Título original: On the Law and the Gospel
Por J. C. Philpot (1802-1869)
Traduzido,
Adaptado e
Editado por
Silvio Dutra
Introdução:
Meu caro senhor,
Em uma
de suas cartas, você expressa o desejo de que eu dê meu ponto de vista sobre
este assunto: "Por que, a meu ver, a lei não é a regra de vida do
crente". Ao fazer isso, aproveitarei a ocasião para oferecer meus pensamentos
sobre esses três pontos distintos;
1. Por
que a lei não é a regra de vida do crente.
2. Qual
é a regra.
3.
Desmentir a objeção lançada sobre nós, de que nossas opiniões conduzem ao
antinomianismo doutrinário ou prático.
Por um
crente, eu entendo alguém que pela fé em Cristo é libertado da maldição e
escravidão da lei e que sabe algo experimentalmente da vida, luz, liberdade e
amor do evangelho glorioso da graça de Deus. Pela lei eu entendo
principalmente, embora não exclusivamente, a lei de Moisés. E pela regra da
vida, eu entendo um guia para fora e para dentro, segundo o qual um crente
dirige sua caminhada e conversão diante de Deus, da Igreja e do mundo.
É muito
necessário ter estritamente em mente, que estamos falando inteiramente e
unicamente de um crente. O que tem a lei a ver com um crente em Cristo Jesus?
Será exigido pela vontade revelada de Deus, para tomar a lei como uma regra
orientadora em sua vida? Respondo; Não. E por várias razões.
1. Por que a lei não é a regra de vida do crente.
Deus não nos deixa em liberdade para tomar à
vontade uma parte da lei e deixar a outra. Deve ser tomado ou deixado como um
todo, pois Deus assim o revelou. Não consigo encontrar em nenhuma parte da
Palavra de Deus qualquer mitigação de seus termos, ou qualquer redução à metade
dela, de modo que, de acordo com os pontos de vista de muitos teólogos que
escreveram sobre o assunto, podemos estar mortos para ela como uma aliança;
como regra geral.
A
característica essencial e distintiva da lei é que ela é uma aliança de obras,
exigindo completa e perfeita obediência, anexando uma tremenda maldição à menor
violação de seus mandamentos. Se, então, eu, como crente, tomar a lei como
minha regra de vida, eu a tomo com a sua maldição; coloco-me sob o seu jugo, pois
ao recebê-la como meu guia, (e se não o faço, não é o meu governo), tomo-a com
todas as suas condições e fico sujeito a todas as suas penalidades. A conexão
entre uma aliança e suas regras é claramente mostrada em Gálatas 5: 1-6 onde o
apóstolo testifica "todo homem que é circuncidado, é devedor de toda a
lei". É ocioso falar de tomar a lei para uma regra de vida, e não para um
pacto, pois as duas coisas são essencialmente inseparáveis; e como aquele que
guarda toda a lei e, no entanto, ofende em um ponto, é culpado de todos os
demais (Tiago 2:10), assim aquele que leva apenas um preceito da lei para o seu
governo, (como os gálatas tomaram o da circuncisão),e tendo adotado um,
praticamente adota-se o todo, e adotando o todo se coloca sob a maldição que atribui
a sua infração.
As
pessoas falam muito fluentemente sobre a lei ser uma regra de vida, e pensam pouco das consequências resultantes,
porque entre elas está que seus preceitos escritos e não o seu mero espírito,
devem ser a regra. Ora, estes preceitos pertencem a ela somente como uma
aliança, pois nunca foram separados pela Autoridade que os deu, e o que Deus
uniu, que nenhum homem separe. Mostrar a conexão entre os preceitos e a aliança
é o tema principal da Epístola aos Gálatas, que estavam olhando para a lei e
não para o evangelho, de modo que tendo começado no Espírito, estavam tentando
ser aperfeiçoados pela carne. Ler com olhos iluminados, esta Epístola abençoada
decidiria de imediato em favor do "evangelho" como nossa regra
orientadora da conduta cristã e da nossa conversação. Observe como Paulo
repreende aqueles que assim agem; ele os chama de "gálatas
insensatos", e pergunta quem enfeitiçou aqueles que não queriam obedecer à
verdade (isto é, ao evangelho), "diante de cujos olhos Jesus Cristo foi
evidentemente posto Crucificado entre eles".
Ele
apela à sua própria experiência e pergunta-lhes; "Vocês receberam o
Espírito pelas obras da lei, ou pelo ouvir da fé?"
Ele
traça uma linha de distinção aqui, entre aquelas obras que são feitas em
obediência à lei como uma regra orientadora, e o poder de Deus sentido no
coração que assiste a um evangelho pregado quando ouvido na fé,
perguntando-lhes sob qual dos dois eles tinham recebido o ensinamento e o
testemunho do Espírito abençoado.
Mas, observe, ainda, como ele os
convida a "caminhar no Espírito" Gálatas 5:16. Agora, andar é viver e
agir, e a regra que ele dá aqui para viver e agir não é a lei, mas o Espírito.
Ele lhes fala da bem-aventurança deste divino guia; "Se você é conduzido
pelo Espírito, você não está sob a lei", isto é, nem como um pacto nem
como regra, pois que eles eram livres da sua maldição como uma aliança
condenadora, e dos seus mandamentos como um jugo aflitivo que nem eles nem seus
pais puderam suportar (Atos 15:10). Mas, mostra-lhes que a libertação da lei
não os libertou de uma maior e mais perfeita regra de Obediência, ele lhes
ordena a "cumprirem a lei de Cristo", que é amor, um fruto do
Espírito, não produzido pela lei que opera ira e gera filhos para a escravidão
(Romanos 4:15; Gálatas 4:24).
Se estamos dispostos a cumprir a inspirada Palavra
da Verdade, precisamos ir além da própria Epístola para decidir toda a questão,
porque nela estabelecemos a regra segundo a qual os crentes devem andar, que é
uma "criatura nova" (ou uma nova criação); " Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão,
nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura.
E a todos quantos
andarem conforme esta regra, paz e misericórdia sobre eles e sobre o Israel de
Deus”. (Gálatas 6: 15-16).
A lei ou a obra do Espírito sobre
o coração é mantida aqui, como a regra de uma caminhada de crentes?
A lei é estritamente um pacto de
obras; nada sabe de misericórdia, nada revela sobre a graça e não comunica o
Espírito abençoado. Por que, então, se sou crente em Cristo, e tenho recebido a
Sua graça e a verdade no meu coração, devo adotar para a regra da vida aquilo
que não testifica de Jesus na Palavra, ou na minha consciência? Se eu devo
andar como um crente, deve ser por uma vida de fé no Filho de Deus (Gálatas
2:20). A lei é minha regra aqui? Se é, onde estão essas regras para serem
encontradas? "A lei não é de fé". Como, então, pode estabelecer
regras para a vida de fé? Se eu quiser andar como um crente com a Igreja, que ajuda
a lei me dará lá?
Caminhar como tal deve ser pela
lei do amor, como revelado em Cristo e tornado conhecido em meu coração pelo
poder de Deus. Se eu ando nas ordenanças da casa de Deus, será que estas coisas
serão reveladas na lei?
Damos à lei a devida honra. Ela
tinha uma glória, como o apóstolo argumenta em
2 Coríntios 3, como ministério da morte e condenação, mas esta glória é
eliminada; por que devemos olhar para ela agora, como nosso regra orientadora?
O ministério do Espírito, da vida e da justiça "excede muito mais em
glória", e por que seremos condenados, se preferirmos o Espírito à letra,
a vida à morte e a justiça à condenação?
Uma regra deve influenciar, assim
como orientar, ou então será uma regra morta. Se você escolheu ser guiado pela
carta de morte, que só pode ministrar condenação e morte, e escolhemos para o
nosso governo o que ministra o Espírito, a justiça e a vida, quem tem a melhor
regra? É muito temível que aqueles que assim andam e falam, ainda têm o véu
sobre o coração e não sabem nada do que o Apóstolo quer dizer quando diz;
"Agora, o Senhor é o Espírito, e onde o Espírito do Senhor está aí há
liberdade, mas todos nós, de rosto aberto, contemplando como por espelho a
glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem de glória em glória, como
o Espírito do Senhor." (2 Coríntios 3: 17-18).
Mas não só temos essas deduções
para influenciar a mente em rejeitar a lei, como uma regra para a caminhada dos
crentes, porém temos o testemunho expresso de Deus como um mandado para
fazê-lo. Lemos, por exemplo que; "Eu pela lei estou morto para a lei, para
viver para Deus" (Romanos 7: 4). Como crente em Cristo, a lei está morta
para mim, e eu para ela. O Apóstolo abriu clara e lindamente este assunto. Ele
assume que um crente em Cristo é como uma mulher que se casou novamente após a
morte de seu primeiro marido; e declara que "ela é obrigada pela lei de
seu marido enquanto ele vive, mas se o marido morrer, ela é solta da lei de seu
marido" (Romanos 7: 2) e está livre para contrair novas núpcias com outro.
Claro que o primeiro marido é a lei, e o segundo marido é Cristo. Agora,
adotando a figura de Paulo, não podemos justamente perguntar: Qual é a regra da
conduta da esposa quando se casou novamente, os regulamentos do primeiro ou do
segundo marido?
2. Qual é, então, a regra de vida do crente?
Ele está sem
regra? Será que ele é infiel, porque abandona a lei de Moisés, porque seu
governo não tem guia para dirigir seus passos? Deus me livre! Porque eu
subscrevo coração e alma às palavras do Apóstolo - "Não estando sem lei
diante de Deus, mas debaixo da lei de Cristo" (1 Coríntios 9:21) - (nota
de rodapé - não sob a lei, como nossa versão registra, não havendo nenhum
artigo expresso ou implícito no original). O crente tem então, uma regra de orientação
que podemos chamar brevemente de "o evangelho".
Esta regra podemos dividir em
dois ramos; o evangelho escrito pelo dedo divino sobre o coração, e o evangelho
escrito pelo Espírito abençoado, na Palavra da verdade. Estes não formam duas
regras distintas, mas uma é a contrapartida da outra, e são mutuamente úteis e
corroborativas uma da outra. Uma das promessas da Nova Aliança em Jeremias 31:
21-34 e Hebreus 8: 8-12 (comparada) foi - "Escreverei a Minha lei no seu
interior e escreverei em seus corações". Esta escrita da lei de Deus em
seu coração, eu não preciso te dizer, é o que a distingue da lei de Moisés, que
estava escrita em tábuas de pedra, e se torna uma regra interna, enquanto a lei
de Moisés era apenas uma regra externa.
Esta regra interna parece ser
apontada em Romanos 8: 2 onde encontramos estas palavras "Porque a lei do
Espírito de vida em Cristo Jesus me libertou da lei do pecado e da morte".
Por "a lei do Espírito da vida", entendo que a regra orientadora (uma
regra na Escritura é frequentemente chamada de lei; a palavra “lei” em hebraico
significando literalmente "instrução") do Espírito de Deus, enquanto
no coração de crentes, é vida comunicadora. É, portanto a influência
libertadora, santificadora e orientadora do Espírito de Deus em sua alma, como
lei ou regra, que o livra da "lei do pecado e da morte"; pelo que não
entendo como sendo a lei de Moisés, mas o poder e prevalência de sua natureza
corrupta. Se esta é então, uma exposição correta do texto, temos uma regra
interna orientadora distinta da lei de Moisés e uma regra viva no coração, que
a lei de Moisés nunca foi nem poderia ser, pois não comunicou o Espírito
(Gálatas 3: 2-5).
“1 Ó
insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado
Jesus Cristo como crucificado?
2 Só isto
quero saber de vós: Foi por obras da lei que recebestes o Espírito, ou pelo
ouvir com fé?
3 Sois vós
tão insensatos? tendo começado pelo Espírito, é pela carne que agora acabareis?
4 Será que
padecestes tantas coisas em vão? Se é que isso foi em vão.
5 Aquele
pois que vos dá o Espírito, e que opera milagres entre vós, acaso o faz pelas
obras da lei, ou pelo ouvir com fé?” (Gál 3.1-5)
Mas esta regra interna como sendo "a lei do
Espírito de vida" tem poder para conduzir todos os filhos de Deus, pois no
mesmo capítulo em Romanos 8:14 o Apóstolo declara que, "todos os que são
guiados pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus". Esta liderança é
peculiar aos filhos de Deus e é uma evidência de sua filiação, que os livra da
lei; pois se formos guiados pelo Espírito, não estamos sob a lei (Gálatas 5:
8), nem como uma aliança nem como uma regra, pois temos uma aliança e uma regra
melhor (Hebreus 8: 6). Qual é o principal uso de uma regra, senão conduzir? Mas
quem pode conduzir como um guia vivo? Como uma lei morta pode levar uma alma
viva?
A prova de que somos filhos de Deus é que somos
guiados pelo Espírito, e esta liderança interior torna-se nossa regra
orientadora.
E não é desprezível a orientação do Espírito abençoado,
para estabelecer-se em oposição à Sua regra orientadora, a lei morta de Moisés,
e chamar aqueles antinomianos que preferem um guia vivo para uma letra morta.
Este guia vivo é aquele Espírito Santo abençoado
que "guia a toda a verdade" (João 16:13).
Aqui está a principal bênção da
obra e a graça no coração, que a liderança e orientação do Espírito abençoado
formam um regime vivo a cada passo do caminho; pois Ele não só vivifica a alma
na vida espiritual, mas mantém a vida que Ele deu; e realiza (ou termina) até o
dia de Jesus Cristo (Filipenses 1: 6). Esta vida é eterna, como o
bem-aventurado Senhor no poço de Samaria declarou, que a água que Ele dá ao
crente é uma fonte saltando para a vida eterna (João 4:14).
É, pois, o que está nascendo na
alma do crente, que é a regra que guia, pois como produzindo e mantendo o temor
de Deus, é "uma fonte de vida para se afastar das armadilhas da
morte" (Provérbios 14:27).
Mas, para que esse "governo interno que
guia" não seja abusado, o que poderia ser por "entusiasmo", e
para que não sejam substituídos por fantasias ilusórias para o ensino do
Espírito Santo, o Deus de toda a graça deu a Seu povo uma "Regra
externa" nos preceitos do evangelho como declarado pela boca do Senhor e
Seus apóstolos, porém mais particularmente como recolhido nas epístolas, como
um código permanente de instrução para a família viva de Deus. Tampouco se
opõem à regra que acabo de falar, mas pelo contrário, harmonizam-se inteira e
completamente com ela, pois de fato é uma e a mesma regra; a única diferença
entre elas é que o Espírito abençoado revelou-a primeiro na PALAVRA ESCRITA, e
pela aplicação da Palavra à alma faz com que a outra seja uma regra viva no
coração.
Agora, não há uma única partícula de nossa
caminhada e conduta diante de Deus ou do homem, que não seja revelada e
inculcada nos preceitos do evangelho, embora não tenhamos minúsculas
orientações, temos o que excede todas essas minúcias desnecessárias; princípios
mais abençoados, impostos por todo motivo gracioso e santo, formando, quando
corretamente visto e acreditado, um perfeito código de conformidade interna e
externa com a vontade revelada de Deus, bem como de toda caminhada e conduta
santa em nossas famílias na igreja e no mundo.
Eu diria que um crente tem uma
regra para andar que é suficiente para orientá-lo em cada passo do caminho,
pois se ele tem os eternos e vivificantes ensinamentos e orientações do
Espírito Santo para tornar a sua consciência terna no temor de Deus, e uma lei
de amor escrita no coração pelo dedo de Deus; e além disso tem os preceitos do
evangelho como um código completo de obediência cristã, o que mais pode querer
para torná-lo perfeito em toda boa palavra e obra? (Hebreus 13:21). A lei pode
fazer alguma destas coisas por ele?
Pode dar-lhe a vida, em primeiro
lugar, quando é uma carta de morte?
Pode manter a vida, se não está
em seu poder outorgá-la?
3. Desmentir a objeção lançada sobre nós de
que nossas opiniões conduzem ao antinomianismo doutrinário ou prático.
Mas, pode ser
perguntado: "Vocês então, deixam de lado os dois grandes mandamentos da
lei; "Amarás o Senhor teu Deus" etc. e "teu próximo como a ti
mesmo"?
Não, pelo contrário, o evangelho
como uma regra externa e interna cumpre ambos, pois "o amor é o
cumprimento da lei". (Romanos 13:10). Portanto, esta regra abençoada do
evangelho, não só não anula a lei quanto ao seu cumprimento, mas por assim
dizer, absorve em si mesma e glorifica e harmoniza seus dois grandes
mandamentos, cedendo-lhes em obediência de coração, (que a lei não podia dar),
porque os crentes servem na novidade do Espírito, não na velhice da letra
(Romanos 7: 6), como o homem livre de Cristo (João 8:32) e não como o escravo
da lei de Moisés. Esta é obediência disposta, e não uma tarefa legal. Isto
explicará o significado do Apóstolo, "Porque eu me deleito na lei de Deus
segundo o homem interior", pois o novo homem da graça, sob a poderosa
influência do Espírito Santo, se deleita na lei de Deus, não apenas por sua
santidade, mas como inculcando aquilo que preenche o coração renovado, e o
deleite interior no amor a Deus e ao Seu
povo.
(Nota do tradutor: Em Romanos
3.31 o apóstolo diz o seguinte:
“Anulamos, pois, a lei pela fé?
De modo nenhum; antes estabelecemos a lei.”
Assim, ao mesmo tempo que o
crente não está sob a lei, e sim sob a graça, ele não está de modo nenhum,
vivendo contra a lei, por viver na fé, pois, na verdade, não há outro modo de
se cumprir de fato todas as exigências morais da lei, como expressadas nos dez
mandamentos, senão por um viver na fé, que é somente mediante a graça de Jesus
Cristo operando no coração.
É tão verdadeiro que esta vida de
fé que nos chegou por meio de Jesus Cristo é o que dá pleno cumprimento à lei,
que o próprio Senhor viveu sob a lei e a cumpriu perfeitamente, inclusive em
obediência passiva ao morrer em nosso lugar na cruz, carregando sobre si os
nossos pecados, de modo que a lei tivesse o motivo necessário para que Ele
morresse, uma vez que não tinha pecado. Se Jesus não tivesse carregado os
nossos pecados sobre Si, ele viveria eternamente na carne neste mundo, porque é
certo que aquele que não tem pecado não deve morrer de modo algum.
Assim, cumprindo perfeitamente
todas as exigências da Lei, e morrendo em nosso lugar, também morremos para a
Lei, pela nossa identificação com Ele, não para vivermos contra a Lei, mas para
vivermos de modo digno de Deus, conforme o dizer do apóstolo que não anulamos a
lei pela fé, antes confirmamos a lei.
O Que é a Antiga Aliança
A Antiga Aliança ou Antigo
Testamento recebe também as seguintes designações na Bíblia: Primeira Aliança
(Hb 8.7); Lei de Moisés (I Cor 9.9); Lei do Senhor (II Cr 31.3,4): Lei de Deus
(Ed 7.21); Lei (Rom 3.19); Aliança da Letra (II Cor 3.6); Ministério da Morte
(II Cor 3.7), e Ministério da Condenação (II Cor 3.9).
Foi celebrada por Deus com a
nação de Israel quando esta foi libertada do cativeiro egípcio (cerca de 1440
aC). A Antiga Aliança abrangia todos os
israelitas em todas as gerações de Israel, de Moisés até a morte de Jesus, e
por isso, possuía também um caráter essencialmente coletivo quanto às
aplicações das suas promessas de bênçãos (Lev 26.3-13; Dt 7.12-26; 11.8-32;
28.1-14), e de maldições (Lev 26.14-42; Dt 11.26-28; 27.26; 28.15-68). Apesar
do caráter essencialmente coletivo daquela aliança, a mesma não excluía a
responsabilidade individual de cada israelita perante Deus (Dt 24.16; Ez
18.20). Mas, à responsabilidade pessoal,
sobrepunha-se a coletiva, com vistas principalmente, à manutenção da unidade de
Israel como nação separada para o serviço de Deus, e para preservá-la da
idolatria e costumes pagãos das demais nações.
Daí o mandamento que proibia o casamento de israelitas com gentios.
Não porque os demais povos fossem
desprezados por Deus, conforme os israelitas passaram a interpretar o
mandamento, mas simplesmente para preservar Israel dos costumes das nações até
que Jesus viesse e inaugurasse a Nova Aliança.
Ao dar a lei a Israel através da
mediação de Moisés, firmando com a nação a chamada Antiga Aliança ou
Testamento, Deus não tinha em vista forjar o legalismo no seu povo, mas forjar
a justiça, o amor e a santidade, através da obediência à Sua santa vontade,
expressada nos diversos mandamentos da lei.
A palavra LEI, recebe no texto da
Bíblia, diferentes conotações. Por vezes, é usada com o significado do Pacto
ajustado por Deus com os israelitas a partir de Moisés, ou seja, a Aliança
Antiga propriamente dita.
Em outras passagens, refere-se
aos cinco primeiros livros da Bíblia, ou Pentateuco, também conhecidos como
livros da lei de Moisés.
Quando aparece a expressão a Lei
e os Profetas, normalmente é uma referência ao conjunto das Escrituras do Velho
Testamento (At 13.15), ou ao Pacto Antigo propriamente dito (Lc 16.16).
E, finalmente, em outras porções
bíblicas, a palavra Lei, designa o conjunto de regulamentos e mandamentos
civis, cerimoniais e morais, constantes sobretudo do Pentateuco.
Por exemplo, quando Jesus disse
que não veio revogar a lei e os profetas (Mt 5.17), estava se referindo às
Escrituras do Velho Testamento; e quando afirmou que a lei e os profetas haviam
vigorado até João Batista (Mt 11.13; Lc 16.16), ao Pacto, à Aliança Antiga.
O Que é a Nova Aliança
Ao instituir a Nova Aliança no
seu sangue, Jesus revogou a Antiga Aliança e marcou o encerramento do período
da dispensação da lei, mas não revogou, isto é, não cancelou, as Escrituras do
Velho Testamento (Mt 5.17).
Essa questão não pode ser
compreendida à luz de um enfoque legalista, pois nos remeteria consequentemente
a considerar que a Antiga Aliança ainda estaria em vigor por não terem sido
revogadas as Escrituras que lhe são correspondentes.
Entretanto, o Velho Testamento,
incluindo os preceitos relativos à Aliança, é um testemunho da vontade de Deus
e da própria revelação referente a Jesus Cristo.
Se as Escrituras dão testemunho
do Senhor, como Ele as revogaria? Se o fizesse estaria negando a Si mesmo e à
obra que recebeu do Pai para realizar. Abraão, Moisés e os profetas, falaram de
Jesus. Os utensílios e ofícios do tabernáculo e do templo ensinam-nos acerca
dEle, em figura.
A forma como o pecado entrou no
mundo e a provisão que Deus fez para salvar o pecador ali também estão revelados.
A própria remoção do pacto antigo
está revelada nas Escrituras do Velho Testamento, atestando que de fato o
problema do pecado só poderia ser resolvido pela inauguração da Nova Aliança
(Jer 31.31-34).
Vemos assim, a confirmação da
validade das Escrituras porque por elas se testifica que o Pacto Antigo foi
substituído pelo Novo, e que Jesus é o Seu Mediador, conforme nelas também se
testifica (Is 42.6,7; 49.8,9).
A Nova Aliança não foi um plano
emergencial concebido por Deus, por terem os israelitas violado a Antiga
Aliança.
Em absoluto. Ela já estava no Seu
coração desde antes da criação do mundo. E fora prometida a Abraão antes mesmo
da celebração da Antiga (Gên 17.1-5), tendo sido a promessa posteriormente
confirmada pelo ministério dos profetas.
“6 Eu o Senhor te chamei em
justiça; tomei-te pela mão, e te guardei; e te dei por mediador da aliança com
o povo, e luz para os gentios;
7 para abrir os olhos dos cegos,
para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.” (Is 42.6,7)
“6 Sim, diz ele: Pouco é que
sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os
preservados de Israel; também te porei para luz das nações, para seres a minha
salvação até a extremidade da terra.
7 Assim diz o Senhor, o Redentor
de Israel, e o seu Santo, ao que é desprezado dos homens, ao que é aborrecido
das nações, ao servo dos tiranos: Os reis o verão e se levantarão, como também
os príncipes, e eles te adorarão, por amor do Senhor, que é fiel, e do Santo de
Israel, que te escolheu.
8 Assim diz o Senhor: No tempo
aceitável te ouvi, e no dia da salvação te ajudei; e te guardarei, e te darei
por pacto do povo, para restaurares a terra, e lhe dares em herança as herdades
assoladas;
9 para dizeres aos presos: Saí; e
aos que estão em trevas: Aparecei; eles pastarão nos caminhos, e em todos os
altos desnudados haverá o seu pasto.”(Is 49.6-9)
Paulo compreendeu melhor e mais
rapidamente do que qualquer outro o caráter da Nova Aliança, que estava sendo
oferecida a todos os gentios, e que os desobrigava do cumprimento minucioso das
condições de culto, ritos e todos os mandamentos civis e cerimoniais da Lei de
Moisés.
Um gentio não precisaria viver
como um judeu, como no caso da Antiga Aliança, para que pudesse ser aceito como
integrante do povo de Deus.
Jesus e nenhum dos apóstolos
ensinaram contra a lei, pois fora outorgada pelo próprio Deus a Moisés para
vigorar como termos da Antiga Aliança, que firmara com a nação de Israel, e
para servir também de testemunho a todo o mundo gentílico, acerca do Seu
caráter e da Sua vontade.
Desta forma, nem Paulo ou
qualquer outro dos apóstolos ensinou contra a lei.
Eles sabiam que a justiça que é
pela fé, e operante segundo a graça, passou a se manifestar com o advento de
Jesus. Mas também sabiam que Deus havia salvado e justificado pela graça,
mediante a fé, a muitos nos dias do Antigo Testamento.
Não foi este o caso de Abraão? A
ponto de ser designado como pai dos que creem.
Mas, a Antiga Aliança foi
revogada, e suas ordenanças civis e cerimoniais já não são obrigatórias aos
israelitas, com quem foi celebrada, e muito menos aos gentios, quanto ao seu
cumprimento, bem como não é aplicável, à igreja, de forma específica, o seu
sistema de bênçãos e maldições, ritos etc, desde a inauguração da Nova Aliança,
que a revogou.
“Pois todos os profetas e a lei
profetizaram até João.” (Mt 11.13)
“A lei e os profetas vigoraram
até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se
esforça por entrar nele.” (Lc 16.16)
“e rasgou-se ao meio o véu do
santuário.” (Lc 23.45)
“9 Porque, se o ministério da
condenação tinha glória, muito mais excede em glória o ministério da justiça.
10 Pois na verdade, o que foi
feito glorioso, não o é em comparação com a glória inexcedível.
11 Porque, se aquilo que se
desvanecia era glorioso, muito mais glorioso é o que permanece.” (II Cor
3.9-11)
“13 Mas agora, em Cristo Jesus,
vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.
14 Porque ele é a nossa paz, o
qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava
no meio, na sua carne desfez a inimizade,
15 isto é, a lei dos mandamentos
contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim
fazendo a paz”, Ef 2.13-15)
“18 Pois, com efeito, o
mandamento anterior é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade
19 (pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou),
e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual nos aproximamos de
Deus.” (Hb 7.18,19)
“6 Mas agora alcançou ele
ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor pacto, o qual
está firmado sobre melhores promessas.
7 Pois, se aquele primeiro fora
sem defeito, nunca se teria buscado lugar para o segundo.
8 Porque repreendendo-os, diz:
Eis que virão dias, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e
com a casa de Judá um novo pacto.” (Hb 8.6-8)
“Dizendo: Novo pacto, ele tornou
antiquado o primeiro. E o que se torna antiquado e envelhece, perto está de
desaparecer.” (Hb 8.13)
“8 Tendo dito acima: Sacrifício e
ofertas e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem neles te
deleitaste (os quais se oferecem segundo a lei);
9 agora disse: Eis-me aqui para
fazer a tua vontade. Ele tira o primeiro, para estabelecer o segundo.” (Hb
10.8,9)
Nova Aliança é designada na
Bíblia como sendo As Fiéis Misericórdias Prometidas a Davi, como se lê em Is
55.3 e Atos 13.34.
“E, que Deus o ressuscitou dentre
os mortos para que jamais voltasse à corrupção, desta maneira o disse: E
cumprirei a vosso favor as santas e fiéis promessas feitas a Davi.” (Atos
13.34)
“Inclinai os ouvidos e vinde a
mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua,
que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi.” (Is 55.3)
É dito no texto de Isaías (VT)
que seria feita uma aliança eterna, que estaria baseada nas misericórdias fiéis
que Deus havia prometido a Davi.
Trata-se de uma aliança de
misericórdias, e misericórdias que não falharão, porque não foram prometidas
pelo homem, mas prometidas por Deus a Davi.
Esta aliança eterna, que é a Nova
Aliança, que vigoraria na dispensação da graça em que temos vivido, foi
prometida em várias passagens do Velho Testamento.
Davi veio a se referir a ela
tanto na hora da sua morte, conforme relato de II Samuel 7.12-17, quanto no
Salmo 89, nos quais afirma a segurança e estabilidade desta aliança prometida,
bem como o seu caráter de livramento da condenação eterna para os aliançados,
ainda que estes viessem a transgredir eventualmente os mandamentos de Deus,
porque o Senhor afirmou que corrigiria os aliançados, mas que não deixaria
jamais de estar aliançado com eles.
O fiador, o mediador, seria o
Renovo justo que brotaria do tronco de Jessé, a saber, o Senhor Jesus, quem é
Aquele que garante a eternidade da aliança.
Vejamos então, alguns textos da
Bíblia que se referem à citada aliança de misericórdias, e de misericórdias
fiéis que durarão para sempre, e pelas quais nossos pecados e transgressões são
perdoados e esquecidos por Deus para sempre:
“12 Quando teus dias se cumprirem
e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu
descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino.
13 Este edificará uma casa ao meu
nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino.
14 Eu lhe serei por pai, e ele me
será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com varas de homens e com
açoites de filhos de homens.
15 Mas a minha misericórdia se
não apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.
16 Porém a tua casa e o teu reino
serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para
sempre.
17 Segundo todas estas palavras e
conforme toda esta visão, assim falou Natã a Davi.” (II Samuel 7.12-17)
Esta passagem das Escrituras
registra quando a promessa foi feita por Deus a Davi através do profeta Natã.
“20 Encontrei Davi, meu servo;
com o meu santo óleo o ungi.
21 A minha mão será firme com
ele, o meu braço o fortalecerá.
22 O inimigo jamais o
surpreenderá, nem o há de afligir o filho da perversidade.
23 Esmagarei diante dele os seus
adversários e ferirei os que o odeiam.
24 A minha fidelidade e a minha
bondade o hão de acompanhar, e em meu nome crescerá o seu poder.
25 Porei a sua mão sobre o mar e
a sua direita, sobre os rios.
26 Ele me invocará, dizendo: Tu
és meu pai, meu Deus e a rocha da minha salvação.
27 Fá-lo-ei, por isso, meu
primogênito, o mais elevado entre os reis da terra.
28 Conservar-lhe-ei para sempre a
minha graça e, firme com ele, a minha aliança.
29 Farei durar para sempre a sua
descendência; e, o seu trono, como os dias do céu.
30 Se os seus filhos desprezarem
a minha lei e não andarem nos meus juízos,
31 se violarem os meus preceitos
e não guardarem os meus mandamentos,
32 então, punirei com vara as
suas transgressões e com açoites, a sua iniquidade.
33 Mas jamais retirarei dele a
minha bondade, nem desmentirei a minha fidelidade.
34 Não violarei a minha aliança,
nem modificarei o que os meus lábios proferiram.
35 Uma vez jurei por minha
santidade (e serei eu falso a Davi?):
36 A sua posteridade durará para
sempre, e o seu trono, como o sol perante mim.
37 Ele será estabelecido para
sempre como a lua e fiel como a testemunha no espaço.” (Salmo 89.20- 37)
Nesta passagem do Salmo 89, Deus
fala profeticamente acerca da aliança que faria com os crentes através de Jesus
Cristo.
Note a promessa que é feita
especialmente nos versos 28 a 35.
“1 São estas as últimas palavras
de Davi: Palavra de Davi, filho de Jessé, palavra do homem que foi exaltado, do
ungido do Deus de Jacó, do mavioso salmista de Israel.
2 O Espírito do SENHOR fala por
meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua.
3 Disse o Deus de Israel, a Rocha
de Israel a mim me falou: Aquele que domina com justiça sobre os homens, que
domina no temor de Deus,
4 é como a luz da manhã, quando
sai o sol, como manhã sem nuvens, cujo esplendor, depois da chuva, faz brotar
da terra a erva.
5 Não está assim com Deus a minha
casa? Pois estabeleceu comigo uma aliança eterna, em tudo bem definida e
segura. Não me fará ele prosperar toda a minha salvação e toda a minha
esperança?” (II Samuel 23.1-5)
Estas foram as últimas palavras
proferidas por Davi, antes de morrer, e ele foi levado pelo Espírito a falar do
caráter da Nova Aliança, que seria feita com Jesus Cristo, que descenderia
segundo a carne, da sua casa, da qual se diz no verso 5 que é eterna, e em tudo
bem definida e segura, ou seja, ela foi planejada meticulosamente por Deus para
dar a segurança da eternidade aos aliançados, a saber, aos crentes que
perseveram em Jesus Cristo.
“32 E nós vos anunciamos o
evangelho da promessa, feita aos pais,
33 a qual Deus nos tem cumprido,
a nós, filhos deles, levantando a Jesus, como também está escrito no salmo
segundo: Tu és meu Filho, hoje te gerei.
34 E, que Deus o ressuscitou
dentre os mortos para que jamais voltasse à corrupção, desta maneira o disse: E
cumprirei a vosso favor as santas e fiéis promessas feitas a Davi.” (Atos
13.34)
Este é um dos testemunhos
confirmatórios do Novo Testamento de que as promessas feitas a Davi, se
referiam à aliança que é feita entre Jesus Cristo e os eleitos, e Paulo afirma
expressamente no verso 32, que tal promessa foi a promessa do evangelho que
Deus fizera aos patriarcas de Israel, e neste caso, especificamente a Davi.
Há muitas outras referências na
Bíblia a esta aliança, e também especialmente ao modo como Deus a prometeu
através de Davi, dAquele que viria a descender dele no futuro, e com o qual o
trono de Davi é estabelecido eternamente com todos aqueles que também viverão
eternamente, por estarem aliançados ao Rei Justo que reinará com justiça pelos
séculos dos séculos.
Veja por exemplo, para finalizar,
a repetição da promessa através do profeta Jeremias, cerca de quatrocentos anos
depois de Davi.
“14 Eis que vêm dias, diz o
SENHOR, em que cumprirei a boa palavra que proferi à casa de Israel e à casa de
Judá.
15 Naqueles dias e naquele tempo,
farei brotar a Davi um Renovo de justiça; ele executará juízo e justiça na
terra.
16 Naqueles dias, Judá será salvo
e Jerusalém habitará seguramente; ela será chamada SENHOR, Justiça Nossa.
17 Porque assim diz o SENHOR:
Nunca faltará a Davi homem que se assente no trono da casa de Israel;
18 nem aos sacerdotes levitas
faltará homem diante de mim, para que ofereça holocausto, queime oferta de
manjares e faça sacrifício todos os dias.
19 Veio a palavra do SENHOR a
Jeremias, dizendo:
20 Assim diz o SENHOR: Se
puderdes invalidar a minha aliança com o dia e a minha aliança com a noite, de
tal modo que não haja nem dia nem noite a seu tempo,
21 poder-se-á também invalidar a
minha aliança com Davi, meu servo, para que não tenha filho que reine no seu
trono; como também com os levitas sacerdotes, meus ministros.
22 Como não se pode contar o
exército dos céus, nem medir-se a areia do mar, assim tornarei incontável a
descendência de Davi, meu servo, e os levitas que ministram diante de mim.”
(Jer 33.14-22)
Estas palavras foram proferidas
por Jeremias no Espírito, depois de lhe ter sido revelado qual o efeito prático
de tal aliança que seria firmada conforme a promessa que Deus havia feito a
Davi:
“31 Eis aí vêm dias, diz o
SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá.
32 Não conforme a aliança que fiz
com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do
Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver
desposado, diz o SENHOR.
33 Porque esta é a aliança que
firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente,
lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o
seu Deus, e eles serão o meu povo.
34 Não ensinará jamais cada um ao
seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos
me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei
as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.” (Jer 31.31-34)
Esta promessa é repetida em
várias passagens do Novo Testamento, como por exemplo em Hebreus 8.6-13;
10.15-18.)
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