Por Silvio
Dutra
Jul/2017
O que é o espírito?
Quais são suas faculdades?
Ele pertence ao mundo material?
Caso contrário, a qual dimensão ele
pertence?
Qual é a sua relação com o corpo físico e
a alma?
Como é possível ter certeza de que ele
permanece existindo mesmo depois da morte física?
O espírito ocupa espaço e está sujeito a
envelhecer com o passar do tempo?
Se o espírito não deixa de existir, qual é
então o significado da expressão “espírito morto”?
Estas e muitas outras perguntas nos ocorrem
quando pensamos acerca do espírito.
Sendo dito acerca dele que é a principal
parte constituinte do ser humano, torna-se adequado investigarmos acuradamente,
tanto quanto for possível, esta vida do espírito, na certeza de que o seu Criador
não nos deixaria sem algumas respostas importantes, já que ele ocupa o centro
do seu interesse em relação a nós.
Antes de tudo, devemos ser honestos e
incisivos quanto ao fato de que não é possível discernir-se adequadamente
acerca do espírito quando não somos habilitados a fazê-lo espiritualmente, ou seja,
sendo instruídos e dirigidos pelo Espírito Santo, uma vez que coisas
espirituais só podem ser discernidas espiritualmente.
Sem isto, toda a nossa investigação será
infrutífera, quanto ao propósito de nos conduzir a acertar o alvo da vontade divina em relação à
vida que devemos ter no espírito.
Jesus, sendo Deus, e portanto o criador
dos espíritos, nos diz que a carne para nada aproveita, e que somente o espírito
é capaz de vivificar, e que tudo o que é nascido da carne é carne, e o que é
nascido do espírito é espírito.
Estas afirmações são muito importantes,
mas sem avançarmos sobre outros pontos esclarecedores ainda continuamos às
apalpadelas nas trevas da ignorância buscando entender o que seja o espírito.
Se o espirito possui vida e existência próprias,
independentemente das faculdades naturais do corpo e da alma (atividades do cérebro),
como seria possível detectar as faculdades do espirito, se toda a nossa percepção
do mundo depende principalmente das faculdades oriundas do cérebro?
Todavia, se tentarmos fazê-lo por meio do
mero uso de nossos poderes naturais, ainda que pela razão e intelecto, não
poderemos ser bem sucedidos porque o espírito não pertence à dimensão natural com
a qual tais faculdades estão familiarizadas e habilitadas a discerni-las.
O espírito pertence de fato a outra dimensão
que não ocupa espaço, porque, de outra forma, como poderia ser explicado que
havia no endemoninhado gadareno a habitação simultânea de uma legião de demônios?
(Uma legião era dividida
em centúrias (divisões com 80 a 100 legionários), comandada pelos centuriões.
Também essas eram, eventualmente, divididas em grupamentos de dez. Cinco a oito
centúrias formavam a coorte, geralmente comandada por um tribuno; seis a oito
coortes em média formavam uma legião).
Observe que milhares de espíritos habitavam simultaneamente um único
corpo humano, pois demônios são espíritos, tanto como os anjos eleitos.
Dos santos é dito que serão como os anjos quando desencarnados no céu, ou
seja, quando desprovidos de suas faculdades naturais corporais, pois serão
apenas espírito, enquanto aguardam o dia do arrebatamento, no qual receberão um
corpo glorificado.
Esta noção verdadeira de que o espírito não está sujeito a tempo e a
espaço é muito importante para que sejamos desencorajados definitivamente da
tentativa de explicar o reino espiritual através da simples investigação científica
natural, pois seria como tentar ver o que é invisível ao olho natural, e que
sabemos de antemão, ser completamente impossível, ainda que com o uso do mais
potente microscópio eletrônico, pois se tratam de dimensões completamente distintas.
De Deus é dito ser puro e perfeito espírito, que além de não possuir
forma, pode estar onipresentemente em todas as partes do universo por ele
criado, sem estar no entanto, sujeito a ser circunscrito por qualquer uma de
suas criaturas.
Nele reside toda a sabedoria, todo o poder, todas as virtudes em perfeição
absoluta, em uma vontade soberana e imutável, pois não pode piorar e nem
melhorar em qualquer aspecto que seja considerado, em razão da sua perfeição
eterna e invariável.
Ele dotou os anjos e os homens de um espírito para participarem da sua
mesma natureza espiritual e moral, e para refletirem a sua glória, pela exata
imagem e semelhança com a sua santidade. Pois, como isto poderia ser
concretizado em uma natureza que está sujeita a desparecer e que consiste na vida
do corpo físico e das faculdades cerebrais, que cessam na morte?
O selo da eternidade não poderia portanto ser colocado naquilo que é
natural e passageiro.
Considere-se, entretanto, que ainda que tenha sido designado ao espírito
que seja eterno, este deve estar em plena sintonia com o Seu próprio espírito
divino, que é a fonte de toda a santidade, de maneira que haja o que se chama
de um espírito vivificado pelo Espírito Santo, na comunhão com Jesus Cristo.
Os próprios anjos eleitos, tiram a sua santidade e eternidade em vida
desta Fonte Divina.
Separado da Fonte da vida o espírito está morto.
Na medida em que avançamos com nossas reflexões, tentemos evitar a todo o
custo a tentação comum de se imaginar o que seja o espirito quanto a alguma
possível constituição física, pois erraríamos sempre, uma vez que é de outra
dimensão, e não pode ser pensado como sendo um plasma, uma energia invisível ou
outra coisa do gênero, pois até mesmo a luz é constituída por fótons, que invisíveis
ao olho humano, todavia constituem material pertencente ao mundo natural, o que
não é, de nenhuma forma o caso do espírito.
Lembremo-nos sempre que as próprias palavras, pensamentos e imaginações
que nos vêm à mente são o fruto de atividades neurônicas cerebrais, e não
propriamente e necessariamente expressões facultativas do espírito.
Tanto isto é verdadeiro, que os mesmos são encontrados em qualquer pessoa
que não tenha sido vivificada pelo Espírito Santo, permanecendo ainda no que a
Bíblia chama de homem natural, que está incapacitado de discernir as coisas
espirituais.
Em razão disso, Jesus afirma que toda adoração verdadeira é aquela que é
em espirito, pois Deus é espírito, e não há outa fora de o adorarmos e ter
comunhão com ele, senão somente em espírito.
Toda adoração implica então um derrubar da barreira natural para que
sejamos introduzidos no reino das coisas que são espirituais, celestiais e
divinas, que não são pertencentes ao mundo natural.
Por isso a fé, a oração, a meditação da Palavra são demandadas dos
adoradores para tal propósito.
A Bíblia é a fonte de habilitação para a adoração por excelência, porque
suas palavras são espírito e vida, por terem sido inspiradas pelo Espírito
Santo.
A verdade relativa ao reino espiritual divino está revelada na Bíblia, e
dali é comunicada ao nosso espírito quando a mesma é meditada com espírito de
sincera devoção e reverência.
Quando buscamos conhecer a verdade revelada nas Escrituras para que o Espírito
Santo a aplique às nossas vidas, uma porta é aberta em nosso entendimento, pela
graça, mediante a fé, para que possamos entender o significado espiritual de
tudo o que nos importa viver para que sejamos agradáveis a Deus.
Esta conformação com a vontade de Deus, em santa obediência e reverência,
com santo temor e tremor diante de Sua Majestade, é basicamente no que consiste
ter um espírito regenerado, vivificado e renovado.
É daí que decorre a paz, o amor, a alegria e perseverança em todas as
provações, a longanimidade, a misericórdia, o domínio próprio e o cultivo de
todas as demais virtudes que compõem o caráter do próprio Cristo.
Um espírito não regenerado não está habilitado a produzir e a manifestar
tal fruto do Espírito Santo, e nisto é comprovado que a vida do espírito é real
pelo que se pode observar naqueles que são regenerados (nascidos de novo do Espírito).
Quando uma pessoa é motivada e levada a obedecer um preceito bíblico que
contrarie a sua própria vontade natural, e quando o faz com prazer e movida
pelo Espírito Santo, isto é um sinal evidente de que seu espírito foi
transportado da região da morte para a da vida, das trevas para a luz, da
potestade de Satanás para o domínio de Deus.
Outra grande evidência de que há de fato uma vida do espírito, é o
crescimento das graças pelo desenvolvimento da salvação, até o pleno
amadurecimento em Cristo Jesus.
Isto não pode ser visto senão somente naqueles que se consagram
verdadeiramente a Deus. É bebendo da fonte de água viva que salta para a vida
eterna que tal crescimento pode ser verificado.
Assim, são identificados espíritos recém-nascidos, espíritos jovens, espíritos
maduros, comprovando que há de fato esta vida do reino espiritual, que não pode
ser achada no homem natural.
Como dissemos antes, quando se está na posse destas realidades, pouco nos
importa cogitar acerca de qual seja a substância do espírito, pois suas
faculdades são notórias e confirmadas em nós segundo tudo o que está revelado
na Bíblia.
A paciência e longanimidade cristãs, por exemplo, em quem poderão ser
achadas senão somente naqueles cujos espíritos foram exercitados nas provações?
Quem pode se regozijar no Senhor a par de todas as suas fraquezas e
imperfeições, senão somente aqueles que foram aperfeiçoados na fé e que sabem
que são plenamente aceitáveis a Deus por causa da redenção que há em Cristo
Jesus?
Assim, prova-se a existência do espírito, por tudo o que está revelado na
Bíblia e que é comprovado e experimentado de forma prática somente nas vidas
daqueles que foram vivificados espiritualmente por meio da fé em Jesus Cristo.
Uma grande prova da existência do espirito vivificado nos regenerados é
encontrada no fato de que mesmo quando o corpo está em grande fraqueza, enfermidades
e sofrimentos físicos, e quando a alma está abatida pela manifestação de uma
mente perplexa, conturbada, aflita, em face de variadas provações, o espirito,
no entanto pode ser achado fortalecido, inabalável e regozijando-se com graça na
plena comunhão com Jesus Cristo.
Graças a Deus por este dom inefável, isto é, impossível de ser explicado
por meras palavras ou comprovações físicas, senão somente vivido e
experimentado por meio da fé em Cristo.
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