sexta-feira, 7 de julho de 2017

O Reino do Espírito






Por Silvio Dutra




Jul/2017






 

O que é o espírito?
Quais são suas faculdades?
Ele pertence ao mundo material?
Caso contrário, a qual dimensão ele pertence?
Qual é a sua relação com o corpo físico e a alma?
Como é possível ter certeza de que ele permanece existindo mesmo depois da morte física?
O espírito ocupa espaço e está sujeito a envelhecer com o passar do tempo?
Se o espírito não deixa de existir, qual é então o significado da expressão “espírito morto”?
Estas e muitas outras perguntas nos ocorrem quando pensamos acerca do espírito.
Sendo dito acerca dele que é a principal parte constituinte do ser humano, torna-se adequado investigarmos acuradamente, tanto quanto for possível, esta vida do espírito, na certeza de que o seu Criador não nos deixaria sem algumas respostas importantes, já que ele ocupa o centro do seu interesse em relação a nós.
Antes de tudo, devemos ser honestos e incisivos quanto ao fato de que não é possível discernir-se adequadamente acerca do espírito quando não somos habilitados a fazê-lo espiritualmente, ou seja, sendo instruídos e dirigidos pelo Espírito Santo, uma vez que coisas espirituais só podem ser discernidas espiritualmente.
Sem isto, toda a nossa investigação será infrutífera, quanto ao propósito de nos conduzir  a acertar o alvo da vontade divina em relação à vida que devemos ter no espírito.
Jesus, sendo Deus, e portanto o criador dos espíritos, nos diz que a carne para nada aproveita, e que somente o espírito é capaz de vivificar, e que tudo o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do espírito é espírito.
Estas afirmações são muito importantes, mas sem avançarmos sobre outros pontos esclarecedores ainda continuamos às apalpadelas nas trevas da ignorância buscando entender o que seja o espírito.
Se o espirito possui vida e existência próprias, independentemente das faculdades naturais do corpo e da alma (atividades do cérebro), como seria possível detectar as faculdades do espirito, se toda a nossa percepção do mundo depende principalmente das faculdades oriundas do cérebro?
Todavia, se tentarmos fazê-lo por meio do mero uso de nossos poderes naturais, ainda que pela razão e intelecto, não poderemos ser bem sucedidos porque o espírito não pertence à dimensão natural com a qual tais faculdades estão familiarizadas e habilitadas a discerni-las.
O espírito pertence de fato a outra dimensão que não ocupa espaço, porque, de outra forma, como poderia ser explicado que havia no endemoninhado gadareno a habitação simultânea de uma legião de demônios? (Uma legião era dividida em centúrias (divisões com 80 a 100 legionários), comandada pelos centuriões. Também essas eram, eventualmente, divididas em grupamentos de dez. Cinco a oito centúrias formavam a coorte, geralmente comandada por um tribuno; seis a oito coortes em média formavam uma legião).
Observe que milhares de espíritos habitavam simultaneamente um único corpo humano, pois demônios são espíritos, tanto como os anjos eleitos.
Dos santos é dito que serão como os anjos quando desencarnados no céu, ou seja, quando desprovidos de suas faculdades naturais corporais, pois serão apenas espírito, enquanto aguardam o dia do arrebatamento, no qual receberão um corpo glorificado.
Esta noção verdadeira de que o espírito não está sujeito a tempo e a espaço é muito importante para que sejamos desencorajados definitivamente da tentativa de explicar o reino espiritual através da simples investigação científica natural, pois seria como tentar ver o que é invisível ao olho natural, e que sabemos de antemão, ser completamente impossível, ainda que com o uso do mais potente microscópio eletrônico, pois se tratam de dimensões completamente distintas.
De Deus é dito ser puro e perfeito espírito, que além de não possuir forma, pode estar onipresentemente em todas as partes do universo por ele criado, sem estar no entanto, sujeito a ser circunscrito por qualquer uma de suas criaturas.
Nele reside toda a sabedoria, todo o poder, todas as virtudes em perfeição absoluta, em uma vontade soberana e imutável, pois não pode piorar e nem melhorar em qualquer aspecto que seja considerado, em razão da sua perfeição eterna e invariável.
Ele dotou os anjos e os homens de um espírito para participarem da sua mesma natureza espiritual e moral, e para refletirem a sua glória, pela exata imagem e semelhança com a sua santidade. Pois, como isto poderia ser concretizado em uma natureza que está sujeita a desparecer e que consiste na vida do corpo físico e das faculdades cerebrais, que cessam na morte?
O selo da eternidade não poderia portanto ser colocado naquilo que é natural e passageiro.
Considere-se, entretanto, que ainda que tenha sido designado ao espírito que seja eterno, este deve estar em plena sintonia com o Seu próprio espírito divino, que é a fonte de toda a santidade, de maneira que haja o que se chama de um espírito vivificado pelo Espírito Santo, na comunhão com Jesus Cristo.
Os próprios anjos eleitos, tiram a sua santidade e eternidade em vida desta Fonte Divina.
Separado da Fonte da vida o espírito está morto.
Na medida em que avançamos com nossas reflexões, tentemos evitar a todo o custo a tentação comum de se imaginar o que seja o espirito quanto a alguma possível constituição física, pois erraríamos sempre, uma vez que é de outra dimensão, e não pode ser pensado como sendo um plasma, uma energia invisível ou outra coisa do gênero, pois até mesmo a luz é constituída por fótons, que invisíveis ao olho humano, todavia constituem material pertencente ao mundo natural, o que não é, de nenhuma forma o caso do espírito.
Lembremo-nos sempre que as próprias palavras, pensamentos e imaginações que nos vêm à mente são o fruto de atividades neurônicas cerebrais, e não propriamente e necessariamente expressões facultativas do espírito.
Tanto isto é verdadeiro, que os mesmos são encontrados em qualquer pessoa que não tenha sido vivificada pelo Espírito Santo, permanecendo ainda no que a Bíblia chama de homem natural, que está incapacitado de discernir as coisas espirituais.
Em razão disso, Jesus afirma que toda adoração verdadeira é aquela que é em espirito, pois Deus é espírito, e não há outa fora de o adorarmos e ter comunhão com ele, senão somente em espírito.
Toda adoração implica então um derrubar da barreira natural para que sejamos introduzidos no reino das coisas que são espirituais, celestiais e divinas, que não são pertencentes ao mundo natural.
Por isso a fé, a oração, a meditação da Palavra são demandadas dos adoradores para tal propósito.
A Bíblia é a fonte de habilitação para a adoração por excelência, porque suas palavras são espírito e vida, por terem sido inspiradas pelo Espírito Santo.
A verdade relativa ao reino espiritual divino está revelada na Bíblia, e dali é comunicada ao nosso espírito quando a mesma é meditada com espírito de sincera devoção e reverência.
Quando buscamos conhecer a verdade revelada nas Escrituras para que o Espírito Santo a aplique às nossas vidas, uma porta é aberta em nosso entendimento, pela graça, mediante a fé, para que possamos entender o significado espiritual de tudo o que nos importa viver para que sejamos agradáveis a Deus.
Esta conformação com a vontade de Deus, em santa obediência e reverência, com santo temor e tremor diante de Sua Majestade, é basicamente no que consiste ter um espírito regenerado, vivificado e renovado.
É daí que decorre a paz, o amor, a alegria e perseverança em todas as provações, a longanimidade, a misericórdia, o domínio próprio e o cultivo de todas as demais virtudes que compõem o caráter do próprio Cristo.
Um espírito não regenerado não está habilitado a produzir e a manifestar tal fruto do Espírito Santo, e nisto é comprovado que a vida do espírito é real pelo que se pode observar naqueles que são regenerados (nascidos de novo do Espírito).
Quando uma pessoa é motivada e levada a obedecer um preceito bíblico que contrarie a sua própria vontade natural, e quando o faz com prazer e movida pelo Espírito Santo, isto é um sinal evidente de que seu espírito foi transportado da região da morte para a da vida, das trevas para a luz, da potestade de Satanás para o domínio de Deus.
Outra grande evidência de que há de fato uma vida do espírito, é o crescimento das graças pelo desenvolvimento da salvação, até o pleno amadurecimento em Cristo Jesus.
Isto não pode ser visto senão somente naqueles que se consagram verdadeiramente a Deus. É bebendo da fonte de água viva que salta para a vida eterna que tal crescimento pode ser verificado.
Assim, são identificados espíritos recém-nascidos, espíritos jovens, espíritos maduros, comprovando que há de fato esta vida do reino espiritual, que não pode ser achada no homem natural.
Como dissemos antes, quando se está na posse destas realidades, pouco nos importa cogitar acerca de qual seja a substância do espírito, pois suas faculdades são notórias e confirmadas em nós segundo tudo o que está revelado na Bíblia.
A paciência e longanimidade cristãs, por exemplo, em quem poderão ser achadas senão somente naqueles cujos espíritos foram exercitados nas provações?
Quem pode se regozijar no Senhor a par de todas as suas fraquezas e imperfeições, senão somente aqueles que foram aperfeiçoados na fé e que sabem que são plenamente aceitáveis a Deus por causa da redenção que há em Cristo Jesus?
Assim, prova-se a existência do espírito, por tudo o que está revelado na Bíblia e que é comprovado e experimentado de forma prática somente nas vidas daqueles que foram vivificados espiritualmente por meio da fé em Jesus Cristo.
Uma grande prova da existência do espirito vivificado nos regenerados é encontrada no fato de que mesmo quando o corpo está em grande fraqueza, enfermidades e sofrimentos físicos, e quando a alma está abatida pela manifestação de uma mente perplexa, conturbada, aflita, em face de variadas provações, o espirito, no entanto pode ser achado fortalecido, inabalável e regozijando-se com graça na plena comunhão com Jesus Cristo.
Graças a Deus por este dom inefável, isto é, impossível de ser explicado por meras palavras ou comprovações físicas, senão somente vivido e experimentado por meio da fé em Cristo.









Nenhum comentário:

Postar um comentário