Fiquei
profundamente impressionado, pela forma sábia e inspirada com que o autor
abordou o assunto, com dois sermões de A. W. Pink, que traduzi do original em
inglês, intitulados, respectivamente, “Carregando a Cruz” e a “Cruz e o Ego”,
ambos fundamentados na passagem de Mateus 16.24, 25.
"Jesus disse aos
Seus discípulos: se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua
cruz e siga-me." (Mateus 16:24)
"Pois, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á;
mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á." (Mateus 16:25).
De tão grande importância vital são tais palavras
do Senhor, que as achamos repetidas nos quatro evangelhos (Mateus 10:39, Marcos
8:35, Lucas 9:24; 17:33, João 12:25).
Ele fez questão de
enfatizá-las porque nelas se encontra o maior mistério da revelação do evangelho
quanto à evidência de se ter alcançado a vida eterna. Por elas nos alerta para
não nos iludirmos quanto ao significado de pertencer de fato a Ele e ao Seu
Reino. Há uma cruz que para ser carregada e suportada é necessário antes que se
negue o ego. Há sofrimentos, aflições, tribulações, provações, e o modo de
suportá-los é indicado, para que se possa entrar no Reino e nele permanecer. Há
uma porta estreita e um caminho estreito. Atalhar por um caminho largo e amplo
significa a perdição eterna da alma.
É colocado assim, diante
de nós, a maior e melhor evidência de nossa conversão: negarmo-nos a nós
mesmos; estarmos carregando de fato a cruz e seguindo ao Senhor Jesus,
imitando-o e vendo a aplicação da Sua justiça ao nosso caráter, uma vez tendo
sido justificados pela fé nele – mediante a imputação da Sua própria justiça a
nós, de modo que nos tornássemos aceitáveis a Deus e seus amigos e filhos
amados.
Remova-se o ensino da
necessidade da autonegação e do carregar da cruz, e abre-se com isto a
possibilidade de conduzir muitas almas à ilusão de pertencerem a Cristo, por
simplesmente terem aderido a uma denominação religiosa, ou ao fato de terem
confessado com seus lábios que Jesus é o Senhor e o Salvador, enquanto nada sabem e praticam sobre negar o
ego e carregar a cruz.
Se a conversão é somente
pela graça, mediante a fé, todavia há a necessidade de uma renúncia total ao
ego para que esta seja efetivada de fato, e daí, a instrução do Senhor sob a
forma de ordenança de que se desejarmos segui-Lo, devemos, necessariamente,
negar-nos a nós mesmos e tomarmos a nossa cruz.
Que vida é esta que se a
desejarmos salvar será perdida, e qual é a que se for perdida por amor a
Cristo, será achada?
Como isto é feito?
O que significa negar a
si mesmo?
O que significa tomar a
cruz? Qual é o significado da cruz para nós?
Nas palavras de Jesus, se
não nos negarmos e não tomarmos a cruz e se não o seguirmos, morreremos, mas se
o fizermos, viveremos.
Então, é de importância
fundamental que nos inteiremos adequadamente destes significados para que não
venhamos a errar o alvo quanto a alcançarmos e mantermos a vida eterna.
Jesus nos diz que há um
modo de viver que é morrer, e há um modo de morrer que é vida.
Veremos que negar o ego
não consiste simplesmente em nos reconhecermos pecadores, pois há muitos que o
reconhecem e no entanto, não estão seguindo a Cristo. Não crucificaram o ego
com as suas paixões e concupiscências, e permanecem na carne, sob a maldição da
Lei, e portanto, condenados à morte espiritual eterna, a par de seus melhores
esforços para fazerem o que é bom e negarem o que é mau.
Doravante, lançaremos mão
dos sermões de A. W. Pink, e onde acharmos oportuno e apropriado, teceremos
algumas considerações próprias, sempre com a introdução: “Nota do Tradutor”.
Carregando a Cruz
"Jesus disse aos
Seus discípulos: se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua
cruz e siga-me". (Mateus 16:24)
"Então disse Jesus
aos Seus discípulos, se alguém quiser"; o verbo querer, aqui, significa
"desejo", assim como nesse versículo, "Se alguém deseja ser
piedoso". Significa "determinar-se". "Se alguém quiser ou desejar
vir após de Mim, negue-se si mesmo e pegue a cruz (não uma cruz, mas a cruz) e
me siga." Então, em Lucas 14:27, Cristo declarou: "E quem não toma a
sua cruz, e vem após mim, não pode ser meu discípulo". Portanto, o carregar
a cruz não é opcional. A vida cristã é muito mais do que subscrever um sistema
de verdades, ou adotar um código de conduta - ou submeter-se a ordenanças
religiosas. A vida cristã é principalmente uma pessoa; ter experiência de
comunhão com o Senhor Jesus, e na proporção em que sua vida é vivida em
comunhão com Cristo, na mesma medida você está vivendo a vida cristã, e somente
nesse sentido.
A vida cristã é uma vida
que consiste em seguir Jesus. "Se alguém quiser vir após mim, negue-se,
tome a sua cruz e me siga". Quanto você e eu podemos ganhar pela
proximidade de nossa caminhada com Cristo! Há uma classe descrita na Escritura
de quem se diz: "Estes são os que seguem o Cordeiro onde quer que Ele
vá". Mas, é triste dizer, há outra classe, e uma grande classe, que parece
acompanhar o Senhor de forma sentimental, ocasional e distantemente. Há grande
parte do mundo e muito de si mesmos em suas vidas - e tão pouco de Cristo. Três
vezes feliz será, quem parecer com Calebe, que seguiu completamente o Senhor.
Agora, amado, nosso
principal negócio e desejo é seguir a Cristo - mas há dificuldades e obstáculos
no caminho, e é a eles que a primeira parte do nosso texto se refere. Você
percebe que as palavras "segue-me" são colocadas no final. O ego está
no caminho, e o mundo com suas dez mil atrações e distrações é um obstáculo; e,
portanto, Cristo diz: "Se alguém quiser vir após Mim - (primeiro), ele se
negue a si mesmo, (segundo) pegue sua cruz, (terceiro) e me siga". E aí
aprendemos o motivo pelo qual tão poucos cristãos professos estão seguindo-o de
perto, de forma manifesta, consistente.
O primeiro passo para um
seguimento diário de Cristo, é a negação do EGO. Há uma grande diferença,
irmãos e irmãs, entre negar a si mesmo e a chamada abnegação. A ideia popular
que prevalece tanto no mundo como entre os cristãos é a desistência de coisas
que gostamos. Há uma grande diversidade de opiniões quanto ao que deve ser
desistido. Há alguns que o restringiriam ao que é caracteristicamente mundano -
como o teatro, a dança ou outros tipos de divertimentos. Mas métodos como
aqueles apenas promovem o orgulho espiritual, pois certamente eu mereço algum
crédito - se eu desistir mais do que meus amigos.
O que Cristo fala em
nosso texto (e que o espírito de Deus possa aplicá-lo às nossas almas) como o
primeiro passo para segui-lo, é - a negação do próprio eu - não apenas algumas
das coisas que são agradáveis para nós. Não apenas algumas das coisas pelas
quais o ego anseia, mas a negação do próprio eu. O que isso significa, "Se
alguém quiser vir após Mim, deixe ele se negar?"
Significa, em primeiro
lugar, abandonar sua própria justiça; mas isso significa muito mais do que
isso. Esse é apenas o primeiro significado. Significa recusar-se a descansar
sobre a minha própria sabedoria. Mas significa muito mais do que isso.
Significa deixar de insistir em meus próprios direitos. Isso significa repudiar
o próprio ego. Significa deixar de considerar nossos próprios confortos, nossa
própria facilidade, nosso próprio prazer, nosso próprio engrandecimento, nossos
próprios benefícios. Significa ser feito como Ele. Significa, amado, dizer com
o apóstolo, já não vivo eu, mas Cristo vive em mim. Para mim, viver é obedecer
a Cristo, servir a Cristo, honrar a Cristo, gastar-me por ele. É isso que
significa. E "se alguém deseja vir após mim", diz o nosso Mestre,
"deixe-o negar a si mesmo", "que se autorrejeite”. Em outras
palavras, é o que você tem em Romanos 12: 1: "Apresente seus corpos como
um sacrifício vivo para Deus".
O segundo passo para
seguir a Cristo, é a tomada da CRUZ. "Se alguém quiser vir após mim, negue-se
a si mesmo e pegue sua cruz". Ah, meus amigos, viver a vida cristã é algo
mais do que um luxo passivo; é uma tarefa séria. É uma vida que deve ser
disciplinada em sacrifício. A vida de discipulado começa com a autorrenúncia e
continua por automortificação. Em outras palavras, nosso texto se refere à
CRUZ, não apenas como um objeto de fé, mas como um princípio de vida, como o
emblema do discipulado, como uma experiência na alma. E ouça! Assim como era
verdade que o único caminho para o trono do Pai para Jesus de Nazaré era pela
cruz, então o único caminho para uma vida de comunhão com Deus e a coroa no
final para o cristão é através da cruz. Os benefícios legais do sacrifício de
Cristo são assegurados pela fé, quando a culpa do pecado é cancelada; mas a
cruz só se torna eficaz sobre o poder do pecado residente, quando opera em
nossas vidas diariamente.
Quero chamar sua atenção
para o contexto. Volte-se comigo por um momento para Mateus 16, versículos 21,22:
"Desde
então começou Jesus Cristo a mostrar aos seus discípulos que era necessário que
ele fosse a Jerusalém, que padecesse muitas coisas dos anciãos, dos principais
sacerdotes, e dos escribas, que fosse morto, e que ao terceiro dia ressuscitasse.
E Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Tenha Deus
compaixão de ti, Senhor; isso de modo nenhum te acontecerá." Pedro titubeou quando disse: "Tenha
compaixão de ti”. Isso expressou a política do mundo. Essa é a soma da filosofia
do mundo - autoblindagem e autobusca; mas o que Cristo pregou foi o sacrifício.
O Senhor Jesus viu na sugestão de Pedro uma tentação de Satanás - e Ele a
afastou de Si. Então ele se voltou para Seus discípulos e disse: "Se
alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me." Em outras palavras, o que Cristo disse
foi o seguinte: eu vou até Jerusalém para a cruz - se alguém deseja ser Meu seguidor - há uma cruz para ele. E, como
Lucas 14 diz: "Quem não carregar a sua cruz, não pode ser meu
discípulo". Não somente Jesus deve subir a Jerusalém e ser morto - mas
todo aquele que vem atrás dele deve pegar sua cruz. O "deve" é tão
imperativo num caso como no outro. De maneira Mediadora, a cruz de Cristo está
sozinha - mas experimentalmente é compartilhada por todos os que entram na vida
eterna.
(Nota do tradutor: Quando
Pedro pensou na morte de Jesus como sendo algo trágico, uma fatalidade, da qual
Ele deveria ser livrado pela compaixão de Deus, ele não sabia que a vitória
sobre a morte dependia daquela morte, e que todos os que alcançam a vida eterna
são dependentes da morte e ressureição de Jesus, porque importava que morresse
na cruz carregando sobre Si os pecados de todo o Seu povo.
Outra coisa que Pedro não
sabia é que ninguém, entre os pecadores, pode entrar na vida eterna caso não
passe também pela morte da cruz. Em outros termos, Jesus poderia dizer a Pedro:
“Não te espantes com o fato de que eu deva morrer pelos pecadores, porque você
Pedro, e todos os que creem em mim, devem também passar pela morte da cruz.”
Evidentemente, se a morte
de cruz significou para Jesus a morte literal do corpo, no rude madeiro, e não
para que mortificasse qualquer pecado em Si mesmo, pois não tinha pecado,
todavia, aquela morte significou a morte do pecado de todos os que nele creem,
e a morte dos crentes significa a mortificação, por eles, pelo Espírito Santo, através
da instrumentalidade das tribulações, de seus próprios pecados.
Quando disse “seja feita
não a minha mas a Tua vontade”, no Getsêmani, Jesus renunciou de modo final à
Sua própria vontade para fazer a do Pai, e de igual modo, todos os que entram
na vida eterna, devem renunciar à própria vontade deles, para fazerem a de Deus.
Fugir da cruz para viver
segundo a própria vontade neste mundo significa morte espiritual, e abraçar a
cruz, para a morte do ego, significa vida espiritual abundante.
É por medo de ser
criticado e perseguido pelo mundo que muitos se desviam da cruz, pois não
desejam ver sua reputação sendo atacada por motivo de guardarem os mandamentos
de Deus.
Alguns tentam se
autojustificar com o argumento ilusório de que seguem os costumes do mundo para
tentarem ganhar alguns para o evangelho. Na verdade, o amor ao mundo ainda
permanece neles. Não foram desmamados das coisas daqui debaixo e não conseguem
pensar naquelas que são do Alto. O tesouro deles está aqui na Terra e por isso
seus corações não podem estar no Céu, porque o que amam de fato não se encontra
lá.)
Agora, o que significa
"a cruz"? O que Cristo quis dizer quando disse que "a menos que
um homem tome sua cruz"? Meus amigos, é deplorável que, nessa data tardia,
essa pergunta precise ser feita; e é ainda mais deplorável que a grande maioria
do próprio povo de Deus tenha tais concepções não bíblicas do que a
"cruz" representa. O cristão comum parece considerar a cruz neste
texto, como qualquer provação ou problema que lhe possa ser imposto. Tudo o que
surge que perturba a nossa paz, isso é desagradável para a carne, ou que irrita
a nossa força - é encarado como uma cruz. Alguém diz: "Bem, essa é a minha
cruz", e outro diz: "Bem, esta é a minha cruz", e outra pessoa
diz que outra coisa é a sua cruz. Meus amigos, a palavra nunca é usada dessa
forma no Novo Testamento!
A palavra
"cruz" nunca é encontrada no número plural, nem é encontrada com o
artigo indefinido antes dela, "uma cruz". Note também que, no nosso
texto, a cruz está ligada a um verbo na voz ativa e não na passiva. Não é uma
cruz que nos é imposta, mas uma cruz que deve ser "tomada"
voluntariamente! A cruz representa realidades definidas que incorporam e
expressam as principais características da agonia de Cristo.
Outros entendem a
"cruz" como se referindo a deveres desagradáveis que devem cumprir.
Tais pessoas invariavelmente transformam a cruz em uma arma com a qual atacam
outras pessoas. Eles desfazem sua abnegação e seguem insistindo que outros
deveriam segui-los. Tais concepções da cruz são tão farisaicas como falsas, e
tão maliciosas como errôneas.
Agora, quanto o Senhor me
permita, deixe-me indicar três coisas que a cruz representa:
Primeiro, a cruz é a
expressão do ódio do mundo. O mundo odiava Cristo e, em última instância, seu
ódio se manifestou crucificando-o. No capítulo 15 de João, sete vezes, Cristo
se refere ao ódio do mundo contra Si mesmo e contra o Seu povo. E na proporção
em que você e eu estamos seguindo a Cristo, apenas na proporção em que nossas
vidas estão sendo vividas como Sua vida foi vivida, apenas na proporção em que
saímos do mundo e estamos em comunhão com Ele - assim o mundo nos odiará!
Lemos nos Evangelhos que
um homem veio e se apresentou a Cristo para o discipulado, e ele pediu que ele
pudesse primeiro ir e enterrar seu pai - um pedido muito natural e talvez muito
louvável. Mas a resposta do Senhor é quase impressionante. Ele disse a esse
homem: "Siga-me - e deixe os mortos enterrar seus mortos". O que
teria acontecido com aquele jovem se ele tivesse obedecido a Cristo? Não sei se
ele fez ou não - mas se ele fizesse, o que aconteceria? O que seus parentes e
seus vizinhos pensariam dele? Seriam capazes de apreciar o motivo, a devoção
que o levou a seguir Cristo e negligenciar o que o mundo chamaria de dever
filial? Ah, meus amigos, se você estiver seguindo Cristo - o mundo pensará que
você está louco - e alguns de vocês terão dificuldade em suportar sua sanidade.
Sim, há alguns que acham as censuras dos vivos - um julgamento mais difícil do
que a perda dos mortos.
(Nota do tradutor:
Curiosamente, temos testemunhado um caso que bem ilustra este ponto. Alguém que
recebeu de Deus a mesma ordem de Deus dada a Abraão de deixar a sua parentela.
Posteriormente, seu pai, que é ímpio, veio a ser acometido de Alzheimer, e
passou a demandar maiores cuidados por parte deste seu filho cristão a quem foi
dirigida a ordem divina de se apartar da sua parentela. Como agir num caso como
este? A ordem de Deus admite uma exceção?
Tomemos o caso do próprio
Abraão, que mandou buscar uma esposa para seu filho Isaque dentre a sua
parentela, mas tendo o cuidado de instruir seu servo a não permitir que ele retornasse
para lá. Ele compreendeu que a ordem divina tinha em vista mantê-lo afastado da
influência de seus familiares ímpios, e não propriamente de deflagrar uma
guerra entre eles.
Não faria qualquer
sentido se Jesus nos ordenasse deixar nossa parentela simplesmente para
ficarmos desocupados ou para qualquer outro motivo diferente de termos
simplesmente o cuidado de não nos deixarmos contaminar pelas más obras das
trevas, e também para poder melhor servi-Lo.
O jovem que queria
permanecer ao lado de seu pai até que chegasse o dia da sua morte, estava
retardando, no seu caso específico, a chamada ministerial do Senhor para ele,
que lhe exigiria tempo integral no Seu serviço, como estavam fazendo os
apóstolos. Não haveria como conciliar a necessidade de deslocamentos constantes
com a permanência em um lugar fixo, ainda que fosse para cuidar do seu pai.
Jesus bem sabia que ele tinha outros familiares que poderiam desincumbir-se da
tarefa de cuidar daquele pai, que como tudo indica, era um ímpio que não se converteria,
bem como aqueles que cuidariam dele na ausência do candidato a seguir a Jesus. Isto
se infere das palavras do Senhor relativas a eles: “deixai os mortos sepultarem
seus mortos.”
Eles eram mortos
espirituais e assim permaneceriam inapelavelmente, enquanto o jovem, em vez de
cuidar de mortos, poderia entregar-se ao lado de Jesus à tarefa de pregar o
evangelho àqueles que alcançariam a vida eterna.)
Outro jovem se apresentou
a Cristo para o discipulado e pediu ao Senhor que primeiro ele pudesse ir para
casa e despedir-se de seus amigos - um pedido muito natural, certamente - e o
Senhor lhe apresentou a cruz: "Ninguém, Ao colocar a mão no arado, e
olhando para trás, é adequado para o reino de Deus!" As naturezas afetuosas
acham a chave dos laços domésticos, muito difícil de ser suportada; ainda mais
são as suspeitas de amados e amigos por terem sido desprezados!
Sim, a opressão do mundo
torna-se muito real - se seguimos de perto a Cristo. Ninguém pode manter-se com
o mundo - e segui-Lo.
(Nota do tradutor: A cruz
sempre se apresentará para a nossa decisão de acolhê-la ou não, quando temos
que decidir sobre agradar a vontade do Senhor ou a das pessoas, especialmente
daqueles que são nossos amigos.
A quem agradaremos, se
isto importar que uma das partes ficará desagradada com a nossa decisão?
Agradaremos aos homens ou
a Deus?
Os apóstolos tomaram a
decisão correta quando foram confrontados pelo Sinédrio para que não mais
pregassem a Jesus ao povo de Israel. A resposta deles é bem conhecida: “Antes
importa obedecer a Deus do que aos homens.”
De igual modo, teremos
que contrariar tanto a amigos quanto a inimigos em muitas coisas, se estivermos
de fato decididos a seguir a Jesus. Esta cruz de suportar a crítica, o
desagrado de outros, deverá ser tomada voluntariamente, se desejarmos continuar
seguindo o Senhor.
Para nos ensinar até que
ponto o tomar voluntariamente a cruz impõe o desagradar a outros para que se
possa agradar a Deus, nosso Senhor, afirmou que até mesmo nossos laços mais
próximos e afetuosos devem ser contrariados quando isto se revelar necessário
para que possamos escolher e fazer a vontade de Deus.
Nós vemos isto no texto
de Lucas 14.26,27:
“26 Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e
mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não
pode ser meu discípulo.
27 Quem não leva a sua cruz e não me segue, não
pode ser meu discípulo.”
Observe que Ele associa o tomar a cruz ao ato de
aborrecer a pai e mãe, mulher, filhos, irmãos e irmãs, e conclui com o aborrecimento
da nossa própria vida neste mundo.
A cruz impõe esta necessidade de contrariar, muitas
vezes nossos próprios sentimentos e vontade, para podermos escolher e fazer a
vontade de Deus.
Como isto exige uma renúncia absoluta a todos os
nossos próprios afetos, desejos, sentimentos, escolhas pessoais etc, devemos
estar bastante conscientizados dessa demanda da vida cristã, para que possamos
seguir a Cristo agradando a Deus. Foi com este propósito em vista que nosso
Senhor ilustrou imediatamente a seguir, o seu ensino sobre o carregar cruz, com
estas palavras:
“28 Pois qual de vós, querendo edificar uma torre,
não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar?
29 Para não acontecer que, depois de haver posto os
alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele,
30 dizendo: Este homem começou a edificar e não
pode acabar.
31 Ou qual é o rei que, indo entrar em guerra
contra outro rei, não se senta primeiro a consultar se com dez mil pode sair ao
encontro do que vem contra ele com vinte mil?
32 No caso contrário, enquanto o outro ainda está
longe, manda embaixadores, e pede condições de paz.
33 Assim, pois, todo aquele dentre vós que não
renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo.” Lucas 14.28-33).
Percebe-se claramente que
era Seu desejo que estivéssemos devidamente esclarecidos quanto ao significado
de ser um verdadeiro crente, um genuíno discípulo, enfim, de tudo o que seria
exigido de nós para concluirmos a carreira que nos está proposta de nos
tornarmos à imagem e semelhança do Filho de Deus.
Se ficarmos divididos
entre agradarmos a outros ou até a nós mesmos em vez de agradarmos a Deus, é
certo que não concluiremos a carreira cristã conforme convém.
Até aqui as palavras do
tradutor.)
Outro jovem veio e se
apresentou a Cristo e caiu a seus pés e adorou-o, e disse: "Mestre, que
coisa boa devo fazer?" E o Senhor lhe apresentou a cruz. "Vende tudo
o que tens e dá aos pobres, e vem e segue-me. E o jovem se afastou
triste". Cristo ainda está dizendo a você: "Quem não carregar a sua
cruz e vir após Mim - não pode ser meu discípulo". A cruz representa a
censura e o ódio do mundo. Mas como a cruz era voluntária para Cristo, assim é
para o seu discípulo. Pode ser evitada ou aceita. Ela pode ser ignorada ou abraçada!
Mas em segundo lugar, a
cruz representa uma vida que é voluntariamente entregue à vontade de Deus. Do
ponto de vista do mundo, a morte era um sacrifício voluntário. Volte por um
momento para o capítulo 10 de João, começando nos versos 17,18: "Por isto o Pai me ama, porque dou
a minha vida para a retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou;
tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento
recebi de meu Pai." Por que ele
estabeleceu a sua vida? Olhe para a frase final do versículo 18: "Este
mandamento eu recebi de Meu Pai". A cruz foi a última exigência de Deus na
obediência de Seu Filho. É por isso que lemos em Filipenses 2 que, "o
qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a
que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo,
tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a
si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." (esse era o clímax, que era o fim do
caminho da obediência: a morte da
cruz!).
Cristo nos deixou um
exemplo para que sigamos os Seus passos. A obediência de Cristo deve ser a
obediência voluntária do cristão, não obrigatória; contínua, fiel, sem reserva,
até a morte. A cruz então representa obediência, consagração, rendição, uma
vida colocada à disposição de Deus. "Se alguém quer vir após Mim, que ele
tome a sua cruz e me siga" e "Quem não carregar a sua cruz e vir após
Mim - não pode ser meu discípulo". Em outras palavras, queridos amigos, a
cruz representa o princípio do discipulado, sendo nossa vida operada pelo mesmo
princípio que o de Cristo. Ele veio aqui - e Ele não agradou a si mesmo; e eu
também não devo. Ele não atribuiu a Si qualquer reputação: também eu. Ele fez o
bem: eu também não deveria ser servido, mas servir. Ele se tornou obediente até
a morte, e morte da cruz. É o que a cruz representa:
Primeiro, a reprovação do
mundo - porque o antagonizamos, aumentamos a sua ira ao nos separarmos dele e
caminhamos em um plano diferente - porque somos movidos por princípios diferentes,
daqueles pelos quais ele caminha.
Em segundo lugar, uma
vida sacrificada a Deus - estabelecida em devoção a Ele.
Em terceiro lugar, a cruz
representa sacrifícios e sofrimentos vicários. Volte-se para a primeira
Epístola de João, terceiro capítulo, versículo 16: "Percebemos o amor de
Deus, porque Ele deu a vida por nós, e devemos dar as nossas vidas". Essa
é a lógica do Calvário. Somos chamados à comunhão com Cristo, nossas vidas devem
ser vividas pelos mesmos princípios que Ele viveu - obediência a Deus,
sacrifício para os outros. Ele morreu para vivermos e, meus amigos, temos que
morrer para vivermos.
Veja o versículo 25 de
Mateus 16: "Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá". Isso
significa todo cristão, pois Cristo falava ali aos discípulos. Todo cristão que
tenha vivido uma vida egocêntrica, considerando seus próprios confortos, sua
própria paz de espírito, seu próprio bem-estar, suas próprias vantagens e
benefícios - que a "vida" se perderá para sempre - tudo será desperdiçado
pela eternidade; madeira, feno e palha - que irão subir na fumaça! Mas
"quem perder a sua vida por amor de Mim", isto é, quem não tiver
vivido sua vida considerando seu próprio bem-estar, seus próprios interesses,
seu próprio lucro, seu próprio avanço, mas que sacrificou a vida, gastou-a em
serviço dos outros por causa de Cristo - ele encontrará a vida! Porque a vida
foi construída de materiais imperecíveis que sobreviverão ao teste do fogo no
dia seguinte. Ele deve encontrar a "vida". Cristo morreu para
vivermos; e nós temos que morrer - se quisermos viver! "Quem perder a vida
por amor de mim, vai encontrá-la".
(Nota do tradutor: Tudo o
que fizermos baseados em nossa própria vontade, aparte da vontade de Deus, não
adentrará pela eternidade, e se perderá para sempre. Mas tudo o que for feito
segundo a vontade de Deus e para a sua exclusiva glória, ainda que demande a
morte da nossa própria vontade, jamais deixará de ter a sua recompensa eterna,
e será carregado conosco pela eternidade afora.
O tempo que é gasto em
atividades sem Deus, ou a sua aprovação, é tempo desperdiçado, perdido. Mas
todo o tempo que é gasto com o Senhor, ainda que pareça um desperdício para o
mundo, é um tempo ganho, que jamais será perdido.
Quanto mais mortificamos
o nosso ego mais encontramos a vida ressurreta de Jesus Cristo. E quanto mais
se vive para o ego, por mais intenso que seja este viver, ele é na verdade morte,
pois não traz consigo o crivo, o selo da vida eterna de Deus.
Quem muito ama a vida
natural que tem neste mundo é porque está cego para a vida espiritual que
existe somente em Deus.
Quem semeia para a carne
colherá corrupção e morte, mas o que semeia para o espírito colhera a vida
abundante e eterna que Jesus veio nos dar.
Se o grão de trigo não
morrer, ele ficará só e passará. Mas se morrer dará muito fruto, pois renascerá
pelo poder de Deus em uma nova forma de vida.)
Mais uma vez, no capítulo
20 de João, Cristo disse aos Seus discípulos: "Como o Pai me enviou, eu
também vos envio". Cristo foi enviado aqui para fazer o que? Para
glorificar o Pai; para expressar o amor de Deus; para manifestar a graça de
Deus; para chorar sobre Jerusalém; ter compaixão do ignorante e daqueles que
estão fora do caminho; para trabalhar tão assiduamente que não tinha folga nem
para comer; para viver uma vida de tal autossacrifício que até mesmo os seus
parentes disseram: "Ele está fora de si!" E, "como o Pai me
enviou, assim também", diz Cristo, "eu vos envio". Em outras
palavras, eu o envio de volta para o mundo - do qual eu o salvei. Eu o envio de
volta para o mundo - para viver com a cruz estampada sobre você. Ó irmãos e
irmãs, quão pouco "sangue" existe em nossas vidas! Quão pouco há o carregar
da morte de Jesus em nossos corpos! (2 Coríntios 4:10).
Começamos a "carregar
a cruz"? Existe alguma maravilha de que o seguimos a uma distância tão grande?
Existe alguma maravilha de que possamos ter pouca vitória sobre o poder do
pecado interior? Existe uma razão para isso. De forma Mediadora, a Cruz de
Cristo está sozinha - mas, experimentalmente, a cruz deve ser compartilhada por
todos os Seus discípulos. Legalmente, a cruz do Calvário anulou e afastou nossa
culpa, a culpa de nossos pecados; mas, meus amigos, estou perfeitamente
convencido de que a única maneira de obter a libertação do poder do pecado em
nossas vidas e obter domínio sobre o velho homem dentro de nós - é quando a
cruz se torna parte da experiência de nossas almas! Foi na cruz, que o pecado
foi tratado legal e judicialmente. É somente quando a cruz é "tomada pelo
discípulo" que se torna uma experiência, matando o poder e a corrupção do
pecado dentro de nós. E Cristo diz: "Quem não carregar a sua cruz, não
pode ser meu discípulo". O quanto precisa cada cristão ficar sozinho com o
Mestre e consagrar-se a Seu serviço!
A Cruz e
o Ego
“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém
quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me." (Mateus
16:24)
Antes de desenvolver o tema deste versículo,
deixe-nos comentar seus termos.
"Se alguém quer vir": o dever exigido é
para todos os que se juntaram aos seguidores de Cristo e se inscreverem sob Sua
bandeira.
"Se alguém quiser": o grego é muito
enfático, significando não só o consentimento da vontade - mas o propósito
completo do coração, uma resolução determinada.
"Vir após mim": como um servo sujeito ao
seu Mestre, um erudito a seu Professor, um soldado a seu Capitão.
"Negar" no grego significa "negar
completamente". Negar a si mesmo - a sua natureza pecaminosa e corrupta.
"E tomar": não tomar ou carregar
passivamente - mas assumir voluntariamente, adotar ativamente.
"Sua cruz": o que é desprezado pelo
mundo, odiado pela carne, mas é a marca distintiva de um verdadeiro cristão.
"E siga-me": viver como Cristo viveu -
para a glória de Deus.
O contexto imediato é mais solene e impressionante.
O Senhor Jesus acaba de anunciar aos Seus apóstolos, pela primeira vez, a sua
morte de humilhação que estava próxima (v. 21). Pedro estava titubeando e
disse: "Nunca, Senhor! Isso nunca acontecerá contigo!" (v. 22). Isso
expressou a política da mente carnal. O caminho do mundo é autobuscando e
autoblindado. "Poupe-se" é a soma de sua filosofia. Mas a doutrina de
Cristo não é "salvar a si mesmo", mas sacrificar-se. Cristo discerniu
no conselho de Pedro, uma tentação de Satanás (v. 23), e imediatamente o
afastou. Então, voltando-se para Pedro, disse: Não somente o Cristo
"deve" ir a Jerusalém e morrer - mas todo mundo que seja um seguidor
dele - deve tomar sua cruz (v. 24). O "deve" é tão imperativo no primeiro
caso como no outro. Mediatoriamente, a cruz de Cristo está sozinha - mas,
experimentalmente, é compartilhada por todos os que entram na vida.
O que é um "cristão"?
Quem é membro de alguma igreja terrena? Não! Quem
acredita em um credo ortodoxo? Não! Quem adota um certo modo de conduta? Não! O
que, então, é um cristão? Ele é aquele que renunciou a si mesmo e recebeu a Cristo
Jesus como Senhor (Col 2: 6). É aquele que leva o jugo de Cristo sobre si e
aprende dAquele que é "manso e humilde de coração" (Mateus 11:29).
Ele é alguém que foi "chamado para a comunhão do Filho de Deus, Jesus
Cristo nosso Senhor" (1 Cor 1: 9). Ou seja, irmandade em Sua obediência e
sofrimento agora, e Sua recompensa e glória no futuro infinito! Não existe tal
coisa como pertencer a Cristo - e viver para agradar a si mesmo. Não se engane
com esse ponto: "Quem não toma a sua cruz, e não vem após Mim, não pode
ser meu discípulo" (Lucas 14:27) disse Cristo. E, novamente, ele declarou:
"Mas quem quiser [em vez de negar a si mesmo] me negar diante dos homens
[não" aos "homens: é a conduta, a caminhada que está aqui em vista], eu
também o negarei diante do Pai que está no Céu." (Mateus 10:33).
A vida cristã começa com um ato de autorrenúncia, e
é continuada por automortificação (Romanos 8:13). A primeira pergunta de Saulo
de Tarso, quando Cristo o apreendeu, foi: "Senhor, o que queres que eu
faça." A vida cristã é comparada a uma "corrida", e o piloto é
chamado a "deixar de lado todo peso, e o pecado que tão facilmente o
atormenta" (Heb 12: 2), porque "pecado" está no amor de si
mesmo, O desejo e a determinação de ter nosso "caminho próprio"
(Isaías 53: 6). O único grande objetivo, fim, tarefa, estabelecido diante do
cristão é seguir a Cristo - seguir o exemplo que Ele nos deixou (1 Pedro 2:21),
e Ele "não se agradou" (Romanos 15: 3). E há dificuldades e
obstáculos no caminho, cujo chefe é o EGO. Portanto, isso deve ser
"negado". Este é o primeiro passo para "seguir" a Cristo.
O que significa para um homem "negar a si
mesmo"?
Primeiro, significa o repúdio completo de seu
próprio BEM-ESTAR. Significa deixar de descansar sobre qualquer obra própria
para recomendar-se a Deus. Significa uma aceitação irrestrita do veredicto de
Deus de que "todas as nossas justiças [nossas melhores performances] são
trapos imundos" (Isaías 64: 6). Foi neste ponto que Israel falhou:
"Por serem ignorantes da justiça de Deus, e para estabelecer a própria
justiça, não se submeteram à justiça de Deus" (Romanos 10: 3). Mas
contraste com a declaração de Paulo: "E ser achado nEle, sem ter a minha própria
justiça" (Filipenses 3: 9).
Alguém "negar a si mesmo" significa
renunciar completamente à sua própria SABEDORIA. Ninguém pode entrar no reino
dos céus se não se tornar com "criancinhas" (Mateus 18: 3). "Ai
dos que são sábios aos seus próprios olhos, e prudentes à sua vista"
(Isaías 5:21). "Professando-se serem sábios, tornaram-se tolos"
(Romanos 1:21). Quando o Espírito Santo aplica o Evangelho com poder a uma
alma, é para "Destruir os conselhos, e toda a altivez que se
levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à
obediência de Cristo" (2
Cor 10: 5). Um bom lema para cada cristão adotar é: "Não se incline para o
seu próprio entendimento" (Provérbios 3: 5).
(Nota do tradutor: O temor de Deus consiste em
aborrecer o mal. E entenda-se como mal, não apenas o mal moral, mas tudo o que
se levanta contra a vontade de Deus. De modo que se alguém procurar nos
conduzir para longe de tudo aquilo que nos é ordenado pelo Senhor em Sua
Palavra, devemos estar dispostos a carregar esta cruz de perder até mesmo a
amizade de alguém, por motivo de escolhermos agradar ao Senhor e não à pessoa
em referência ou a nós mesmos. Esta talvez seja a cruz mais comum na vida dos
servos de Deus que procuram viver piedosamente em Cristo. Não é de se admirar
que o santo ande muitas vezes solitariamente, inclusive entre aqueles que se
professam cristãos, pois tem da parte do Senhor o mandamento de se afastar de
todo aquele que não ande segundo a sã doutrina. Isto não significa odiar, ou
ter um sentimento corrosivo em relação aos contradizentes, mas em não ter
comunhão com eles, para que se arrependam.)
Alguém "negar a si mesmo" significa
renunciar completamente à sua própria FORÇA. É estar "sem confiança na
carne" (Filipenses 3: 3). É o coração se curvando à declaração de Cristo:
"Sem Mim, nada podeis fazer." (João 15: 5). Foi nesse ponto que Pedro
falhou: (Mateus 26:33). "O orgulho precede a destruição, e um espírito
altivo a queda" (Provérbios 16:18). Quão necessário é, então, que
observemos 1 Coríntios 10:12: "Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe
não caia." O segredo da força espiritual - consiste em perceber a nossa
fraqueza pessoal! (Veja Isaías 40:29; 2 Cor 12: 9). Então, "nos
fortaleçamos na graça que está em Cristo Jesus" (2 Tim 2: 1).
Alguém “negar a si mesmo" significa renunciar
completamente à sua própria VONTADE. O idioma do salvo não é: "Nós não
teremos esse Homem para reinar sobre nós!" (Lucas 19:14). A atitude do
cristão é: "Para mim, viver é Cristo" (Filipenses 1:21) - para honrar
e servir. Renunciar às nossas próprias vontades, significa prestar atenção à
exortação de Fil 2: 5: "Que haja em vós o mesmo sentimento que havia em
Cristo Jesus", que é definido nos versículos que imediatamente se seguem
como abnegação. É o reconhecimento prático de que "você não é seu, porque
você é comprado com um preço" (1 Cor 6: 19,20). É dizer com Cristo:
"No entanto, não o que eu quero, mas o que tu queres." (Marcos
14:36).
Alguém "negar a si mesmo" significa
renunciar completamente a seus próprios desejos carnais. "O HOMEM é um
pacote de ídolos" (Thomas Manton), e esses ídolos devem ser repudiados. Os
não cristãos são "amantes de si mesmos" (2 Tim 3, 1); Mas aquele que
foi regenerado pelo Espírito, diz com Jó: "Eis que sou vil!" (40: 4):
"Eu me abomino!" (47: 6). Dos não cristãos está escrito, "Pois
todos buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus." (Filipenses
2:21); mas dos santos de Deus é registrado, "eles não amaram suas próprias
vidas até a morte" (Apo 12:11). A graça de Deus é "ensinar-nos que,
negando a impiedade e as concupiscências mundanas, devemos viver com
sobriedade, justiça e piedade neste mundo presente" (Tito 2:12).
Essa negação do eu que Cristo exige de todos os
Seus seguidores é UNIVERSAL. Não há reserva, nenhuma exceção feita: "Não
faça provisão para a carne, para as concupiscências" (Romanos 13:14). É
constante, não ocasional: "Se alguém vir após Mim, negue-se a si mesmo,
tome sua cruz diariamente e siga-me" (Lucas 9:23). É ser espontâneo, não
forçado; com prazer, não relutantemente: "E o que quer que fizerem, façam
com coração, quanto ao Senhor" (Col 3:23). Quão maligno é rebaixar o padrão que Deus coloca diante de
nós! Como condena as vidas mundanas superficiais e carnais de tantos que professam
(mas em vão) que são "cristãos"!
"E pegue sua cruz". Isso se refere à cruz
não como um objeto de fé, mas como uma experiência na alma. Os benefícios
legais do Calvário são recebidos através da fé, quando a culpa do pecado é
cancelada - mas as virtudes experimentais da Cruz de Cristo só são apreciadas
quando nós, de maneira prática, somos "conformes à sua morte"
(Filipenses 3:10) . É somente quando aplicamos a cruz em nossas vidas diárias, e
regulamos nossa conduta por seus princípios, que ela se torna eficaz sobre o
poder do pecado residente. Não pode haver ressurreição onde não há morte; e não
pode haver uma caminhada prática "em novidade da vida" e
"trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de
Jesus se manifeste em nossos corpos." (2 Cor 4.10). A "cruz" é o
distintivo, a evidência, do discipulado cristão. É a sua "cruz" e não
o seu credo, que distingue um verdadeiro seguidor de Cristo dos mundanos
religiosos.
Agora, no Novo Testamento, a "cruz"
representa realidades definidas.
Primeiro, expressa o ódio do mundo. O Filho de Deus
veio aqui para não julgar, mas para salvar; Não para punir, mas para resgatar.
Ele veio aqui "cheio de graça e verdade". Ele estava sempre à
disposição dos outros: ministrando aos necessitados, alimentando os famintos,
curando os doentes, libertando o possuído pelos demônios, ressuscitando os
mortos. Ele estava cheio de compaixão: gentil como um cordeiro; inteiramente
sem pecado. Ele trouxe com ele boas novas de grande alegria. Procurou o pária e
pregou aos pobres, mas desprezou os ricos; ele perdoou os pecadores. E como ele
foi recebido? Eles o "desprezaram e rejeitaram" (Isaías 53: 3). Ele
declarou: "Eles me odiaram sem causa" (João 15:25). Eles tinham sede
de Seu sangue. Nenhuma morte comum os apaziguaria. Eles exigiram que Ele fosse
crucificado. A Cruz, então, foi a manifestação do ódio do mundo pelo Cristo de
Deus.
O mundo não se transformou - mais do que o etíope
mudou sua pele, ou o leopardo suas manchas. O mundo e Cristo ainda estão em um
antagonismo aberto. Por isso, está escrito: "Quem quer que seja amigo do
mundo é inimigo de Deus" (Tiago 4: 4). É impossível andar com Cristo e
comungar com Ele - até que se separem do mundo. Andar com Cristo necessariamente
envolve compartilhar de sua humilhação: "Sairmos, portanto, para ele fora
do arraial, levando o seu opróbrio" (Heb 13:13). Isto foi o que Moisés
fez: (veja Heb 11: 24-26). Quanto mais eu estiver caminhando com Cristo, mais
eu serei mal interpretado (1 João 3: 2), ridicularizado (Jó 12: 4) e detestado
pelo mundo (João 15:19). Não se engane aqui - é absolutamente impossível
manter-se com o mundo e ter comunhão com o Santo Cristo. Assim,
"pegar" minha "cruz" significa que eu deliberadamente julgo
a inimizade do mundo, por meio da minha recusa em ser "conformado" a
ele (Romanos 12: 2). Mas no que as fronteiras do mundo são importantes - se eu
estou gostando dos sorrisos do Salvador!
Tomar minha "cruz" significa uma vida
voluntariamente entregue a Deus. Como o ato de homens perversos, a morte de
Cristo foi um assassinato; mas, como o próprio ato de Cristo, foi um sacrifício
voluntário, oferecendo-se a Deus. Foi também um ato de obediência a Deus. Em
João 10:18, ele disse: "Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou;
tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento
recebi de meu Pai.". E por que ele o afirmou? Suas últimas palavras nos
dizem: "Este mandamento recebi de Meu Pai". A cruz foi a demonstração
suprema da obediência de Cristo. Aqui, ele foi o nosso Exemplo. Mais uma vez, citamos
Filipenses 2: 5: "Tende em vós aquele sentimento que houve também em
Cristo Jesus ". No que se segue, vemos o Amado do Pai, tomando a forma de
servo e tornando-se "obediente até a morte, a morte da cruz". Agora,
a obediência de Cristo deve ser a obediência voluntária do cristão, alegre, sem
reservas, contínua. Se essa obediência envolve vergonha e sofrimento,
repreensão e perda - não devemos hesitar - mas colocar nossa face "como um
pederneira" (Isaías 50: 7). A cruz é mais que o objeto da fé do cristão, é
o emblema do discipulado, o princípio pelo qual sua vida deve ser regulada. A
"cruz" representa a entrega e a dedicação a Deus: "Rogo-vos
pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional."
(Romanos 12 : 1).
A "cruz" significa serviço vicário e
sofrimento. Cristo estabeleceu a Sua vida pelos outros, e os Seus seguidores
são chamados a estarem dispostos a fazer o mesmo: "Devemos dar as nossas
vidas pelos irmãos" (1 João 3:16). Essa é a inevitável lógica do Calvário.
Somos chamados a seguir o exemplo de Cristo, à comunhão de seus sofrimentos, a
ser parceiros no Seu serviço. Como Cristo se fez "sem reputação"
(Filipenses 2: 7), também nós. Como Ele "não veio para ser servido",
mas para servir "(Mateus 20:28) - também devemos. Como Ele "não se
agradou" (Romanos 15: 3), também nós. Como Ele sempre pensou nos outros,
devemos também: "Lembrar-nos dos presos, como se estivéssemos presos com
eles, e dos maltratados, como sendo-o nós mesmos também no corpo." (Heb
13: 3).
"Pois, quem quiser salvar a sua vida,
perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á." (Mateus
16:25). As palavras quase idênticas a estas são encontradas novamente em Mateus
10:39, Marcos 8:35, Lucas 9:24; 17:33, João 12:25. Certamente, tal repetição
argumenta a profunda importância de nossa observação e atenção a esta frase de
Cristo. Ele morreu para vivermos (João 12:24), também devemos nós (João 12:25).
Como Paulo, devemos poder dizer: "em nada tenho a minha vida como preciosa
para mim, contando que complete a minha carreira e o ministério que recebi do
Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus." (Atos
20:24). A "vida" que é vivida para a gratificação do EGO neste mundo,
é "perdida" pela eternidade; A vida que é sacrificada aos interesses
próprios e cedeu a Cristo, será "encontrada" novamente e preservada
pela eternidade.
Um jovem formado na universidade, com perspectivas
brilhantes, respondeu ao chamado de Cristo a uma vida de serviço para ele na
Índia, entre a casta mais baixa dos nativos. Seus amigos exclamaram: "Que
tragédia! Uma vida jogada fora!" Sim, "perdeu" tanto quanto este
mundo - mas "encontrou" novamente no mundo por vir!
(Nota do tradutor: A Palavra de Deus nos ensina
claramente que não fomos chamados apenas para afirmar verbalmente nossa fé em
Cristo, mas sobretudo para demonstrar a realidade dessa fé nos sofrimentos que
padecemos com paciência por causa do Seu nome (Filipenses 1.29).
Nós lemos em 2 Timóteo 2.11,12:
“11 Fiel é esta palavra: Se, pois, já morremos com
ele, também com ele viveremos; (observe que se afirma que a vida com Cristo
decorre da nossa morte com ele, ou seja da nossa identificação com a sua
morte na cruz, carregando em nosso corpo
o morrer de Jesus)
12 se perseveramos, com ele também reinaremos; se o
negarmos, também ele nos negará.” (observe que o reinar com Cristo demanda
perseverar em fazer a Sua vontade pelo fiel carregar diário da cruz)
Importa que em tudo sejamos identificados ao nosso
Salvador e Senhor, tanto no que se refere à Sua glória, quanto aos Seus
sofrimentos; de modo que aqui embaixo, um grande indicativo da nossa real
eleição por Deus como seus filhos amados, consiste principalmente na paciência
com que suportamos perseguições e sofrimentos por causa do nosso bom testemunho
em seguir as pegadas de Jesus Cristo.)
“5 Porque, como as aflições de Cristo transbordam
para conosco, assim também por meio de Cristo transborda a nossa consolação.
6 Mas, se somos atribulados, é para vossa
consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação é a qual
se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos;
7 e a nossa esperança acerca de vós é firme,
sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da
consolação.” ( 2 Coríntios 1.5-7)
“19 Porque isto é agradável, que alguém, por causa
da consciência para com Deus, suporte tristezas, padecendo injustamente.
20 Pois, que glória é essa, se, quando cometeis
pecado e sois por isso esbofeteados, sofreis com paciência? Mas se, quando
fazeis o bem e sois afligidos, o sofreis com paciência, isso é agradável a
Deus.
21 Porque para isso fostes chamados, porquanto
também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas
pisadas.” (I Pedro 2.19-21)
“14 Mas também, se padecerdes por amor da justiça,
bem-aventurados sereis; e não temais as suas ameaças, nem vos turbeis;
15 antes santificai em vossos corações a Cristo
como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a
todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós;
16 tendo uma boa consciência, para que, naquilo em
que falam mal de vós, fiquem confundidos os que vituperam o vosso bom
procedimento em Cristo.
17 Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a
vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal.” (I Pedro 3.14-17)
“12 Amados, não estranheis a ardente provação que
vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse;
13 mas regozijai-vos por serdes participantes das
aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e
exulteis.
14 Se pelo nome de Cristo sois vituperados,
bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito
de Deus.
15 Que nenhum de vós, entretanto, padeça como
homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se entremete em negócios
alheios;
16 mas, se padece como cristão, não se envergonhe,
antes glorifique a Deus neste nome.” (I Pedro 4.12-16)
“8 Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o
Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar;
9 ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os
mesmos sofrimentos estão-se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo.
10 E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos
chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo
vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer.” (I Pedro 5.8-10)
“7 Mas o que para mim era lucro passei a
considerá-lo como perda por amor de Cristo;
8 sim, na verdade, tenho também como perda todas as
coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual
sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa
ganhar a Cristo,
9 e seja achado nele, não tendo como minha justiça
a que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem
de Deus pela fé;
10 para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e
a e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me a ele na sua morte,”
(Filipenses 3.7-10)
“8 Portanto não te envergonhes do testemunho de
nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa comigo dos
sofrimentos do evangelho segundo o poder de Deus,” (II Timóteo 1.8)
“10 Irmãos, tomai como exemplo de sofrimento e
paciência os profetas que falaram em nome do Senhor.
11 Eis que chamamos bem-aventurados os que
suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor
lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão.” (Tiago 5.10,11)
“8 Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Isto diz o
primeiro e o último, que foi morto e reviveu:
9 Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu
és rico), e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são
sinagoga de Satanás.
10 Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo
está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis
uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”
(Apocalipse 2.8-10)
“12 Todos os que querem ostentar boa aparência na
carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos
por causa da cruz de Cristo.
13 Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam
guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa
carne.
14 Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na
cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim
e eu para o mundo.” (Gálatas 6.12-14)
“1 Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre
deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita
por mãos, eterna, nos céus.
2 Pois neste tabernáculo nós gememos, desejando
muito ser revestidos da nossa habitação que é do céu,
3 se é que, estando vestidos, não formos achados
nus.
4 Porque, na verdade, nós, os que estamos neste
tabernáculo, gememos oprimidos, porque não queremos ser despidos, mas sim
revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida.
5 Ora, quem para isto mesmo nos preparou foi Deus,
o qual nos deu como penhor o Espírito.
6 Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que,
enquanto estamos presentes no corpo, estamos ausentes do Senhor
7 (porque andamos por fé, e não por vista);
8 temos bom ânimo, mas desejamos antes estar
ausentes deste corpo, para estarmos presentes com o Senhor.
9 Pelo que também nos esforçamos para ser-lhe
agradáveis, quer presentes, quer ausentes.
10 Porque é necessário que todos nós sejamos
manifestos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que fez por
meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o mal.
11 Portanto, conhecendo o temor do Senhor,
procuramos persuadir os homens; mas, a Deus já somos manifestos, e espero que
também nas vossas consciências sejamos manifestos.
12 Não nos recomendamos outra vez a vós, mas
damo-vos ocasião de vos gloriardes por nossa causa, a fim de que tenhais
resposta para os que se gloriam na aparência, e não no coração.
13 Porque, se enlouquecemos, é para Deus; se
conservamos o juízo, é para vós.
14 Pois o amor de Cristo nos constrange, porque
julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram;
15 e ele morreu por todos, para que os que vivem
não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” (2 Coríntios 5.1-15)
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