Título
original: The Whole Armor of God
Por J. C. Philpot (1802-1869)
Traduzido,
Adaptado e Editado por
Silvio Dutra
"Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir
no dia mau e, tendo feito tudo, permanecer firmes." (Efésios 6:13).
Todo filho de
Deus é um verdadeiro soldado. No exército cristão, não há cama de penas, nem
soldados virtuais. Todos são combatentes reais. Os seus inimigos não são reais?
Carne e sangue não são reais? O mundo não é real? E Satanás não é real? Um
verdadeiro diabo? E se seus inimigos são reais, o conflito com seus inimigos
deve ser real também. "Toda batalha do guerreiro", lemos, "é com
roupas ensanguentadas". E tal é "o bom combate da fé". Não é uma
luta que seja uma farsa, mas uma batalha de corpo a corpo, em que as feridas
são infligidas, sangue derramado, e vida, de acordo com nossos sentimentos,
muitas vezes em jogo.
Mas, como seremos capazes de
lutar nesta grande batalha, e assim resistir aos inimigos da salvação de nossa
alma, e sair mais do que vencedores? Fracos e indefesos como somos, sem uma
arma de bom temperamento e força suficientes por causa do pecado, somos como os
filhos de Israel, "tornados nus para a sua vergonha entre os seus
inimigos" (Êx 32:25), e devemos cair derrotados. Temos algumas armas
melhores do que o nosso próprio arsenal pode fornecer. Deus, que conhece a
força de nossos inimigos, que conhece a fraqueza de nossa carne tem, portanto
fornecido o armamento celestial por meio do qual, e somente por ele, podemos
fazer uma posição eficaz.
Dessa armadura celestial o
apóstolo fala no texto, onde, dirigindo-se a seus irmãos cristãos, diz;
"Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia
mau e, tendo feito tudo, permanecer de pé."
Ele aqui, torna imperativo que
eles não tomem partes,
mas "toda a armadura de Deus", assegurando-lhes que é indispensável
para sua segurança; que só vestindo toda a armadura podem "resistir no dia
mau", quando todos os poderes da terra e do inferno estão dispostos contra
eles, e que mesmo assim, quando tiverem a força daquela armadura celestial ou
vencerem tudo, não devem retirá-la porque ainda vão precisar dela para
permanecer firmes.
Ao abrir as palavras do nosso
texto, procurarei, com a bênção de Deus,
I. Primeiro, descrever a armadura
celestial; suas várias peças e acessórios, indispensáveis ao soldado cristão.
II. Em segundo lugar, mostrar
como essa armadura celestial é tomada, vestida e usada.
I. Uma descrição da armadura
celestial; suas várias peças e acessórios indispensáveis ao soldado cristão. Para
fazer justiça ao nosso
texto será necessário que eu tome, uma por uma, estas várias peças da armadura
celestial, pois diz; "Portanto, tomai toda a armadura de Deus". Se
eu, como combatente estou sem uma parte desta armadura, corro o risco da
derrota; e se eu, como ministro, ao abrir este texto omitir uma, estarei sendo muito infiel em
negligenciar uma parte que pode ser para nossa defesa espiritual. Como cristão,
então, e como ministro devo tomar o todo, sendo todas as partes igualmente
indispensáveis.
1. A primeira parte da armadura celestial de que o
apóstolo fala é, o cinturão - "Estai, pois, firmes, tendo cingidos os
vossos lombos com a verdade." Os lombos, ou parte inferior das costas é o
assento de força, bem como de atividade e movimento. Nenhum peso muito pesado
pode ser levantado por um homem,
e nenhum trabalho duro pode ser executado, a menos que ele seja forte. O
profeta, portanto diz; "Fortalecei vossos lombos, fortalecei
poderosamente a vossa força" (Naum 2: 1). Do hipopótamo, lemos, "Sua
força está em seus lombos" (Jó 40:16). Esses lombos são a sede da
atividade e da força, e precisam ser guardados por uma peça da armadura celestial, para que Satanás não
faça um ataque mortal ali. Se ele conseguir um golpe em nossos lombos
desprotegidos, paralisará todos os movimentos. Um golpe aqui, de modo a
alcançar a espinha dorsal, prostrará certamente. "Fere os lombos dos que
se levantam contra ele e o odeiam, para que nunca mais se levantem." (Deut
33:11). Precisamos, portanto, ter nossos lombos cingidos com uma peça de
armadura celestial que deve efetivamente protegê-los desses golpes
paralisantes.
Este cinto celestial é a "Verdade". Que
verdade? Por "verdade" aqui, podemos entender, eu acho, duas coisas:
Primeiro, a sinceridade
geralmente cristã; "Verdade", como fala o salmista, "nas partes
interiores" - Salmo 51: 6. A retidão do coração está na base de toda a
verdadeira profissão cristã. Se um homem não tem sinceridade interior, ele nada
tem. Nossos lombos, portanto, ou a sede da força e da atividade, precisam,
nesse sentido, de serem apertados com o que o apóstolo chama de
"simplicidade e sinceridade divina" (2 Cor 1:12). Se houver
insinceridade em nossa profissão; ó que vantagem é dada a Satanás! Um golpe de
sua mão contra nossa profissão, quando não há consciência de sinceridade, deve
ser fatal. Ele feriu a Judas, a Saul e a Aitofel, e não mais se levantaram.
Contra esses golpes fatais, precisamos de um cinturão de verdade, para ser
sincero diante de Deus, ter a verdade em nossas partes interiores, e, pelo
ensinamento do Espírito Santo, sermos retos em nossa profissão cristã. "Eu
era reto diante dEle, e me mantinha longe da minha iniquidade."
Mas podemos observar ainda, que
os antigos usavam vestes soltas, e como muitas vezes estavam impedindo seus
movimentos em seu caminho, eles as mantinham apertadas ao redor de seu corpo
por um cinto, portanto, somos
continuamente impedidos pelo vestido frouxo da incredulidade. "O o pecado
que tão facilmente nos acomete", como o apóstolo chama, aludindo a ele
como uma roupa pesada, se agarra aos membros e impede todos os movimentos
livres. Mas, quando os lombos estão repletos de sinceridade e verdade, ele os
sustenta com atividade e força.
Mas, em segundo lugar, a palavra
"verdade" também é usada num sentido mais particular e restrito para
significar a verdade cristã, "a verdade como está em Jesus". Um homem
pode estar sinceramente errado. Você acha que não há sinceridade, senão a que Deus implanta? Não
são muitos papistas sinceros? Muitos islamitas sinceros? Muitos destituídos de
graça, e amargamente opostos à obra do Espírito, não são sinceros? Sim,
certamente. Não espiritualmente, mas naturalmente sinceros. Veja as multidões
de pessoas que este dia vão à igreja onde a verdade não é pregada; devemos
fazer uma ampla varredura com todos eles, e dizer, que são todos hipócritas e desonestos, que estão
fazendo isso para serem vistos pelos homens? Não ouso dizer isso. A sinceridade
cristã é uma coisa;
a sinceridade natural outra. Não foi Saulo de Tarso sincero? E os marinheiros que
jogaram Jonas ao mar, não foram também?
Mas, a própria sinceridade
espiritual em conflitos mortais com o pecado e Satanás, não é suficiente sem um
conhecimento da "verdade como está em Jesus". Os jovens convertidos
são espiritualmente sinceros, mas quão incapazes de lutar nesta grande batalha!
A verdade então, como revelada no
evangelho da graça de Deus deve ser o fundamento de nossa força espiritual. Não
podemos lutar contra Satanás com mentiras. Se lutamos contra ele, deve ser com
a verdade. A verdade do evangelho revelada à alma e aplicada ao coração, e à
consciência pelo Espírito Santo, deve ser o cinturão para fortalecer e guardar
os lombos no dia da batalha.
2. Passamos a considerar a
segunda peça da armadura cristã, "a couraça da justiça". Agora, como
os lombos são a sede da atividade e da força, assim o peito é o assento do
coração, a fonte do sangue que impulsiona através de cada artéria e dos
pulmões, que alternadamente inspiram e expiram o ar vital do céu. Estas são
duas partes vitais. Precisamos, portanto, de ter este duplo assento de vida
especialmente seguro.
Espiritualmente visto, o CORAÇÃO
pode representar duas coisas; em primeiro lugar a consciência, e em segundo
lugar os afetos.
Agora todas estas partes vitais, a
sede peculiar da vida e do sentimento, o domínio especial da religião do
coração precisam ser cobertas com um peitoral celestial, pois se Satanás
pudesse perfurar qualquer um desses, esse golpe seria fatal.
Mas quantas vezes ele aponta seu golpe
contra o coração, como a sede da CONSCIÊNCIA! E se pudesse, por meio de golpes
mortíferos naquele ponto sensível, mergulharia a alma no desespero! Se ele
estivesse completamente desprotegido, lançaria dardo após dardo, e atiraria
seta após seta na consciência, até que a fizesse sangrar até a morte.
Precisamos então, ter a consciência guardada por uma peça da armadura
celestial. Isto é fornecido pelo "peitoral da justiça"; não a nossa
própria, mas a justiça imputada de Cristo.
Deixe que Satanás ataque o
peitoral, se ele quiser. Ele não poderia perfurá-lo quando usado pelo capitão
de nossa salvação, embora no deserto e no jardim, ele o empurrou severamente, como
o Senhor diz; "Com força me impeliste para me fazeres cair, mas o Senhor
me ajudou." (Salmo 118: 13). Deixe-o atacar agora como contra o peitoral usado
pelo soldado. É o mesmo que golpear contra uma parede de sílica, contra um
peitoral de aço. Se esse peitoral estiver bem ajustado, deixe que ele acuse, deixe-o
tentar desesperar e diga: seus pecados
são muito grandes para serem perdoados, você tem recuado além de toda esperança
de recuperação, você não tem religião real; seu começo estava errado, o meio
estava errado, e o fim será errado; você é apenas um hipócrita que morrerá em
desespero, porque não há temor de Deus em seu coração. Estes são alguns dos
"dardos ardentes" de Satanás contra a consciência. Se colocarmos a nossa própria justiça para nos
proteger destes golpes, esta é apenas um peitoral de vime que o primeiro dardo
ardente vai colocar em chamas, ou o menor golpe a atravessará. Precisamos de
uma couraça de aço, não de vime, como nossos próprios dedos podem criar, mas a
justiça de Cristo imputada, como Deer diz justamente;
Justiça em você enraizada,
Pode aparecer para tomar sua
parte;
Mas que a justiça imputada,
Seja o peitoral do seu coração.
E as nossas Afeições também, porque
o coração não é apenas o assento da consciência, mas o assento dos afetos. Que
dardos ardentes Satanás pode jogar em nossas afeições! Que luxúria pode acender
através do olhar! Que amor ao mundo, que desejo de ganho ganancioso, que
imaginação sensual pode acender em uma chama! Mesmo as ternas afeições que
adoçam o amargo cálice da vida; as relações sociais de marido e mulher, pai e
filho, como ele pode distorcer até mesmo isto, e perverter em idolatria os
laços mais sagrados! O amor excessivo de Davi por Absalão quase lhe custou seu
trono e sua vida. Eli amou seus filhos até que os arruinou, e trouxe uma
maldição sobre sua casa.
Ainda mais, as afeições
celestiais em si; os desejos puros, o amor celestial da própria implantação de
Deus precisam ser guardados. Somente estas afeições da couraça da justiça de
Cristo podem nos guardar e preservar puros, santos e ternos, para que a chama
sagrada possa sempre ser queimada sobre o altar de um coração quebrantado.
Mas o peito é também o assento
dos PULMÕES, esse órgão importante da vida, pelo qual alternadamente inspiramos
e expiramos o sopro do céu. Isso pode representar, num sentido espiritual;
1. A inspiração, ou respiração do
Espírito de Deus, pelo qual nós atraímos o sopro do céu, "Vem dos quatro
ventos, ó Espírito" (Eze 37: 9).
2. A expiração destes desejos
celestiais pelos quais a alma se derrama diante de Deus, em busca de seu favor e
presença.
Esta inspiração e expiração,
essas entradas e saídas de vida divina precisam ser cobertas pela couraça da
justiça, pois em breve, Satanás lançaria um dardo pelos pulmões para parar toda
inspiração do favor de Deus, e toda expiração de desejo, gratidão ou louvor.
Mas, nossa própria justiça... que defesa pobre ela é! Ela pode proteger o lugar
vital dessas operações celestes? Mas, quando a couraça inexpugnável da justiça
imputada de Cristo é recebida pelas mãos de Deus, encaixada no seio e
firmemente entrelaçada; a consciência, as afeições e a vida de Deus estão todas
protegidas como por uma armadura impenetrável.
3. Mas, passemos aos pés.
"Seus PÉS calçados com a preparação do evangelho da paz." Há uma
armadura para as pernas e os pés, pois estes também podem ser atacados pelo
Príncipe das trevas. Os pés têm que pisar frequentemente em caminhos poeirentos
e pedregosos, e andar entre espinhos e laços. Na guerra antiga, os pés
descobertos podiam ser feridos por uma arma chamada catapulta, que lançava bolas
com três pontas de ferro, e se espalhavam no chão.
Por "os pés", podemos
compreender espiritualmente nossa caminhada e conversa. Contra isto, Satanás
pode ter um impulso terrível. Ele aponta para qualquer lugar não protegido; às
vezes nos lombos, a sede da força e da atividade; às vezes no coração e nos
pulmões, a consciência, os afetos e a vida de Deus; às vezes nos pés, a
caminhada, a conduta e a conversa.
Aqui está uma de nossas maiores
tentações; oremos para que Satanás não nos entrelace em nada vergonhoso,
inconsistente ou impróprio! Ó como parecemos andar em meio a armadilhas e
tentações! E como Satanás está apontando golpes mortíferos em nossas pernas e
pés, para feri-los e derrubar-nos. Precisamos então, de calçados que alcancem
metade das pernas, a fim de protegê-los desses ataques mortíferos de Satanás. E
o que Deus providenciou?
"A preparação do evangelho
da paz". Há algo muito doce e expressivo, embora talvez à primeira vista,
obscuro, na palavra "preparação". Parece-me transmitir a ideia de que
o "evangelho da paz" está preparado para os pés e as pernas. Não é um
sapato de couro solto que pode ser chutado e ligado, não um chinelo velho e frágil,
mas uma bota apertada, firme, forte - "Seus sapatos serão de ferro e
bronze". Isso se encaixa estreita e firmemente ao redor da perna, e é
"a preparação do evangelho"; a perna e o pé preparados para o
evangelho e o evangelho preparado para a perna e o pé.
Assim, o apóstolo não nos envia
para o Sinai para obter um sapato daquela montanha de fogo, nem para o ferreiro
de Moisés e Aarão, para que eles possam forjar uma peça de armadura a fim de proteger
e guardar nossa vida, caminhar e conversar. Mas, ele nos envia ao evangelho,
"a preparação do evangelho da paz"; não a lei da guerra, mas o
evangelho da paz. Aqui estará firme. Estar em paz com Deus através deste
evangelho dá apoio firmemente.
Para ser calçado corretamente, o
pé não deve estar nem na bota apertada da lei, nem no chinelo solto de
"nossa própria obediência", mas no firme e ainda flexível, forte, mas
suave, leve e ainda impenetrável sapato do evangelho.
E observe, é "o evangelho da
paz", não de disputas e brigas. Obtenha apenas uma doce sensação de paz em
seu coração para que o evangelho da paz atinja a sua alma, e você encontrará
uma peça de armadura que guardará a vida, a conduta e a conversa, e será sua
melhor preservação neste deserto das investidas de Satanás em sua caminhada
diária.
4. Para tornar a armadura
completa, antes de passar para o escudo, vou em seguida tomar em ordem "o
CAPACETE da salvação", que é para cobrir a cabeça. A cabeça, podemos
considerar, como a sede de duas coisas especiais;
1. De energia, atividade,
autoridade, movimento.
2. Compreensão e sabedoria.
Agora, Satanás aponta seus golpes
mortais em nossa cabeça, às vezes para destruir e paralisar toda energia e
movimento, toda vida e sentimento nas coisas de Deus, e às vezes, para confundir
nosso entendimento nos empurra para algum erro ou nos atrai para alguma heresia.
Quão impressionante é um golpe na cabeça, quando desprotegida por qualquer
defesa! Toda energia e movimento cessam. Assim na graça. Se a nossa cabeça não
fosse guardada, como seríamos atordoados e paralisados pelos golpes de Satanás! E podemos
observar que há uma relação íntima entre
a consciência e a
energia; já que é o mesmo órgão, o cérebro, que apreende, comunica
influência a cada músculo. Se Satanás pode confundir nossa mente, então como ele
paralisa todos os mecanismos do movimento!
Sua mente, às vezes, não foi
tristemente tentada por doutrinas erradas? Quando você já ouviu falar de algum
erro mortal, não houve algo nele que parecia agarrar sua mente e compreensão
carnal, de modo que parecia quase verdade? Agora, aqui está Satanás confundindo
a mente, impressionante e desconcertantemente com seus erros plausíveis. Que
grande necessidade, temos de uma peça de armadura para guardar a cabeça. E nós a
temos provida por Deus; "o capacete da salvação".
Mas, por que o "capacete da
salvação" é tão apropriado para a cabeça? Porque toda a verdade contém nela
a salvação, e todo o erro envolve nele a condenação. Não há erros
insignificantes. Todos os erros, examinados à raiz, são fatais. Satanás nunca
se preocupa em introduzir um erro sem importância; seus golpes estão na cabeça.
Se você examinar cada erro que surgir no exterior, verá que ele está sempre
voltado para Cristo, para negar Sua divindade, Sua verdadeira filiação, a
eficácia de Seu sangue, a imputação de Sua justiça, a verdade de Sua graça, o
poder de Sua ressurreição; ou de alguma forma para destruir o crescimento na
salvação completa, através da Pessoa, trabalho e sangue de Jesus.
Como Satanás, então, aponta esses
golpes mortais em nossa cabeça para confundir nosso julgamento! Precisamos de
uma peça de armadura para protegê-la, que é aqui chamada de "capacete da
salvação".
Um filho de Deus se torna muito
terno com a verdade. Separar-se da verdade é separar-se da vida; abraçar o erro
é abraçar a morte; e quanto mais vive em comunhão com Cristo, mais valorizará
"a verdade como está em Jesus". Nunca desista da verdade. Se você
desistir da verdade, o que há então para salvar sua alma? Mas "o capacete
da salvação" deve ser colocado e usado; e ele é usado quando a salvação é
posta como está na Pessoa do Filho de Deus. Salvação pela graça. O que, senão
isso somente pode proteger a cabeça no dia da batalha? Mantenha-a firmemente
apoiada ao redor de suas têmporas. O legalismo e a autojustiça, a heresia e o
erro irão atacar, mas nada poderão fazer contra você com o capacete da
salvação.
5. A próxima peça da armadura que
eu tomarei é "o ESCUDO da fé". Vimos o corpo guardado por todos os
lados, exceto, como cria Bunyan, que "não há armadura para as
costas". De qualquer forma, vimos o corpo guardado na frente, pois é uma
batalha frontal; um cara a cara, mão a mão, pé a pé, ombro a ombro. Vimos os
lombos, as pernas, os pés, o peito e a cabeça protegidos, mas pode haver talvez
alguma parte não protegida. Temos de lutar com um inimigo muito hábil, que
vigia todos os movimentos e todos os lugares sem guarda, para dar um golpe
mortal. Precisamos então, de uma peça de armadura defensiva a mais, que nos
tempos antigos era muito útil; o escudo, de modo que, olhando por todos os
lados onde os dardos voarem, possamos opor-nos num instante.
Este escudo é "o escudo da
fé". Quão necessário é isso! O que somos, onde estamos, como podemos lutar
por um único momento, quando a incredulidade parece ganhar poder e prevalência?
Desfalecemos, afundamos, não
temos forças para levantar um dedo, quando a incredulidade e a infidelidade
funcionam tão poderosamente em nossa mente carnal. Como precisamos do escudo da
fé; da fé no exercício vívido, para que possa ser contra Satanás, venha de
qualquer lugar que ele possa vir, empurrando de qualquer lado que ele quiser!
Este escudo de fé é "acima
de tudo" ou "sobre tudo", de modo a proteger qualquer parte que
não esteja protegida, e a guardar todas as porções desprotegidas. Mas, uma
razão é especialmente mencionada, "assim poderemos apagar todos os dardos
de fogo do maligno."
Os antigos estavam acostumados a
empregar "dardos ardentes", isto é, flechas com suas pontas acesas,
que eram atiradas contra seus inimigos. Como isso representa belamente os
dardos de fogo de Satanás! Suas injeções blasfemas e obscenas usadas para
incendiaram a mente carnal! Como as flechas ardentes usadas pelos antigos, onde
quer que furassem, seria incendiado. Mas, mesmo com toda a nossa força, nós não podemos resistir a esses
ardentes dardos do diabo, essas infelizes sugestões blasfemas, essas terríveis
injeções que este Príncipe das trevas atira na mente carnal. Precisamos da
armadura celestial e do escudo da fé, para não dar crédito às mentiras
de Satanás, porém quando vierem os dardos ardentes, devemos segurar o escudo,
para que elas possam gastar toda a sua força nisso, e essas mentiras não possam incendiar. Nossa
mente carnal é muito inflamável, o dardo menos ardente pode colocá-la em chamas,
mas não é assim com o escudo da fé, que é feito de materiais que podem neutralizar
todos os dardos ardentes.
Quando acreditamos que nosso
interesse salvador no Filho de Deus, que nosso nome está no livro da vida, que
Deus é nosso Pai, Cristo nosso Irmão, o Espírito Santo nosso Amigo e Mestre;
quando podemos acreditar que tudo o que Satanás diz é mentira, que todas essas
imaginações são apenas seus artifícios, que todas essas obras baixas são de sua
fabricação, que todos esses pensamentos vis são por sua sugestão, e não
tomá-los como nossos próprios quando
podemos assim sustentar "o escudo da fé"; eles caem, eles não
alcançam a alma; não encontram materiais que possam inflamar. Eles caem extintos
pelo "escudo da fé". Mas, comece a duvidar, a temer e afundar, acreditando
em tudo o que Satanás sugere; caia em seus raciocínios carnais, para ouvir suas
sugestões infiéis e dar lugar a seus pensamentos vis, e toda a mente carnal é
imediatamente incendiada. Como precisamos profundamente do escudo da fé para
"apagar os dardos de fogo do maligno!"
6. Agora, as peças que eu até
agora considerei são peças de armadura defensiva. Mas passo a uma peça, e
apenas uma, de armadura ofensiva, a ESPADA, porque nesta batalha não temos
meramente de receber golpes e nos defender deles, mas temos de manter a
ofensiva, bem como a defensiva; temos de empurrar Satanás, bem como ser
empurrado por ele; lutar com ele, assim como ele luta conosco. E qual é a nossa
arma? Apenas uma. Mas, ó, quão eficaz ela é, sendo aqui chamada de "Espada
do Espírito!"
Esta é a única peça de armadura
ofensiva fornecida, e ainda sobre o último que estamos apetrechados. Quão aptos
estamos para encontrar Satanás sobre o próprio terreno de Satanás!
Ele apresenta argumentos, e nós
contra-argumentamos; ele tenta, e somos seduzidos por suas tentações; ele fala,
e nós escutamos; ele coloca o laço, e nós colocamos um pé para ser laçado. Se
tentarmos lutar, é muitas vezes por alguma espada de nossa própria forja, não a
“verdadeira lâmina de Jerusalém”, não a espada do arsenal celestial.
Resoluções, promessas, lágrimas, reconhecimentos, confissões; tudo isso não
passa de armas de origem terrena.
Quão lento, quão incapaz somos
para tomar a única verdadeira arma, "a espada do Espírito, que é a palavra
de Deus!" Que exemplo o abençoado Senhor nos deixou quando foi tentado.
Três vezes Satanás trouxe suas tentações para derrotar Jesus, e três vezes Jesus enfrentou-o com
a espada do Espírito, "Está escrito, está escrito, está escrito". Ele
não usou nenhuma outra arma; e essa arma fez Satanás fugir.
Ora, "a espada do
Espírito" é "a palavra de Deus". Mas, só podemos usar esta
espada até onde ela é aberta ao nosso entendimento, aplicada ao nosso coração,
selada em nossa consciência, e a fé é dada para firmá-la. Uma promessa, um preceito, um convite,
uma advertência, uma admoestação, uma verdade; não importa qual parte da
palavra de Deus é adequada ao nosso estado e caso; ela só se torna "a
espada do Espírito" pela fé, e é a única arma eficaz para derrotar
Satanás. Através das tentações de Satanás, a alma às vezes parece estar pronta
para afundar no desespero. É quase como se ele tivesse obtido a vitória, tão rapidamente
atirando seus dardos ardentes; seta sobre seta, sugestão sobre sugestão.
Bem, como você pode ficar? Você
não tem força em si mesmo; nunca teve nenhuma; e o pouco que você teve em
Cristo, ou pensou que tinha, parece ter ido. Apenas neste momento crítico,
alguma promessa parece cair em sua alma, apropriada para o seu caso; ela é usada como "a espada do
Espírito"; e por isso o inimigo é espancado de volta.
Ou, Satanás está tentando você a
algum pecado, e pintando diante de sua mente carnal algum prazer ou lucro a ser
conquistado por comprometê-lo. Aqui está você, vacilante, e de pé à beira de
uma queda. Neste momento crítico, o Senhor deixa cair algum preceito,
admoestação ou advertência; a palavra vem com poder à sua alma. Aqui está
"a espada do Espírito, a palavra de Deus"; por isso a tentação é
derrotada, e Satanás rechaçado.
Oh, sem "a espada do
Espírito" somos, por assim dizer, apenas um alvo para as flechas de
Satanás! Mas, quando, além da armadura defensiva que o repele, há a arma
ofensiva, "a espada do Espírito", que empurra, e o fere, ele é
obrigado a bater em retirada até que ache ocasião oportuna para retornar a
atacar.
II. Então vem a receita celestial;
como tomar, vestir e usar essa armadura corretamente.
"Orando sempre com toda a
oração e súplica no Espírito, vigiando
com toda perseverança e súplica por todos os santos".
É pela fé, como veremos agora,
que a armadura celestial é recebida, vestida e usada, mas é principalmente pela
"oração da fé", pois crendo na oração a armadura é tomada; pela
oração contínua "orando sem cessar. "Guardados pela oração
espiritual" suplicando no Espírito. Se não orarmos continuamente no
Espírito, os membros, por assim dizer, se encolherão e a armadura cairá.
Os cavaleiros antigos se
exercitavam todos os dias com toda a sua armadura, ou não podiam suportá-la,
nem usariam suas armas com destreza e força. Assim, o guerreiro cristão, com
oração e súplica, deve "exercitar-se para a piedade". Sem "orar
sempre com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a
perseverança", a sentinela não ficará de pé na armadura, guardando e vigiando,
e o seu próprio peso os esmagará.
Mas é "orando no
Espírito". Não orações altas, longas, formais, nem repetições vãs, mas
como Judas fala, "orando no Espírito Santo", pela ajuda e intercessão
do Espírito; e "sempre"; em todas as estações, em todos os tempos, em
todos os lugares, em toda parte, e sempre que o Espírito da graça e da súplica for
derramado.
Mais uma vez, deve ser "toda
a oração", isto é, todos os tipos de oração; oração pública, oração
particular, oração mental, oração clamando, oração gemendo, oração chorosa,
oração meditativa; oração fraca, oração forte; oração de necessidade, oração de
importunidade; oração de distância e oração de proximidade; a oração do
cobrador de impostos, do leproso e do proscrito, bem como a oração do crente,
da esperança e do amor.
Com a oração, deve-se juntar a
"súplica", isto é, suplicar ao Senhor, chorando a seus pés,
implorando para que Ele apareça, dobrando os joelhos e derramando a alma em seu
seio.
A isso deve somar-se "vigiando
nisso". Para observar a resposta; esperando a manifestação do Senhor
"mais do que aqueles que esperam pela manhã".
E isso, "com toda a
perseverança", nunca desistir, não negar nada, implorar ao Senhor uma e
outra vez, e lutar com Ele até que pareça abençoar, visitar e brilhar sobre a
alma.
Oh, como esta receita celestial
mantém cada parte da armadura brilhante, bem como o soldado ativo e
especialista em seu uso! A armadura de fato, como sendo do céu, não fica nem
maçante nem enferrujada; somos nós que ficamos lentos em seu uso. Mas, pela
nossa apreensão, fé e oração torna-se mais brilhante. Como, por exemplo,
"a oração de fé" ilumina o cinturão da verdade, e o faz brilhar!
Como ela lustra o peitoral, e faz
com que se encaixe firmemente ao redor do peito!
Como faz o capacete brilhar no
sol!
Como rebate cada golpe com o
escudo!
E como aguça "a espada do
Espírito", dá-lhe um polimento mais brilhante, e fortalece o braço para
empunhá-la com renovada atividade e vigor!
Ó este é o segredo de toda a
verdadeira vitória! Tudo deve estar bem, quando estamos em espírito de oração,
meditação, observação; e tudo está doente, quando esta receita celestial é
negligenciada, quando as mãos caem, os joelhos desmaiam, e a oração parece
morta e imóvel em nós.
Que haja na alma um espírito
permanente de oração, e a vitória será certa. Satanás tem pouco poder contra a
alma que tem um espírito permanente de oração, e está "vigiando nisso com
toda perseverança". Mas, sem este espírito de oração, somos uma presa de
todas as suas tentações, e não podemos tomar, vestir, nem usar a única armadura
contra elas.
Tal é, portanto a armadura que
Deus providenciou, e tal é a maneira pela qual ela deve ser tomada, vestida e
usada; tomada pela fé, vestida pela oração e manuseada com a perseverança, pois
ela nunca deve ser retirada até que a morte a destrua. E, você pode confiar
nisso, que Deus não teria fornecido uma armadura como esta, tão completa, a
menos que houvesse uma batalha real para ser travada.
Os guerreiros cristãos não são
soldados chineses antigos, que usavam armadura de papelão, pintada para parecer
ferro, mas sua armadura é de aço real; portanto como Deus forneceu uma armadura
como esta, é claro que eles não têm nenhum inimigo insignificante para lutar.
Agora o grande estratagema de
Satanás é esconder sua força. Ele é como um general hábil, que não mostra todo
o seu exército, mas os esconde atrás de sebes, paredes e árvores, e os mantém
nas trincheiras, para que o inimigo não veja toda a sua força. Satanás nunca é
tão poderoso como quando pensamos menos de seu poder; e nunca é tão bem
sucedido como quando atira em nós por trás da trincheira.
O apóstolo diz; "Revesti-vos
de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as ciladas do
diabo". É a sua arte diabólica e sutileza que temos tanto a temer. Deixe
de lado uma peça da armadura, e você é imediatamente abatido.
O texto fala de "dia
mau", ou seja, um dia de perigo, de alarme; um dia em que o Príncipe do
Mal está planejando, um dia mau, escuro e sombrio para nós, a menos que
tenhamos a armadura celestial, e saibamos usá-la.
"Revesti-vos", diz o
apóstolo "tomai toda a armadura de Deus". Há uma colocação dela sobre
nós. Não é como o nosso "Arsenal da Torre", onde armas, pistolas e
outras armas militares estão penduradas em círculos ornamentais para serem
vistos como um espetáculo, mas deve ser tomado, para ser colocado, para ser
recebido das mãos de Deus, e apertado por seus próprios dedos.
Já mostrei como a oração e a
vigilância são necessárias para a colocação da armadura celestial. Mas, posso
ainda acrescentar que é pela fé que colocamos em cada peça; se não temos fé,
não temos sinceridade cristã, nem conhecimento espiritual da verdade, portanto,
"os lombos não se esgotam com a verdade".
Se não temos fé, não temos
nenhuma couraça da justiça de Cristo, pois isso só é colocado pela fé. Se não
temos fé, não temos defesa para os nossos pés, porque é pela fé que nós andamos,
portanto os pés não são "calçados com a preparação do evangelho da
paz".
Se não temos fé, não temos
capacete, porque a "salvação" é alcançada pela fé. Se não temos fé,
não podemos ter "o escudo da fé"; isso é evidente. Se não temos fé,
não podemos usar "a espada do Espírito", que é atuante apenas pela
fé. Se não temos fé, não temos oração verdadeira, pois é "a oração da
fé" que é eficaz com Deus. Pela fé, portanto cada peça da armadura
celestial é posta; e pela fé, a fé viva, cada parte dela é usada.
Que pessoas estranhas nós somos!
Capazes de lutar um dia, e fugir no próximo; resistindo a Satanás neste
momento, e dando lugar a ele em outro momento. Como isso deve ser
contabilizado?
Porque neste momento temos fé; no
próximo, parecemos ter nenhuma. A fé é para a alma, o que uma engrenagem principal
é para o relógio. Se a engrenagem principal está quebrada, ou faltando, qual é
o valor do relógio? Assim, a fé é a fonte principal da alma. Não havendo fé,
não há movimento interior. Deve haver fé na alma para que as mãos se movam de
acordo com a vontade de Deus.
Quanto à fé, não precisamos
apenas vestir, mas usar e manejar esta armadura celestial, para "resistir
no dia mau, e tendo feito tudo, permanecer inabaláveis". Que inundação de luz
isto faz, sendo lançado sobre o caminho de um cristão, que está em maior perigo
após a vitória!
Bunyan tem maravilhosamente
tocado sobre isso, onde representa o Cristão tropeçando e caindo imediatamente,
depois que tinha alcançado uma vitória sobre o inimigo. Quando você tiver, na
força de Cristo, vencido uma tentação, estará à beira de outra e o próprio
orgulho que eleva seu coração por ter ganhado uma batalha, só abre caminho para
cair no próximo encontro.
Que estranha guerra! A máxima de
Paulo não serviria para o duque de Wellington; "Quando sou fraco, então
sou forte." Isso não o faria ir à batalha. Nós nunca somos tão fracos como
quando, em nós mesmos somos fortes; e nunca somos tão fortes como quando em nós
mesmos somos fracos.
Deixe-me pensar que estou seguro,
e eu caio; deixe-me temer cair, e estou seguro. Ó mistérios da vida cristã! O
paradoxo da guerra celestial! E, com a mais profunda sabedoria o apóstolo disse
"Tomai para vós toda a armadura de Deus". Não deixe uma única peça de
fora; sua vida está em jogo, não se esqueça de uma fivela, não deixe solto um
único fecho; "Para que possais resistir no dia mau".
Há um dia mau vindo, um dia de tentação, uma hora de provação; um
dia mau, quando as nuvens se acumulam negras, a atmosfera se esparrama com a
escuridão, e o inimigo surge em toda a sua força. Naquele "dia mau",
a hora da tentação, quem pode suportar? Ninguém exceto aquele que tem
"toda a armadura de Deus".
Bem, o dia mau passa, o céu se
dissipa, as nuvens se rompem, o sol nasce e seus brilhantes raios de luz olham
para a armadura do guerreiro. Está ileso, ela efetivamente o protegeu; os
dardos ardentes caíram apagados a seus pés. Ele está a salvo agora?
Quando se ganha uma batalha, a
paz será proclamada e mantida pelo resto da vida?
Não é assim na guerra celestial.
"Tendo feito tudo", ou, "vencido tudo", e obtido a vitória, então vem a
dificuldade.
Ora, é como se houvesse maior
perigo depois da vitória do que antes, porque quando a batalha foi travada e o
inimigo fugiu, então estamos dispostos a deixar de lado a armadura celestial.
Podemos dizer, "nós temos lutado e vencido, vamos desfrutar a vitória,
obter nosso despojo, pendurar a armadura, e ter um descanso tranquilo para nos
refrescar." Mas Satanás nunca dorme, nunca descansa, nem cansa, portanto
quando o guerreiro cristão colocou a armadura de lado, e disse "Agora me
deixe dormir, eu ganhei a vitória!", esse é o momento para o seu insuspeitado adversário pegá-lo de
surpresa e apontar para ele um golpe mortal, O apóstolo diz, "Tendo feito
tudo, ou vencer tudo, permanecer firme."
Ó, nunca devemos deixar de lado a
armadura celestial! E é uma misericórdia, que se temos uma peça, temos todas.
Deus não nos envia para a batalha meio armados. Aquele que providenciou uma,
forneceu tudo.
Que isto também seja lembrado e
encorajado; que o Senhor ao escolher os recrutas, não escolhe como os sargentos
do nosso exército, os fortes, ativos, robustos, vigorosos e saudáveis. Ele
admite pessoas estranhas em seu regimento; aqueles a quem nenhum médico do
exército admitiria - o alto, o coxo, cego, aleijado, asmático, o doente no
coração; Ele os alista em seu regimento celestial, e os torna todos "restaurados"
com um toque de seu dedo, os veste com sua armadura celestial, os envia para a
batalha e luta por eles como "o Senhor dos exércitos".
Assim, fracos em si mesmos são
fortes em Cristo, e no poder de sua força. E cada soldado, eventualmente
ganhará o dia, ganhará o prêmio, e sairá mais do que vencedor por meio dAquele
que o amou e se entregou por ele.
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