Silvio Dutra
Jan/2017
“O qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não
da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.” (2
Cor 3.6)
Em qual
sentido e contexto o apóstolo utilizou tais palavras, especialmente a citação
de que a “letra mata”?
Vejamos o próprio contexto
imediato:
2 COR 2
“17 Porque nós não somos
falsificadores da palavra de Deus, como tantos outros; mas é com sinceridade, é
da parte de Deus e na presença do próprio Deus que, em Cristo, falamos.
2 COR 3
1 Começamos outra vez a
recomendar-nos a nós mesmos? Ou, porventura, necessitamos, como alguns, de
cartas de recomendação para vós, ou de vós?
2 Vós sois a nossa carta, escrita
em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens,
3 sendo manifestos como carta de
Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do
Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração.
4 E é por Cristo que temos tal
confiança em Deus;
5 não que sejamos capazes, por
nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de
Deus,
6 o qual também nos capacitou
para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a
letra mata, mas o espírito vivifica.
7 Ora, se o ministério da morte,
gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de
Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa da glória do seu
rosto, a qual se estava desvanecendo,
8 como não será de maior glória o
ministério do espírito?
9 Porque, se o ministério da
condenação tinha glória, muito mais excede em glória o ministério da justiça.
10 Pois na verdade, o que foi
feito glorioso, não o é em comparação com a glória inexcedível.
11 Porque, se aquilo que se
desvanecia era glorioso, muito mais glorioso é o que permanece.
12 Tendo, pois, tal esperança,
usamos de muita ousadia no falar.
13 E não somos como Moisés, que
trazia um véu sobre o rosto, para que os filhos de Israel desvanecia;
14 mas o entendimento lhes ficou
endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto, permanece o mesmo
véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido;
15 sim, até o dia de hoje, sempre
que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles.
16 Contudo, convertendo-se um
deles ao Senhor, é-lhe tirado o véu.
17 Ora, o Senhor é o Espírito; e
onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade.
18 Mas todos nós, com rosto
descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados
de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.
2 COR 4
1 Pelo que, tendo este
ministério, assim como já alcançamos misericórdia, não desfalecemos;
2 pelo contrário, rejeitamos as
coisas ocultas, que são vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a
palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, nós nos recomendamos à
consciência de todos os homens diante de Deus.
3 Mas, se ainda o nosso evangelho
está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto,
4 nos quais o deus deste século
cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do
evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.
5 Pois não nos pregamos a nós
mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor; e a nós mesmos como vossos servos por
amor de Jesus.” (2 Cor 2.7 a 4.5)
Por todo este contexto imediato
somos convencidos de que a afirmação do apóstolo de que a letra mata não se
refere de modo algum à palavra escrita, seja na Bíblia, ou em qualquer escrito
relativo às Escrituras ou mesmo à Igreja e às questões de fé, mas, a referência
aqui é exclusiva ao ministério da Antiga Aliança, ou da dispensação do Velho
Testamento, considerando-se a Lei como regra ou meio de governo da Igreja de
Cristo, ou ainda como forma de aliança com Deus, porque isto é feito
presentemente, pelo evangelho, que é segundo a graça, mediante a fé em Cristo.
Mas, pelo evangelho, se anula a
lei? Antes, é somente por ele que a lei pode ser confirmada, conforme Paulo
registra em Romanos 3.31, porque se a Lei na Antiga Dispensação foi escrita em
tábuas de pedra, e dada ao povo para ser a regra de governo de Israel, na Nova
Dispensação a Lei é escrita nas mentes e nos corações pela habitação do
Espírito Santo.
Daí a citação do apóstolo de que
a letra, ou ministério da morte ou da condenação, possuía uma glória inferior à
do ministério da justiça ou do Espírito, que vivifica, ou seja, que gera a vida
eterna.
Qual a razão desta citação?
Simplesmente porque a Lei não foi
dada para salvar o pecador porque sem o concurso da graça de Deus pelo poder do
Espírito, ela nada pode fazer neste sentido, senão apenas nos convencer que
somos pecadores, e nos deixa aí, ainda impotentes e sem a vida que está em
Cristo Jesus.
Deve ser considerado também que
sob a Antiga Aliança, todo aquele que cometesse delitos graves deveria ser
sentenciado à morte física pelos juízes de Israel na condição de guardiões da
Lei, pois esta assim o exigia. Mas,
debaixo da graça do evangelho, na Nova Aliança com Cristo, o crente está
livrado da maldição e da condenação da Lei, porque o próprio Jesus se fez
maldição no nosso lugar.
Assim, no ministério que é
segundo a justiça do evangelho, no qual o próprio Cristo é a nossa justiça,
podemos receber a vida eterna da parte de Deus, porque sendo justificados e
livrados da condenação justa da Lei, podemos viver em novidade de vida em
comunhão com Cristo Jesus. Por isso há esse contraste entre a Lei e a Graça,
pois a primeira exerce o ministério de condenar para a morte aquele que
transgredir a um só de seus mandamentos, e a Graça, ao contrário exerce o
ministério de perdoar e justificar para a vida.
Agora, devemos considerar as
várias implicações de uma incorreta compreensão desta afirmação do apóstolo de
que a letra mata, pois, conforme dizer de D. M. Lloyd Jones, não há ninguém que
seja mais perigoso para a instrução da Igreja de Cristo do que o ministro que é
sincero, mas ignorante, porque ele apanhará porções das Escrituras e as
interpretará fora de seu verdadeiro contexto, e assim, fatalmente ensinará
coisas que em vez de afirmarem a verdade, podem ensinar justamente o oposto a
ela - conforme é comum de ocorrer com esta citação já referida do apóstolo.
Disso decorre muita aversão à
leitura, pela noção incorreta de que ler mata a vida espiritual, porque é dito
que “a letra mata”.
E certas porções das Escrituras,
também tomadas fora do seu contexto podem contribuir para reforçar este modo
errôneo de interpretá-las, como por exemplo as seguintes citações do próprio
apóstolo Paulo:
“17 Tenho, portanto, motivo para
me gloriar em Cristo Jesus, nas coisas concernentes a Deus;
18 porque não ousarei falar de
coisa alguma senão daquilo que Cristo por meu intermédio tem feito, para
obediência da parte dos gentios, por palavra e por obras,
19 pelo poder de sinais e
prodígios, no poder do Espírito Santo; de modo que desde Jerusalém e arredores,
até a Ilíria, tenho divulgado o evangelho de Cristo;
20 deste modo esforçando-me por
anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar
sobre fundamento alheio;”
Observe que ao falar neste texto
que Deus confirmava a Palavra pregada por meio de sinais e prodígios no verso
19, o apóstolo diz no verso anterior (18) que o seu ministério consistia
naquilo que Cristo fazia por intermédio dele entre os gentios, quer por palavras, quer por obras.
Havia um ensino do evangelho por
meio de palavras, não persuasivas de sabedoria humana, mas as palavras
abundantes de sabedoria da revelação bíblica, conforme ensinadas pelo Espírito
Santo à Igreja.
“17 Por isso mesmo vos enviei Timóteo, que é
meu filho amado, e fiel no Senhor; o qual vos lembrará os meus caminhos em
Cristo, como por toda parte eu ensino em
cada igreja.
18 Mas alguns andam inchados,
como se eu não houvesse de ir ter convosco.
19 Em breve, porém, irei ter
convosco, se o Senhor quiser, e então conhecerei, não as palavras dos que andam
inchados, mas o poder.
20 Porque o reino de Deus não
consiste em palavras, mas em poder.
21 Que quereis? Irei a vós com
vara, ou com amor e espírito de mansidão?” (I Coríntios 4.17-21)
Este texto é também muito
utilizado para basear o argumento dos ignorantes que são contra a leitura e o
conhecimento, pois é dito pelo apóstolo que “o reino de Deus não consiste em
palavras, mas em poder.” Agora, perguntemos que palavras são estas? O próprio
contexto responde dizendo: “as palavras dos que andam inchados”, de quem o
apóstolo queria conhecer o poder que eles alegavam possuir. Eram palavras de
orgulhosos que afirmavam coisas contrárias à sã doutrina, e que assim não
poderiam edificar de modo algum o povo de Deus, e também não possuírem qualquer
poder real na ministração do evangelho, uma vez que o Espírito Santo autentica
e concede o Seu poder onde somente a verdade é pregada e ensinada.
“3 Se alguém ensina alguma
doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus
Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade,
4 é soberbo, e nada sabe, mas
delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas,
porfias, injúrias, suspeitas maliciosas,
5 disputas de homens corruptos de
entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro;
6 e, de fato, é grande fonte de
lucro a piedade com o contentamento.” (I Timóteo 6.3-6)
Outra passagem que é usada para
tentar afirmar que a letra mata é a seguinte:
“1 E eu, irmãos, quando fui ter
convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de
palavras ou de sabedoria.
2 Porque nada me propus saber
entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.
3 E eu estive convosco em
fraqueza, e em temor, e em grande tremor.
4 A minha linguagem e a minha
pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração
do Espírito de poder;
5 para que a vossa fé não se
apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.”
O que foi explicado anteriormente
se aplica também a esta passagem das Escrituras, mas convém destacar que o
apóstolo diz ter usado uma linguagem em sua pregação que não consistia em
palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em palavras que saiam de sua boca
conforme a inspiração, unção e ensino do Espírito Santo. Convém lembrar que
muito dessas palavras não consistiam em revelações frescas de uma verdade nova,
porque o próprio apóstolo afirma que todo o seu ensino era segundo o que havia
aprendido previamente de Jesus Cristo e do Espírito Santo.
Ele se refere à sua própria
fraqueza, temor e tremor, para que falasse de acordo com a verdade, exatamente
como ela havia sido ensinada por Cristo e pelo Espírito Santo.
Diz-se de Lutero que ele chegava
a ter febre quando se preparava para pregar e durante a própria pregação por
temer falar alguma coisa que contrariasse a verdade revelada por Deus. De
maneira que dedicou-se intensamente a conhecer a Palavra por meio de um estudo
aplicado, para se prevenir de qualquer erro em sua ministração.
A sublimidade de palavras citadas
no texto pelo apóstolo, é uma referência às palavras de mera eloquência humana
que procuram convencer os ouvintes por argumentos persuasivos, e não pela
exposição da exata interpretação da Palavra de Deus.
Por toda esta exposição podemos
ver claramente que não é o fato de ter a mente cheia de conhecimento relativo à
verdade adquirido através de leitura ou audição das coisas relativas à Palavra
Deus que é condenado por Deus, ao contrário é recomendado e muito necessário
para o nosso crescimento espiritual, mas o que
condenado é encher a mente carnal de conhecimento também carnal, pois
este para nada contribui para a edificação na verdade, antes a destrói.
Daí serem tantas as repreensões
na Palavra de Deus contra aqueles que andam inchados em sua compreensão carnal.
Mas, bendito seja Deus por
levantar mestres idôneos para o ensino da Igreja, como foram os apóstolos e
tantos outros ao longo da história da Igreja, de modo que jamais nos desviemos
da verdade.
O texto a seguir é uma
comprovação do que temos afirmado:
“11 Pois, qual dos homens entende as coisas do
homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus,
ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus.
12 Ora, nós não temos recebido o
espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de
compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus;
13 as quais também falamos, não
com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo
Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais.
14 Ora, o homem natural não
aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode
entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (I Cor 1.11-14)
É evidente, que a simples leitura
da Palavra de Deus ou de textos relativos à Sua Palavra, não podem produzir o
efeito espiritual esperado caso não sejam meditadas com espírito de reverência
e em dependência do Espírito Santo, em busca de uma real consagração, porque é
assim que a palavra escrita se torna espírito e vida, sendo aplicada às nossas
mentes e corações.
Por falta deste requisito, não
apenas o apóstolo sentia uma grande dificuldade para ensinar os crentes carnais
de Corinto, do mesmo modo que nosso Senhor Jesus Cristo sentiu em relação aos
apóstolos nos dias do Seu ministério terreno, pois não haviam ainda sido
batizados pelo Espírito Santo – o intérprete da Palavra - mas lhes garantiu que
eles seriam conduzidos a toda a verdade depois que recebessem o Espírito.
“1 E eu, irmãos não vos pude
falar como a espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo.
2 Leite vos dei por alimento, e
não comida sólida, porque não a podíeis suportar; nem ainda agora podeis;
3 porquanto ainda sois carnais;
pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não
estais andando segundo os homens?” (I Cor 2.1-3)
“12 Ainda tenho muito que vos
dizer; mas vós não o podeis suportar agora.
13 Quando vier, porém, aquele, o
Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si
mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras.
14 Ele me glorificará, porque
receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.” (João 16.12-14)
Então, é necessária a ação
conjunta da leitura e meditação da Palavra, e do poder do Espírito Santo na aplicação
da Palavra ao nosso coração.
Mas, como que para nos ensinar a
nossa dependência do trabalho dos diversos membros no corpo de Cristo, na sua
justa cooperação em demonstração de amor, Deus levantou apóstolos, profetas,
evangelistas, pastores e mestres, para o propósito definido pelo apóstolo em
Efésios 4.11-21:
“11 E ele deu uns como apóstolos,
e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e
mestres,
12 tendo em vista o
aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo
de Cristo;
13 até que todos cheguemos à
unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de varão
perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo;
14 para que não mais sejamos
meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela
fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro;
15 antes, seguindo a verdade em
amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,
16 do qual o corpo inteiro bem
ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de
cada parte, efetua o seu crescimento para edificação de si mesmo em amor.
17 Portanto digo isto, e
testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na verdade
da sua mente,
18 entenebrecidos no
entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela
dureza do seu coração;
19 os quais, tendo-se tornado
insensíveis, entregaram-se à lascívia para cometerem com avidez toda sorte de
impureza.
20 Mas vós não aprendestes assim
a Cristo.
21 se é que o ouvistes, e nele
fostes instruídos, conforme é a verdade em Jesus,” (Efe 4.11-21)
Não há algo que Deus preze mais
do que a Sua Palavra, porque ela é a verdade e a expressão exata da Sua Pessoa
e Caráter.
Desta forma, como poderíamos
agradar a Deus, sem o conhecimento e prática da Sua Palavra?
Como poderíamos aprendê-la sem um
verdadeiro espírito de submissão, obediência e mansidão? O apóstolo Tiago diz
que devemos receber com mansidão a Palavra de Deus implantada em nós. Afinal, o
doador da Palavra é manso e humilde de coração.
O que não aproveita para a nossa
regeneração e santificação não é a letra da Palavra, e não será por lê-la que
morreremos espiritualmente. Horrível pensamento em relação a uma Palavra, que
mesmo na parte relativa à Lei de Moisés, é santa, justa e boa!
O que mata é a carne, conforme
dito por Jesus, pois as suas palavras são espirito e vida, elas são o pão vivo que
desceu do céu pelo qual alimentamos o nosso espírito, pois também é dito que
“vivemos de toda palavra que procede da boca de Deus”.
“O espírito é o que vivifica, a
carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são
vida.” (João 6.63)
“Santifica-os na verdade, a tua
palavra é a verdade.” (João 17.17)
Não há verdadeira santificação
sem a instrumentalidade da Palavra de Deus aplicada à vida. Pois, como
poderíamos andar na verdade sem conhecê-la? Por isso somos ordenados a não
somente crescer na graça, mas no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. E como
isto é feito, senão e principalmente pelo avanço gradual e progressivo no
conhecimento da verdade revelada nas Escrituras, na forma exata como ela está
em Jesus?
Ninguém se iluda pensando que tem
feito progresso em santificação, em crescimento espiritual genuíno, quando lhe
falta este conhecimento do verdadeiro significado da revelação em seus diversos
aspectos. Uma vez que é dito que Deus nos santificará segundo à medida da
verdade, que é a Sua Palavra, aplicada em nossas mentes e corações. Esta
aplicação será manifestada na transformação da nossa vida, à semelhança da
pessoa e caráter do próprio Cristo.
Esta é a razão do grande peso que
é colocado sobre a importância do ensino correto das Escrituras, porque é por
meio dele somente que se pode fazer progresso em santificação, sem a qual
ninguém verá o Senhor.
“9 Todo aquele que vai além do ensino de Cristo e
não permanece nele, não tem a Deus; quem permanece neste ensino, esse tem tanto
ao Pai como ao Filho.
10 Se alguém vem ter convosco, e
não traz este ensino, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis.
11 Porque quem o saúda participa
de suas más obras.” (2 João 9-11)
“Porquanto, tudo que dantes foi escrito, para nosso
ensino foi escrito, para que, pela constância e pela consolação provenientes
das Escrituras, tenhamos esperança.” (Romanos 15.4)
“3 Se alguém ensina alguma
doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus
Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade,
4 é soberbo, e nada sabe, mas
delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas,
porfias, injúrias, suspeitas maliciosas,
5 disputas de homens corruptos de
entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro;
6 e, de fato, é grande fonte de
lucro a piedade com o contentamento.” (I Timóteo 6.3-6)
É doloroso para o Espírito Santo,
que inspirou homens santos para a produção das Escrituras, e também para nós,
ouvir referências à letra da Palavra de Deus como sendo algo desprezível e que
mata o espírito.
Que grande pecado abominável
cometemos contra Deus e contra a Sua Palavra que nos foi entregue com palavras
escolhidas de sua própria boca, conforme foram transmitidas aos corações
daqueles que ele chamou para escrevê-las e aos quais santificou para tal
propósito.
O próprio apóstolo Paulo, por
conta da grande sabedoria que lhe fora dada pelo próprio Senhor, é usado
indevidamente em suas palavras pelos indoutos que as distorcem para a própria
destruição deles, por interpretá-las fora do contexto de todos os escritos do
referido apostolo, bem como de todo o conjunto das Escrituras.
Paulo, mais do que ninguém, amava
a Palavra de Deus, amava a Lei do Senhor, e se aplicava a viver segundo toda a
Lei de Cristo, na qual estava abrangida a Lei moral de Moisés, porque Jesus não
veio revogar a Lei, mas cumpri-la.
Veja o que diz o próprio apóstolo
em relação a isto:
“Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na
lei de Deus;” (Romanos 7.22)
“16 Toda Escritura é divinamente inspirada e
proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em
justiça;
17 para que o homem de Deus seja
perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.” (II Tim 3.16,17)
“14 Tu, porém, permanece naquilo
que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido,
15 e que desde a infância sabes
as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela que há em
Cristo Jesus.” (2 Timóteo 3.14,15)
É importante destacar para a
confrontação com a afirmação “a letra mata”, que aqui o mesmo apóstolo diz que
as sagradas letras podem nos tornar
sábios para a salvação.
Veja também o testemunho do
apóstolo Pedro sobre a palavra revelada por Deus:
“19 E temos ainda mais firme a
palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que
alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em
vossos corações;
20 sabendo primeiramente isto:
que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.
21 Porque a profecia nunca foi
produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram
movidos pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1.19-21)
“13 Nós, porém, segundo a sua
promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça.
14 Pelo que, amados, como estais
aguardando estas coisas, procurai diligentemente que por ele sejais achados
imaculados e irrepreensíveis, e em paz;
15 e tende por salvação a
longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos
escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada;
16 como faz também em todas as
suas epístolas, nelas falando acerca destas coisas, nas quais há pontos
difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, como o fazem
também com as outras Escrituras, para sua própria perdição.
17 Vós, portanto, amados, sabendo
isto de antemão, guardai-vos de que pelo engano dos homens perversos sejais
juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza;
18 antes crescei na graça e no
conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória,
assim agora, como até o dia da eternidade.” (2 Pedro 3.13-18)
Glórias e graças sejam dadas a
Deus pela Sua Palavra, e por nos ter dado ministérios para nos ajudarem na sua
compreensão, de modo a podermos aplicá-la na sua correta interpretação às
nossas vidas.
Sou muito grato ao Senhor por ter
levantado, especialmente no passado, homens sábios que nos transmitiram os seus
oráculos de maneira santa e piedosa, com grande entendimento espiritual, em
poderosas mentes que haviam recebido dEle para poderem bem expressar as
palavras da vida para o nosso entendimento.
Muitos podem ser destacados como
os puritanos, John Angell James, J. C. Philpot, George Everard, e muitos
outros, que nos faltaria o espaço necessário para citá-los. Como tenho
aprendido sobre Cristo e sua vontade através do que escreveram estes eminentes
servos de Deus!
De modo que a fé que me move vem
por ler e ouvir esta palavra abençoada que procede do trono de Deus para
vivificar o nosso espírito, e a nos conduzir aos caminhos do Senhor.
Especialmente quando é assim
pregada, ensinada, comentada, inclusive pela forma escrita, a Palavra salta das
Escrituras como espírito e vida, pois é através de vidas renovadas que ela deve
ser apresentada aos seus ouvintes ou leitores.
“8 Mas que diz? A palavra está
perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé, que
pregamos.
9 Porque, se com a tua boca
confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou
dentre os mortos, será salvo;
10 pois é com o coração que se
crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.
11 Porque a Escritura diz:
Ninguém que nele crê será confundido.
12 Porquanto não há distinção
entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os
que o invocam.
13 Porque: Todo aquele que
invocar o nome do Senhor será salvo.
14 Como pois invocarão aquele em
quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como
ouvirão, se não há quem pregue?
15 E como pregarão, se não forem
enviados? assim como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam coisas
boas!” (Romanos 10.8-15)
“17 Tenho, portanto, motivo para
me gloriar em Cristo Jesus, nas coisas concernentes a Deus;
18 porque não ousarei falar de
coisa alguma senão daquilo que Cristo por meu intermédio tem feito, para
obediência da parte dos gentios, por palavra e por obras,
19 pelo poder de sinais e
prodígios, no poder do Espírito Santo; de modo que desde Jerusalém e arredores,
até a Ilíria, tenho divulgado o evangelho de Cristo;
20 deste modo esforçando-me por
anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar
sobre fundamento alheio;
21 antes, como está escrito:
Aqueles a quem não foi anunciado, o verão; e os que não ouviram, entenderão.”
(Romanos 15.17-21)
Sem fé não é possível entender e
praticar a Palavra. E sem a pregação e ensino da Palavra não é possível haver a
verdadeira fé transformadora de vidas.
Bendita palavra escrita de Deus,
que continua sendo como sempre foi, o que ele diz pela boca do profeta Jeremias:
“Não é a minha palavra como fogo, diz o Senhor, e como um martelo que esmiúça a
pedra?”
“1 Estes, pois, são os
mandamentos, os estatutos e os preceitos que o Senhor teu Deus mandou
ensinar-te, a fim de que os cumprisses na terra a que estás passando: para a
possuíres;
2 para que temas ao Senhor teu
Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te ordeno, tu, e
teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida, e para que se
prolonguem os teus dias.
3 Ouve, pois, ó Israel, e atenta
em que os guardes, para que te vá bem, e muito te multipliques na terra que
mana leite e mel, como te prometeu o Senhor Deus de teus pais.
4 Ouve, ó Israel; o Senhor nosso
Deus é o único Senhor.
5 Amarás, pois, ao Senhor teu
Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.
6 E estas palavras, que hoje te
ordeno, estarão no teu coração;
7 e as ensinarás a teus filhos, e
delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao
levantar-te.
8 Também as atarás por sinal na
tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos;
9 e as escreverás nos umbrais de
tua casa, e nas tuas portas.” (Deuteronômio 6.1-9)
“Os anciãos que governam bem sejam tidos por dignos
de duplicada honra, especialmente os que labutam na pregação e no ensino.” (I
Tim 5.17)
“19 Portanto ide, fazei discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
20 ensinando-os
a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou
convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (Mateus 28.19,20)
“97 Oh! quanto amo a tua lei! ela é a minha
meditação o dia todo.
98 O teu mandamento me faz mais sábio do que meus
inimigos, pois está sempre comigo.
99 Tenho mais entendimento do que todos os meus
mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação.
100 Sou mais entendido do que os velhos, porque
tenho guardado os teus preceitos.
101 Retenho os meus pés de todo caminho mau, a fim
de observar a tua palavra.
102 Não me aperto das tuas ordenanças, porque és tu
quem me instrui.
103 Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu
paladar! mais doces do que o mel à minha boca.
104 Pelos teus preceitos alcanço entendimento, pelo
que aborreço toda vereda de falsidade.
105 Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz
para o meu caminho.
106 Fiz juramento, e o confirmei, de guardar as
tuas justas ordenanças.
107 Estou aflitíssimo; vivifica-me, ó Senhor,
segundo a tua palavra.
108 Aceita, Senhor, eu te rogo, as oferendas
voluntárias da minha boca, e ensina-me as tuas ordenanças.
109 Estou continuamente em perigo de vida; todavia
não me esqueço da tua lei.
110 Os ímpios me armaram laço, contudo não me
desviei dos teus preceitos.
111 Os teus testemunhos são a minha herança para
sempre, pois são eles o gozo do meu coração.
112 Inclino o meu coração a cumprir os teus
estatutos, para sempre, até o fim.
113 Aborreço a duplicidade, mas amo a tua lei.
114 Tu és o meu refúgio e o meu escudo; espero na
tua palavra.
115 Apartai-vos de mim, malfeitores, para que eu
guarde os mandamentos do meu Deus.” (Salmo 119.97-115)
“7 A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma;
o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos simples.
8 Os preceitos do Senhor são retos, e alegram o
coração; o mandamento do Senhor é puro, e alumia os olhos.
9 O temor do Senhor é limpo, e permanece para
sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos.
10 Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que
muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o que goteja dos favos.
11 Também por eles o teu servo é advertido; e em os
guardar há grande recompensa.” (Salmo 19.7-11)
“1 Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que
há em Cristo Jesus;
2 e o que de mim ouviste de muitas testemunhas,
transmite-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.”
(2 Tim 2.1,2)
“Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo,
segundo a fé dos eleitos de Deus, e o pleno
conhecimento da verdade que é segundo a piedade.” (Tito 1.1)
“5 E por isso mesmo vós, empregando toda a
diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude o conhecimento,
6 e ao conhecimento o domínio próprio, e ao domínio
próprio a perseverança, e à perseverança a piedade,
7 e à piedade a fraternidade, e à fraternidade o
amor.
8 Porque, se em vós houver e abundarem estas
coisas, elas não vos deixarão ociosos nem infrutíferos no pleno conhecimento de
nosso Senhor Jesus Cristo.” (2 Pedro 1.5-8)
“28 Então a mim clamarão, mas eu não responderei;
diligentemente me buscarão, mas não me acharão.
29 Porquanto aborreceram o conhecimento, e não
preferiram o temor do Senhor;” (Provérbios 1.28,29)
“Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca
procedem o conhecimento e o entendimento;” (Provérbios 2.6)
“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta
o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei,
para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do
teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” (Oseias 4.6)
“Pois os lábios do sacerdote devem guardar o
conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é
o mensageiro do Senhor dos exércitos.” (Malaquias 2.7)
“1 Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus,
que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a
Deus, que é o vosso culto racional.
2 E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos
pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa,
agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Rom 12.1,2)
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