Título original: Faith
Por John Angell James
(1785-1859)
Traduzido,
Adaptado e
Editado por
Silvio Dutra
Suponhamos que alguns dos súditos de um rei
sábio e bom, sem qualquer justa causa, se rebelassem contra ele e tomassem as
armas para destroná-lo, e por isso perderiam suas vidas. Mas, suponha que o
soberano, em clemência, esteja disposto a perdoá-los e, para isso, envia uma
proclamação declarando que todos aqueles que, antes de um tempo fixo, viessem a
ele, depusessem as armas, confessassem sua ofensa, e pedissem misericórdia,
deveriam ser poupados e teriam restaurados todos os seus privilégios como
cidadãos, porém todos os que se achassem sob as armas, não viessem e se
lançassem na misericórdia de seu soberano, seriam mortos.
O que, neste caso, deveria ser o estado de
espírito e ação exigido naqueles que seriam salvos? Fé. Eles deveriam acreditar
que a proclamação foi emitida pelo monarca, e que ele realmente cumpriria sua
palavra; eles não deveriam apenas acreditar no próprio édito, mas confiar no
monarca, isto é, terem fé nele. Qual é a sua autorização ou encorajamento para
ir até ele? Sua proclamação de misericórdia, e somente isso; e não quaisquer
convicções ou desejos próprios. Se algum dos rebeldes estivesse desejoso de
voltar, ele não diria; "Estou muito encorajado e verdadeiramente
justificado para ir e esperar o perdão, porque estou muito ansioso para ser
perdoado", porque o desejo de perdão de si mesmo, não era uma garantia em
que pudesse esperar, mas ele deveria dizer; "Meu soberano pediu-me que
voltasse, e me prometeu o perdão, tenho sua palavra, e nele posso confiar,
portanto vou e espero sua misericórdia com confiança". Ele vai, embora
saiba que perdeu a vida e merecia a morte, e se condenou, mas está certo de que
será poupado, porque o rei tem prometido, e ele confia em sua veracidade. Isso
é fé. Sua fé merece perdão? Não, mas ela o assegura. Pode o homem se vangloriar
de que suas obras o salvaram? Não, ele é salvo pela graça, mediante a fé.
Mas suponha que, quando ouviu a proclamação
da misericórdia, ele estava apenas convencido de seu pecado, e em certa medida
lamentava desejando perdão, mas não foi ao
seu soberano; suponha que ele dissesse, "Tenho medo de ir, o príncipe é
poderoso, cercado por seus guardas que poderiam me destruir em um momento, e
tenho sido um líder na rebelião, assim não posso esperar misericórdia, embora
anseie por isso, e faria qualquer coisa para obtê-la." O tempo da
misericórdia expira; o homem é levado com as armas em suas mãos, e é morto. Ele
merece morrer? Sim, duas vezes mais; primeiro por sua rebelião, e em segundo
lugar por sua incredulidade. Sua falta de fé, não sua rebelião foi a causa real
de sua morte. Seu pecado teria sido perdoado, se tivesse acreditado. Suas
convicções, sua tristeza, suas lágrimas, seu desejo pelo perdão não poderiam
salvá-lo; ele tinha insultado seu soberano de novo, duvidando da sua
veracidade, e desobedecendo seu comando.
Pecador desperto, tome cuidado para que este não seja seu
caso. É o caso de muitos. Eles são rebeldes contra Deus, e culpados de inúmeros
pecados. "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,
para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".
"É uma palavra fiel, e digna de toda aceitação, que Cristo Jesus veio ao
mundo para salvar os pecadores".
Assim corre a proclamação de misericórdia; "Arrependam-se
do pecado, creiam em Cristo, esperem a salvação". Muitos creem e são
salvos, mas outros, e são multidões, não conseguem mais do que convicção; eles
sabem que são pecadores, desejam perdão, e parecem mesmo dispostos a abandonar
alguns de seus pecados, mas não creem em Cristo, não retornam a Deus pela fé em
seu Filho, concedendo uma confiante esperança de perdão. Têm medo de ir,
dizendo que seus pecados são muito grandes para serem perdoados, ou se
contentam em permanecer em estado de convicção, ou antes de terem confiado em
Cristo e experimentado uma verdadeira mudança de coração por meio da fé, algum
objeto terrenal ou outro distrai sua atenção do Salvador, e eles afundam num
estado de descuido, voltando gradualmente
ao mundo novamente.
Você nunca está seguro leitor, até que tenha fé. Quaisquer
que tenham sido suas lágrimas, convicções, orações ou exercícios de mente, você
está sob a sentença da lei e exposto à ira de Deus até que acredite. Se a morte
vier sobre você antes de ter fé, assim como certamente e merecidamente perecer,
como o rebelde, que, apesar de ter expressado sua tristeza por sua traição, não
tinha entrado e deposto suas armas, e aceitado a misericórdia do Rei, você está
dentro do dilúvio da vingança divina até que tenha confiado sua alma a Cristo.
Podemos ser salvos, se não somos justificados? Não! Mas somos
"justificados pela fé e temos paz com Deus". Podemos ser salvos, a
menos que sejamos filhos de Deus? Não! Mas somos "todos filhos de Deus pela
fé em Cristo Jesus". Podemos ser salvos sem santificação? Não! Então
"nossos corações são purificados pela fé".
Mas, o carcereiro de Filipos perguntou, com medo e tremor;
"Que farei para ser salvo?" Paulo respondeu; "Crê no Senhor
Jesus Cristo, e serás salvo." Nosso Senhor enviou seus discípulos,
disse-lhes "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura; quem
crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado". Em
outro lugar também se diz; "Quem crê nele não é condenado, mas quem não
crê, já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus, quem
crê no Filho tem a vida eterna, aquele que não crê no Filho, não verá a vida,
mas a ira de Deus permanece sobre ele." "Quem crê no Filho de Deus
tem o testemunho em si mesmo, aquele que não crê em Deus, o faz mentiroso,
porque não crê no testemunho que Deus dá de seu Filho."
Veja, então, a importância, a tremenda importância da fé em
Cristo. É a dobradiça em que a salvação gira, e sem a qual todo o conhecimento,
todas as impressões, todas as convicções e todos os deveres nos deixarão
afastados do céu. Fixe profundamente em sua mente, portanto que a fé é a graça
salvadora, ou em outras palavras, que é o estado de espírito com que a salvação
está conectada. Sendo trazido para este estado, você seria salvo embora
morresse na hora seguinte; e sem ela não seria salvo, mesmo se estivesse por
anos sob a mais profunda preocupação por sua alma.
Mas, vocês provavelmente vão querer saber um pouco mais sobre
este estado de mente transcendentalmente importante, portanto eu a apresentarei
diante de vocês:
1.
O que você deve acreditar. A fé, em geral, significa uma crença de tudo o que
Deus tem testemunhado em sua Palavra, mas a fé em Cristo significa a crença no
que a Escritura diz dele; de sua pessoa, ofícios e trabalho. Você deve
acreditar que ele é "o Filho de Deus"; "Deus manifestado na
carne"; Deus-Homem, Mediador, pois como uma simples criatura pode ser seu
Salvador? Na fé, entregue sua alma ao Senhor Jesus. O que! Nas mãos de uma mera
criatura? A Divindade de Cristo não é assim meramente um artigo de fé, mas
também entra no fundamento da esperança. Você é obrigado a crer na doutrina da
expiação; que Cristo satisfez a justiça divina pela culpa humana, tendo sido
uma propiciação pelos nossos pecados; e que agora o seu sacrifício e justiça
são o único fundamento sobre o qual um pecador pode ser aceito e absolvido
diante de Deus. Vocês devem crer que todos, embora previamente culpados e
indignos, são bem-vindos a Deus para salvação, sem exceção alguma, ou qualquer
dificuldade. Você deve acreditar que Deus realmente ama o mundo, e está
verdadeiramente disposto e esperando para salvar o principal dos pecadores,
portanto ele é benevolente para você.
E
assim, em vez de viver na ideia de um mero amor geral ou universal, você deve
trazer o assunto para si mesmo, e acreditar que Deus tem boa vontade para com
você, deu a Cristo para morrer por você, que é uma parte do mundo que Deus
amou, pelo qual Cristo morreu, e você não deve se perder na multidão. Você não
deve considerar o plano da redenção para ninguém, ou para todos, mas para si
mesmo. Você deve dizer: "Deus está bem disposto para comigo, Cristo é dado
por mim, morreu por mim, assim como por outros, eu sou convidado, e serei salvo
se confiar em Cristo. Eu sou tão bem-vindo como qualquer um em Cristo."
A fé não é uma crença em sua própria religião pessoal, que é
a garantia da esperança, mas é a crença de que Deus ama os pecadores, que
Cristo morreu pelos pecadores, e para você entre os demais. Não é a crença de
que você é um cristão real, mas que Cristo está disposto a dar-lhe todas as
bênçãos incluídas nesse termo. É a crença de algo fora de si mesmo, mas ainda
de algo concernente a si mesmo. O objeto da fé é a obra de Cristo para você; não
a obra do Espírito em você. É de grande importância que você deve cuidar disso,
porque muitos são capazes de confundir essas coisas. Se eu prometo a um homem
esmolas, e ele realmente acredita no que eu digo, esperando alívio, eu, no ato
de prometê-lo, sou o objeto de sua fé, e não o estado de sua própria mente no
ato de crer. Se, portanto você teria fé, ou, possuindo, a teria fortalecida,
você deve fixar e manter seu olho no testemunho de Cristo, que encontra no
evangelho.
2.
Agora vou mostrar-lhe COMO você deve acreditar. Mas, isso é necessário? Não há
mistério na fé quando falamos de crer em um companheiro semelhante a nós, como criatura.
Quando o rebelde é obrigado a acreditar na proclamação de misericórdia enviada
por seu soberano, e a pedir perdão; ou quando o mendigo é obrigado a acreditar
na promessa de um benfeitor que lhe prometeu alívio, sua mente se pergunta como
ele deve acreditar. O que, em cada um desses casos, significa fé? A crença de
que a promessa foi feita, e uma confiança na pessoa que fez, de que ele
cumprirá sua palavra.
Eis
que todo o mistério existe na fé! É uma crença que Cristo realmente morreu
pelos pecadores; que todos os que dependem somente dele serão salvos; e devem
ter uma confiança nele para a salvação?
Sim,
é, se pudermos substituir outra palavra como explanatória da fé, “confie” em
Cristo. A fé e a confiança em Cristo são a mesma coisa. "Eu sei em quem tenho
crido", diz o apóstolo, "e estou persuadido que ele é capaz de
guardar o que lhe tenho confiado". Acreditar, ser persuadido, e o ato de
confiar são o mesmo ato; todos eles significam fé. É descansar sobre a palavra
e obra de Cristo para a salvação, para depender de sua expiação e justiça, e em
nada mais para a aceitação com Deus; e realmente esperar a salvação, porque ele
prometeu. Se não há expectativa, não há fé, pois a fé na promessa de um homem
implica necessariamente, a expectativa de sua realização. Isso, então é fé; procurando
ou esperando a salvação apenas por causa da obra de Cristo, e porque Deus a
prometeu.
Se quiser outra ilustração, tome o caso dos israelitas
mordidos pelas serpentes. As pessoas que foram picadas foram ordenadas a olharem
para a serpente de bronze. Aqueles que realmente acreditavam na promessa de que
esse ato seria seguido com a cura, saíram e olharam para o meio de alívio
designado; a sua aparência era a crença deles, e o que isso parecia implicar?
Expectativa. Aqueles que não olhavam, não esperavam cura, e
aqueles que olhavam esperavam alívio. Se, portanto você não é levado a esperar
a salvação, você não acredita; pois se você realmente tivesse acreditado iria
satisfazer a expectativa de salvação. "A fé é a substância (ou expectativa
confiante) das coisas que se esperam". A fé sendo a expectativa de
salvação somente por causa de Cristo, e porque ele a prometeu, pode-se dizer
que é fraca ou forte, na proporção em que nossa expectativa é mais ou menos
confiante e livre de dúvidas e medos.
3.
Mas, QUANDO é que um pecador deve crer? Pergunta estranha! Porém, é necessário
responder, quando é perguntado. Suponha que quando você promete esmola a um
pobre mendigo faminto, ou perdão a uma pessoa que o ofendeu, ele deveria
perguntar; "Quando devo acreditar na sua promessa?" Você não sentiria
alguma surpresa na pergunta? A própria natureza do caso sugere a propriedade e
a necessidade da fé imediata. Sua veracidade é tão grande naquele momento como
sempre será, portanto exige confiança instantânea. Suponhamos que o mendigo
dissesse; "Ainda não sinto suficientemente a minha pobreza, para crer em
você agora, mas quando estiver mais faminto, confiarei em sua palavra e virei
receber o benefício". Isso não seria absurdo demais?
No
entanto, esta é a própria conduta de muitas pessoas em referência a Cristo e à fé
nele, para a salvação. Eles sabem que somente a confiança nele é necessária
para a salvação; que devem finalmente chegar a ele, mas parecem considerá-lo
mais como um exercício ou estado de espírito, para o qual devem ser trazidos em
algum momento futuro, e por algum meio não sabem como realizá-lo. Seu
sentimento interior é a esperança de que terão fé em algum tempo ou outro, sem
jamais imaginar que são obrigados, de uma só vez e sem demora, a entregar sua
alma a Cristo.
Leitor,
reflita sobre este assunto, esta necessidade de crer instantaneamente. Você é
agora um pecador? Você sabe que é. Você pode fazer alguma coisa agora para
salvar a si mesmo? Você sabe que não pode. Cristo é um Salvador, capaz e
disposto a salvá-lo agora mesmo? Você sabe que ele é. Será que ele será mais
capaz ou disposto a salvá-lo um mês ou um ano depois, do que ele é neste
momento? Certamente não. Ele diz; "Vinde a mim, não agora, mas em algum
tempo futuro, crede-me, mas ainda não, confia em mim depois de um tempo?"
Você sabe que ele não diz isso. Cada convite, cada promessa, cada
encorajamento, se relaciona com o momento presente. As palavras da Escritura
são; "Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações,
agora é o tempo aceito, agora é o dia da salvação, porque todas as coisas estão
prontas."
O que o impede? Por que você não deveria crer em Cristo, ao
ler isto? O que, exceto sua própria falta de vontade, lhe impede a partir deste
momento de confiar no Senhor Jesus para a salvação? E agora? Você diz, ainda
assustado com a ideia de instantaneamente levar ao seu seio ansioso, a doce e
reconfortante esperança da salvação.
"Porque não agora?" Eu pergunto. Mas você está
pronto para dizer, "eu poderia, pois não tenho paz de espírito! Eu sinto
que sou um pecador, e ainda estou angustiado, e há ocasiões em que não sinto isso suficientemente. Eu fico
agitado e perplexo, pois não tenho razão para esperar que os meus pecados sejam
perdoados! Eu não posso me aproximar de Deus como um Pai reconciliado, pelo
contrário, tenho medo dele, e receio, se eu morrer, que não o encontrarei em
paz."
Permita-me aqui lembrá-lo, que você nunca pode estar em paz
até que tenha fé; a paz é o primeiro fruto da fé. Observe o que o apóstolo
disse; "Em quem, ainda que agora você não o veja, mas crendo, você se
alegra com alegria inefável e cheia de glória". É dito do carcereiro de
Filipos, "ele se alegrou, crendo em Deus". Você nunca pode sentir
isso, até que acredite em Cristo, tendo estabelecido a paz de espírito, exceto
que seja uma paz falsa; que você procura de várias maneiras e ocasionalmente obtém
uma pequena pausa em sua solicitude, orando, ouvindo sermões, insistindo no que
supõe ser evidências de sua conversão, com o propósito de deixar seus pecados e
servir a Deus mais completamente. Mas, apesar de tudo isso, você não está em
posse do conforto estabelecido. Sua alegria é mais como um flash ocasional de
uma vela em uma noite escura, do que um sol constante, de modo que às vezes
está pronto para abandonar completamente a religião, e voltar para o mundo; porque
você parece estar tão longe do conforto como sempre. Mas, pare e pergunte;
"Estou procurando a paz no caminho certo?" Eu realmente já acreditei
plenamente em Cristo? "Eu realmente confiei minha alma a ele, e esperava a
salvação de acordo com sua promessa?" Não! Pois se você tivesse, não
estaria em seu atual estado de agitação.
O que é que pode dar paz a um pecador sentindo o peso da
culpa em sua consciência? O que é que pode aliviá-lo de sua angústia? Nada
senão fé em Cristo; não a própria fé, mas o objeto para o qual a fé olha, que é
Cristo. Muitos estão dizendo; "Se eu soubesse que tinha fé, ou se pudesse
sentir minha fé mais forte, então eu poderia me alegrar". Mas, isso é
buscar a paz na própria fé, em vez de buscá-la pela fé em Cristo. A fé não é
nosso Salvador, mas somente o olho que olha para ele, o pé que vai para ele, a
mão que o recebe. Tome uma ilustração; imagine que, quando você estava aflito
com alguma doença perigosa e ansioso pela recuperação, no meio de sua
solicitude, e depois de tentar todos os tipos de remédios sem efeito, um médico
entrou e disse; "Eu lhe trouxe uma cura infalível para sua doença, que tem
curado milhares, e certamente o curará". Qual seria o efeito desta
comunicação sobre você?
Se sua preocupação com a recuperação, e seu medo de não obter
uma cura fosse maior do que sua fé, você não ganharia paz; a falta de confiança
no remédio iria mantê-lo em profunda ansiedade.
Mas, suponha que você acreditasse na declaração de seu amigo
médico e tivesse plena confiança no remédio; qual seria então, o efeito do
relatório? Você se alegraria imediatamente, pelo fato de poder ter crido na
declaração do médico. No entanto, você iria esperar até que tomasse o remédio,
se sentisse curado, e constatar que sua ansiedade havia sido aliviada; não, mas
assim que acreditasse na eficácia do remédio, você diria: "Alegre notícia,
eu estou curado e restaurado à saúde". Agora, nesse caso, o que aliviaria
você de sua ansiedade e lhe daria conforto? A declaração do seu amigo, ou, em
outras palavras, a fé nessa declaração? A boa notícia de uma cura vinda e
acreditada, faria você feliz. Não seria o ato de acreditar que você se
alegraria, mas crer na declaração, pois tomaria imediatamente o remédio; e
quando experimentasse sua influência curativa, se alegraria ainda mais. Sua
alegria neste caso seria de dois tipos; a primeira, a alegria da fé, na certeza
de que seria curado; a segunda, a alegria da experiência, ao descobrir que você
estava curado.
Aplique isto ao caso de um pecador que sente sua condição
miserável sob o poder e a culpa do pecado. Em sua preocupação, ele tenta vários
métodos para obter alívio; deixa o pecado e tenta ser bom, mas uma sensação de
pecado não perdoado ainda repousa sobre seu coração, e ele está longe do
consolo estabelecido. Nessa situação, Cristo, o médico das almas, vem a ele na
mensagem do evangelho e diz; "Meu sangue purifica de todo pecado, e meu
Espírito pode renovar e santificar o coração mais duro e poluído - olha para
mim e você será salvo!"
Qual é o dever do pecador neste caso? Imediata e plenamente deve
crer, e como prova e fruto necessário de sua fé, se alegrar. Se realmente crer,
ele se alegrará; e se não se alegrar, é porque não crê. Ele não deve esperar
até que seja salvo, para que se sinta confortado, mas deve ter conforto, em
primeiro lugar, em acreditar que há um Salvador, e que ele pode ser salvo. Ele
não deve esperar por seu conforto até que se sinta justificado, renovado e
santificado, pois como pode vir a este estado a menos que acredite? Seu
primeiro conforto deve ser a alegria da fé, e isso ele deve tomar para si mesmo
de uma só vez; a alegria da experiência vem depois. Ele deve primeiro
regozijar-se com a promessa de cura espiritual e, em seguida, regozijar-se-á no
sentido de cura.
Quando os judeus, que foram atingidos no coração pelo sermão
de Pedro, clamaram em agonia "Que faremos?" Ele respondeu;
"Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo,
para a remissão dos pecados; então aqueles que receberam a palavra com alegria
foram batizados". Receberam com alegria a palavra, ou seja, creram na
promessa e se alegraram. Houve fé imediata produzindo alegria instantânea; eles
não esperaram até que sentissem que estavam salvos, mas se alegraram ao mesmo
tempo. Agora, observe outro caso; Paulo, em uma de suas epístolas diz;
"Nosso regozijo é que, em simplicidade e sinceridade divina, não com
sabedoria carnal, mas pela graça de Deus, vivemos nossas vidas no mundo".
Havia a alegria da experiência. E não é motivo de prazer que Deus amou o mundo,
e você, como parte do mundo, para dar Seu Filho para a sua salvação, que você
está convidado, e que Cristo é capaz e está disposto a salvá-lo? Mas, ainda
assim você se apega à ideia, de que se pudesse ter certeza de que acreditaria, poderia
então ser consolado; se tivesse evidência de fé, você sentiria a paz. Então
seriam essas evidências que lhe consolariam, e não a obra de Cristo.
Também é importante que compreenda claramente, que você nunca
está em estado de fé, se não for levado a algum grau de conforto; se você ainda
sente a carga de culpa em sua consciência, e todos os seus medos atormentadores
em sua mente; se ainda está ansiosamente perguntando "O que devo fazer
para ser salvo?" Se ainda tem medo de Deus, se ainda está sem qualquer
esperança de perdão, você não crê, porque a fé genuína, mesmo que não fosse uma
garantia total, em alguma medida lhe aliviaria desta preocupação. É muito comum
as pessoas dizerem que acreditam, e ainda não terem conforto; e perguntam
"Por que não estou em paz?"
Porque você realmente não acredita em Cristo; está enganando
a si mesmo. É de fé, fé genuína que precisa - você ainda não confiou realmente
em Cristo; não creu nas boas novas da salvação, pois, porventura, alguém pode
crer nas boas novas de si mesmo, e não se alegrar com elas? Acredite então,
acredite verdadeiramente, acredite agora, e receba a paz.
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