Por Silvio Dutra
“Mas em certo lugar testificou alguém, dizendo: Que é o homem,
para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites?
Tu o fizeste,
por um pouco, menor que os anjos, De glória e de honra o coroaste, E o
constituíste sobre as obras das tuas mãos;
Todas as
coisas lhe sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas
as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos
que todas as coisas lhe estejam sujeitas.
Vemos, porém,
coroado de glória e de honra aquele que fora feito por um pouco, tendo sido
feito menor do que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, para que,
pela graça de Deus, provasse a morte por todos.
Porque convinha
que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe,
trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da
salvação deles.” (Hebreus 2:6-10)
Estas
palavras indicam que Jesus teria que ser feito por um certo período de tempo,
menor do que os anjos, para que como homem, pudesse operar a nossa salvação.
Neste espaço
de tempo relativo ao seu ministério terreno, ele estaria esvaziado de sua
glória divina, de seus ofícios de Rei e Juiz, junto ao Pai, para exercer somente
os ofícios de Profeta e Sacerdote, fazendo-se a si mesmo, também o Sacrifício
pelo qual seriam expiados os nossos pecados.
Importava que
assim fosse, porque fora ajustado no conselho eterno, na Trindade, que a
redenção do homem somente poderia ser feita por alguém que fosse perfeito
homem, e perfeito Deus, sem pecado, e com a condição de reassumir toda a
autoridade e poder de Juiz e Senhor, uma vez completada a obra da expiação, que
deveria ser realizada pelo ofício de um Cordeiro, e não pelo de um Leão.
Isto explica
porque não vemos no ministério terreno de Jesus, qualquer ação da sua parte,
para julgar e ferir os pecadores, por causa de suas ofensas. Ele estava
limitado à obra que deveria realizar enquanto estivesse no corpo aqui na Terra,
e esta obra lhe fora delimitada quanto ao território em que deveria agir, a
saber, somente em Israel, porque segundo as profecias Ele fora enviado como
Messias para efetuar a redenção do povo de Israel.
“Porque o
Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” (Lucas 19:10)
“E, na
verdade, o Filho do homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele
homem por quem é traído!” (Lucas 22:22)
“E, como
Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja
levantado;” (João 3:14)
“Bem como o
Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua
vida em resgate de muitos.” (Mateus 20:28)
“Ele foi
oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao
matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não
abriu a sua boca.“ (Isaías 53:7)
“Não clamará,
não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça.” (Isaías 42:2)
“Não
contenderá, nem clamará, Nem alguém ouvirá pelas ruas a sua voz;” (Mateus 12:19)
“E ele,
respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de
Israel.” (Mateus 15:24)
Na humilhação
da sua encarnação e ministração como homem e servo, na condição de Filho do
Homem, a serviço dos homens, ele sabia que isto deveria culminar com a Sua morte
na cruz, para ocupar o lugar daqueles que lá deveriam estar por causa dos seus
pecados.
A falta da
devida compreensão desta verdade pode fazer com que permaneçamos tendo
pensamento acerca de Jesus, como sendo ainda o menino desamparado nos braços de
Maria, como se ele ainda necessitasse dos nossos próprios cuidados e serviços.
O menino era
ao mesmo tempo o Rei dos reis e Senhor dos Senhores, conforme haveria de ser
revelado pelo tempo, tão logo ressuscitasse dos mortos e subisse ao Céu num
corpo glorificado, com a mesma glória que sempre tivera desde antes da fundação
do mundo com o Pai e o Espírito Santo.
Este é o
testemunho que o apóstolo dá acerca de Cristo:
“Havendo Deus
antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,
a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, A quem constituiu herdeiro de
tudo, por quem fez também o mundo.
O qual, sendo
o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando
todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a
purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;
Feito tanto
mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.
Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra
vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?
E outra vez,
quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.
E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros
labareda de fogo. Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos
séculos dos séculos; Cetro de equidade é o cetro do teu reino.
Amaste a
justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de
alegria mais do que a teus companheiros.
E: Tu, Senhor,
no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos.
Eles
perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão,
E como um
manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não
acabarão. E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que
ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?
Não são
porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor
daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hebreus 1:1-14)
A palavra de anunciação
dos anjos aos pastores em Belém, inclui apropriadamente que o menino que havia
nascido em Belém, era o Cristo, o Messias prometido, e que também era o Senhor
eterno.
“Pois, na
cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” (Lucas
2:11)
Sua glória,
majestade e domínio estavam velados e limitados por seu ofício terreno, e era
visto então como o Cordeiro que era, pronto para dar a sua vida em resgate de
muitos, do mesmo modo como eram oferecidos os cordeiros que o tipificavam no
culto do Velho Testamento.
“No dia
seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus,
que tira o pecado do mundo.” (João 1:29)
Mas, tão logo
chegou em grande glória ao céu, depois de Sua ascensão, Ele é visto agora não
somente como Cordeiro, mas também como o Leão na plenitude do exercício de todo
o seu domínio e autoridade sobre os vivos, os mortos e todas as nações.
“E disse-me
um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi,
que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos.” (Apocalipse 5:5)
“E olhei, e
eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os
anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos,
que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra.” (Apocalipse 5:6)
À própria
Igreja, que dá continuidade ao Seu ofício de Cordeiro, apresentando o Seu
sacrifício, como o único meio da reconciliação do homem com Deus, Ele deu
também o ofício de julgar, pelo Espírito, desde que Ele recebeu toda a
autoridade no céu e na terra para julgar os vivos e os mortos.
A ela deu
autoridade para excluir da comunhão dos santos todo aquele que permanecer
deliberadamente na prática do pecado, recusando-se ao arrependimento; de
maneira que deu-lhe o poder de desligar na terra tudo o que for desligado no céu,
ao lado do poder de ligar aquilo que foi ligado.
Isto explica
o juízo que veio sobre Ananias e Safira:
“Mas um certo
homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade,
E reteve
parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou
aos pés dos apóstolos.
Disse então
Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao
Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade?
Guardando-a
não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este
desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.
E Ananias,
ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os
que isto ouviram.
E,
levantando-se os moços, cobriram o morto e, transportando-o para fora, o
sepultaram.
E, passando
um espaço quase de três horas, entrou também sua mulher, não sabendo o que
havia acontecido.
E disse-lhe
Pedro: Dize-me, vendestes por tanto aquela herdade? E ela disse: Sim, por
tanto.
Então Pedro
lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do
Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te
levarão a ti.
E logo caiu
aos seus pés, e expirou. E, entrando os moços, acharam-na morta, e a sepultaram
junto de seu marido.
E houve um
grande temor em toda a igreja, e em todos os que ouviram estas coisas.” (Atos
5:1-11)
Os juízos que
estavam ocorrendo na Igreja de Corinto, também demonstram o exercício do ofício
do Senhor como Juiz:
“27 De modo que qualquer que comer do pão, ou beber
do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
28 Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim
coma do pão e beba do cálice.
29 Porque quem come e bebe, come e bebe para sua
própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor.
30 Por causa disto há entre vós muitos fracos e
enfermos, e muitos que dormem.
31 Mas, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não
seríamos julgados;
32 quando, porém, somos julgados pelo Senhor, somos
corrigidos, para não sermos condenados com o mundo.” (I Cor 11.27-32)
São também
dignos de destaque os juízos ameaçadores do Senhor Jesus, até mesmo de morte
física para crentes de Tiatira que estavam andando de modo desordenado:
“20 Mas tenho
contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e
seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a
ídolos;
21 e dei-lhe
tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua
prostituição.
22 Eis que a
lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com
ela, se não se arrependerem das obras dela;
23 e ferirei
de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que
esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas
obras.
24 Digo-vos,
porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta
doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga
vos não porei;
25 mas o que
tendes, retende-o até que eu venha.
26 Ao que
vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade
sobre as nações,
27 e com vara
de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro,
assim como eu recebi autoridade de meu Pai;” (Apo 2.20-27).
Vemos a
autoridade destes juízos sendo exercida até mesmo contra pessoas fora da
Igreja, conforme direção do Espírito Santo, em nome de Jesus, como o que vemos
por exemplo na seguinte passagem:
“E, havendo
atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu mágico, falso profeta,
chamado Barjesus,
O qual estava
com o procônsul Sérgio Paulo, homem prudente. Este, chamando a si Barnabé e
Saulo, procurava muito ouvir a palavra de Deus.
Mas resistia-lhes
Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome), procurando
apartar da fé o procônsul.
Todavia
Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo, e fixando os olhos
nele,
Disse: Ó
filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a
justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?
Eis aí, pois,
agora contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo.
E no mesmo instante a escuridão e as trevas caíram sobre ele e, andando à roda,
buscava a quem o guiasse pela mão.
Então o
procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do
Senhor.” (Atos 13:6-12)
Por eles, o
Rei revela o Seu poder e glória. A Sua Majestade e Soberania.
Quem pode
resistir-Lhe?
A quem
pertence de fato o domínio, o governo e o poder, senão somente a Cristo!
A Ele estão
sujeitos principados e potestades, sejam do bem ou do mal.
Então, não
devemos confundir a humilhação que foi necessária ao Senhor em Seu ministério
terreno para que pudesse ser feita a expiação dos nossos pecados, com o estado
de exaltação perfeita no qual Ele se encontra desde que subiu ao céu em glória.
Quando disse:
“E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu
vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.” (João 12.47), e “Eu não
posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é
justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.” (João
5:30); não devemos interpretá-las como se Ele ainda não julgasse quem não crer
nEle no presente. Ele continua com seu
ofício de salvar o mundo até o fim desta dispensação da graça, mas já não mais
apenas como o Cordeiro mudo que não abriu a sua boca e nem fez ouvir a sua voz nas praças, contendendo
para fazer prevalecer o seu domínio e poder, até mesmo sobre os contradizentes.
Ele era
apenas o Cordeiro em seu ministério terreno, e isto é visto inclusive nas suas
ações mais enérgicas em Seu ministério terreno, como a da expulsão dos
vendilhões do templo; das palavras ameaçadoras dirigidas aos escribas e
fariseus hipócritas, e a todos aqueles que viam nele apenas um mensageiro da paz
para os homens de toda e qualquer condição, Ele estava na verdade não usando de
juízos, mas de grande misericórdia em alertar-lhes quanto ao grande perigo de
permanecerem no pecado e o rejeitarem como o Messias enviado por Deus.
“E disse-lhe
Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os
que veem sejam cegos.” (João 9:39)
“Não cuideis
que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada;” (Mateus 10:34)
“De sorte que
haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
Que, sendo em
forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si
mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na
forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de
cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é
sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que
estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
E toda a
língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.” (Filipenses
2:5-11)
Jesus nunca
escondeu a Sua condição de ser o eterno Senhor, mesmo em sua humilhação quando
esteve aqui na terra, pois sempre reivindicou o Seu senhorio, conforme pode ser
visto em várias passagens das Escrituras, mesmo quando agia como o mais humilde
servo, quando lavou os pés dos apóstolos.
“Vós me chamais Mestre e Senhor; e
dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e
Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.” (João
13:14)
“E deu-lhe o
poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem.” (João 5:27). Por estas
palavras o Senhor alertava os Seus ouvintes de que aquele que lhes dissera que
a ninguém julgava, pois estava apenas empenhado na salvação dos pecadores, e
não no seu juízo, quando estava aqui na Terra, era o mesmo que se levantaria
também depois da Sua morte e ressurreição como Senhor e Juiz do mundo, e este
ofício será plena e especialmente demonstrado no dia do Juízo final.
Eles fariam a
bem de suas próprias almas reconhecer esta autoridade suprema, e se submeterem
a Ele, em vez de ficarem contraditando-o, como vinham fazendo, sobretudo os
escribas e fariseus.
“Porque o
Filho do homem até do sábado é Senhor.” (Mateus 12:8)
Este senhorio
de Jesus é visto principalmente no modo da conversão.
Ninguém pode
vir a Ele caso isto não seja concedido por Sua soberania e vontade.
Quantos
permanecem debaixo da pregação do verdadeiro evangelho, por vezes, até por anos
seguidos, e contudo, não chegam à conversão. Não por alguma falta na mensagem
ou no pregador, mas porque se o Senhor não agir para abrir os olhos e ouvidos
espirituais de alguém, tal pessoa não pode receber a verdade que salva e
liberta em seu coração.
A outros é
concedido que se convertam sob a primeira audição da verdade do evangelho,
quando Deus prepara as circunstâncias necessárias para que isto ocorra com
eles.
A parte do
pregador é apenas a de apresentar a verdade das Escrituras na unção do
Espírito, mas o resultado que daí decorrerá está sob a esfera da autoridade
exclusiva do Senhor.
A salvação é
exclusivamente do Senhor (Jonas 2.9; Ef 2.8).
“Pois diz a
Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu
tiver misericórdia.
Assim, pois,
isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.
Porque diz a
Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder,
e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.
Logo, pois,
compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer.” (Romanos 9:15-18)
A salvação não depende de
quem quer e nem de quem se esforça (corre) para obtê-la, porque não está na
esfera da deliberação humana produzi-la. Bem fez o publicano que apelou para a
misericórdia do Senhor, e com ele o cego Bartimeu, que agiu de igual modo, e
foram salvos, do que valer-se de seus próprios esforços religiosos e justiça
pessoal, como fez o fariseu orgulhoso que não foi justificado por Deus (salvo).
Muitos se
iludem pensando que se arrependeram para a salvação pelo mero fato de terem se
entristecido por algo de errado que fizeram, e por terem confessado o seu pecado
a Deus. Todavia, isto não passa muitas vezes de tristeza consigo mesmo, pelo
fato de ter sentido o seu orgulho ferido, porque em sua justiça própria
lamentaram terem errado, como se houvesse neles alguma capacidade para vencerem
o mal que habita inerentemente na nossa natureza terrena carnal, em que não
habita bem algum.
O publicano
que foi justificado por Deus não se entristeceu por ter eventualmente pecado,
mas se entristeceu e se arrependeu de sua condição à qual chamou de “mísero
pecador”.
Ele sentiu a
sua culpa e condenação permanentes diante de um Deus que é inteiramente Santo e
Justo, e sabia que não havia qualquer esperança para ele senão exclusivamente
ser perdoado por Deus mediante a redenção do Salvador.
Somos
justificados somente por fé, porque a salvação não é por obras, mas por graça,
por misericórdia, que é manifestada por Deus para míseros pecadores que se
arrependem e confiam nos méritos do Senhor e Salvador para serem livrados da
condenação eterna.
“Como também
diz em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; E amada à que não era
amada.
E sucederá
que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; Aí serão chamados
filhos do Deus vivo.
Também Isaías
clama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a
areia do mar, o remanescente é que será salvo.
Porque ele
completará a obra e abreviá-la-á em justiça; porque o Senhor fará breve a obra
sobre a terra.
E como antes
disse Isaías: Se o Senhor dos Exércitos nos não deixara descendência, Teríamos
nos tornado como Sodoma, e teríamos sido feitos como Gomorra.
Que diremos
pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim,
mas a justiça que é pela fé.
Mas Israel,
que buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça.
Por quê? Porque
não foi pela fé, mas como que pelas obras da lei; pois tropeçaram na pedra de
tropeço;
Como está
escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de
escândalo; e todo aquele que crer nela não será confundido.” (Romanos 9:25-33)”
“E uma certa
mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia
a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao
que Paulo dizia.” (Atos 16:14)
“E eis que no
mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta
estádios, cujo nome era Emaús.
E iam falando
entre si de tudo aquilo que havia sucedido.
E aconteceu
que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus
se aproximou, e ia com eles.
Mas os olhos
deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem.
E ele lhes
disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que
estais tristes?
E,
respondendo um, cujo nome era Cléopas, disse-lhe: És tu só peregrino em
Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias?
E ele lhes
perguntou: Quais? E eles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus Nazareno,
que foi homem profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o
povo;
E como os
principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de
morte, e o crucificaram.
E nós
esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é
já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram.
É verdade que
também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam, as quais de madrugada
foram ao sepulcro;
E, não
achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de
anjos, que dizem que ele vive.
E alguns dos
que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres
haviam dito; porém, a ele não o viram.
E ele lhes
disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas
disseram!
Porventura
não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?
E, começando
por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em
todas as Escrituras.
E chegaram à
aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe.
E eles o
constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E
entrou para ficar com eles.
E aconteceu
que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu.
Abriram-se-lhes
então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes.
E disseram um
para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho,
nos falava, e quando nos abria as Escrituras?” (Lucas 24:13-32)
Os dois
discípulos que Jesus encontrou no caminho de Emaús necessitavam de duas coisas
básicas: a primeira – entendimento da revelação
das Escrituras sobre os ofícios de Jesus, e isto Ele lhes fez começando
desde Moisés e passeando pelas demais Escrituras. Depois, o principal, que era
a abertura de seus corações para conhecê-lo pessoalmente não mais apenas na
carne, como o haviam feito até então, mas espiritualmente, como convém ser
conhecido para que sejamos salvos. E isto também o Senhor lhes fez.
Vemos assim o
apóstolo se referindo a estas duas coisas necessárias para a salvação, pois se
o poder do Espírito Santo não operasse nos corações além da sua pregação do
evangelho, nenhuma conversão real ocorreria:
“E eu,
irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui
com sublimidade de palavras ou de sabedoria.
Porque nada
me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.
E eu estive
convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.
E a minha
palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de
sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder;
Para que a
vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.
Todavia
falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem
dos príncipes deste mundo, que se aniquilam;
Mas falamos a
sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos
para nossa glória;
A qual nenhum
dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca
crucificariam ao Senhor da glória.
Mas, como
está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram
ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.
Mas Deus
no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas,
ainda as profundezas de Deus.
Porque, qual
dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?
Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.
Mas nós não
recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que
pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. As quais também
falamos, não com palavras que a sabedoria humana ensina, mas com as que o
Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.
Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe
parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem
espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é
discernido. Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo?
Mas nós temos a mente de Cristo.” (1 Coríntios 2:1-16)
Estas coisas
que Deus preparou para aqueles que o amam, incluem muito do que já temos falado
até aqui, e estas coisas, conforme afirmado, só podem ser discernidas
espiritualmente.
Ninguém
saberá quem é de fato o único Salvador e Senhor dos pecadores, se isto não for
aprendido nas Escrituras pela direção e instrução e poder do Espírito. É
somente o Espírito que pode revelar a pessoa e os ofícios de Jesus aos nossos
corações, e levar-nos a entregar-lhe totalmente a direção de nossas vidas, para
sermos transformados à Sua imagem e semelhança.
Todas as
coisas que acompanham a salvação, especialmente as melhores, conforme se refere
a elas o autor de Hebreus, só podem ser conhecidas nas Escrituras e com a
instrução do Espírito, revelando-as a nós.
Quando
crescemos no conhecimento da graça e de Jesus Cristo (II Pedro 2.18), então
podemos ter a certeza de que formos de fato salvos por Jesus.
Quando falta
este crescimento, é provável que estejamos na condição à qual se refere o apóstolo:
‘Mas, se
ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto.”
(2 Coríntios 4:3)
Porque a
todos os que amam de fato a Deus e que são aceitos e amados por Ele, as coisas
que os sentidos naturais não podem desvendar, lhes são reveladas pelo Espírito.
“Porque o
nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no
Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por
amor de vós.” (1 Tessalonicenses 1:5)
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