou exteriores, que sujeitam o transgressor ao inconveniente presente, à desonra ou à aflição. Os primeiros são promovidos por uma descoberta da oposição que o coração sente à autoridade de Deus, sua insensibilidade à sua amabilidade infinita e sua ingratidão por sua bondade imerecida; e levam-nos a rever nossa vida passada com pesar e contrição; excitam sincera solicitude pela reconciliação com um Deus ofendido; e, enquanto nos obrigam a confessar, que merecemos perecer, eles nos fazem dispostos a ser salvos de qualquer maneira que um Deus santo e gracioso se agrade em designar.
O bendito Espírito de iluminação e de graça, tendo humilhado estes homens despertos sob a poderosa mão de Deus, os conduz a uma aceitação crível e alegre da misericórdia oferecida no Evangelho. Ele lhes dá a conhecer que Deus está em Cristo, reconciliando um mundo culpado consigo mesmo; que ele estabeleceu Jesus como um sacrifício expiatório para a remissão dos pecados; que não há condenação para os que estão em Cristo; e para que, quem quer que seja, beba livremente das águas da vida. Ora, Deus não só é glorioso em santidade, mas rico em misericórdia, justo Deus e Salvador, Deus em Cristo, justificando os ímpios que creem e dizem em seu favor: "Livrai-nos de descer à cova; resgata-nos."
Agora, a alvorada do amanhecer da esperança surge na mente do pecador desperto. Iluminado pelo Espírito, vejo uma fonte aberta para as minhas muitas iniquidades; e tenho certeza de que Jesus morreu, o justo para os injustos, para trazer pecadores a Deus; seu sangue limpa de toda culpa; seu poder salva até o fim; seus convites são gratuitos e ilimitados; e sua promessa me diz, que ele nunca expulsará qualquer um que realmente crer. Agora chega a hora solene e memorável - de importância infinita para esses homens despertos, quando, através do grande Mediador, aproximam-se do trono do Deus da paz, quando entregam as armas da rebelião, quando se entregam sinceramente à Graça e ao governo do Rei Todo-Poderoso de Sião, e confiam os eternos interesses de suas almas imortais a este Salvador, que é todo-suficiente. E agora são feitos participantes felizes daquela fé que é pela operação do Espírito - eles recebem o testemunho que Deus deu de seu próprio Filho; eles confiam na grande expiação pelo perdão de sua culpa; eles dependem da perfeita justiça de Cristo para sua justificação, à vista de um Deus ofendido e infinitamente santo; eles alegam a experiência de sua graça vivificante e santificadora; e se prendem ao pacto da promessa, como a sua segurança para o gozo de todas as bênçãos espirituais.
Logo que os homens são assim levados a confiar no Salvador para a justiça e a redenção, tornam-se novas criaturas em Cristo: as coisas velhas são eliminadas, e o tempo passado parece muito mais do que suficiente para ter feito a vontade da carne; as altas imaginações são baixas, e as afeições cativadas ao amor de Cristo; seu amor os constrange; a influência do pecado é resistida; Deus é supremamente adorado; e as coisas do tempo, por mais alegres que sejam, são contadas como pequeno pó, quando comparado com os prazeres que estão à direita de Deus.
Essa mudança surpreendente, que na hora da reconciliação passa sobre suas mentes, é denominada - a renovação do Espírito Santo. Os efeitos abençoados deste novo nascimento, estão crescendo em consolo e santidade; e ambos em todo o progresso gradual até a perfeição; são invariavelmente atribuídos à residência do Espírito nas almas dos regenerados. Ele os enche de paz e de alegria, dando testemunho de que Deus os aceitou por meio de seu Filho amado; que a Sua ira se desviou; que ele os adotou em sua família, e lhes deu não só o título honorável, mas todos os inestimáveis ​​privilégios de filhos. Para que a esperança da glória possa acompanhar a alegria de crer, o Espírito testifica ainda mais que, se filhos, somos herdeiros, herdeiros de uma herança incorruptível, imaculada e implacável, que Deus, que não pode mentir, prometeu e que é reservada no céu para todos os que amam o Salvador. Assim, através das visões de Deus como um Pai reconciliado, através da perspectiva de alegrias imortais, e através de uma elevação nobre acima deste mundo miserável - eles vão se regozijando no seu caminho.
Mas, essas influências confortáveis ​​do Espírito são diminuídas ou retiradas, quando o povo de Deus se entrega à conformidade pecaminosa com o mundo, quando agem como uma parte indomável do Pai celeste ou não adornam a doutrina de Deus, seu Salvador. Por isso é evidente que as influências santificadoras da graça são tão necessárias para a nossa paz e conforto, como as mais satisfatórias garantias de nosso interesse pelo favor divino.
Santificação significa a continuação e o progresso daquela vida espiritual que foi iniciada nos crentes, quando foram renovados no espírito de sua mente no novo nascimento.
Um bebê tem todas as partes e faculdades de que gozará quando chegar à idade adulta; mas estes, enquanto na infância, são imperfeitos e fracos: eles se desenvolvem com o seu crescimento, e se fortalecem com o passar dos anos. Assim é com o homem de Deus: a santificação não confere novos princípios, capacidades e inclinações; mas revigora aqueles que a nova criatura já possui e nutre-os gradualmente, até chegar à plenitude da estatura de um homem maduro em Cristo. Sendo renovado em sua mente, ele coloca suas afeições nas coisas de cima; ele avança para a frente para o prêmio de sua alta vocação; ele vive sob o poder do mundo vindouro; ama o Salvador com todo o ardor do supremo deleite, e consagra os seus talentos à honra de Deus. Na submissão filial, ele renuncia seus interesses à disposição divina, dizendo: "Pai, não a minha vontade, mas seja feita a Tua". Ele estuda através da graça, para andar humildemente com Deus; e é seu esforço diário para desfrutar de uma comunhão mais próxima e mais constante com o Pai, e o Filho, através do Espírito. Este companheirismo delicioso, enquanto eleva seus pontos de vista para o céu, nem leva à presunção, nem enche de arrogância; pelo contrário, promove a humildade mais sincera, sob vivas impressões de sua própria indignidade; e excita uma prudente circunspecção, para que não provoque o Santo de Israel a retirar as suas graciosas comunicações.
Tal é o progresso gradual da obra da graça nos corações dos crentes, e tais são os sentimentos da alma quando conduzidos pelo Espírito. Eles unem o ardor da alegria triunfante em Deus, com a mais profunda humilhação por delitos passados; a confiança dos filhos, com a reverência do temor piedoso; o conforto de agradar a Deus, com os conflitos de abnegação; a esperança da glória a ser revelada, com o temor de parecer retroceder na viagem celestial. Ó vida feliz, embora escondida! Que eu viva a vida dos justos! Que eu possa sentir diariamente sua aversão ao pecado; sua gratidão ao amor redentor; sua alegria no Salvador; seu medo de ofender; seu zelo sobre si mesmos; sua mortificação das afeições terrenas; sua ânsia de glorificar a Deus; sua estima dos santos; sua elevação acima do mundo, e seus anseios ardentes para o céu! Seus corações respondem: Amém! Deixem que deleitemo-nos também em Deus.



A Influência Prática da Verdadeira Religião
Unidos com os princípios e a experiência certos, a religião consiste na conformidade do nosso temperamento e da vida com a vontade de Deus.
Até agora vimos os santos sentados aos pés de seu Salvador, ouvindo suas palavras graciosas e sentindo a energia vivificante de suas promessas: ali permaneceriam sempre, em comunhão de felicidade com seu Senhor. "É bom para nós estarmos aqui!" É a sua linguagem. "Aqui ficaríamos, e passaríamos nossos dias de paz na admirável contemplação e experiência satisfatória do que nos ensinaram!"
Mas, aquele adorado Redentor, a cuja direção e disposição eles se submetem voluntariamente, envia-os de volta para seus amigos e famílias, para dizer que grandes coisas ele tem feito por eles; e os honra com esta importante comissão: "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles, vendo as vossas boas obras, glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". Com este sentimento e objetivo, eles vão para o mundo, para atuar sua parte na vida, e para exibir esse caráter e estilo de vida que corresponde ao evangelho de Cristo.
Honrar a Deus diante dos homens, é o objetivo principal para o qual eles procuram apontar, em todas as suas perseguições e ações. Eles sabem que suas obrigações são infinitas; e a gratidão os constrange a viver para aquele, que os redimiu da destruição eterna! Animados com este desejo celestial de glorificar a Deus, sua primeira indagação é por algum padrão permanente de obediência e uma regra de conduta perfeita, à qual eles possam recorrer, em meio a toda a variedade de situações em que possam ser colocados. A linguagem de seus corações é: "Senhor, o que queres que façamos?" "O ​​que devemos tributar-lhe por todos os seus benefícios para nós?" Fala, Senhor, porque os teus servos estão escutando, mostra-nos o teu caminho, e andaremos por ele.
Em resposta a estes pedidos sinceros, a lei moral, explicada e exemplificada por Cristo Jesus, é posta em suas mãos, como a lei do seu reino espiritual, vinculando todos os seus súditos, perpétua em suas obrigações, justa em todas as suas exigências, do caráter humano, produtiva da mais alta felicidade, e dirigida aos crentes com esta inscrição cativante: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos".
A piedade para com Deus e a benevolência para com o homem - são as principais características do caráter formado sobre esta lei pura e perfeita; porque nisto somos lembrados, que o Senhor Deus onipotente é nosso Deus e que somos seus filhos. Quando, portanto, nossa conduta é regulada por esses princípios infalíveis e inalteráveis, cada dever imposto aos cristãos é acolhido por nós, sabiamente calculado para nosso bem-estar pessoal, e fundado nas relações afetuosas em que estamos diante de Deus e da humanidade. Nós então mais facilmente subscrevemos ambos à justiça e bondade de cada preceito nesta lei sagrada - e bem nos convém fazê-lo; pois todos esses preceitos surgem naturalmente desse amor a Deus e ao homem, que é o fundamento e o cumprimento da lei. Se o amamos supremamente como nosso Deus, adoraremos a Ele somente e reverenciaremos Seu nome.
Se considerarmos toda a humanidade como nossos vizinhos próximos de nós, participando de uma mesma natureza comum - se esta lei está escrita em nosso coração, e se agirmos invariavelmente sob sua influência, não feriremos seu caráter por falsos testemunhos nem suas circunstâncias, por fraude, nem invejaremos seu conforto doméstico e o que possuem. Não cobiçaremos, nem odiaremos, nem roubaremos.
Mas, embora o verdadeiro cristão deseje ser guiado e governado por esta perfeita regra de justiça, ele ainda experimenta a influência dolorosa e poderosa dessa mente carnal que o levou cativo em seu estado não regenerado e que é inimizade contra a lei de Deus. Pode, portanto, tender a explicar tanto as partes como o progresso da religião prática, se, em conexão com os vários deveres ordenados, notarmos as DIFICULDADES que os cristãos encontram, quando se esforçam, por meio da graça, para fazer a vontade de seu Pai celestial .
A primeira prova de obediência que eles são chamados a dar é a oposição às suas próprias disposições corruptas, a fim de alcançar esse autogoverno, sem o qual nenhuma obediência pode ser disposta ou uniforme. As paixões e os apetites malignos estão profundamente enraizados em todos os homens pela natureza; e a indulgência repetida fortalece seu domínio em muitos; mas eles devem ser resolutamente resistidos pelo cristão, porque sua gratificação é inconsistente com o seu progresso na graça, e prejudicial aos interesses da piedade. A ordem é, portanto, se o teu olho direito te ofende, ou te faz ofender - arranca-o; se a tua mão direita te ofende, corta-a; antes sofre a perda e sofre a dor do que pecar contra o seu Deus. Põe à morte tudo o que em ti é mundano: imoralidade sexual, impureza, luxúria, desejo maligno e avareza, que é idolatria. Como povo eleito de Deus, santo e amado, revista-se de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência.
O afastamento de pecados antes assediados, é apenas uma realização fraca, a menos que também estejamos vestidos com as belezas da santidade e os ornamentos de um temperamento cristão. Os principais ramos deste temperamento são humildade, temperança, paciência, mansidão e abnegação. Para ter estes neles e abundantemente, é a oração, e objetivo, e, em certa medida, a realização dos crentes.
Conscientes de sua indignidade, e fraqueza, e imperfeições diárias, eles estimam outros mais altamente do que eles mesmos. Eles admiram essa paciência de Deus, que poupa tais vermes da terra como eles são. Eles adoram essa graça que estende a salvação a tais criaturas indignas. Confessam-se menos do que o menor de todos os santos; e sob a impressão de humildade sincera, atribuem a Deus a inigualável glória de toda a sua felicidade e esperanças.
Ao avançar para a terra da promessa, lembrando que esta terra não é o seu repouso, e declarando-se apenas peregrinos neste mundo tenebroso, eles se esforçam, por meio da graça, para serem temperados em todas as coisas, para serem satisfeitos e resignados em cada situação, viverem sem avareza, e usarem este mundo como não abusando dele, sabendo que este mundo e tudo o que ele contém passará.
Abrangidos com muitos cuidados e tribulações, permanecem em Deus, e procuram pacientemente possuir seus espíritos; para se proteger de todo murmúrio e desconfiança; para suportar a indignação do Senhor, até que ele pleiteie a sua causa; e humilhar-se sob a sua poderosa mão, até que ele os exalte no tempo oportuno.
A mansidão sob as afrontas é da mais alta importância em um mundo como este, em que abundam homens turbulentos e irracionais; cujas injúrias e ofensas diárias estão tão prontas a arruinar o temperamento, e provocar vingança. Mas aprenda de seu Redentor, ó cristão! A ser manso e humilde. Quando ele foi insultado, ele não insultou novamente; quando sofreu, não ameaçou, mas se entregou àquele que julga com justiça. Portanto, caríssimo, não dê ouvido à ira, e não se vingue; antes, ame aqueles que te odeiam, e ore por aqueles que te desprezam.
A abnegação tão fortemente instigada nas Escrituras sobre todos os discípulos de Cristo, implica uma guarda com cuidado habitual, contra aquelas altas imaginações que se opõem arrogantemente ao esquema humilhante do evangelho; e mortifica essa ambição vã para aplausos humanos, o que leva muitos a se importar com suas próprias coisas, mais do que com as coisas de Cristo. Mas, isso significa principalmente o oposto desses desejos intemperados e impuros, que levam os homens do mundo cativos, que são destrutivos de toda a serenidade interior, e são denominados justamente os "caminhos da amargura e da morte". Para proteger o regenerado contra esses caminhos fatais, as injunções à abnegação são muitas, e simples e fortes. "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação, para que não sejais sobrepujados com facilidade e embriaguez, e com os cuidados desta vida: Abstende-vos das concupiscências carnais que guerreiam contra a alma. Andem com circunspecção, não como tolos, mas não amem o mundo, nem as coisas do mundo, porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai. O mundo passa, e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre."
Assim, ao descrever a conversa que se torna o evangelho, temos sido necessariamente levados a considerar o temperamento da mente do cristão e a operação de suas disposições internas: pois, embora esses temperamentos interiores sejam apenas manifestos a Deus, seus frutos são visíveis em tudo à volta; de modo que o cultivo cuidadoso dos temperamentos celestiais, já mencionado, constitui um ramo essencial da religião prática. Promover o crescimento desses temperamentos sagrados, e seu progresso rumo à perfeição, é talvez um dos trabalhos mais difíceis do cristão neste solo mundano não-convencional. Numerosas e poderosas são as más inclinações do seu coração enganador. Essas corrupções naturais que ele pensava terem sido totalmente expulsas pelo poder da graça regeneradora, ainda têm sua raiz de amargura remanescente; e muitas vezes recupera o vigor inesperadamente, espalha sua influência nociva, e ameaça a destruição de todas as graças do Espírito.
Daí surge outro importante dever cristão, que é o de revigorar e nutrir essas plantas celestiais por meio de ordenanças religiosas. Assim, os crentes são descritos nas Escrituras, como árvores de justiça, plantadas pelos rios de água, que dão fruto na sua estação; e estão florescendo mesmo na velhice, quando os outros se desvanecem. A Palavra de Deus; o santuário e suas solenidades impressionantes; as devoções secretas do quarto e na família - esses são os riachos pacíficos que regam a vinha do Senhor! Estes são os canais sagrados pelos quais o Espírito todo-poderoso transmite aos crentes renovados suprimentos de vida, força e fecundidade.
A Palavra de Deus é sua Conselheira, e companheira na peregrinação da vida. Muitos, em todas as épocas, podem dizer com o salmista: "Quando nossas dores abundassem, teríamos perecido, a menos que tivéssemos encontrado conforto em sua mais perfeita Palavra". Pela oração da fé, eles são fortalecidos com todo poder no homem interior; e mantidos em paz, estando em Deus. Em seus tabernáculos, eles contemplam o seu poder e glória, e são trazidos para perto de Deus como sendo sua alegria excessiva. Em sua Ceia, eles se deleitam em seu amor, e os frutos da morte de seu Redentor são doces a seu gosto. Com gratidão acolhem cada retorno do dia que o próprio Deus consagrou; e que lhes traz a evidência renovada, que seu Senhor está ressuscitado, e triunfou sobre a morte e o sepulcro. Com Simeão, subiram ao templo para adorar; com Lídia, atendem às coisas que são ditas pelo Senhor; com Asafe meditam nas obras de Deus, e recordam os anos da destra do Altíssimo; com o devoto Cornélio, adoram a Deus em sua casa; com os discípulos indo para Emaús, eles tomam doutamente conselho juntos, e falam daquele que redime Israel; e com os primeiros cristãos, eles continuam firmes na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.
A negligência deliberada dessas instituições da religião cristã não só prejudica o progresso da graça na alma, mas indica impiedade para com Deus; e é prova de consequências perniciosas para os indivíduos, famílias e sociedades, colocando diante deles um exemplo de desprezo às instituições divinas. Enquanto uma atenção regular e reverente ao culto religioso, no quarto, na família e no santuário - é um dos vários métodos pelos quais os fiéis em Cristo adornam sua doutrina e fazem sua luz brilhar diante dos homens.
Tendo exposto os ramos mais pessoais da religião prática, vamos agora dirigir sua atenção para os deveres que devemos aos outros, e que são, portanto, denominados deveres relativos. Eles estão compreendidos sob estes dois mandamentos principais, de amar o próximo como a nós mesmos; e fazer aos outros como gostaríamos que eles, em situações semelhantes, nos fizessem.
Essas proposições gerais são explicadas por preceitos particulares da Escritura. "Ele te mostrou, ó homem, o que é bom, e o que o Senhor requer de ti: que ames a justiça, ames a misericórdia e caminhes humildemente com o teu Deus.” Que nenhum de vocês imagine o mal contra o seu próximo. E devem praticar o juízo da verdade, confortar e apoiar os fracos, ser pacientes com todos os homens, carregar os fardos uns dos outros e cumprir a lei de Cristo, alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram. Filhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de obra e de verdade; por isso, manteremos firme o nosso coração diante dele. Mas quem tem os bens deste mundo e vê o seu irmão necessitado, e fecha a sua compaixão, como pode permanecer o amor de Deus nele?
Nessas exortações aos deveres relativos - sinceridade, justiça e bondade - são particularmente recomendados, como artigos importantes na conversação que convém ao evangelho.
A verdade e a sinceridade da fala são de tanta importância na sociedade, que sem ela, a humanidade não poderia ter conforto uns nos outros, e nenhuma confiança na comunhão social; portanto, a religião exige que as palavras de um cristão indiquem os sentimentos sinceros de seu coração e sejam seguidas pela conformidade de suas ações com o que ele disse ou prometeu. Uma conduta contrária está tratando em desconsiderar a onisciência de Deus, e substituindo o engano, pela sinceridade divina que convém aos cristãos.
A justiça e a integridade da conduta devem sempre acompanhar a sinceridade na fala; e levará o cristão a prestar a todas as pessoas o que elas têm direito a esperar: homenagem aos superiores, gratidão aos benfeitores, obediência aos governantes, sujeição aos pais, atenção afetuosa aos vizinhos e constância de amizade com parentes e companheiros. Portanto, não é suficiente abster-se de contenção, debate, opressão, crueldade ou fraude; os cristãos também devem ser o sal da terra e as luzes do mundo; para fazer o bem como eles têm oportunidade; para alimentar os famintos, para vestir os nus, para apoiar os aflitos e para honrar o Senhor com os seus bens. Porque aqueles que ele prosperou no mundo, são mordomos das dádivas da providência; e estão realmente vinculados pela Escritura para suprir os necessitados - para não roubar; dar e não reter; confortar e não ferir.
Mas, esta extensa lei de justiça tem um particular respeito à situação relativa da humanidade, regulando a extensão da autoridade nos superiores e a medida da sujeição nos inferiores. Tal é, portanto, a sua linguagem, como testemunhado na Escritura. Aquele que governa sobre os homens - deve ser justo, governando no temor do Senhor. Que cada alma esteja sujeita às autoridades superiores – porque as que existem são ordenadas por Deus, para o castigo dos malfeitores, e o louvor daqueles que fazem o bem.
Maridos, amai a vossas mulheres, assim como Cristo também amou a igreja e se entregou por ela; assim também os homens devem amar as suas esposas como seus próprios corpos; porque aquele que ama a sua esposa ama a si mesmo.
Esposas, submetei-vos a vossos maridos como ao Senhor. Sejam sóbrias, discretas, castas, guardiãs em casa, sujeitas a seus próprios maridos. Seu ornamento seja o ornamento de um espírito manso e quieto, que é de grande valor aos olhos de Deus.
Os pais não devem provocar os seus filhos à ira, mas criá-los na educação e admoestação do Senhor. Coloque estas minhas palavras em seu coração, e ensine-as a seus filhos, falando delas ao sentar-se em casa, ao caminhar pelo caminho, ao se deitar e ao se levantar.
Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor; pois isso é bom e aceitável para Deus. Honra teu pai e tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa.
Que todos os servos que estão sob o jugo, considerem seus próprios senhores dignos de toda honra, e agradem-lhes bem em tudo: não sendo respondões, não furtando; mas mostrando toda a boa fidelidade, para que possam adornar a doutrina de Deus nosso Salvador em todas as coisas.
Vós, mestres, dai aos vossos servos o que é justo e igual, retendo as ameaças; sabendo que vocês têm um Mestre no céu.
A essas regras de justiça mais razoáveis, que brotam das situações relativas dos cristãos, o Redentor deles acrescentou o novo mandamento do Amor aos irmãos. Como sua cabeça de influência e privilégio, ele os une em uma família espiritual; e os obriga a amar uns aos outros com pureza, constância e afeto dignos de seus companheiros devedores à graça soberana, e companheiros viajantes à glória celestial. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se amardes uns aos outros. Este amor é puro e pacífico, longânimo e amável; perdoa até setenta vezes sete; não se regozija na iniquidade, mas alegra-se na verdade; adverte o ingovernável, e restaura o caído, no espírito de mansidão; ele conforta os fracos de espírito, e confirma os fracos. Somos irmãos, é sua linguagem, não discutamos ao longo do caminho. Temos uma só fé, um só Senhor, uma só esperança de nosso chamado, um Pai e um só céu; edificamo-nos uns aos outros na nossa santíssima fé, edificamo-nos uns aos outros e regozijamo-nos na esperança da glória a ser revelada.
Por outro lado, se, entre os parentes ou companheiros do cristão, parecem estranhos ou inimigos daquela graça que traz salvação, o seu dever é não irritá-los por acusações, por altivez, negligência, indignação ou desprezo; mas instruir com mansidão; na delicadeza do conselho para recomendar piedade; na circunspecção de uma conduta exemplar, para mostrar sua poderosa influência; e, em toda a importunidade da oração, implorar ao Deus de toda graça que, por sua graça imerecida, onipotente e soberana, os arranque como tições do fogo e os chame das trevas para a sua maravilhosa luz, e os torne alegres com a sua herança. (Nota do tradutor: é para a prática desta conduta cristã, como aqui descrita, e que é segundo a revelação das Escrituras, que se faz necessário o crescimento e amadurecimento espiritual, pelo crescimento na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, pois a regularidade e constância de tais ações procedem somente daqueles que são crentes espirituais e não carnais.)
Tal é a natureza da religião prática, como delineado nas Sagradas Escrituras: andando em todos os mandamentos e ordenanças do Senhor de modo irrepreensível; vivendo sem manchas do mundo; levando vidas tranquilas e pacíficas, em toda piedade e honestidade; fazendo o bem a todos quando temos oportunidade, especialmente aos que são da família da fé; crescendo em graça; seguindo as coisas puras e adoráveis, e de boa fama; acrescentando à nossa fé, virtude, conhecimento, temperança, paciência, piedade, bondade fraterna e amor. (Nota do tradutor: veja a progressão marcada pelo autor que é consoante o ensino do apóstolo Pedro, conforme ele o havia aprendido de Jesus Cristo, de crescer de experiência de graça a experiência de graça, conforme elas vão sendo delineadas em nosso caráter pela prática. Pela mesma razão é dito pelo apóstolo Paulo que somos transformados à imagem do Senhor de graça sobre graça ou de fé em fé, referindo-se ao mesmo modo de crescimento espiritual - por acréscimo destas virtudes apontadas.).
Os motivos para essa conduta cristã são numerosos, poderosos e cativantes. Assim, glorificamos nosso Pai nos céus, e adornamos a doutrina de Deus nosso Salvador; e andamos perante ele em todo o bem agradável. Assim, vivemos para o Senhor, e, como ele deu mandamento, e de acordo com o exemplo que ele nos deixou. Assim, a vida de Cristo é manifestada em nós, e nossa luz brilha diante do mundo, e o caminho da verdade não é infamado por nossa causa. Assim, nossa paz flui como um rio, e crescemos em aptidão para herdarmos com os santos na luz.
Examinemos então nosso próprio caráter e perguntemos: que influência nossa religião teve sobre nossos corações e temperamentos, sobre nossas palavras e sobre nossa conduta?
Busquemos nobremente as realizações mais elevadas possíveis, naquela vida de santidade uniforme e exemplar recomendada pelo evangelho. E, para isso, ao mesmo tempo em que confiamos diariamente na justiça do Redentor para a aceitação, e nos dedicamos diariamente a seu serviço, também sejamos fortes em seu poder e, no exercício da oração, esperemos as influências prometidas do Espírito Santo, para sustentar nossas coisas, para que nossos passos nunca escorreguem; para nos guardar na hora da tentação; para nos conduzir no caminho eterno; para nos santificar inteiramente; para preservar a alma, corpo e espírito irrepreensíveis para a vinda do Senhor; e para fazer nosso caminho brilhar mais e mais brilhante até o dia perfeito!


A importância da verdadeira religião para a utilidade e felicidade do povo comum
Deve-se entender que esta expressão, o povo comum, longe de implicar o menor grau de desrespeito, é usada para distinguir apenas as pessoas aqui endereçadas, daqueles que, por sua posição superior, fortuna ou influência, são, em linguagem comum, denominados os grandes deste mundo. Mas, embora nem as classes médias da vida, nem as classes mais baixas da sociedade, sejam excluídas por este termo geral do povo comum, o escritor deste tratado tem principalmente em vista a classe numerosa e valiosa de pessoas que são empregadas como comerciantes, trabalhadores, empregados ou aprendizes. Para seu benefício, tracei alguma descrição da natureza e influência da religião real; e agora desejo despertar sua atenção para este assunto profundamente interessante e recomendar esta religião à sua escolha, por argumentos que possam ser adequados às suas situações, e aplicados em seus corações.
Conheça a si mesmo, ó homem! E respeite a si mesmo - são máximas aplaudidas pelos sábios e dignas da contínua lembrança de todos. Elas são particularmente aplicáveis ​​a vocês que são colocados em circunstâncias dependentes; e cuja inferioridade pode muitas vezes expô-los à falta de estima, e às vezes pode colocar em perigo de subestimar o seu próprio caráter. Para promover este conhecimento e respeito, suplico para pensar seriamente sobre os poderes exaltados que você possui, e olhar ao redor com atenção para a época em que vive. Em outras palavras, vejam-se tanto em sua capacidade pessoal quanto em sua capacidade relativa. A esses dois pontos o raciocínio sobre este ramo do assunto deve ser confinado.
1. Então, pensem em si mesmos em sua capacidade pessoal, como seres racionais e imortais. Embora seja obscurecida a sua porção na vida, você possui os mesmos poderes espirituais, que são formados para os mesmos propósitos nobres, e são chamados para as perspectivas exaltadas - com os mais honrados ou ricos na terra.
As circunstâncias mais baixas de serviço, ou dependência, ou pobreza, com todos os seus assistentes humilhantes e tristes, não podem em nada diminuir a excelência intrínseca do pobre. Ele é filho da providência, o expectante da imortalidade. Estas honras que o seu Criador gracioso confere a ele, em comum com o potentado mais rico na terra. Um miserável Lázaro, alimentado com migalhas da mesa do rico; um cego Bartimeu, que estava sentado ao lado do caminho implorando, eram realmente objetos da atenção divina, tanto quanto Salomão, quando vestido em toda a sua glória. Homens desconhecidos, filhos e filhas da pobreza; vocês são igualmente com os outros, criaturas de Deus; formados por seu poder, sustentados por sua visitação misericordiosa, e colocados nas mesmas circunstâncias que sua sabedoria infalível julgou mais conveniente. Portanto, como suas criaturas racionais e dependentes, vocês devem a ele o tributo diário de amor supremo, de adoração grata, de submissão sem reservas e obediência voluntária. Você pergunta, então, onde está Deus nosso Criador, que nos dá canções à noite? E o que o Senhor exigiu de nós? Aprenda seu caráter e sua vontade; prossiga em conhecê-lo; e ande perante ele, para tudo o que Lhe agrade.
Como o homem nasce para problemas, assim aqueles que se movem em condições inferiores, estão peculiarmente expostos a inúmeras desgraças; sob cada uma delas, eles precisam de apoio e consolo para suas mentes - mas esse consolo, eles não podem esperar do mundo. Pequeno é o alívio, e poucas as alegrias, que ele pode transmitir a qualquer um. O pouco que tem, é reservado para aqueles em riqueza e poder; mas cruelmente deixa o pobre aflito chorar sem piedade e desprezado. Não tão implacável e cruel - é aquela religião amável que desce do alto. Ela visita a casa de proprietários abandonados. Ela revive a alma do sofrimento e transmite uma alegria de coração que só pode ser compreendida por aqueles que sentem sua presença animadora.
No entanto, ela desdenha em morar com aqueles que, ainda que necessitados, permanecem sem princípios e impenitentes; ela não entra na habitação daqueles que são ignorantes de Deus, que desobedecem ao Evangelho e amam as trevas; ela passa a sua morosa morada com apenas indignação; e os deixa como um espetáculo para homens e anjos, dos horrores complicados da pobreza e da dor, quando unidos à ignorância e à impiedade.
Preparem, portanto, um bom fundamento para os dias de escuridão, pela união e comunhão com aquele Redentor, que dá graça para ajudar em cada momento de necessidade.
Para você, e igualmente para os outros, seus méritos infinitos podem se estender; para sua aceitação as bênçãos de sua grande salvação são externadas; e para sua consolação ele proclama: "todo aquele que tem sede, venha e tome livremente das águas da vida!" Se unido a este compassivo Redentor, e permanecendo nele, todos os caminhos da providência serão misericórdia e paz para você, e as mais severas provações na vida trabalharão em conjunto para o seu bem. Bendito Evangelho da paz, que transforma a escuridão em luz, e faz do Vale de Acor, ou dificuldade, uma porta de esperança! Feliz o crente em Cristo, animado com a presença de um amigo, que nasce para a adversidade, e que é mais achegado do que um irmão.
É designado que todos morram, e depois da morte vem o julgamento; e depois do julgamento se segue o estado eterno da existência. Seja qual for, então, a condição exterior, ou as perplexidades internas de qualquer uma das pessoas comuns, elas estão diariamente apressando-se para a glória imortal - ou sendo infelizes! Aquele pobre desgraçado, que está vestido de trapos, e cambaleando de embriaguez; que brutificou seus sentidos por intemperança; que tão ousadamente blasfema do seu Criador, e tão alto implora a condenação sobre si mesmo; mesmo ele possui uma alma imortal, e logo estará diante do tribunal imparcial de um juiz soberano! Ó que ele considerasse o seu último fim; e atentasse, nos dias da sua visitação misericordiosa, as coisas que pertencem à sua paz eterna! Sim, o servo, o trabalhador, o comerciante; aquele pensionista necessitado, nu e faminto; cada um tem um tesouro de valor indizível para guardar, ou para perder! Sua alma é imortal, e todas as suas dificuldades temporais logo serão esquecidas nos prazeres ininterruptos da glória celestial - ou nas indecifráveis ​​agonias da ira futura. Esta vida é o único período reservado a ele, para se preparar para a eternidade. Sua época de graça é incerta; seu dia declina, e sua partida está próxima!
Que cena na terra é mais afetiva do que a morte de um homem ignorante, ímpio, pobre, que trabalhou duro por toda a vida para obter uma subsistência escassa, mas nunca pensou em um futuro, que desfrutou de pouco conforto neste mundo, e está morrendo sem qualquer esperança bem fundada de felicidade no próximo!
Filhos do trabalho ou da indigência, direcionem sua atenção para a representação agora dada! Considerem-se em sua capacidade pessoal, os súditos do governo moral de Deus; viajando por um mundo de pecado e miséria; possuindo naturezas imortais e amadurecendo diariamente para um estado inalterável e sem fim! Se, então, há uma realidade, um poder e um consolo na verdadeira religião; se é produtiva da paz presente, e pode ser vantajosa para qualquer um da humanidade, deve ser de especial proveito para você. Você precisa de sua influência divina para regular suas afeições, para elevar seus desejos, para dissipar seus medos, para purificar seu coração, e para torná-lo feliz em Deus, independente de todos os problemas ou alegrias terrenos. Você é capaz de desfrutar dessas influências, e de sentir seu glorioso poder para evitar o desmaio no dia da adversidade; e você é encorajado pelas Escrituras a pedir e esperar mais consolações abundantes em Cristo do que aqueles que não experimentam as tribulações da vida.
Que a piedade seja então o guia de seus passos, e o consolo de suas mentes. Escolha esta parte melhor que não pode ser tirada; como a única coisa necessária; deleite-se no Senhor; permaneça nas suas palavras e ande como ele mandou; então saberá que os caminhos da Sabedoria são agradáveis, e todos os seus caminhos são paz.
"1 Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e entesourares contigo os meus mandamentos,
2 para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para inclinares o teu coração ao entendimento;
3 sim, se clamares por discernimento, e por entendimento alçares a tua voz;
4 se o buscares como a prata e o procurares como a tesouros escondidos;
5 então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus." (Provérbios 2: 1-5).
2. Consideremos, em seguida, aquela numerosa classe de homens que a Providência colocou em condições inferiores, formando um importante ramo da comunidade e ligado à sociedade por várias relações.
Aqui uma sucessão de circunstâncias interessantes se apresenta; e o valor da religião verdadeira aparece com um brilho peculiar, tão felizmente calculado para tornar os homens retos no serviço, constantes na vida conjugal, filhos obedientes, pais afetuosos e cidadãos úteis.
Para os trabalhadores de toda a descrição, o Cristianismo aborda suas exortações com energia e afeto. Ele adverte contra as murmurações dirigidas às alocações de um Pai infalível; exige que permaneçam no seu chamado com o Senhor; dá-lhes direções para a regulação de seu temperamento, palavras e conduta; e assegura-lhes que, cumprindo de forma adequada seus vários deveres, eles brilharão como luzes diante dos homens, e adornarão a doutrina de Deus, seu Salvador.
Muitos são os seus perigos, e grande a sua necessidade de íntimo conhecimento tanto dos princípios, quanto do poder do cristianismo. Separados do olho e do cuidado de seus pais, eles entram em um mundo de tribulações, estão espalhados por muitas famílias, e têm muitos deveres para cumprir, muitas dificuldades para enfrentar e muitas tentações para resistir! Nada menos que unir-se ao Senhor com pleno propósito de coração, pode impedir que eles vagueiem pelos caminhos em que os destruidores caminham.
Por mais fora de moda que seja a opinião, contudo concorda com a Escritura e a observação, que a piedade sincera é um requisito essencial no caráter de um servo fiel. Os senhores podem ter pouca dependência da verdade e da honestidade, da temperança e da sobriedade de qualquer um deles, que não têm o temor de Deus diante de seus olhos; que desconsideram suas ordenanças, ou profanam seu santo nome. Os tais sentirão pouca restrição dos terrores de um mestre terrestre, quando tentados à falsidade, ou à fraude. Nada menos que a graça que traz salvação, pode efetivamente ensinar-lhes a negar toda a impiedade, e desejos mundanos; e para viverem sóbria, justa, e santamente no mundo. Nada além do amor de Cristo derramado no coração, pode restringi-los na realização de deveres comandados; especialmente daqueles deveres necessários e abnegados que se opõem a disposições depravadas e propensões naturais ao mal.
A mais sábia em sua natureza, e mais benéfica para a sociedade, é a linguagem da Escritura para os que estão sob autoridade: "Obedeça aqueles que têm o governo sobre você, vista-se com humildade, coloque de lado toda a ira e malícia, e seja de espírito tranquilo, seja fiel no pouco e, no devido tempo, Deus o fará governar sobre muitas coisas, seja diligente nos negócios, fervoroso no espírito, servindo ao Senhor." A verdadeira religião exige que resistam às solicitações dos ímpios; para conter os ataques da paixão; para terem cuidado para que não sejam atingidos pela intemperança ou impureza; e não tenham comunhão com as obras infrutíferas das trevas. Proíbe-os de fazer o mal, para que o bem venha; e os obriga a dizer a verdade em amor, e não mentir uns aos outros; para ser sóbrio de espírito, e não tratar em questões muito elevadas para si; para fazer o seu próprio trabalho em silêncio, e não suscitar contendas; para seguir a paz com todos os homens, e aquela santidade sem a qual ninguém pode ver o Senhor.
Tais são os conselhos amáveis ​​de nossa santa religião, tal o caráter de servos retos, e tais homens dignos de serem encorajados e empregados. Mas, onde se encontram tais trabalhadores, aprendizes e servos? Infelizmente! A conduta da maior parte está em oposição direta a todos esses preceitos celestiais! Infiéis à sua confiança, enganosos em suas palavras, desonestos em suas transações, violentos em seus temperamentos, e sensuais em suas gratificações; eles muitas vezes se provam a ruína de companheiros, a desgraça da sociedade, a desonra de seus amigos e são perturbadores das famílias onde residem. Ao invés de despertar a atenção e estima, ou serem estimados para futuro apoio, eles se tornam objetos de indignação pública, e envolvem-se e suas famílias na infâmia e na pobreza.
Nunca se realizará qualquer reforma efetiva, em sentimentos ou em maneiras, entre qualquer classe de servos, até que, por graça, se submetam às leis de Deus e se tornem cristãos, não em nome, mas em coração e vida. Outros expedientes para reformá-los foram tentados, mas sempre falharam. A experiência dos séculos provou que só a religião exerce sua influência prática - é o cristianismo, quando experimentado em seu poder - é o Evangelho de Cristo, quando conhecido, amado e obedecido - que inclina e capacita os homens que trabalham, que ganham o pão com o suor do rosto; a trabalhar sem murmurar, e conduzir vidas tranquilas e pacificamente com toda honestidade e piedade.
Estas observações podem ser estendidas a outra condição da vida, ainda mais importante do que a do serviço. Quando as pessoas entraram no mais próximo e mais tênue de todas as conexões humanas, o que pode tão firmemente garantir a sua fidelidade conjugal, como o vínculo imutável de piedade? Ou o que pode tão eficazmente perpetuar a sua felicidade conjugal, como a afeição sincera que o Evangelho da paz impõe e inspira? Por outro lado, de onde surge essa miséria doméstica, tantas vezes ouvida nas habitações do povo? De onde é que o mais próximo dos laços humanos, que o céu designou como a perfeição da felicidade humana, prova tantas vezes a fonte fatal de tormento constante e crescente? A razão é que o casal entrou nessa relação sagrada sem tutoria, sem princípios e ímpios: e, portanto, continuam estranhos a esse respeito, constância e felicidade, que resultam da unida influência da piedade e do amor. Adversos à piedade, e não influenciados pelo amor verdadeiro; oprimidos pela pobreza e amargurados pela fadiga; os infelizes não procuram apaziguar os sofrimentos uns dos outros, nem promover o conforto uns dos outros; mas servem cada refeição com queixas inúteis, e amargam cada hora solitária por mútuas reprovações.
Eis que lhes mostramos um caminho mais excelente! Digam como Josué: Tudo o que os outros fizerem, assim como nós e nossa casa, serviremos ao Senhor. Aprenda de Jesus a ser manso e humilde; deleite-se no Senhor, e reconheça-o em todos os seus caminhos; e isso aliviará a pressão de sua pobreza, adoçará seu viver, das fadigas do dia, e ensinará você a desfrutar da recompensa de seu Deus.
Muitas são as vantagens da piedade consistente na relação matrimonial. Restringe a ira e a amargura; suprime contendas e mágoas; e sua feliz tendência é livrar das paixões malignas e autoatormentadoras. Nem este é o seu único objetivo: é também produtivo de outro efeito, singularmente benéfico para a sociedade; assegurando uma fiel adesão ao voto matrimonial e reprovando, pelas sanções mais solenes, toda a conduta pecaminosa. A violação do leito matrimonial é uma das mais hediondas e cruéis de todas as transgressões; contra ninguém são as advertências das Escrituras mais frequentes, ou suas ameaças mais alarmantes. Nem apenas proíbe as ações impuras, mas toda a linguagem lasciva, todos os desejos impuros e toda a poluição da mente. No espírito de verdadeira benevolência, o volume sagrado convida os cristãos às tranquilidades e alegrias reconfortantes da vida doméstica; e, com igual ardor para a sua felicidade, afasta de todas aquelas abordagens ao vício e de todos aqueles apetites criminosos e indulgências que terminam em amargura e morte. Que marido e mulher recebam estas palavras, e embora sejam pobres - sejam virtuosos; embora perplexos - se confortem uns aos outros; e embora trabalhando pela vida - vivam no amor; e assim diminuam as aflições, suportando a carga um do outro.
A religião em seguida se dirige a vocês como pais; e lhes ordena educarem os seus filhos na admoestação do Senhor. Se você negligenciar este dever, você é assassino de suas almas! Nem qualquer inferioridade de posição, qualquer multiplicidade de cuidados, ou qualquer diligência nos negócios, desculpa essa negligência criminosa. Solenes são as suas responsabilidades para com os seus filhos: instruí-los nas verdades das Escrituras; para impedi-los do mal; orar por eles e com eles; educá-los de acordo com sua faixa etária; e empregar sua influência, afeição e autoridade como pais, na promoção de seu bem-estar temporal e espiritual. Não coloquem toda a carga espiritual de suas famílias sobre pastores ou mestres; nem pensem que seus trabalhos podem justificar sua omissão de instrução, exemplo e oração.
Tais são as injunções da religião sobre os pais; e, portanto, sua importância para a sociedade é manifesta. Se os filhos do povo comum se educassem no temor do Senhor, não permaneceriam, por toda a vida, como ociosos da comunidade, perturbadores do Israel de Deus, ignorantes como o indigente, e obstinados como o feroz bárbaro.
Mas, pode-se esperar que os pais criem seus filhos para Deus, se eles mesmos são inimigos dele em suas mentes; se, nesta terra de luz, eles estão perecendo por falta de conhecimento; se, entre os mais abundantes meios de instrução, eles se assentam voluntariamente nas trevas e na sombra da morte? Filhos tolos! Compadece-te da descendência que Deus te deu; eles crescem em torno de sua mesa como oliveiras; eles se apegam a você com carinho afetivo; eles ouvem a sua conversa com admirável silêncio; recebem de suas mãos o pão e o cálice, com ansiosa gratidão; e seus olhares desejosos, e poderes em desenvolvimento, imploram sua atenção à sua mente, e à sua utilidade futura. Se nenhum outro argumento pudesse ser produzido para o seu caminhar nos mandamentos e ordenanças do Senhor, este poderia despertá-lo - o destino de seus filhos; o perigo de sua morte no inferno por meio de sua negligência; e as obrigações sob as quais você se encontra, para ensinar-lhes o conhecimento, o temor, e amor, de seu Criador e Redentor.
Enquanto a verdadeira religião, como visitadora celestial, administra esses sãos conselhos aos chefes das famílias, ela olha ao redor para a sua descendência com o mais suave semblante; e afeiçoa-os a morarem juntos em unidade, a obedecerem aos pais no Senhor e a honrarem seu pai e sua mãe - para que seus dias sejam longos na terra dos vivos.
Outro caráter relativo que o povo comum mantém na sociedade, surge de sua conexão com a comunidade; e o método mais eficaz de tornarem-se bons cidadãos e súditos virtuosos, é por se tornarem cristãos sinceros. O evangelho ensina-lhes que são responsáveis ​​perante Deus por todas as suas ações; que sua Palavra deve regular seu comportamento na sociedade; que, na condição que ele atribui, eles devem agir com integridade e honra; e que com a sua conduta na vida, estão ligados à prosperidade ou à ruína de seu país. Que os homens, por mais necessitados ou obscuros, sejam habitualmente impressionados com essas leis da Escritura - e isso os induzirá a levarem vidas tranquilas e pacíficas, a renderem tributo e a honrarem onde for devido e a obedecerem a seus superiores no Senhor. Mas, se alguma vez deixam de lado estas leis divinas, ou consideram sua conduta na sociedade como desconectada de seu dever para com Deus, separam a moralidade da religião ou substituem uma pela outra - então adeus a toda a virtude pública, tranquilidade e ordem! Adeus a todos os privilégios distintivos, reverência pelas leis, todo o semblante do céu. Estes anjos da guarda apressar-se-ão então a partir de nossa terra uma vez feliz, e deixam uma nação ingrata a todas as calamidades da ociosidade, da injustiça, e da opressão, a todos os efeitos terríveis da indignação divina.
Conheça, então, a sua própria importância, você que a Providência colocou nas fileiras inferiores da vida. Você está felizmente livre do trabalho vexatório de gerenciar as preocupações nacionais, você não precisa ter a perplexidade dos outros, com planos visionários do governo público, e você seria, senão mal empregado na tentativa de alterar as leis, que a experiência das idades tem provado ser saudável, mas você tem um trabalho muito mais importante e honrado para nele prosseguir - uma alma que nunca morre para ser salva, uma família para criar nos caminhos do Senhor, um exemplo para colocar diante de muitos, e um Salvador para honrar na terra.
Se o povo comum fosse sinceramente piedoso - eles agiriam de acordo com os princípios e conforme os preceitos da Escritura; incentivariam, por exemplo, um espírito de sobriedade, de trabalho e de honestidade; eles criariam seus filhos em reverência às ordenanças de Deus e os enviariam para o mundo fortalecidos com os sentimentos da revelação - quem pode dizer quais bênçãos poderiam provar aos lugares onde residem e à nação em geral? Quem poderia calcular quão ampla sua utilidade poderia se estender, e quanto tempo poderia ser perpetuada? As gerações sucessivas poderiam colher os frutos felizes de sua piedade, enquanto os filhos de seus filhos continuariam a instruir suas famílias nas verdades celestiais e exemplos transmitidos de seus antepassados. Mas, se a generalidade do povo comum degenerar em infidelidade, licenciosidade e toda conduta imoral, o mal produzido será igualmente largo e igualmente duradouro!









Os MEIOS que parecem mais bem calculados para promover o Conhecimento e o Espírito da Religião entre as Pessoas Comuns
1. O fundamento de todo o conhecimento piedoso e realizações, deve ser colocado em um conhecimento adequado com as Sagradas Escrituras, e uma constante atenção a elas como a regra infalível de fé e conduta. Sem este guia celestial, vagaríamos em perpétua incerteza e perigo; mas seguindo esta luz da verdade, que brilha num mundo sombrio, somos conduzidos aos caminhos da paz, estamos cheios de consolação, e avançamos de força em força até que apareçamos diante de Deus em Sião.
Para os pobres o Evangelho é pregado; por isso eles são feitos sábios para a salvação, e ensinados como purificar o seu caminho. O Deus de sabedoria e compaixão tem piedade de suas circunstâncias, e não lhes negou, uma revelação clara e perfeita de sua vontade; brilha diante deles como a brilhante estrela da manhã, dirigindo sua atenção para o glorioso Sol da Justiça, e conduzindo muitos à glória. Siga, portanto, esta verdadeira luz, que desce do céu. Busque o volume sagrado com diligência, humildade e oração; e mantenha conversa com ele diariamente, como com um companheiro amado. Examine suas doutrinas, regozije-se com suas promessas, observe o caminho do dever que prescreve e contemple com prazer os objetos gloriosos que ele exibe. Busque, pois, a sabedoria quanto aos tesouros ocultos, e assim aplique o seu coração ao entendimento.
As Escrituras são destinadas ao benefício de todas as classes, e são adaptadas às circunstâncias de cada pessoa; portanto, todos são obrigados a conhecer a verdade, a ter a palavra de Cristo habitando ricamente neles e a considerar as coisas que pertencem à sua eterna paz. Mas aqueles que odeiam a instrução, que amam as trevas, que rejeitam o conselho de Deus e não obedecem ao seu evangelho - são ameaçados de destruição da presença do Senhor e da glória de seu poder.
Se Deus ordena a todos que busquem as Escrituras - não deve a negligência deste comando expresso, ser pecaminoso e perigoso? No entanto, alguns pretensos cristãos exaltaram a ignorância como a mãe da devoção. Tal sentimento ousado insulta a bondade daquele Deus, que se dignou revelar sua vontade aos homens; e trai tanto a verdade, que pode muito bem excitar nossa indignação e tristeza. O orgulho arrogante de religiosos, ao substituírem invenções humanas pelas ordenanças de Deus, não é mais fatal e ilusório do que a conduta cruel de reter do povo a livre leitura das Escrituras. Mas nós não aprendemos assim a Cristo: sabemos que com ele não há distinção de pessoas; que a sua voz é para os filhos dos homens; que todas as tribos e povos são ordenados a andar na sua luz, e fazer dos seus estatutos as suas canções em sua peregrinação.
Homens e irmãos, apreciai os vossos privilégios e alegrai-vos que a Palavra da verdade esteja nas vossas habitações e nas vossas mãos. Vossos pais estavam assentados nas trevas, sob a ilusão do falso cristianismo, mas esta terra em que habitavam os vossos pais tornou-se um vale de visão. Vocês são resgatados do domínio dos sacerdotes tirânicos! Os ministros do santuário não são permitidos, pela nossa santa religião, a serem dominadores da vossa fé. A palavra está perto de você, ela é traduzida em sua própria língua, é-lhe dada quase sem preço; e nenhum meio é deixado não experimentado, para incentivar a sua leitura diária do volume sagrado.
Ó como altamente favorecida é esta ilha acima de muitas outras nações! O Sol da Justiça ainda não desapareceu de outras nações - as nuvens da ignorância, do erro e da idolatria - os profetas e apóstolos são escassamente conhecidos entre eles, exceto pelo pincel do pintor - os escritos inspirados desses santos são detidos nos repositórios de sacerdotes - as águas da salvação são interrompidas em seus cursos, pelos poderosos baluartes da superstição; a fonte aberta pelo Filho de Deus, para purificar muitas nações, é fechada pelo impiedoso Vigário de Cristo. A árvore da vida, cujas folhas são para a cura do povo, é mantida longe da abordagem dos necessitados por mercenários; e a gloriosa luz do evangelho está envolvida na escuridão misteriosa de sutilezas sombrias. (Nota do tradutor: a batalha que temos que empreender contra o falso ensino e a falsa piedade em nossos dias é muito maior do que a que o autor teve que empreender em seus dias, pois a frente da hipocrisia e do erro se ampliou muito, pois os dias trabalhosos em que não suportariam a sã doutrina, e quando os homens teriam forma da piedade, mas negariam o seu poder, são especialmente chegados a nós.)
Mas, o Deus de Sião há pouco se levantará, e defenderá a sua própria causa; ele vai sacudir os reinos da terra, ele vai cingir sua espada sobre sua coxa, e ele vai sair no carro de seu evangelho, para sempre vencer. Que sua Palavra funcione, e tenha livre curso, e seja glorificada! Que os tumultos do povo terminem nos triunfos do reino do Redentor! E possa sua religião abençoada ser preservada entre nós em toda a sua pureza, experimentada em todo o seu poder, e perpetuada para os últimos tempos!
Desde que a você é dado o evangelho da salvação, valorize este privilégio, e  o aperfeiçoe com cuidado. Conte tudo como perda pela excelência do conhecimento de Cristo. Leia a sua Palavra com alegria e atenção, com humildade e reverência, com fé e firme assentimento, com aplicação do que ela revela às suas próprias circunstâncias, e com fervorosa súplica pelo ensinamento do Espírito, para que você possa entender as Escrituras, abrace as promessas, e possa andar na verdade!
2. Um espírito de religião nunca prevalecerá em qualquer comunidade, onde não há um atendimento geral e regular sobre a pregação da Palavra. Isto, portanto, é recomendado com sinceridade às famílias, tanto como um dever e um privilégio.
Graças ao Deus de nossos pais, as sublimes e santificadoras doutrinas da graça são, mesmo nesta era de erro, ensinadas por muitos, com sinceridade, simplicidade e poder. Muitos ministros fiéis, de várias denominações, unem-se harmoniosamente na declaração e defesa do testemunho que Deus deu. Eles testemunham o grande mistério da piedade, Deus manifestado na carne. Eles pregam a Cristo crucificado, como fundamento da esperança para criaturas culpadas, e como o Autor da eterna redenção para todos os que lhe obedecem. Esta consideração confortável, unida com os muitos fins importantes do culto público, garante a exortação agora dada - frequente a casa de Deus, se você deseja o progresso na piedade.
Embora seja uma queixa comum, esse pequeno espaço é reservado nas igrejas para o alojamento dos pobres, e embora a queixa não possa ser totalmente infundada; no entanto, em quase todas as cidades e paróquias, há igrejas criadas por várias seitas, onde o mesmo evangelho é pregado, onde os pobres podem encontrar fácil acesso e onde serão instruídos na verdade como é em Jesus. Desde então, há lugares previstos nesta terra de liberdade, onde você pode adorar a Deus de acordo com suas consciências, e desde que ministros estão dispostos a instruir todos os que vêm a eles - por que você deve perecer por falta de conhecimento? Por que negligenciar os meios de melhoria? E por que recusar uma participação voluntária nas ordenanças públicas da instituição divina? Essa assistência talvez não seja sempre acompanhada com os efeitos desejados: alguns podem desfrutar dos meios da graça e permanecer despreocupados e não renovados; ainda assim eles estão engajados, como se tornam criaturas, em esperar em Deus, e adorá-lo; eles estão no santuário, onde ele manifesta a sua glória, e exerce o seu poder de salvação; eles estão no lugar onde ele promete encontrar-se com seu povo e abençoá-los.
Sob estas impressões, recomenda-se vivamente a todos na comunidade, que conduzam seus filhos a algum lugar apropriado de adoração no dia do Senhor, e ensinem-nos a ouvir com reverente atenção as verdades entregues. Perniciosas e alarmantes são as consequências, quando o povo abandona a adoração de Deus no santuário: todo princípio religioso e moral logo se torna apagado de sua lembrança; todas as restrições do caráter e da decência se estendem: as horas sagradas em que os outros se dedicam à devoção celestial, no culto público - são gastas por esses negligentes da casa de Deus, nas assombrações da intemperança, nas depredações da propriedade do próximo ou em formar associações perigosas para as famílias e destrutivas para a ordem doméstica.
Considerando-se, portanto, como um dever imposto pela religião, como uma questão de política para o bem-estar da sociedade, como uma questão de prudência para o conforto das famílias e como sinal de compaixão pelas almas dos que perecem - deixem os pais, e superiores se esforçarem, por toda a influência que possam empregar, recompensando a obediência, e reprovando o perverso, pela exortação e autoridade, para impedir seus domésticos ou servos, seus inquilinos ou filhos, de negligenciarem as assembleias dos santos; que eles também se esforcem para promover entre os mais pobres do povo, uma frequência regular ao culto público de Deus.
3. Um terceiro meio de aperfeiçoamento na religião, é uma aplicação cuidadosa aos vários exercícios de devoção. Sob este particular pode ser incluído, leitura proveitosa, meditação piedosa e oração secreta. Embora cada uma delas mereça uma consideração separada, contudo sua influência sobre si é tão natural e íntima, que não parece improvável classificá-las.
Uma pesquisa diária das Escrituras já foi solicitada, e, portanto, a leitura proveitosa agora recomendada refere-se à leitura séria de livros de piedade. Todos não têm oportunidades iguais para este emprego lucrativo; mas os mais laboriosos e duros operários em nossa terra, têm suas horas de recesso das fadigas dos negócios e suas temporadas de descanso e lazer. Sem a devida cautela, estes podem revelar-se períodos perigosos, levando a loucuras e crimes, o que acarretará sobre eles perpétua aflição e miséria. Para evitar tais misérias, melhore suas horas de lazer na leitura dos escritos dos piedosos. Graças a Deus, somos favorecidos com uma variedade de publicações valiosas, que são bem calculadas para agradar e edificar; que não contêm princípios perigosos; que tentam não promover devoção sem princípio, ou piedade sem moral; mas que são ao mesmo tempo evangélicos, práticos e claros. Flavel, Watts, Owen, Hervey e Doddridge, ainda que mortos, ainda nos falam com toda a eloquência de um discurso animado, de doutrina não adulterada e de piedade genuína. Em nossos dias, Newton, Venn, Walker e Witherspoon, deram ao mundo representações amáveis ​​e justas da verdade evangélica. A todos estes eu poderia acrescentar, como digno de leitura, e felizmente adaptado às capacidades dos mais ínfimos, os trabalhos de Thomas Boston, Bunyan e Erskine. Todos estes autores agora nomeados eram homens eminentes por sua piedade, e úteis em seu dia: seu espírito respira em suas obras; e seu louvor será perpetuado por muito tempo na igreja. Os refinadores modernos de uma religião que é perfeita em si, e que não pode admitir nenhuma melhoria pelas descobertas modernas, que possa afetar a desprezar os escritos mencionados agora, ou carregá-los com os nomes reprovadores de entusiasmo e vulgaridade. No entanto, se você os examinar com cuidado, você os encontrará ricos no sentimento, e rentáveis para sua instrução na justiça; e se você é tão afortunado de trazer sua própria casa, e as famílias ao redor, para ler e saborear o que estes livros contêm, você estará fazendo todo o serviço essencial aos interesses da religião.
Meditação séria sobre as coisas divinas, é outro importante ramo da devoção secreta em seu quarto. Não é razoável que os objetos terrenos ocupem a principal atenção dos homens imortais; que eles devem se ocupar apenas de coisas terrenas, e ter apenas cuidado com preocupações mundanas. Convém-lhes atribuir intervalos apropriados para a contemplação espiritual; se afastar frequentemente dos negócios e da agitação do mundo; a chamar-se a frequente e rigorosa conta; para examinar se eles estão na fé; para provar os seus temperamentos e conduta pela lei de Deus; para saber que progresso estão fazendo em seus preparativos para um estado eterno de existência; e viver sob impressões do mundo futuro.
A falta de conhecimento religioso, e a negligência habitual de consideração séria, provam a ruína de milhares. Que religião real e perseverante pode ser esperada de uma mente desinformada, indisciplinada e impensada? E como inúteis devem ser todos os meios da graça, se os homens não se permitem examinar seu estado real diante de Deus, ponderar as coisas que pertencem à sua salvação e meditar sobre as doutrinas, promessas e preceitos da Escritura? Pequena atenção é necessária para dar aos objetos do sentido toda a sua força; estes estão sempre presentes, e sua influência é poderosa. Mas do que é invisível e eterno, uma meditação mais fixa é indispensavelmente necessária. Isso, em certa medida, remove a distância entre o céu e a terra; traz objetos espirituais perto da mente crente que reflete; aumenta a fé que é a substância das coisas esperadas; e deriva dessas realidades invisíveis, alegrias muito mais nobres do que podem ser obtidas dos prazeres mais convidativos do pecado.
Retirem-se, portanto, por si mesmos, nos campos ou no quarto, para meditar sobre temas celestiais! Contemple o que foi, o que é e o que será a seguir. Marquem os caminhos da Providência; e tracem, com reconhecimento admirador, as obras do Senhor para si mesmos, suas famílias e seus parentes. Olhe para o futuro, para um mundo que expira, um julgamento geral, um estado inalterável! Como devem essas perspectivas solenes moderar sua ânsia pelas modas passageiras do mundo, e acelerar seu progresso em direção a Sião. Medite no céu, como a terra do repouso, e a herança segura de todos os remidos; contemple as suas alegrias e os seus empregos, e deseje ser unido com os justos aperfeiçoados e com a inumerável companhia de anjos.
Acima de tudo, que as meditações de Deus e do Redentor sejam agradáveis ​​aos seus pensamentos. Contemple a misericórdia e a fidelidade de seu Pai celestial, sua glória infinita e seu cuidado condescendente. Olhe para Jesus o autor da redenção eterna; admire sua excelência transcendente, seus sofrimentos e triunfos, as bênçãos que adquiriu, a mediação que ele realiza agora e a felicidade preparada para todos os seus seguidores. Pergunte se você tem boa esperança através da graça - se você está entre o número de seus seguidores. Se você o ama mais do que tudo. Se permanece nele como seu Salvador e Santificador. E se foi feito disposto a negar a si mesmo e tomar a sua  cruz e seguir a Cristo. Assim, ao unir a autoindagação séria com a contemplação celestial, você experimentará a realização da declaração do apóstolo, que ser espiritual é vida e paz.
Alguma porção de cada semana deve ser separada para a meditação espiritual. Não desperdice essas horas preciosas em visitas inúteis ou conversas ociosas; mas afastando-se de todos os olhos, deleite-se em Deus, e deixe que a sua almas siga fielmente a ele. Reveja o teor geral de seu temperamento durante a semana passada e sua conduta tanto para com Deus como para com o homem. Compare suas disposições, perseguições, palavras e ações, com a lei e o evangelho; confesse as pragas do seu coração, e as transgressões da sua vida; renove sua aceitação do Salvador, e dedicação ao seu serviço; e contemple, com crescente alegria, a altura, a profundidade, a largura e o comprimento do amor de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Que a leitura e a audição da Palavra promovam e encorajem este emprego celestial.
Mas, a contemplação celeste não precisa ser confinada a um dia por semana; pode ser desfrutada no meio das transações ordinárias do negócio diário: mesmo em cada ocorrência na vida, toda misericórdia e aflição, toda tentação ou fuga, todo perigo ou libertação - devem ajudá-lo a levantar-se da criatura a Deus, e definir suas afeições sobre as coisas que estão acima. A cada noite que volta, torne a perguntar-se qual foi o seu estado e temperamento da mente, em meio aos eventos variados do dia? Que deveres foram executados alegremente ou omitidos pecaminosamente? Que tentações foram ousadamente resistidas, ou vergonhosamente cumpridas? Que provações foram pacientemente suportadas, ou desprezadas? Que graças da vida divina foram exercidas e que virtudes foram negligenciadas? Que tempo foi felizmente obtido com a indolência ou a indulgência carnal? Que esforços foram usados ​​para promover o bem dos outros, ou a honra da religião? Esse autoexame deve ser rigorosamente atendido e ampliado consideravelmente cada noite do dia do Senhor, cada retorno de seu aniversário, cada primeiro dia do ano, e sempre antes de participar do sacramento da ceia.
Outro meio feliz de promover na mente o verdadeiro espírito da religião, é a oração secreta diária e séria. Isto pode muito bem ser estimado pelos cristãos um dever importante, e um privilégio inestimável. Tão necessário é para o progresso da santidade real, que sem a oração, todos os outros meios já recomendados, seriam de pouco proveito! E é tão vantajoso para o cristão que as loucuras do mundo sejam levemente estimadas, quando a comunhão com o Deus de toda a graça é desfrutada. Nenhum dever pode ser mais razoável do que aquele que criaturas frágeis devem reconhecer diariamente, com gratidão e reverência, sua dependência de Deus e suas obrigações para com o Doador de todo o bem. Nenhum serviço pode ser mais aceitável para o céu do que o sacrifício matutino e vespertino de humilde adoração e fervorosa intercessão, através do único Mediador. Nenhuma conquista marca mais fortemente o progresso do cristão na religião do que o espírito de oração; pelo que se quer dizer, uma alegria em se aproximar de Deus como o ouvinte da oração; e desdobrando, com liberdade não disfarçada, nossos pecados e dores; transformar os eventos de cada dia em argumentos e assuntos de súplica; e uma continuação perseverante, em humildemente implorar por bênçãos prometidas.
Esse espírito de oração que todos deveriam cultivar, encontra-se com violenta oposição do orgulho e da leviandade da mente humana; o primeiro se inclinando a viver como se fosse independente de Deus; o outro conduzindo a uma indolente atuação superficial de mera forma externa, em vã dignidade com o nome de oração. Mas, todo amante da religião real deve resistir a essas tentações; deve procurar, através da graça, continuar instante na oração; e mesmo quando incapaz de ordenar sua causa por motivo de sua ignorância, ou pela preeminência da incredulidade, deve, com suspiros, que não podem ser expressados, deixar o desejo desejado para aquele Advogado justo, que faz a intercessão contínua; e esperar que o Espírito ajude suas fraquezas.
Vocês que são considerados como colocados nas fileiras obscuras da vida, e em benefício de quem esta publicação é principalmente destinada, devem particularmente se regozijar no privilégio da oração. É a provisão que seu Pai celestial fez para sua consolação neste deserto cansativo; permitindo-lhe, em todos os momentos, liberdade de acesso ao trono de sua misericórdia; e assegurando-lhe que seu ouvido está sempre aberto ao clamor dos humildes. Através desse compassivo Redentor, que é o seu Advogado predominante, você tem acesso por um Espírito, ao Pai. Vá, portanto, a ele com todas as suas dificuldades;  apresente-lhe as dores secretas que não pode confiar com segurança a nenhum companheiro; confie em sua sabedoria para a orientação, e em seu poder todo-poderoso para a proteção; amplie os seus desejos pelos prazeres celestiais; e implore pela realização de suas promessas graciosas. Assim, pela oração da fé, você será fortalecido, confirmado e consolado; e fazendo com que todas as suas necessidades sejam conhecidas, com súplica e ação de graças, a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará o seu coração e a sua mente, em Cristo Jesus nosso Senhor!





Conclusão pelo Tradutor:
A Palavra piedade é entendida atualmente com o significado comum de se ter pena, compaixão, no entanto, não é este o seu significado no texto da Bíblia, onde é vertida do grego eusebeia, que significa devoção, e piedade em seu significado original, que descreve a condição de ser pio (palavra latina) para bondoso, devoto, cumpridor de deveres. 
O oposto a isto é ímpio, impiedoso, impiedade. 
Podemos entender melhor o significado bíblico de piedade, pela palavra rasha (ímpio) em hebraico, que ocorre cerca de 250 vezes no Velho Testamento, quase sempre em oposição à palavra justo ou santo. 
Ímpio na Bíblia é sempre aquele que se opõe a Deus e à sua vontade. Geralmente por motivo de incredulidade, e portanto não exprime qualquer tipo de devoção a Deus. 
Assim, podemos entender o uso que os escritores do Novo Testamento fazem da palavra piedade como que para se referir à condição daqueles que têm fé em Cristo, e que amam a justiça do evangelho, a Cristo e aos seus mandamentos, expressando-o numa vida de devoção a Deus tanto interna, quanto externamente. 
Paulo alinha a piedade em I Timóteo 6.11 com a justiça, a fé, o amor, a constância, e a mansidão. 
Em I Timóteo 6.3 e Tito 1.1 o apóstolo Paulo afirma que a sã doutrina, ou seja, a Palavra de Deus, o Evangelho, a verdade, é segundo a piedade, ou seja, a sã doutrina conduz a uma vida piedosa, e o exemplo perfeito desta vida piedosa está em Jesus Cristo, com o qual então a palavra que pregamos deve estar conformada. 
É pela prática da Palavra de Deus que uma pessoa é tornada piedosa, ou seja, devotada aos deveres que tem para com Deus, e isto há de ser visto em sua vida devocional particular ou publicamente, no seu lar ou na Igreja, ou onde mais em que se encontre. 
Orar, meditar na Palavra, congregar com os santos, faz parte da piedade, ou seja, da devoção. 
A vida de piedade é a expressão prática da nossa adoração e serviço a Deus.
Por isso o apóstolo Pedro a coloca no final da lista de virtudes que relaciona em sua segunda epístola, antes da fraternidade e do amor, como sendo parte deste resultado final, depois de termos crescido na fé, na virtude, no conhecimento, no domínio próprio, e na perseverança. 
Quando se diz que alguém está vivendo com uma vida mundana, entende-se que ele vive de uma maneira mundana, ou num modo parecido com o mundo. Da mesma forma, quando alguém é chamado a viver uma vida piedosa, entende-se que ele vive de uma maneira piedosa, ou de uma forma semelhante a Deus.
Para muitos, esta é uma forma dura de se falar, mas é possível para o homem viver apenas uma vida, na verdade, é o único modo certo de se viver. A vida piedosa é a única verdadeira vida. Tal vida é exigida pelas Escrituras.
Devemos viver “sensata, justa e piedosamente,” (Tito 2.12).
Dos queridos filhos de Deus é dito que sejam “seguidores dele” (Efésios 5.1). Em algumas traduções se lê: “Sede imitadores de Deus”, e em outras, “Sede mímicos de Deus”. A partir disso, entendemos que ser um seguidor de Deus é viver ou agir de maneira igual a ele. Mais uma vez, diz-se de quem permanece em Cristo, que deve andar como ele andou. Nosso modo de vida deve ser como foi a vida de Jesus. Diz-se de Cristo, que “quando ele foi insultado, não revidava com ultraje”. Embora ele fosse tratado mais vergonhosamente pelos seus inimigos, ele não procurou se vingar. Quando expressões injuriosas foram dirigidas a ele, ele não deu nenhuma resposta. Viver uma vida piedosa é viver da mesma maneira. Quando os cristãos são injuriados, eles abençoam, quando eles são perseguidos, eles sofrem humilde e pacientemente. Quando Jesus estava sendo condenado à morte por seus inimigos, ele orou ao Pai para perdoá-los. Quando um homem que tinha vindo para prender Jesus teve sua orelha cortada, Jesus em sua terna compaixão curou o ferimento deste perseguidor amargo. Este é o verdadeiro espírito de piedade.
O padrão completo de piedade é atingido apenas quando todo o teor da vida está na simplicidade e sinceridade divina.
O apóstolo Paulo disse em testemunho que sua alegria era esta: o testemunho da sua consciência, de que com simplicidade e piedosa sinceridade, não com sabedoria carnal, mas pela graça de Deus, ele manteve a sua conduta no mundo. A vida piedosa é totalmente livre de ostentação, cada ato é feito na mais pura simplicidade e verdadeira sinceridade. Como Deus perscruta cada ato por seu olho que tudo vê, ele não descobre qualquer motivo impuro, como vanglória ou exaltação de si mesmo, pois tudo está em sinceridade divina.
A graça da piedade no caráter cristão é capaz de cultivo e aumento. Há uma lei, tanto material quanto espiritual que o exercício é propício ao crescimento. O apóstolo cheio do Espírito disse: “Exercita-te na piedade”. No Enfático se lê isto: “Treine a ti mesmo para a piedade.” Aqui está algo para cada alma que tenha qualquer aspiração para ser mais piedosa na vida. Treine-se para a piedade. Obter uma piedade mais profunda e mais divina é a alegria do coração cristão. Por treinar nos tornamos mais piedosos. A palha colocada no sulco do vinhedo, forma uma espaldeira por entrelaçar os ramos da videira. Ela os mantém entrelaçados à medida que crescem, e por essa formação constitui uma treliça feita de arbustos. A alma entrelaçada com a vida mansa e humilde de Jesus vai formar um caráter de profunda e sincera piedade. A vida diária deve ser interligada com a vida de Jesus. Que não haja nenhum estender de mão para qualquer coisa fora dele. Para um bom desenvolvimento das virtudes cristãs, deve haver um treinamento constante ou entrelaçamento da alma com Deus.
Esta ligação com mais força é o resultado de crescimento, e o crescimento é produzido pelo exercício e o exercício consiste na leitura das Escrituras, na oração e no pensamento profundo ou coração em comunhão com Deus. O atleta se exercita e come alimentos apropriados que irão desenvolver e fortalecer seus músculos. A alma que tem alguns anseios por mais de Deus deve se exercitar para ter seus desejos satisfeitos. Ser consciente de uma plenitude de crescimento em Cristo, sentir a alma entrelaçada cada vez mais com a vida de Deus, é plenitude de alegria e felicidade perfeita.
Leitor cristão, há uma chama ardente de puro amor em seu coração? Você anda com Jesus em um devoto, confiante e reverente espírito? Você encontra muitas vezes a sua mente contemplando as maravilhas da criação e as glórias da salvação? Sua alma está habituada a respirar a atmosfera do céu profundamente? Está este santo temor enchendo você? Aquela terna sensibilidade das coisas espirituais está enchendo o seu coração? Tornar-se mais piedoso é o desejo sincero do seu coração? Então, desempenhe diligentemente todos os deveres que pertencem a uma vida piedosa. Alguns têm grande diligência por um tempo e têm ganho espiritual e, em seguida, perdem tudo em um dia de negligência. Mas não seja negligente, seja constante, seja perseverante, seja corajoso, seja esforçado, avance, – e o prêmio de mansidão, paz e piedade coroará a sua vida.
1 – eusebeia (grego) – piedade, devoção
Atos 3.12 Pedro, vendo isto, disse ao povo: Varões israelitas, por que vos admirais deste homem? Ou, por que fitais os olhos em nós, como se por nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar?
I Timóteo 2.2 pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda a piedade e honestidade.
I Timóteo 3.16 E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória.
I Timóteo 4.7 mas rejeita as fábulas profanas e de velhas. Exercita-te a ti mesmo na piedade.
I Timóteo 4.8 Pois o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, visto que tem a promessa da vida presente e da que há de vir.
I Timóteo 6.3 Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade,
I Timóteo 6.5 disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro;
I Timóteo 6.6 e, de fato, é grande fonte de lucro a piedade com o contentamento.
I Timóteo 6.11 Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.
II Timóteo 3.5 tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses.
Tito 1.1 Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o pleno conhecimento da verdade que é segundo a piedade,
II Pedro 1.3 visto como o seu divino poder nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou por sua própria glória e virtude;
II Pedro 1.6 e à ciência o domínio próprio, e ao domínio próprio a perseverança, e à perseverança a piedade,
II Pedro 3.11 Ora, uma vez que todas estas coisas hão de ser assim dissolvidas, que pessoas não deveis ser em santidade e piedade,

2 – eusebeo (grego) – mostrar piedade, adorar
Atos 17.23 Porque, passando eu e observando os objetos do vosso culto, encontrei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós adorais sem o conhecer, é o que vos anuncio.
I Timóteo 5.4 Mas, se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam eles primeiro a mostrar piedade em seu lar, e a recompensar seus progenitores; porque isto é agradável a Deus.

3 – eusebes (grego) – piedoso, devoto
Atos 10.2 piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas ao povo e de contínuo orava a Deus,
Atos 10.7 Logo que se retirou o anjo que lhe falava, Cornélio chamou dois dos seus domésticos e um piedoso soldado dos que estavam a seu serviço;
Atos 22.12 um certo Ananias, varão piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam,
II Pedro 2.9 também sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar para o dia do juízo os injustos, que já estão sendo castigados;
4 –eusebos (grego) – piamente
II Timóteo 3.12 E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições.
Tito 2.12 ensinando-nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente,
5 – theosebeia (grego) – piedade divina

I Timóteo 2.10 mas (como convém a mulheres que fazem profissão de  piedade divina) com boas obras.

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